O número de dívidas condominiais enviadas a cartórios para protesto aumentou 569% entre 2024 e 2025. Segundo o Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil, as cobranças passaram de 15.071 em 2024 para 100.815 no ano seguinte. O valor total das dívidas também subiu significativamente, indo de R$ 29 milhões para R$ 199 milhões.
Em entrevista ao Jornal da Record News desta quarta-feira (18), Daniel Emilio Fontana Frias, presidente dos Cartórios de Protesto do Mato Grosso do Sul, explica que os condomínios estão optando por essa via extrajudicial devido à rapidez na recuperação dos créditos não pagos.
“Em alguns casos, para condomínios, no período de três dias, houve uma recuperação de 15% e, pegando uma gama maior de tempo, entre um mês e um pouco mais de um ano, chega entre 30% e 40% de recuperação de crédito”, diz.
Segundo Frias, as consequências para os moradores com débitos protestados incluem restrições ao acesso a financiamentos e consórcios até que regularizem suas pendências financeiras. Caso haja contestação sobre o valor da dívida ou seu pagamento indevido pelo locatário em vez do proprietário, medidas judiciais podem ser tomadas.
Para Frias, a inadimplência afeta diretamente a saúde financeira dos condomínios e pode comprometer serviços essenciais como segurança e manutenção predial. Em alguns casos, os “bons pagadores” acabam arcando com custos adicionais devido aos atrasos alheios.
“Quando alguém porventura deixa de pagar esse valor, aquele fenômeno que ocorre no Brasil se repete, que os bons pagadores pagam todos os maus. Ou seja, se um condomínio com 100 pessoas, cada uma com uma contribuição, e 50 delas não pagam, acaba havendo necessidade de que se chame a inadimplência para complementar o valor que deixou de ser pago”, finaliza.
Fonte: R7