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Gestão financeira e visão estratégica marcam palestra no Circuito Lidera Cartório 2026 em Cuiabá

20 de junho de 2026

 

A gestão financeira das serventias extrajudiciais foi debatida durante o Circuito Lidera Cartório 2026, promovido pela Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg-BR), em parceria com a Confederação Nacional de Notários e Registradores (CNR) e o Grupo Txai. A apresentação trouxe reflexões práticas sobre administração financeira, planejamento estratégico, controle de custos e sustentabilidade econômica dos cartórios.

Durante a exposição, a palestrante Denise Fernandes da Cruz, CEO do Grupo Txai, destacou que muitos titulares ainda dedicam pouca atenção à gestão financeira das serventias, apesar de ela ser fundamental para a perenidade dos negócios. Segundo ela, o cartório deve ser encarado como uma organização que exige planejamento, acompanhamento de indicadores e tomada de decisões baseadas em dados. “O cartório é um excelente negócio, mas precisa ser administrado como tal. Não basta ter receita; é preciso saber para onde o dinheiro está indo, quais são os custos, quais investimentos são necessários e como garantir a sustentabilidade da serventia ao longo do tempo”, afirmou.

Entre os temas abordados esteve a importância da criação de reservas financeiras e da separação clara entre os recursos do cartório e as finanças pessoais do titular. A palestrante ressaltou que a definição de um pró-labore e o reinvestimento dos resultados são medidas essenciais para o crescimento estruturado da atividade. “O lucro do cartório não é simplesmente o dinheiro disponível na conta. É preciso definir um valor de retirada e utilizar o restante para fortalecer a operação, investir em tecnologia, capacitação da equipe e melhorias na estrutura física”, explicou.

Outro ponto enfatizado foi a necessidade de controle rigoroso das despesas. A palestrante alertou que pequenos desperdícios, muitas vezes ignorados na rotina, podem representar perdas significativas ao longo do tempo. “Dinheiro mal utilizado é dinheiro que deixa de ser investido na modernização da serventia, na qualificação da equipe ou na melhoria do atendimento ao cidadão. Cada gasto deve ser analisado com critério”, observou.

A apresentação também abordou a importância da elaboração de orçamentos anuais, projeções de fluxo de caixa, conciliação bancária, controle de estoque, análise de indicadores financeiros e planejamento de investimentos. Segundo a especialista, ferramentas simples de acompanhamento já são capazes de gerar ganhos expressivos de eficiência.

A automação de processos financeiros foi apontada como outro caminho para reduzir custos operacionais e aumentar a produtividade. Sistemas integrados, conciliação bancária automática e digitalização de procedimentos foram citados como exemplos de soluções que ajudam a eliminar retrabalho e proporcionar maior segurança na gestão.

Ao falar sobre planejamento, Denise reforçou a necessidade de preparar os cartórios para investimentos futuros e para eventuais situações de crise. “Quem trabalha constantemente preocupado em pagar a próxima conta acaba focando apenas na sobrevivência. Quando existe planejamento e reserva financeira, o gestor consegue enxergar oportunidades de crescimento e tomar decisões com mais segurança”, destacou.

A palestra também tratou dos desafios trazidos pela reforma tributária, das novas exigências relacionadas à solvência financeira das serventias e da importância de mecanismos de proteção, como seguros de responsabilidade civil e fundos de reserva. Encerrando sua participação, a especialista incentivou os participantes a adotarem uma postura mais empreendedora e proativa na condução das unidades extrajudiciais. “Não adianta apenas identificar os problemas. É preciso agir. Toda melhoria começa com planejamento, organização e execução. Os cartórios têm um papel fundamental no desenvolvimento das cidades e precisam estar preparados para acompanhar esse crescimento”, concluiu.