
A programação do segundo dia do Circuito Lidera Cartório 2026, realizado em Cuiabá pela Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg-BR), Confederação Nacional de Notários e Registradores (CNR) e o Grupo Txai, trouxe reflexão prática e estratégica sobre um dos temas mais relevantes para a gestão extrajudicial contemporânea: a construção de uma cultura organizacional forte como instrumento de melhoria contínua, inovação e excelência nos serviços prestados à sociedade.
Durante a palestra, a consultora Denise Fernandes, CEO do Grupo Txai, abordou como hábitos, comportamentos e práticas consolidadas dentro das serventias impactam diretamente a produtividade, a qualidade dos serviços e a capacidade de adaptação às constantes transformações do setor. Segundo ela, toda organização possui uma cultura instalada, independentemente de ela ser positiva ou negativa. O desafio das lideranças é identificar quais comportamentos precisam ser fortalecidos e quais devem ser transformados para que os resultados evoluam de forma consistente. “Todo novo processo gera resistência. O que transforma uma mudança em cultura é a persistência. Se não houver insistência e acompanhamento, as pessoas tendem a voltar a fazer as coisas da forma como sempre fizeram”, destacou.
A palestrante enfatizou que a segurança jurídica permanece como valor inegociável dos cartórios, mas ressaltou que excelência operacional, agilidade e gestão eficiente também precisam fazer parte da cultura das serventias. Para isso, defendeu o uso de indicadores, procedimentos padronizados, treinamento contínuo das equipes e acompanhamento sistemático dos resultados.
Outro ponto de destaque foi a importância da liderança na implementação de mudanças. Conforme explicou, titulares, substitutos e coordenadores precisam estar preparados para conduzir processos de transformação, mesmo diante das resistências naturais das equipes. “Uma cultura forte não se constrói por imposição, mas por repetição, exemplo e consistência. É preciso mostrar às pessoas por que determinada prática é importante e como ela beneficia todos os envolvidos”, afirmou.
A expositora também apresentou exemplos de serventias que conseguiram reduzir prazos, automatizar processos, melhorar a experiência do usuário e fortalecer o engajamento das equipes por meio da adoção de metodologias de gestão, programas de capacitação e uso inteligente da tecnologia.
Entre os temas debatidos estiveram a utilização de ferramentas de automação, gestão por indicadores, planejamento estratégico e programas de reconhecimento de desempenho, sempre com foco na melhoria da experiência do cidadão e no fortalecimento da atividade extrajudicial. Denise ainda destacou que a cultura organizacional deve estar alinhada à missão institucional dos cartórios, permitindo que as serventias funcionem de forma cada vez mais estruturada, sustentável e preparada para os desafios trazidos pela transformação digital e pela ampliação das atribuições extrajudiciais.
Ao encerrar sua apresentação, reforçou que a evolução da gestão depende de um trabalho contínuo de desenvolvimento das pessoas e dos processos. “A cultura organizacional é aquilo que sustenta os resultados ao longo do tempo. Processos podem ser copiados, tecnologias podem ser adquiridas, mas uma cultura forte é o que realmente diferencia as organizações que conseguem crescer e entregar mais valor para a sociedade”, concluiu.