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Cresce 60% em 10 anos o número de exportadores do agronegócio, setor que depende da regularização documental e dos serviços cartorários

3 de julho de 2026

O setor agrícola responde por uma parcela relevante das exportações do Brasil.

Dados de órgãos internacionais mostram que o setor responde por cerca de 40% de tudo o que o Brasil exporta. Levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostra que o número de CNPJs da agropecuária com atuação nas exportações passou de 1.440 em 2015 para 2.316 em 2025, representando um crescimento de 60,8% ao longo de uma década.

Um dos principais pontos do levantamento é que ele derruba a ideia de que só grandes empresas exportam. Hoje, pequenos e médios produtores também estão ganhando espaço no mercado internacional e já representam 61% dos exportadores. Muitos deles exportam com apoio de cooperativas, tradings e associações, que ajudam a organizar a produção, ganhar escala e atender às exigências para vender fora do país.

Especialistas explicam que isso tem relação com o uso de tecnologia no campo, melhor organização dos produtores e maior apoio de instituições. Com isso, o agronegócio brasileiro fica mais diversificado, com mais produtores participando das exportações, e não apenas os grandes grupos.

Quando o assunto é exportação no agronegócio, muita gente pensa só na produção e na logística, mas a parte documental também pesa bastante e é aí que os cartórios entram. Para exportar, o produtor ou a empresa precisa comprovar a origem da produção, a regularidade da propriedade rural e a existência de contratos válidos.

 

 

“Os números mostram a força e a transformação do agronegócio brasileiro ao longo dos últimos anos, com mais produtores chegando ao mercado internacional e ampliando a presença do país no comércio global. Esse avanço não acontece apenas no campo, mas também na organização e na segurança jurídica de toda a cadeia produtiva”, explica a presidente da Associação dos Notários e Registradores do Estado do Mato Grosso (Anoreg/MT), Velenice Dias de Almeida. “É nesse ponto que os serviços notariais e registrais ganham relevância: eles garantem a regularidade documental, dão segurança às relações comerciais e contribuem para que produtores, cooperativas e empresas possam crescer com mais confiança e estabilidade. O desenvolvimento do agronegócio passa, necessariamente, por um ambiente institucional sólido, onde a formalização protege os negócios e fortalece o Brasil no cenário internacional”, complementa.

O registro de imóveis, por exemplo, garante que a terra usada na produção esteja devidamente regularizada, o que é exigido por muitos compradores internacionais e certificações. Além disso, contratos de compra e venda internacional, parcerias e financiamentos muitas vezes passam por reconhecimento de firma ou autenticação, o que dá validade jurídica aos acordos. Em operações maiores, isso evita questionamentos e problemas na hora de fechar negócios com outros países.

 

Outro ponto importante é que bancos e investidores, que financiam boa parte da produção destinada à exportação, exigem garantias formais e esses registros também passam pelo setor extrajudicial. Ou seja, para que a exportação aconteça sem riscos, não basta produzir bem. É preciso ter tudo documentado e regularizado, e essa parte passa diretamente pelos cartórios.

Em 2024, as vendas externas do agronegócio atingiram aproximadamente US$ 164,4 bilhões, um dos maiores resultados da série histórica, mesmo diante de oscilações nos preços internacionais.

O aumento da demanda global por alimentos e matérias-primas contribuiu para a expansão das exportações. Ao mesmo tempo, investimentos em tecnologia, pesquisa e logística elevaram a produtividade e permitiram maior volume de embarques.

Atualmente, o Brasil responde por cerca de 7,3% das exportações agrícolas globais, entre os maiores fornecedores de alimentos do mundo. O volume exportado é impulsionado por produtos como soja, milho, carne e café, que lideram a pauta do setor. Essas commodities têm alta demanda no mercado internacional, principalmente em países com baixa capacidade de produção de alimentos, o que mantém o Brasil como um dos principais abastecedores globais.

Os principais destinos das exportações agrícolas brasileiras incluem China, Estados Unidos, países da União Europeia e economias emergentes da Ásia e da África. No segmento de alimentos, mercados como China, Indonésia, Estados Unidos, Holanda e Tailândia aparecem entre os maiores compradores.

A China, que possui limitações de terras agrícolas e alta demanda por alimentos, depende de importações para garantir o abastecimento interno e reduzir pressões sobre os preços. A soja é o principal exemplo dessa dependência. O país asiático importa grandes volumes do grão para produção de ração animal, base da sua cadeia de carnes. O Brasil, por sua vez, tornou-se o maior exportador mundial de soja e hoje responde por mais da metade do comércio global do produto. Essa relação garante ao Brasil um mercado com alta capacidade de absorção, permitindo o escoamento de grandes volumes de produção. Ao mesmo tempo, a China utiliza essas importações para sustentar o abastecimento alimentar de sua população, estimada em mais de 1,4 bilhão de pessoas, e para reduzir a volatilidade dos preços domésticos.

Em 2025, as exportações brasileiras para o país asiático alcançaram cerca de US$ 100 bilhões, o segundo maior resultado da série histórica iniciada em 1997. Esse desempenho só fica atrás do recorde registrado em 2023, quando o valor chegou a US$ 104 bilhões, segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China.

Além da Ásia, a União Europeia também é um destino das exportações, especialmente de produtos com maior valor agregado e exigências ambientais rigorosas. Ao mesmo tempo, regiões como África e Oriente Médio têm ampliado sua participação como mercados consumidores. Essas regiões apresentam limitações estruturais, como escassez de água e condições climáticas adversas, o que aumenta sua dependência de importações de alimentos.

O crescimento das exportações brasileiras está diretamente associado ao avanço tecnológico no campo. O país tornou-se um dos maiores produtores de grãos do mundo, com uma produção anual que ultrapassa centenas de milhões de toneladas, resultado de investimentos em pesquisa, inovação e adoção de tecnologias que aumentaram a produtividade agrícola. O uso de biotecnologia, agricultura de precisão e sistemas de produção em larga escala permitiu ao Brasil competir em igualdade com os principais players globais.

Entretanto, a expansão das exportações também traz desafios importantes. Um dos principais está relacionado à dependência de commodities. Apesar do crescimento consistente, com taxas médias anuais superiores a 9% nas últimas décadas, a concentração em produtos primários torna o país vulnerável às oscilações de preços no mercado internacional.

Outro ponto crítico diz respeito às questões ambientais. A expansão da fronteira agrícola, impulsionada pela demanda internacional, tem gerado impactos especialmente em biomas como a Amazônia e o Cerrado. Esse cenário tem despertado preocupação em mercados internacionais, principalmente na Europa, onde critérios ambientais e de sustentabilidade estão cada vez mais presentes nas negociações comerciais. A capacidade do Brasil de equilibrar crescimento econômico e preservação ambiental será determinante para a manutenção de sua competitividade global.

A infraestrutura logística também representa um desafio. Apesar dos avanços, o país ainda enfrenta gargalos no transporte e na capacidade portuária. A eficiência logística é fundamental para garantir competitividade, especialmente em mercados globais altamente concorrenciais. Investimentos em rodovias, ferrovias e portos são essenciais para reduzir custos e melhorar o escoamento da produção.

Sobre a Anoreg/MT

A Associação dos Notários e Registradores do Estado do Mato Grosso (Anoreg/MT) é a entidade que representa os cartórios extrajudiciais do estado. Fundada em setembro de 1998, atua na defesa institucional da atividade notarial e registral, na interlocução com os poderes públicos e no fortalecimento da prestação de serviços à sociedade.