{"id":57287,"date":"2026-10-28T13:47:02","date_gmt":"2026-10-28T17:47:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/?p=57287"},"modified":"2026-10-28T13:47:02","modified_gmt":"2026-10-28T17:47:02","slug":"alteracao-de-paternidade-em-registro-civil-de-crianca-exige-acao-propria-e-nao-pode-ser-feita-por-acordo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/alteracao-de-paternidade-em-registro-civil-de-crianca-exige-acao-propria-e-nao-pode-ser-feita-por-acordo\/","title":{"rendered":"Altera\u00e7\u00e3o de paternidade em registro civil de crian\u00e7a exige a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e n\u00e3o pode ser feita por acordo"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">\n<p class=\"entry-title\" style=\"text-align: justify;\">Para o relator, desembargador convocado Lu\u00eds Carlos Gambogi, a filia\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito personal\u00edssimo e indispon\u00edvel, que n\u00e3o pode ser objeto de acordo entre as partes. Al\u00e9m disso, ele real\u00e7ou que a comprova\u00e7\u00e3o da paternidade biol\u00f3gica por exame de DNA n\u00e3o \u00e9 suficiente, por si s\u00f3, para justificar a exclus\u00e3o do pai registral, diante da necessidade de prote\u00e7\u00e3o dos direitos da personalidade da crian\u00e7a.<\/p>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Justi\u00e7a de primeiro grau homologou acordo para substituir pai registral pelo biol\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">O caso teve origem em um pedido de homologa\u00e7\u00e3o de acordo extrajudicial, apresentado em procedimento sem conflito entre as partes (jurisdi\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria). O pedido visava substituir o nome do pai registral pelo do pai biol\u00f3gico no registro de nascimento de uma crian\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Houve homologa\u00e7\u00e3o de acordo em primeira inst\u00e2ncia, mas o Tribunal de Justi\u00e7a do Maranh\u00e3o (TJMA) acolheu recurso do Minist\u00e9rio P\u00fablico estadual e reformou a senten\u00e7a. Ao extinguir o processo sem resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito, o TJMA entendeu que a altera\u00e7\u00e3o da paternidade exige a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, com instru\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria, n\u00e3o sendo suficiente o consenso entre os envolvidos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">No recurso especial, sustentou-se a validade do acordo, sob os argumentos de que o exame de DNA comprovava a paternidade biol\u00f3gica e de que n\u00e3o existia v\u00ednculo socioafetivo entre a crian\u00e7a e o pai registral.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Altera\u00e7\u00e3o do registro exige apura\u00e7\u00e3o de eventual v\u00ednculo socioafetivo<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">O desembargador convocado Lu\u00eds Carlos Gambogi destacou que, conforme previsto nos <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1604\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigos 1.604<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1609\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1.609 do C\u00f3digo Civil<\/a> (CC), o reconhecimento da paternidade \u00e9 irrevog\u00e1vel e a altera\u00e7\u00e3o do estado de filia\u00e7\u00e3o exige a comprova\u00e7\u00e3o de erro ou falsidade do registro, n\u00e3o bastando a manifesta\u00e7\u00e3o de vontade dos envolvidos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">O relator tamb\u00e9m ressaltou que o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art841\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo 841 do CC<\/a> permite a transa\u00e7\u00e3o apenas sobre direitos patrimoniais de car\u00e1ter privado, impossibilitando a utiliza\u00e7\u00e3o de acordo para dispor sobre o estado de filia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Gambogi lembrou, ainda, da jurisprud\u00eancia do STJ para a admiss\u00e3o de anula\u00e7\u00e3o do registro de nascimento: prova robusta de que o pai registral foi induzido a erro ou coagido ao reconhecimento da paternidade; e inexist\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o socioafetiva entre pai e filho.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Segundo o desembargador convocado, mesmo quando h\u00e1 exame de DNA, a altera\u00e7\u00e3o da paternidade depende de investiga\u00e7\u00e3o adequada sobre os la\u00e7os afetivos existentes. Para ele, a prote\u00e7\u00e3o dos direitos da personalidade da crian\u00e7a n\u00e3o pode ficar condicionada apenas \u00e0 concord\u00e2ncia dos envolvidos. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio a instru\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria para a apura\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo socioafetivo, sendo insuficiente a simples manifesta\u00e7\u00e3o de vontade das partes\u201d, afirmou.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Em refor\u00e7o \u00e0 conclus\u00e3o, o relator mencionou precedente da Terceira Turma do STJ que estabelece ser inadmiss\u00edvel a homologa\u00e7\u00e3o de acordo extrajudicial para retifica\u00e7\u00e3o do registro civil de menor sem a observ\u00e2ncia dos requisitos e do procedimento legal. Entre as provid\u00eancias necess\u00e1rias est\u00e3o a participa\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico, a produ\u00e7\u00e3o de prova pericial em ju\u00edzo, sob contradit\u00f3rio, e a realiza\u00e7\u00e3o de estudos psicossociais para apurar eventuais v\u00ednculos socioafetivos com o pai registral e sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\"><em>O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de segredo judicial<\/em>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\"><em>Fonte: STJ<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para o relator, desembargador convocado Lu\u00eds Carlos Gambogi, a filia\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito personal\u00edssimo e indispon\u00edvel, que n\u00e3o pode ser objeto de acordo entre as partes. 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