{"id":51065,"date":"2026-07-09T11:04:04","date_gmt":"2026-07-09T15:04:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/?p=51065"},"modified":"2026-07-09T11:04:04","modified_gmt":"2026-07-09T15:04:04","slug":"partilha-com-divisao-desigual-de-quinhoes-hereditarios-e-valida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/partilha-com-divisao-desigual-de-quinhoes-hereditarios-e-valida\/","title":{"rendered":"Partilha com divis\u00e3o desigual de quinh\u00f5es heredit\u00e1rios \u00e9 v\u00e1lida"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">\n<p class=\"entry-title\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel a divis\u00e3o desigual de <a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/pesquisa\/?q=%22quinh%C3%B5es+heredit%C3%A1rios%22\"><strong>quinh\u00f5es heredit\u00e1rios<\/strong><\/a>, desde que haja cess\u00e3o de direitos e que os herdeiros sejam maiores e capazes. Para homologar o acordo, o juiz deve se limitar a verificar sua regularidade e a livre manifesta\u00e7\u00e3o de vontade das partes, sem exigir igualdade entre os quinh\u00f5es.<\/p>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Com esse entendimento un\u00e2nime, a 3\u00aa Turma do\u00a0<a href=\"http:\/\/stj.jus.br\/\"><strong>Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/strong><\/a>\u00a0acolheu um\u00a0recurso especial\u00a0para determinar que a desigualdade da divis\u00e3o da heran\u00e7a n\u00e3o deve impedir a homologa\u00e7\u00e3o da partilha apresentada ao ju\u00edzo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso teve origem em a\u00e7\u00e3o de invent\u00e1rio. O falecido n\u00e3o deixou descendentes nem ascendentes, mas apenas dois irm\u00e3os: um bilateral e um unilateral. Com o invent\u00e1rio, os herdeiros chegaram a um acordo para dividir os bens. Embora, pela ordem de voca\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria, o irm\u00e3o unilateral tivesse direito \u00e0 metade da parcela destinada ao irm\u00e3o bilateral, eles ajustaram uma distribui\u00e7\u00e3o diferente, pela qual o unilateral receberia a maior parte do patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ju\u00edzo de primeiro grau recusou a homologa\u00e7\u00e3o da partilha por entender que o acordo configuraria ren\u00fancia parcial da heran\u00e7a, hip\u00f3tese vedada pelo ordenamento jur\u00eddico. Ao manter a decis\u00e3o, o Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo considerou que o acordo teria o prop\u00f3sito de disfar\u00e7ar uma doa\u00e7\u00e3o. No recurso ao STJ, um dos herdeiros alegou que a legisla\u00e7\u00e3o permite celebrar partilha amig\u00e1vel com quinh\u00f5es desiguais, sem que isso caracterize ren\u00fancia parcial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todos de acordo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu voto, a ministra Nancy Andrighi, relatora, explicou que a partilha amig\u00e1vel, prevista no\u00a0artigo 2.015 do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406compilada.htm\"><strong>C\u00f3digo Civil<\/strong><\/a>, prestigia a autonomia dos herdeiros, exigindo apenas que eles sejam capazes, estejam de acordo quanto \u00e0 divis\u00e3o dos bens e sigam as formalidades legais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAo partilhar os bens, o\u00a0artigo 2.017 do C\u00f3digo Civil\u00a0orienta a observa\u00e7\u00e3o, quanto ao seu valor, natureza e qualidade, da maior igualdade poss\u00edvel. N\u00e3o se exige, entretanto, que a igualdade entre quinh\u00f5es seja sempre absoluta. O pr\u00f3prio texto legal admite que a igualdade absoluta nem sempre ser\u00e1 atingida, diante das particularidades de cada patrim\u00f4nio e de cada grupo de herdeiros\u201d, afirmou a ministra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a relatora, o acordo firmado entre os irm\u00e3os n\u00e3o envolveu ren\u00fancia \u00e0 heran\u00e7a, mas cess\u00e3o de direitos heredit\u00e1rios, instituto que produz efeitos distintos e pode ocorrer de forma parcial, desde que formalizado antes da partilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nancy Andrighi tamb\u00e9m ressaltou que a eventual incid\u00eancia de tributos decorrentes da cess\u00e3o gratuita dos direitos heredit\u00e1rios, hip\u00f3tese equiparada \u00e0 doa\u00e7\u00e3o, deve ser apreciada pelo fisco, conforme entendimento fixado pela Primeira Se\u00e7\u00e3o no\u00a0<a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/repetitivos\/temas_repetitivos\/pesquisa.jsp?novaConsulta=true&amp;tipo_pesquisa=T&amp;cod_tema_inicial=1074&amp;cod_tema_final=1074\"><strong>Tema 1.074<\/strong><\/a>. Assim, a quest\u00e3o tribut\u00e1ria n\u00e3o impede a homologa\u00e7\u00e3o do acordo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, a relatora enfatizou que, inexistindo v\u00edcios de consentimento ou preju\u00edzo a terceiros, cabe ao Judici\u00e1rio respeitar a autonomia dos herdeiros maiores e capazes. \u201cA exig\u00eancia judicial de readequa\u00e7\u00e3o da partilha consensual, sem demonstra\u00e7\u00e3o de v\u00edcios ou preju\u00edzo a terceiros, viola a celeridade processual e descaracteriza a natureza simplificada do invent\u00e1rio por arrolamento\u201d, concluiu a ministra.\u00a0<em>Com informa\u00e7\u00f5es da assessoria de imprensa do STJ.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Fonte: Conjur<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 poss\u00edvel a divis\u00e3o desigual de quinh\u00f5es heredit\u00e1rios, desde que haja cess\u00e3o de direitos e que os herdeiros sejam maiores e capazes. 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