{"id":39784,"date":"2024-03-11T09:50:40","date_gmt":"2024-03-11T13:50:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/?p=39784"},"modified":"2024-03-11T09:50:40","modified_gmt":"2024-03-11T13:50:40","slug":"artigo-o-futuro-precario-enfrentado-pelas-novas-cidades-em-ascensao-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/artigo-o-futuro-precario-enfrentado-pelas-novas-cidades-em-ascensao-do-brasil\/","title":{"rendered":"Artigo: O futuro prec\u00e1rio enfrentado pelas novas cidades em ascens\u00e3o do Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A agricultura est\u00e1 criando riquezas rapidamente e impulsionando a economia nacional. Mas ser\u00e1 que o &#8220;ouro verde&#8221; pode sobreviver a um clima cada vez mais extremo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bryan Harris em Boa Esperan\u00e7a do Norte<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Vestido com um terno sob medida, abotoaduras de prata e mocassins de couro marrom, Marcelo Yamagata destoa na vasta planta\u00e7\u00e3o de soja e nas poeirentas estradas de terra de Boa Esperan\u00e7a do Norte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Originalmente do Rio de Janeiro, Yamagata cresceu ao redor de algumas das praias mais ic\u00f4nicas do mundo. Mas h\u00e1 tr\u00eas anos ele as trocou para se mudar mais de 1.500km a oeste para a remota cidade no cora\u00e7\u00e3o escaldante do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;Fiz uma aposta,&#8221; diz Yamagata de seu cart\u00f3rio com vista para a pra\u00e7a principal. &#8220;Este lugar vai ser enorme um dia.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Como muitos antes dele, o homem de 44 anos est\u00e1 perseguindo uma explos\u00e3o que est\u00e1 transformando n\u00e3o apenas Boa Esperan\u00e7a, mas toda a regi\u00e3o centro-oeste do Brasil. \u00c9 um boom n\u00e3o de semicondutores ou intelig\u00eancia artificial, mas de agricultura e agropecu\u00e1ria. Ou como os moradores simplesmente chamam: &#8220;agro&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Impulsionado pela crescente demanda global por alimentos, especialmente da China, o setor emergiu nos \u00faltimos anos como um motor-chave da maior economia da Am\u00e9rica Latina, representando hoje cerca de 25 por cento do produto interno bruto. Isso representa um aumento em rela\u00e7\u00e3o aos 18 por cento de uma d\u00e9cada atr\u00e1s. Direta ou indiretamente, emprega 27 por cento da popula\u00e7\u00e3o, de acordo com o Centro de Estudos Aplicados em Economia Avan\u00e7ada, da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0A agricultura agora est\u00e1 quase que exclusivamente sustentando as fortunas econ\u00f4micas da na\u00e7\u00e3o. No primeiro trimestre de 2023, o setor cresceu extraordin\u00e1rios 21 por cento e mais de 15 por cento ao longo do ano. Esse crescimento &#8211; o mais forte desde 1996, de acordo com os dados dispon\u00edveis &#8211; ajudou a impulsionar o crescimento nacional total, que superou as expectativas em 2,9 por cento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Em lugar algum o boom do agro \u00e9 mais vis\u00edvel do que em Mato Grosso, um estado maior que a Fran\u00e7a e a Alemanha combinadas, que faz fronteira a oeste com a Bol\u00edvia e ao norte com a Amaz\u00f4nia. Historicamente um lugar desolado, o estado &#8211; que abriga Boa Esperan\u00e7a &#8211; hoje \u00e9 um dos mais ricos do Brasil, com um n\u00famero crescente de milion\u00e1rios e bilion\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;Aqui \u00e9 o futuro,&#8221; diz Francisco Pereira, que administra uma loja em Sorriso, a autoproclamada &#8220;capital da agricultura brasileira&#8221; em Mato Grosso. &#8220;H\u00e1 tanto dinheiro. E a cada ano cresce mais.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0A vizinha Boa Esperan\u00e7a est\u00e1 prestes a ser a pr\u00f3xima cidade em ascens\u00e3o. Ap\u00f3s anos de disputas legais, a cidade &#8211; cujo nome se traduz como Boa Esperan\u00e7a &#8211; se tornar\u00e1 no pr\u00f3ximo ano o mais novo munic\u00edpio oficial do Brasil quando a primeira administra\u00e7\u00e3o tomar posse.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-39785 aligncenter\" src=\"https:\/\/images.anoregmt.org.br\/955a00a2a7e1478d89b1bbc7a669f517:anoregmt\/2024\/03\/marcelo.jpg\" alt=\"\" width=\"533\" height=\"356\" srcset=\"https:\/\/images.anoregmt.org.br\/955a00a2a7e1478d89b1bbc7a669f517:anoregmt\/2024\/03\/marcelo-300x200.jpg 300w, https:\/\/images.anoregmt.org.br\/955a00a2a7e1478d89b1bbc7a669f517:anoregmt\/2024\/03\/marcelo.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 533px) 100vw, 533px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Marcelo Yamagata, um tabeli\u00e3o que se mudou para Boa Esperan\u00e7a do Rio de Janeiro h\u00e1 tr\u00eas anos, est\u00e1 entre aqueles que apostam em uma transforma\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o centro- oeste do Brasil. \u00a9 Ricardo Lisboa\/FT<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Isso dar\u00e1 direito a uma parte das receitas fiscais do governo e uma s\u00e9rie de novos servi\u00e7os p\u00fablicos e projetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Tamb\u00e9m estabelecer\u00e1 como uma zona para investimentos e os moradores est\u00e3o preparados para um influxo de dinheiro e pessoas na economia da soja e do milho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;Todos est\u00e3o deslumbrados com o crescimento at\u00e9 agora. Mas acreditamos que mais est\u00e1 por vir,&#8221; diz Calebe Francio, um grande propriet\u00e1rio de terras local que dever\u00e1 disputar &#8211; e vencer &#8211; as primeiras elei\u00e7\u00f5es municipais de Boa Esperan\u00e7a em outubro. &#8220;Com uma administra\u00e7\u00e3o local, pode ser mais din\u00e2mico.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0No entanto, pairando no horizonte, est\u00e1 uma amea\u00e7a potencial ao sucesso de Boa Esperan\u00e7a, Mato Grosso e ao boom agro do Brasil: a mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0No ano passado, o Brasil teve seu ano mais quente registrado e Mato Grosso e seu cintur\u00e3o agr\u00edcola central foram os locais mais quentes, com temperaturas 2\u00b0C acima da m\u00e9dia. As temperaturas extremas, combinadas com a falta de chuva, afetaram drasticamente a produ\u00e7\u00e3o, com previs\u00e3o de queda de mais de 20 por cento na produ\u00e7\u00e3o de soja, a principal cultura de renda. Em algumas partes do estado, a queda \u00e9 esperada ser ainda pior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0O ministro da Agricultura do Brasil chamou a situa\u00e7\u00e3o, que coincidiu com os baixos pre\u00e7os internacionais da soja, de &#8220;crise iminente&#8221; para o setor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Muitos agricultores locais &#8211; sens\u00edveis a quest\u00f5es ambientais devido a manchetes globais sobre desmatamento brasileiro &#8211; atribuem isso ao cont\u00ednuo El Ni\u00f1o, um fen\u00f4meno natural e c\u00edclico, que resulta em clima mais quente que eles n\u00e3o podem controlar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Mas grandes produtores, assim como agr\u00f4nomos e cientistas, j\u00e1 est\u00e3o se preparando para um futuro mais inst\u00e1vel, com investimentos em novas tecnologias e m\u00e9todos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;O aquecimento global est\u00e1 intensificando eventos clim\u00e1ticos, ent\u00e3o as secas s\u00e3o mais fortes, as tempestades s\u00e3o mais fortes,&#8221; diz Aurelio Pavinato, diretor-executivo da SLC Agr\u00edcola, um dos maiores produtores agr\u00edcolas do mundo, que est\u00e1 investindo em sementes geneticamente modificadas para prote\u00e7\u00e3o contra seca. &#8220;Os eventos clim\u00e1ticos est\u00e3o se tornando mais intensos, ent\u00e3o os danos \u00e0s nossas safras se tornar\u00e3o mais intensos.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;A mudan\u00e7a clim\u00e1tica era algo um pouco et\u00e9reo,&#8221; diz Fernando Rossi, um fazendeiro do estado centro-oeste de Goi\u00e1s. &#8220;Mas agora se tornou muito concreto.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0O Brasil lidera o mundo na produ\u00e7\u00e3o de uma vasta gama de produtos aliment\u00edcios, desde carne bovina e frango at\u00e9 caf\u00e9, suco de laranja e muitas frutas e legumes. As exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas impulsionaram o recorde de super\u00e1vit comercial do pa\u00eds, que no ano passado atingiu quase US$ 100 bilh\u00f5es, um aumento de 60 por cento em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Nos amplos campos ao redor de Boa Esperan\u00e7a e Sorriso, a cultura de escolha \u00e9 a soja, que os agricultores geralmente alternam com o milho ao longo de dois cultivos por ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0No ano passado, a soja foi a maior exporta\u00e7\u00e3o do Brasil, representando cerca de 16 por cento do total em termos de d\u00f3lares. O pa\u00eds latino-americano tamb\u00e9m \u00e9 o maior exportador mundial da oleaginosa, tendo ultrapassado os Estados Unidos h\u00e1 cerca de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0A maior parte da produ\u00e7\u00e3o vai para a China, onde \u00e9 misturada com milho para alimentar frangos e porcos, que por sua vez s\u00e3o consumidos pela popula\u00e7\u00e3o cada vez mais carn\u00edvora do pa\u00eds. Mas a soja tamb\u00e9m pode ser usada para uma variedade de \u00f3leos e produtos \u00e0 base de soja, como tofu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Antes da recente queda nos pre\u00e7os, a cultura era t\u00e3o lucrativa que os habitantes de Mato Grosso a chamavam de &#8220;ouro verde&#8221;. Ao lado do algod\u00e3o e do milho, o feij\u00e3o transformou o estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;Quando chegamos, nem mesmo havia uma cidade. Hoje n\u00f3s praticamente temos tudo,&#8221; diz Sadi Beledelli, um fazendeiro local que se mudou para a regi\u00e3o de Sorriso na d\u00e9cada de 1980 do estado mais ao sul do Brasil, Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0A migra\u00e7\u00e3o, especialmente dos estados do sul do pa\u00eds, impulsionou o crescimento do cintur\u00e3o agr\u00edcola de Mato Grosso. Mas nada disso teria sido poss\u00edvel sem avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, incluindo a modifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de culturas e novos m\u00e9todos de fertiliza\u00e7\u00e3o do solo, que transformaram terras outrora \u00e1ridas em algumas das mais abundantes do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;\u00c9 uma terra de oportunidades. Estamos crescendo a passos largos,&#8221; diz Ari Lafin, prefeito de Sorriso, que abriga cerca de 110.000 pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Tomando chimarr\u00e3o, uma bebida herbal popular no sul do Brasil, Lafin diz que a popula\u00e7\u00e3o de Sorriso est\u00e1 crescendo a 20 por cento ao ano. O PIB, acrescenta, saltou de cerca de US$ 800 milh\u00f5es em 2017 para quase US$ 3 bilh\u00f5es em 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Essa nova riqueza \u00e9 evidente. Novas mans\u00f5es pontilham as avenidas bem cuidadas da cidade. Caminhonetes importadas cruzam suas largas ruas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;Na minha cidade natal [no sul do Brasil], eu nunca vi uma Ram,&#8221; diz Jo\u00e3o, um rec\u00e9m-chegado a Sorriso, referindo-se \u00e0s grandes caminhonetes que podem ser vendidas por US$ 100.000. &#8220;Aqui eu vejo cinco a caminho de casa.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Um estudo recente de um grupo de elite dentro das pessoas mais ricas do Brasil &#8211; aquelas no 0,1 por cento &#8211; descobriu que os maiores ganhadores eram de Mato Grosso, de acordo com o Observat\u00f3rio de Pol\u00edtica Fiscal da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;Em termos de PIB per capita do estado, hoje est\u00e1 entre os mais altos do pa\u00eds,&#8221; diz S\u00e9rgio Gobetti, economista que assinou o estudo. Mas ele destaca que a desigualdade tamb\u00e9m est\u00e1 crescendo, com a riqueza concentrada entre os propriet\u00e1rios de terras &#8211; geralmente do sul do Brasil &#8211; e n\u00e3o nos trabalhadores, geralmente do nordeste mais pobre do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Duas horas a leste de Sorriso, atrav\u00e9s de vastas planta\u00e7\u00f5es de soja planas, Boa Esperan\u00e7a est\u00e1 come\u00e7ando a experimentar seu boom. A cidade ainda mant\u00e9m uma qualidade de fronteira; sua entrada \u00e9 dominada por um grande complexo de silos, onde dezenas de caminh\u00f5es articulados ficam ociosos, aguardando o pr\u00f3ximo carregamento de soja. A popula\u00e7\u00e3o de 7.000 habitantes \u00e9 pequena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Mas os moradores esperam que a economia aumente assim que seu status como munic\u00edpio oficial for formalizado no in\u00edcio do pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;J\u00e1 desenvolveu muito e deve se desenvolver mais com o estabelecimento da cidade,&#8221; diz Gabriela Arquaz, que se mudou para Boa Esperan\u00e7a h\u00e1 cinco anos. &#8220;Para quem vem investir em im\u00f3veis, \u00e9 \u00f3timo. O crescimento \u00e9 certo.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0O otimismo \u00e9 ecoado por Francio, o propriet\u00e1rio de terras local. &#8220;Pense nas pessoas esperando d\u00e9cadas por este momento. Todos est\u00e3o animados, todos est\u00e3o prontos para fazer investimentos.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Em meio \u00e0 excita\u00e7\u00e3o, poucos na regi\u00e3o parecem preocupados com o clima cada vez mais extremo do Brasil. Um refr\u00e3o comum \u00e9 a &#8220;estabilidade&#8221; do clima de Mato Grosso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Conscientes de sua representa\u00e7\u00e3o na Europa e em outros lugares como vil\u00f5es ambientais, os pol\u00edticos e produtores da regi\u00e3o fazem grandes esfor\u00e7os para destacar seu compromisso com regulamenta\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas e preserva\u00e7\u00e3o de florestas e vias naveg\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;Macron precisa vir aqui e conhecer a realidade,&#8221; diz Lafin, referindo-se ao presidente franc\u00eas Emmanuel Macron, que \u00e9 alvo de zombarias populares por suas cr\u00edticas relacionadas ao agroneg\u00f3cio brasileiro e ao desmatamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Apesar dos coment\u00e1rios do prefeito, no entanto, Mato Grosso &#8211; que se traduz como floresta densa &#8211; historicamente teve uma das taxas mais altas de desmatamento no Brasil. No ano passado, o desmatamento no bioma de savana que domina a regi\u00e3o aumentou 43 por cento, segundo dados oficiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-39786 aligncenter\" src=\"https:\/\/images.anoregmt.org.br\/955a00a2a7e1478d89b1bbc7a669f517:anoregmt\/2024\/03\/imagem.jpg\" alt=\"\" width=\"513\" height=\"343\" srcset=\"https:\/\/images.anoregmt.org.br\/955a00a2a7e1478d89b1bbc7a669f517:anoregmt\/2024\/03\/imagem-300x200.jpg 300w, https:\/\/images.anoregmt.org.br\/955a00a2a7e1478d89b1bbc7a669f517:anoregmt\/2024\/03\/imagem.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 513px) 100vw, 513px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Uma estrada em constru\u00e7\u00e3o em Boa Esperan\u00e7a do Norte tem como objetivo conect\u00e1-la \u00e0s principais rotas interestaduais. Mato Grosso j\u00e1 foi visto como um estado desolado e isolado, mas hoje \u00e9 um dos mais ricos do Brasil. \u00a9 Ricardo Lisboa\/FT<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Tamb\u00e9m h\u00e1 uma relut\u00e2ncia mais ampla entre os agricultores tipicamente conservadores em reconhecer &#8211; e se preparar para &#8211; um clima globalmente em mudan\u00e7a. No ano passado, o Brasil experimentou uma onda de calor sem precedentes em todo o pa\u00eds, graves inunda\u00e7\u00f5es no sul e uma seca hist\u00f3rica e devastadora na Amaz\u00f4nia. A floresta tropical \u00e9 particularmente importante porque seu ecossistema de reciclagem de \u00e1gua cria a precipita\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para alimentar os campos de Mato Grosso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Os efeitos desses eventos clim\u00e1ticos na agropecu\u00e1ria foram imediatos. Em Mato Grosso, os agricultores est\u00e3o prevendo sua menor colheita de soja em pelo menos 15 anos, com uma m\u00e9dia de 52,12 sacas por hectare, 10 sacas a menos do que na colheita anterior, segundo dados da EarthDaily Agro, um grupo de an\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0A produ\u00e7\u00e3o nacional de soja est\u00e1 projetada para ter ca\u00eddo para cerca de 150 milh\u00f5es de toneladas m\u00e9tricas este ano, em compara\u00e7\u00e3o com 162 milh\u00f5es no ano passado, de acordo com dados da MD Commodities. Dados oficiais finais estar\u00e3o dispon\u00edveis no pr\u00f3ximo m\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;Agro j\u00e1 est\u00e1 sendo impactado pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas,&#8221; diz Paula Packer, chefe de meio ambiente da Embrapa, uma ag\u00eancia de pesquisa e desenvolvimento agr\u00edcola amplamente creditada por lan\u00e7ar as bases para o boom agr\u00edcola do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Enquanto os agricultores em Mato Grosso reconhecem o impacto do El Ni\u00f1o, eles evitam avalia\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de que o fen\u00f4meno clim\u00e1tico est\u00e1 sendo exacerbado pelo aumento das temperaturas globais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;Os agricultores s\u00e3o conservadores,&#8221; diz Packer. &#8220;Mas no m\u00e9dio ou longo prazo eles ir\u00e3o [agir] para evitar perdas em suas colheitas.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Ela diz que uma op\u00e7\u00e3o \u00e9 o uso de biol\u00f3gicos, ou bact\u00e9rias que podem ser adicionadas \u00e0 cultura durante o plantio para atuar como um tipo de umidificador &#8220;para que a planta possa sobreviver quando voc\u00ea tem seca&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 o desenvolvimento de culturas geneticamente modificadas mais resistentes ao clima. Este \u00e9 o caminho adotado pela SLC Agr\u00edcola, que opera enormes planta\u00e7\u00f5es de soja, milho e algod\u00e3o em Mato Grosso e em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;HB4 \u00e9 o nome da tecnologia. \u00c9 uma cultura geneticamente modificada, que consome menos \u00e1gua e \u00e9 mais resiliente,&#8221; diz Pavinato. &#8220;Durante uma seca, com a variedade normal, podemos perder 30 por cento da colheita. Com o HB4, podemos perder 15 por cento e economizar 15 por cento.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Pavinato tamb\u00e9m destaca a import\u00e2ncia do manejo do solo. T\u00e9cnicas mais simples, como o uso de culturas de cobertura e agricultura sem ara\u00e7\u00e3o, podem prevenir a eros\u00e3o, melhorar a sa\u00fade do solo e torn\u00e1-lo mais resistente a um clima mais rigoroso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;Eu n\u00e3o acredito que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica ir\u00e1 reverter todos os ganhos que Mato Grosso alcan\u00e7ou, mas o desafio ser\u00e1 manter o ritmo de desenvolvimento,&#8221; diz Felippe Serigati, professor do centro de estudos agropecu\u00e1rios da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;O futuro que vemos hoje para a regi\u00e3o pode n\u00e3o ser alcan\u00e7ado, precisamente devido \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.&#8221; Existem outros riscos, embora indiretos, enfrentando Mato Grosso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Para come\u00e7ar, pa\u00edses que anteriormente n\u00e3o conseguiam produzir soja de forma eficiente come\u00e7ar\u00e3o a aumentar sua produtividade como resultado do clima em mudan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Serigati diz que a competi\u00e7\u00e3o aumentada pode vir da R\u00fassia ou de partes do leste europeu, onde a terra j\u00e1 est\u00e1 &#8220;se tornando mais produtiva e existem regi\u00f5es com condi\u00e7\u00f5es completas para produzir&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;O mercado n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tico. O Brasil costumava exportar frango para a R\u00fassia. Hoje a R\u00fassia \u00e9 exportadora,&#8221; diz ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0A desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica na China apresenta outro desafio. Dos 101 milh\u00f5es de toneladas m\u00e9tricas totais de exporta\u00e7\u00f5es de soja do Brasil no ano passado, 70 por cento foram para o pa\u00eds asi\u00e1tico. Mas analistas agr\u00edcolas dizem que Pequim est\u00e1 buscando tanto diversificar seus fornecedores quanto substituir a soja por uma alternativa mais barata, como uma maior mistura de milho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;Na minha opini\u00e3o, o grande boom na demanda chinesa acabou, pelo menos por enquanto,&#8221; diz Pedro Dejneka, s\u00f3cio da MD Commodities.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;A demanda chinesa por soja tem sido relativamente &#8216;est\u00e1tica&#8217; desde cerca de 2015. \u00c9 uma imagem completamente diferente do crescimento de mais de 600 por cento que vimos entre 2000 e 2015.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Tais avalia\u00e7\u00f5es, no entanto, n\u00e3o turvam o otimismo do mato-grossense. Lafin, o prefeito, est\u00e1 confiante de que a demanda da China continuar\u00e1. Ele tamb\u00e9m cita a \u00cdndia como um potencial novo mercado de crescimento, embora os analistas alertem que a na\u00e7\u00e3o mais populosa do mundo ainda n\u00e3o tenha o n\u00edvel de renda nem o setor de carne industrializada para lidar com a enorme produ\u00e7\u00e3o do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;A voca\u00e7\u00e3o do Brasil \u00e9 a agricultura. \u00c9 alimentar o mundo,&#8221; diz Lafin. &#8220;Comer melhor exigir\u00e1 neg\u00f3cios, ent\u00e3o tenho certeza de que [o setor agropecu\u00e1rio brasileiro] continuar\u00e1 crescendo.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Esta f\u00e9 \u00e9 compartilhada por Yamagata, o tabeli\u00e3o em Boa Esperan\u00e7a, cuja cren\u00e7a no futuro da nova cidade em expans\u00e3o do Brasil \u00e9 inabal\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0&#8220;Eu vim aqui para nunca mais sair,&#8221; diz ele. &#8220;Eu fiz uma aposta e estou totalmente comprometido com isso.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A agricultura est\u00e1 criando riquezas rapidamente e impulsionando a economia nacional. Mas ser\u00e1 que o &#8220;ouro verde&#8221; pode sobreviver a um clima cada vez mais extremo? Bryan Harris em Boa Esperan\u00e7a do Norte \u00a0 \u00a0 \u00a0Vestido com um terno sob &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":39785,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-39784","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39784","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39784"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39784\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39787,"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39784\/revisions\/39787"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}