{"id":39247,"date":"2024-01-22T13:47:56","date_gmt":"2024-01-22T17:47:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/?p=39247"},"modified":"2024-01-22T13:47:56","modified_gmt":"2024-01-22T17:47:56","slug":"stf-separacao-judicial-nao-e-requisito-para-o-divorcio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/stf-separacao-judicial-nao-e-requisito-para-o-divorcio\/","title":{"rendered":"STF: separa\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o \u00e9 requisito para o div\u00f3rcio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0Em novembro de 2023, o STF, por 7-3, determinou que a separa\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o \u00e9 mais requisito para o div\u00f3rcio no Brasil, revogando normas do C\u00f3digo Civil ap\u00f3s a Emenda Constitucional 66\/10. Agora, a \u00fanica exig\u00eancia \u00e9 a vontade m\u00fatua dos c\u00f4njuges (RE 1.167.478, Tema 1.053).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Em julgamento realizado no m\u00eas de novembro de 2023, o STF, por 7 votos a 3, decidiu que a separa\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o \u00e9 um pr\u00e9-requisito para o div\u00f3rcio, bem como n\u00e3o se mantem de forma aut\u00f4noma na legisla\u00e7\u00e3o brasileira. O assunto foi objeto do RE 1.167.478 (Tema 1.053 da repercuss\u00e3o geral).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Na sess\u00e3o realizada em 08 de novembro de 2023 o STF estabeleceu que, com a entrada em vigor da Emenda Constitucional \u2013 EC 66\/10, as normas do C\u00f3digo Civil que tratavam da separa\u00e7\u00e3o judicial perderam a validade. Ainda, conforme a decis\u00e3o, ap\u00f3s a retirada da exig\u00eancia da separa\u00e7\u00e3o judicial da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, o \u00fanico requisito para a efetiva\u00e7\u00e3o do div\u00f3rcio \u00e9 a vontade dos c\u00f4njuges.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0O texto original da Constitui\u00e7\u00e3o Federal dispunha que, para a dissolu\u00e7\u00e3o do casamento pelo div\u00f3rcio, havia a necessidade da separa\u00e7\u00e3o judicial por mais de um ano ou a comprova\u00e7\u00e3o da separa\u00e7\u00e3o de fato por mais de dois anos.\u00a0 O C\u00f3digo Civil dispunha, como n\u00e3o poderia deixar de ser, na mesma linha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0O RE mencionado questiona uma decis\u00e3o do TJ\/RJ que decretou o div\u00f3rcio sem a separa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, considerando que o \u00fanico requisito necess\u00e1rio para dissolu\u00e7\u00e3o do matrimonio \u00e9 a vontade dos c\u00f4njuges. No RE, um dos c\u00f4njuges alegava que a altera\u00e7\u00e3o constitucional (Emenda 66\/10) n\u00e3o teria o cond\u00e3o de anular as regras do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0O Ministro Luiz Fux, relator do caso, firmou entendimento no sentido de que a altera\u00e7\u00e3o constitucional visou simplificar o rompimento do v\u00ednculo matrimonial, afastando as condicionantes, de modo a inviabilizar a exig\u00eancia de pr\u00e9via separa\u00e7\u00e3o judicial para o div\u00f3rcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Seguiram integralmente o voto do relator os Ministros Cristiano Zanin, Edson Fachin, Dias Toffoli, C\u00e1rmen L\u00facia, Gilmar Mendes e Lu\u00eds Roberto Barroso (Presidente do STF).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Por outro lado, os Ministros Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, Nunes Marques e Alexandre de Moraes divergiram do voto do relator, sendo vencidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Para o Ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, embora tamb\u00e9m entenda que n\u00e3o mais existam requisitos para o div\u00f3rcio, a separa\u00e7\u00e3o judicial ainda pode existir como algo separado, sendo v\u00e1lida para os casais que por ela optarem antes de seguir para o rompimento definitivo do casamente (div\u00f3rcio).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Ainda em seu voto, Mendon\u00e7a entende que como n\u00e3o h\u00e1 proibi\u00e7\u00e3o constitucional acerca da separa\u00e7\u00e3o judicial, n\u00e3o caberia ao Poder Judici\u00e1rio estabelecer essa veda\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, votou pela validade da separa\u00e7\u00e3o judicial como instituto aut\u00f4nomo, tal qual previsto pelo C\u00f3digo Civil, desde que haja interesse dos c\u00f4njuges.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Os Ministros Alexandre de Moraes e Nunes Marques seguiram Mendon\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0No entendimento de Moraes a emenda constitucional apenas suprimiu a necessidade de pr\u00e9via separa\u00e7\u00e3o, passando a ser uma op\u00e7\u00e3o do casal ou de um dos c\u00f4njuges escolher entre o div\u00f3rcio com ou sem a separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Tendo em vista, por\u00e9m, que os Ministros Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, Nunes Marques e Alexandre de Moraes resultaram vencidos, as disposi\u00e7\u00f5es do C\u00f3digo Civil relativas \u00e0 separa\u00e7\u00e3o judicial perderam a validade por n\u00e3o encontrarem suporte constitucional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.migalhas.com.br\/depeso\/400536\/stf-separacao-judicial-nao-e-requisito-para-o-divorcio\">Migalhas<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0Em novembro de 2023, o STF, por 7-3, determinou que a separa\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o \u00e9 mais requisito para o div\u00f3rcio no Brasil, revogando normas do C\u00f3digo Civil ap\u00f3s a Emenda Constitucional 66\/10. 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