{"id":36798,"date":"2023-09-05T16:14:11","date_gmt":"2023-09-05T20:14:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/?p=36798"},"modified":"2023-09-05T16:14:11","modified_gmt":"2023-09-05T20:14:11","slug":"artigo-a-complexidade-do-poliamor-uma-reflexao-a-luz-da-recente-decisao-proferida-pelo-tjrs-por-micaelle-maria-monteiro-fiebrantz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/artigo-a-complexidade-do-poliamor-uma-reflexao-a-luz-da-recente-decisao-proferida-pelo-tjrs-por-micaelle-maria-monteiro-fiebrantz\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; A Complexidade do Poliamor: Uma Reflex\u00e3o \u00e0 Luz da Recente Decis\u00e3o proferida pelo TJRS &#8211; Por Micaelle Maria Monteiro Fiebrantz"},"content":{"rendered":"<p><strong>A Complexidade do Poliamor: Uma Reflex\u00e3o \u00e0 Luz da Recente Decis\u00e3o proferida pelo TJRS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumo:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0A mais recente determina\u00e7\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a do Rio Grande do Sul, que formalizou a uni\u00e3o est\u00e1vel entre Let\u00edcia, Denis e Keterlin, trouxe uma nova camada de complexidade \u00e0 discuss\u00e3o sobre a legaliza\u00e7\u00e3o do poliamor no Brasil. Este veredicto, como uma flor \u00fanica e distinta no vasto campo do Direito de Fam\u00edlia, convida-nos a refletir sobre a ess\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es humanas e sobre a import\u00e2ncia de abra\u00e7ar a diversidade em todas as suas formas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Paralelo das Flores na Vida e no Direito:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0No amplo campo da vida, flores diversas desabrocham juntas, cada uma em sua forma \u00fanica. Por que n\u00e3o aceitamos quem \u00e9 diferente de n\u00f3s? Esta quest\u00e3o, t\u00e3o po\u00e9tica quanto jur\u00eddica, permeia a decis\u00e3o do TJRS e nos registra que somos seres \u00fanicos, assim como as flores. Em nossa jornada espiritual e na busca por compreens\u00e3o, \u00e0s vezes, esquecemos que somos parte do mesmo todo, esp\u00e9cie da mesma flor, reflexos de uma \u00fanica luz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Reflexo nas Rela\u00e7\u00f5es Humanas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Assim como as flores n\u00e3o competem entre si, apenas desabrocham, contribuindo para a beleza do conjunto, deveria ser com as pessoas. O relacionamento entre Let\u00edcia, Denis e Keterlin \u00e9 um exemplo vivo dessa harmonia que pode existir em configura\u00e7\u00f5es n\u00e3o tradicionais. Suas diferen\u00e7as os enriquecem, tornando-os \u00fanicos, como partes de uma mesma flor que, juntas, formam um todo belo e singular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Direito de Fam\u00edlia e a Evolu\u00e7\u00e3o da Sociedade:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0\u00c9 imperativo que o Direito de Fam\u00edlia acompanhe as mudan\u00e7as da sociedade e n\u00e3o o inverso. O veredicto do TJRS reflete essa necessidade pr\u00e9via de adapta\u00e7\u00e3o. O direito de fam\u00edlia deve ser como um rio que flui com as \u00e1guas da evolu\u00e7\u00e3o social, moldando-se para reconhecer e proteger todas as formas de amor e uni\u00e3o que florescem em nosso mundo diversificado. N\u00e3o cabe \u00e0 sociedade se ajustar ao direito de fam\u00edlia, mas sim ao direito de fam\u00edlia acolher e amparar as m\u00faltiplas facetas das rela\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Contribui\u00e7\u00e3o da Decis\u00e3o Recente:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0A 2\u00aa Vara de Fam\u00edlia e Sucess\u00f5es da Comarca de Novo Hamburgo, na Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, reconheceu uma uni\u00e3o poliafetiva est\u00e1vel entre tr\u00eas pessoas, que juntas formam um \u201ctrisal\u201d. A decis\u00e3o foi do dia 28 de agosto de 2023. Nesse contexto, o filho que uma das mulheres est\u00e1 gestando ter\u00e1 o direito ao registro multiparental, ou seja, poder\u00e1 incluir os nomes de ambas as m\u00e3es e do pai em sua documenta\u00e7\u00e3o. Esta decis\u00e3o, como um verso que se entrela\u00e7a com a poesia do Direito, refor\u00e7a a import\u00e2ncia de acolher e legitimar as diversas formas de amor e uni\u00e3o que a sociedade contempor\u00e2nea testemunha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma Celebra\u00e7\u00e3o da Diversidade:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0A decis\u00e3o do TJRS n\u00e3o apenas confirma a legitimidade da uni\u00e3o poliafetiva, mas tamb\u00e9m abre portas para uma celebra\u00e7\u00e3o da diversidade que nos rodeia. Assim como as flores que crescem juntas, apesar das diferen\u00e7as, podemos florescer em harmonia, aceitando e valorizando o que nos torna belos como indiv\u00edduos e como sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Este \u00e9 um cap\u00edtulo importante no livro Direito de Fam\u00edlia, que busca, acima de tudo, compreender e proteger as diferentes formas de amor e uni\u00e3o. \u00c0 medida que avan\u00e7amos, que possamos aprender com a natureza e com a poesia do campo da vida, e que possamos celebrar uma diversidade que nos torna verdadeiramente \u00fanicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Micaelle Maria Monteiro Fiebrantz \u00e9\u00a0Tabeli\u00e3 e Registradora Substituta do 2\u00ba Of\u00edcio de Nova Cana\u00e3 do Norte\/MT; Especialista em Direito Notarial e Registral; Especialista em Direito de Fam\u00edlia e Sucess\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>Cita\u00e7\u00f5es Legislativas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">C\u00f3digo Civil (2002)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lei n\u00ba 6.015, de 31 de dezembro de 1973<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Constitui\u00e7\u00e3o (1988)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lei da Multiparentalidade (Lei 13.977\/2020) \u2013<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cita\u00e7\u00f5es Bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dias, Maria Berenice. \u201cManual de Direito das Fam\u00edlias\u201d. Editora Revista dos Tribunais, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PEREIRA, Rodrigo da Cunha. &#8220;Fam\u00edlias Contempor\u00e2neas: Aspectos Jur\u00eddicos Relevantes.&#8221; Editora Saraiva, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veloso, Zen\u00e3o. &#8220;Direito das Fam\u00edlias Contempor\u00e2neas.&#8221; Editora Del Rey, 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TARTUCE, Fl\u00e1vio. \u201cDireito Civil: Direito de Fam\u00edlia\u201d. Editora M\u00e9todo, 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Madaleno, Rolf. \u201cCurso de Direito de Fam\u00edlia\u201d. Editora Forense, 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cassettari, Christiano. &#8220;Multiparentalidade: Direito, Gen\u00e9tica e Afeto.&#8221; Editora Atlas, 2014<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.rodrigodacunha.adv.br\/10-decisoes-indispensaveis-para-quem-quer-entender-a-multiparentalidade-no-direito-de-familia\/\">https:\/\/www.rodrigodacunha.adv.br\/10-decisoes-indispensaveis-para-quem-quer-entender-a-multiparentalidade-no-direito-de-familia\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Complexidade do Poliamor: Uma Reflex\u00e3o \u00e0 Luz da Recente Decis\u00e3o proferida pelo TJRS Resumo: \u00a0 \u00a0 \u00a0A mais recente determina\u00e7\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a do Rio Grande do Sul, que formalizou a uni\u00e3o est\u00e1vel entre Let\u00edcia, Denis e Keterlin, &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":36799,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-36798","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36798","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36798"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36798\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36800,"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36798\/revisions\/36800"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36799"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}